Charlanes Olivera Santos

Charlanes Olivera Santos

Sou Poeta, escritor 2 livros publicados, cineasta diretor de cinema amador, Enxadrista amador-pro jogo Xadrez, Estudo Frances, fui candidato a vereador em 2016, Presidente da ANJOS Associação Nacional dos Jovens Solidários, Trabalhei na Prosoft e Prefeitura da cidade

n. 0000-00-00, 08/09/1992

Perfil
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Parnassus

A vida é uma peça encenada no tempo,

e ela passe devagar para que eu possa escrever um verso.

Parnassus o portal da cidade dos poetas... onde esconde o sol de Apolo... estive lá por um tempo no congresso do Druidas...

E no reverso do amor, entre arcanos e brumas, nasceu o poeta ferido de beleza e palavra da lua do ar lua tão rara era meu destino e meu fim...

Havia um verso estendido,

abraçando o céu como quem não teme a queda,

e em ti vejo a essência do tempo

esse rio invisível que tudo leva e tudo marca.

Sinto meus dias expiarem-se em silêncio,

na beleza que viceja em ti,

flor tardia que insiste em nascer

mesmo no inverno da alma.

Queria prolongar o coração,

esticá-lo como quem segura a tarde,

pois depressa vem o meu fenecer,

e o corpo sabe o que a esperança tenta negar.

Enumerar infinitamente todos os meus dons

seria pouco;

selaria cada palavra com teus beijos,

como se o amor fosse a única assinatura legítima.

E nesses papéis amarelados,

leio o que escrevi há tanto tempo:

o meu amor é o mesmo,

intacto, apesar das ruínas.

Meus desprezos, educados pela dor,

poriam fim à ira deste poeta

sem ponto final,

pois enquanto houver verso,

a vida ainda insiste em continuar.

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Biografia

Sou cristão da CCB, mais gosto de filosofia e astrologia tenho pensamentos estranho com viagem no tempo sonhos lúcidos poeta louco fingindo se sã kkkkkk tenho sorriso fácil romântico bobo, apaixono fácil e acredito muito nas pessoas sobre o amor, desconfio de conspirações e não dou sorte para o azar, sou caseiro gosto de cozinha e gosto de cinema, rock anos 70 80 90 e música boa MPB osvaldo monte negro, Djavam Lulu Santos, BELCHIOR, Chalei braw Jr, O Rappa, engenheiros do hawaii etc  

Poemas

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Parnassus

A vida é uma peça encenada no tempo,

e ela passe devagar para que eu possa escrever um verso.

Parnassus o portal da cidade dos poetas... onde esconde o sol de Apolo... estive lá por um tempo no congresso do Druidas...

E no reverso do amor, entre arcanos e brumas, nasceu o poeta ferido de beleza e palavra da lua do ar lua tão rara era meu destino e meu fim...

Havia um verso estendido,

abraçando o céu como quem não teme a queda,

e em ti vejo a essência do tempo

esse rio invisível que tudo leva e tudo marca.

Sinto meus dias expiarem-se em silêncio,

na beleza que viceja em ti,

flor tardia que insiste em nascer

mesmo no inverno da alma.

Queria prolongar o coração,

esticá-lo como quem segura a tarde,

pois depressa vem o meu fenecer,

e o corpo sabe o que a esperança tenta negar.

Enumerar infinitamente todos os meus dons

seria pouco;

selaria cada palavra com teus beijos,

como se o amor fosse a única assinatura legítima.

E nesses papéis amarelados,

leio o que escrevi há tanto tempo:

o meu amor é o mesmo,

intacto, apesar das ruínas.

Meus desprezos, educados pela dor,

poriam fim à ira deste poeta

sem ponto final,

pois enquanto houver verso,

a vida ainda insiste em continuar.

35

Sucinto

Deveria abafar o ar agora,

criar com lâminas a última arte:

riscos fixados aqui, no agora, eternamente…

estou cansado.

Cresce o desespero da inquietude;

assim fenecerás em mim, o meu eu.

Em uma cor, a dor dos teus e dos meus

e te despedes.

Com sangue novo e mãos paradas,

sem conter, concedes;

e não mais envelhecerei…

Aqui reside, tão tola, a sabedoria

de parar o tempo.

E no processo o progresso da loucura

da velhice e da decrepitude não me alcançarás.

Importa que o tempo cesse?

