Lista de Poemas
Beleza outonal
As folhas caem dos braços da mãe
E despedem-se da beleza outonal
Despencam-se elegantemente
Num vôo simulado de alegria
Numa despedida delicada
Arrastadas pela simples beleza
Seduzidas na inocente leveza
Ao doce balanço da gravidade
Ao suspiro frio da nova estação
E voltam submissas ao mesmo chão
Ao mesmo útero que as fez nascer
A mesma matriz que as fez crescer
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EXPECTATIVA
A cada dia me emudeço
A cada minuto me desfaleço
Como um soldado sentinela
No alto de minha janela
Pra capturar uma poesia
Seja de um triste ou alegre dia
Ou no por do sol escondido
Por um olhar desapercebido
Como um grito de criança
Como um grito de criança
Na voz viva a esperança
Uma brisa discreta que passa
No telhado úmido a fumaça
Mesmo um pássaro voando
Entre nuvens brancas passando
Vai na esquina uma despedida
Criaturas de paixão nascida
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Natureza mutante
O dia se foi. Estou voltando do trabalho para a casa, me deliciando com a transição das paisagens de inverno. Vejo montanhas e bosques parcialmente cobertos de neve. Ponta de penhascos húmidos banhados de sol. Árvores desfolhadas ao longo da estrada açoitadas pela brisa gelada de uma temperatura imperdoável. Centenas de carros formando um longo cordão sinuoso de luzes simétricas refletindo na estrada o branco abstrato.
No horizonte, o pulgente vermelhão alaranjado do sol, vai aos poucos dando espaço as cores texturizadas de lilaz e azul cobalto escuro.
A noite por sua vez, vai chegando com sua maneira peculiar de transformar tudo e chamar a todos para o repouso.
Enquanto isso, a luz do palco do céu vai lentamente se apagando e magnificas nuvens elegantemente vestidas dançam incríveis melodias orquestradas pelo vento.
O que era minutos atraz, um gigantesco lençol branco cobrindo a imensidão da paisagem, agora é um mar de cristal escurecido, em cujo seio, se escondem todas as cores misteriosas da natureza.
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INFINITO & SUPREMO
Tua existência explica
Descomplica, simplifica
Encontra, acha
Absolve e resolve
Resgata e levanta
Tua existência esvazia
Decentraliza e centraliza
Se derrama e compartilha
Sacrifica, aromatiza
Caminha a segunda milha
Tua existência julga
Governa e moraliza
Quebra o julgo e teocratiza
Faz justiça e destroniza
Traz a paz e realiza
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FRAGMENTOS
Meu pedaço de hoje
Meu fragmento de vida
Derramando sem remorso
Seus minutos de ouro
Nessa vala escorregadiça
Desse sofrer não programado
Que me faz escapar pelo dedos
Todo querer voraz
Toda audácia desvairada
Toda ilusão sentida
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larvas vulcânicas
Escrever coisas que a gente gosta
É dar asas à liberdade
É pairar sobre o ninho
Liberando os ovos incubados
Da imaginação na grafia
É soltar das rédeas a ânsia
Que ópta pelo sofrer
A dor incessante da reflexão
Fazer acrobacia com o pensamento
Fustigando a fera enjaulada
Não domesticada do potencial
Desatar águas dormidas
Do subconsciente represado
Vomitando larvas vulcânicas
Numa cratéra de idéias
Numa busca de paixão
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labirintos da inocência
Nas horas monótonas do silêncio
Na quietude translúcida da noite
Sinto na alma inerte o açoite
Das lembranças suaves de um tempo
Quais nuvens guiadas ao vento
Como aves de saudades ardentes
Trazidas pelas brumas quentes
De um tempo onde tudo era lindo
Como um balão de cores caindo
Em um coração infante sorrindo
Um passado de façanhas
Onde brincávamos livres e soltos
Nos labirintos da inocência
Quando o tempo corria lento
Pra espiar os nossos sonhos
A gente se perdia e se encontrava
Amava, gritava e saltava
Agora a gente lamenta ao invés de rir
Pois o velho tesouro bateu asas e voou
Baú de recordações que o vento levou
Na quietude translúcida da noite
Sinto na alma inerte o açoite
Das lembranças suaves de um tempo
Quais nuvens guiadas ao vento
Como aves de saudades ardentes
Trazidas pelas brumas quentes
De um tempo onde tudo era lindo
Como um balão de cores caindo
Em um coração infante sorrindo
Um passado de façanhas
Onde brincávamos livres e soltos
Nos labirintos da inocência
Quando o tempo corria lento
Pra espiar os nossos sonhos
A gente se perdia e se encontrava
Amava, gritava e saltava
Agora a gente lamenta ao invés de rir
Pois o velho tesouro bateu asas e voou
Baú de recordações que o vento levou
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comtemplação
Naquela curva da estrada
Sofisticada, serena
Divina
Sentei me e chorei
Ao ver a longitude
Azul, opaca, secreta
E cobalto
Do horizonte.
Cores que não mentem
Ventos que não voltam
Sentimentos que não traem
A força de todo verde
Contemplação, solitude.
Nuvem bonita
Nem chuva, nem sol
Muita calma
Águia navegando
Vento, geometria, balanço.
Perfeição
Inveja, vontade!
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Sedução do ser
Pensar poema é algo trancendente
Inspiração da beleza abstratamente
Inspiração da beleza abstratamente
Como se um fogo ascendesse tão repente
Ou em forma de um insigth gradualmente
É um tipo de paixão que mexe com a gente
Você se deixa exilar em terra ausente
Com sintomas fortes que ninguém sente
Dando ouvidos a alma ao que esta latente
É a sedução do ser de modo diferente
Um escapismo esporádico imanente
Sentimento se renovando incansavelmente
Num oásis sem o calor incandecente
Onde os rios descem caudalosamente
E os ventos te acariciam suavemente
E coisas acontecem supreendentemente
E os ventos te acariciam suavemente
E coisas acontecem supreendentemente
Imagine a lua sorrindo para o sol poente
Ao observar a terra inocentemente
Para escrever sem medo aquilo que sente
102
Crinas esvoaçantes
Escrever é sentir a música
É se deixar sedar e arrastar
Pelas palavras que embriagam
É querer sofrer um sofrer gostoso
Num desejar contínuo de pensar
É flutuar nas águas do passado
Nas correntezas das lembranças
É mexer no quebra cabeça da vida
Calvalgar no cavalo do tempo
Sentindo no rosto da alma
Suas crinas longas esvoaçantes
É ouvir do vento perfumado
Coisas e segredos das estações
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Comentários (2)
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belê
Muito bom! Gostei