Só parar a dor,

em vez de costurá-la

com os remendos da espera…

E dos três tempos, em um só mundo,

me despediria.

Duros, amorfos e rudes.

Cujo presente abundante esculpiu

deverás, como símbolo da solidão,

produzir para não fenecer.

E os ponteiros que arranham

e passam no relógio

tais silêncios, gritos.

Há noite medonha:

por que vem naufragar o dia?

E tal violenta ideia

a violeta esmaecida?

Já são tantas vozes

e rostos sem um beijo seu.

E as lembranças minguam seu viço no tempo,

o calor com sua sombra de verão

atada em feixes de raios solares…

E nada detém a foice do tempo,

o fardo do tardio.

21

Amor e anil

O tempo de asas de anil

paira sobre o infindo rio azulejado,

onde águas sagradas correm caudalosas

em direção ao mar de cristal,

à beira da areia clara

que arde na púrpura do horizonte,

cortada pela lâmina dourada do sol poente.

As velas sacudidas pelos ventos antigos

rangem segredos no ar salino,

enquanto o mundo gira lento

como um cântico antigo de criação.

Teus cabelos, madeixas em desalinho,

dançam livres,

indisciplinados como o próprio tempo,

e teus olhos refletem esse ardor dadivoso,

essa estação de luz que insiste em florescer.

Há em ti um alado invisível,

uma chama que atravessa as eras,

teu corpo feito de claridade

exaurindo-me em doçura,

consumindo-me sem ferir,

até que eu feneça de amar,

como o dia que morre belo

nos braços da noite.

E nesse fim que não é término,

aprendo que amar é isso:

ser rio, ser vela, ser vento,

arder sem pressa,

e aceitar que o tempo,

com suas asas de anil,

nos leve

inteiros

para além do horizonte.

77

Cronos e caos

O hoje conseguiria rasgar-me aqui

como um mau ator no palco,

a pele ressecada gritando

e todos embriagados, sem prestar atenção.

Sem uma libra na madeira do palco…

dizer uma palavra de hoje

e ninguém saber o seu significado.

Temer o próprio papel:

apropria-se a fera,

tomada pelo excesso do tempo.

A sublime cerimônia do enlace amoroso

do meu eu só.

Em cada salto, o poder parece decair,

sem poder fugir de mim;

meu rosto verte no espelho,

a dor conhece os presságios surdos

do meu peito arfante.

Nada muda.

Ansiavam o caminho

e procuram a recompensa da língua

que tanto expressou o erro das palavras

no desejo seu.

O amor, em silêncio, escreve no escuro;

os olhos brindam e pintam-te,

e tua face lança-se no abismo comigo.

Morde-me o peito tão fundo

que consome até o ar.

E o ser que verteres do teu alento,

se não isto, eu o prenunciaria.

A fórmula da tua beleza

na tela dos meus olhos

a moldura contida,

tua imagem retratada em todo o meu espaço,

pendurada nas janelas lustradas: você.

16

Eclipse da alma

Alma eclipsada busca á noite caudalosa que caminha você e fulguras os meus caminhos acenderão e eu seguir-te ei e serás o meu destino desfila-te e decifrarei do início ao final...

Desafia-me alcançarei o teu desejo...

Mesmo que me custe a pele,

mesmo que o tempo fira-me os ossos

Os seus olhos, paisagens soturnas de eclipses solares o seu beijo lunares

Jogarei versos e poesias lemúrias entregues ao vento para que ele as espalhe onde o meu nome já não alcança...

O seu nome cálido alento o teu lume arrefece as tormentas, apascenta as minhas mágoas e desturva desnubla a minha mente, céu este novelo desesperançado

E no linear do tear tecerei você á mim... fio a fio, até que não se saiba onde começo ou termino.

Te todas as faces impassíveis, atos crudelíssimos,

corações desarvorados e ainda assim foste tu quem me fez enamorado.

Nós sonhares o pactuo divino nas cordas deste vão onde os meus sonhos se aglutinam você me os meus dias tenebrosos vão se desanuviando e defenestrando pela luz incerta nesta insensatez...

24

Na curva do infinito

O tempo escorre lento entre meus dedos

feito mel antigo ferindo a manhã

teu nome arde nas paredes do peito

sou casa vazia chamando teu vão

Caminhas na noite com passos de lua

e o mundo silencia pra te ouvir passar

meus dias se inclinam, cansados, em prece

pedindo teu riso pra não naufragar

Se tudo é instante

deixa-me ficar

no segundo exato

em que teus olhos me chamam de lar

Na curva da eternidade eu te espero

onde o fim já não sabe começar

teu corpo é o verso que o tempo respeita

meu destino aprendeu a te amar

Se o céu desabar sobre os dias cansados

serei chão, serei chama, serei paz

na curva da eternidade, amor

somos dois — e isso basta demais

Há poeira de estrelas nos teus cabelos

e um outono doce na tua voz

teu beijo é maré que apaga meus medos

me ensina a morrer só um pouco em nós

Carrego silêncios que só tu decifras

como quem lê salmos na pele nua

meu coração, cansado de guerra,

depõe as armas quando és tu quem atua

Se o mundo sangrar

não vou fugir

teu nome é o verbo

que me faz existir

Na curva da eternidade eu te espero

onde o tempo se esquece de correr

teu amor é o erro mais certo

que escolhi repetir sem temer

Se a noite cair sobre os olhos do dia

serei luz que não pede razão

na curva da eternidade, amor

te entrego meu fim e ressurreição

E se eu fenecer antes do amanhã

guarda em ti meu último som

fui teu verso mais imperfeito

mas te amei em cada tom

Na curva da eternidade eu te espero

sem relógio, sem medo, sem véu

se amar é cair no infinito

que eu caia contigo céu

20

Arainus

Tu es o ego feminino de uma flor a essência da liberdade prometida
Sonhos silencioso suave soprou ao meu sentindo a sonhar como poesia você estava lá como um inspiração poética linda
Ti encontrei nas orlas da felicidade como a perfeição sem tirar nem precisar acrescentar nada
seus olhos meu encanto agora seus lábios o desejo tocá-los
vejo o tempo e nos no altar como estava escrito
Ainda tremelo meu coração temorizado com medo de estraga as coisas boas que viram
Quero viver isso agora! me deixar levar apaixonar por alguém que conheço de uma forma misteriosa
Navega nas ondas celebrais e sobre a alvorada cantar cobre a aureola do dia meus poemas a ti
E sobre o canto do roixinol o arco-ires pode doá-lo a ti
amar a ti e por ti amar somente a ti 

91

Chuva no fim da manhã

O ar ainda quente começa a chuva do roll da sacada as com flores rosas nas asas dos ventos, suave movimentos agitados...

O céu ainda furados a luz pelas nuvens claras contrasta com achegada das acinzentadas quase negras chuvas passageiras aproposito...

Aula de astrologia fascinante... mesmo sem diploma... mais aqui em baixo tudo vivo em movimento a vida acontecendo...

Não há erro! Semente propósito...

Manhã que recebe à tarde com chuvas e no deslocar da passagem do tempo o viajante estacionado na beleza da virtude do natural...

Parece que mesmo sem nada sobre o amor a presença nas linhas da saudades aguça há visão disso tudo...

E assim, a manhã se dobra em véus de água,

como se o tempo lavasse o próprio rosto

para começar de novo

As gotículas deslizam pela vidraça com a pressa mansa de quem conhece o destino, e cada som no telhado é uma sílaba

do poema que o dia insiste em declamar.

O horizonte respira fundo, deixando que a tarde se introduza devagar, caminhando entre sombras úmidas, entre flores que se abrem e lembranças que insistem em ficar.

E mesmo que o amor não seja dito, ele escorre pelas bordas do instante, silencioso como as águas caindo,

quase escondido, mas presente como saudade que aperta

e ilumina tudo por dentro.

No fim, a chuva cessa, mas deixa o perfume de recomeço no ar.

E o viajante você, eu, qualquer alma à deriva segue observando o mundo crescer de novo, sabendo que cada manhã tem seu próprio segredo, e cada chuva é uma bênção que passa para revelar a beleza do que permanece.

23

P da poesia

Precipício paranormal propaga parece peculiar sem permissão força primitiva como um paradoxo sem força de processar um problema paralelo talvez apenas perverso patético pretexto poético

parecia um vírus na pandemia...

Pesei explicar com uma parábola, portanto me perdi

preceito que não procede e perplexo promovi esta e pleiteava

Estas plácida precisão sem muita pesquisa, percebe as falhas?

Sem prosperidade proferir perfeito erro pensei em protelar

sem querer parabéns mais fico a postular tiver preletor ruim

perdurar a profunda parceria com a preguiça

possamos logo a projeção propagar a proposta do professor propício seria sua presença permitir desfazia este percalço...

Precisar proposta perfazer o que é patriota verdadeiro propenso ao erro precípuo nunca pacífico previsão, psíquico bom paciente de algum lugar fechado que finge proteger, mas sempre a preterir

e algo ficando pendente com a sua parvoíce de guarda em pernoite

fine ou é putativo e proativo do mesmo percurso que faz parte

a pungente eu já tinha predição de presumir a paquera agora e vi a puérpera já sem dor deixei tudo no prefácio sem profanar a promoção prendada

ele era rico ela uma princesa pirralha e logo gastar a profusão

de noite profunda o provedor cara de paisagem que provocar

as vezes paridade a proteção como promessa a procurar precípua prostrar provavelmente sem provação sempre paixão, pioneiro

pilantra primeiro perturba perverso prejuízo de sonhos

precário de amor produzir pirralho papagaio programa logo um patrício préstimo nunca um paladino profecia sem príncipe

poluição de mente projetar a injustiça

Sem prebenda um profano!

e o puro...

E eu um projétil de ciência possessa vulto palanque perplexo deste protesto

vejo ao voo panapaná e a sua progênie largada lagarta permeado da minha prognose errada

possesso palestra são meus pensamentos em placidez propagar palavras que partilho de um conceito de parasita de pastagem

são pródromo, mas pertence ao pobre o progresso, mas eles prossegue fingindo se os produtores

sou fraco na prosódia para definir eles parentes, pertença não estou aqui para perjurar, mas são tantos padrinhos no mundo populoso de picareta solto

E eu preso no polígono vou publicar as vezes a mente primata, mas prometo não ser polêmico como proposta. Parei cansei

27

POESIA curador releitura da obra de Van Gogh

 

As pinturas como poesia sentimento sobre o que sentia, os seus céu de traços e pinceladas onduladas sentimentos nas suas noites solitárias à beleza do trigo maduro movimentando com sopro ventos, os corvos e emocional tumultuado do gênio Van Gogh, com um céu tempestuoso, corvos escuros e um caminho sem saída, simbolizando "tristeza, extrema solidão"...

Noites ondulantes estrelas mesclada ao manto noturno ondas de pensamentos sentimentos puro da beleza da solidão em versos de tinta a pintura que fala calada...

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POESIA curador releitura da obra de Van Gogh

Van Gogh…

o homem que pintava aquilo que o coração não conseguia dizer,

um sopro de luz dentro da loucura, um grito azul posto em cada estrela que tremia no céu...

As pinturas como poesia versos que não cabiam na boca

escorriam pelos dedos em pinceladas febris, traços ondulados como se o mundo respirasse em curvas, em redemoinhos,

em tempestades que só ele enxergava...

Seu céu… não era apenas céu, era mente em ebulição,

mar noturno que girava lento e profundo, um pulsar elétrico de esperança e desespero, uma janela para aquilo que ninguém queria ver

A beleza trágica do caos.

E nas noites solitárias, o silêncio se tornava tinta,

a dor virava constelação, e o mundo, tão pesado, encontrava leveza

nos dedos que tremiam, mas nunca deixavam de criar.

O trigo maduro dançava para ele, como se reconhecesse o artista que via mais que a simples cor dourada balançando ao vento

ele via a respiração da terra, a pulsação do universo

em cada haste curva.

Mas lá estavam eles os corvos, escuros como presságios,

pairando sobre o campo como pensamentos sombrios,

como sinais do destino apertado em seu peito.

Um caminho sem saída atravessava o quadro a estrada da alma que caminhava para dentro, sempre para mais dentro,

onde a tristeza ecoava como um poço sem borda.

O céu tempestuoso…

rasgado por tons violentos de azul e amarelo, era o retrato perfeito de seu coração febril.

E no meio daquele vendaval de cores, a solidão brilhava não como fraqueza, mas como verdade.

Noites ondulantes, estrelas que pareciam ouvir,

as pinceladas enroladas no manto noturno como ondas de pensamento, correndo entre a dor e o fascínio,

entre a loucura e o sublime.

Porque na solidão dele havia pureza, havia a beleza crua de quem sente tudo demais, de quem transforma desespero em cor,

silêncio em movimento, angústia em eternidade.

E sua pintura, calada, falava mais que qualquer voz humana

falava do medo, da esperança rasgada, da luz que insiste em continuar queimando mesmo quando a alma desaba em sombras.

Van Gogh,

o homem que transformou o próprio coração em tempestade,

e da tempestade fez arte. E assim, no limite tênue entre o brilho e o abismo, continuar pintando a si mesmo, mesmo quando o mundo já não cabia em seu peito...

Cada cor que escolhia era uma cicatriz antiga, um lembrete daquilo que sentia e ninguém via.

O amarelo não era sol apenas, era febre, era chama, era o desejo de existir.

O azul profundo, esmagado, era o desmaio da alma,

era o eco das noites em que o silêncio o engolia.

E havia o preto dos corvos, cortando o ar como pensamentos afiados, como sombras que pousam na mente

e começam a picar devagar, abrindo feridas invisíveis

que sangram apenas por dentro.

No campo infinito, o vento falava com ele, e ele respondia com pinceladas… uma conversa muda entre alma e universo,

entre solidão e delírio.

Às vezes parecia que a própria terra chorava, lançando sobre ele um lamento antigo, um pranto que arranhava o tempo

e atravessava o trigo ondulante como uma mão pálida buscando socorro.

E ele caminhava sempre sozinho pelo caminho sem fim do próprio quadro, como se pudesse encontrar respostas

nas curvas daquele horizonte torto, onde o céu parecia pesar tanto

que quase tocava o chão.

O gênio não via apenas o mundo, ele o respirava,

absorvia cada dor, cada cor, e devolvia tudo ao papel

como se cuspisse a alma pixel por pixel, tinta por tinta,

na eterna tentativa de aliviar o peso do peito.

Mas a arte nunca o aliviava o incendiava.

O queimava era bênção e ferida.

Era uma chama que iluminava e consumia ao mesmo tempo não é um quadro é um testamento...

É um coração posto na beira do precipício, batendo rápido,

suando luz, tentando sobreviver à própria tempestade interna.

E, mesmo assim, há beleza uma beleza brutal, dolorosa, como ver uma estrela morrer emitindo sua última explosão de brilho.

Van Gogh pintava o que não cabia no corpo e por isso suas obras até hoje respiram porque carregam um pouco dele,

um pouco de nós, um pouco da eterna luta entre luz e sombra

que existe em todo ser humano.

E na noite ondulante, nas estrelas turbilhonadas,

nos céus que parecem vivos, ouvimos ainda sua voz silenciosa, dizendo “Mesmo na loucura… ainda existe luz. ”E ali, no interior dos quadros, a tinta respirava como carne, cada cor pulsava como veias abertas, e o mundo de Van Gogh

não era pintura: era organismo vivo.

Entrar em suas obras era ouvir o coração do céu batendo,

um tambor subterrâneo que ecoava em ondas circulares,

espiralando como seus traços traços que pareciam segurar o universo para que ele não desmoronasse.

A noite estrelada não estava parada, ela girava num silêncio vibrante, como se cada estrela fosse um pensamento dele

tentando se libertar da própria dor.

Algumas brilhavam forte, como lampejos de esperança tardia.

Outras tremiam, quase apagando,

como se estivessem cansadas de sustentar tanto peso.

E nós caminhávamos ali, pelas curvas líquidas de cor,

pelos redemoinhos de azul profundo, onde o céu parecia uma mente fragmentada tentando juntar seus pedaços.

Em “Campo de Trigo com Corvos”, o vento tinha cheiro de despedida.

As hastes douradas sussurravam segredos, balançando como almas inquietas, e os corvos cortavam o horizonte como lâminas negras, ferindo o silêncio, anunciando algo inevitável.

O caminho central aquele que parece ir a lugar nenhum

era a estrada interna do gênio estreita, torta,

um corredor mental entre a luz e o colapso...

A cada passo, a tristeza se adensava, como névoa dourada cobrindo tudo, pesada, mas estranhamente bela.

E então víamos ele ali, não o homem,

mas seu espírito inquieto, se movendo pelas pinceladas,

tocando cada cor com dedos invisíveis.

Ele tentava falar mas não havia voz.

Somente cor Somente gesto Somente a respiração abafada

de um sentimento que não cabe no corpo humano.

A solidão não era ausência era presença densa, esmagadora,

que se deitava sobre o quadro como uma sombra antiga.

E ainda assim, mesmo nessa tempestade emocional,

havia uma pureza triste, uma ternura ferida,

uma luz tímida que nunca desistia mesmo quando tudo parecia ruir.

Porque Van Gogh não pintava para ser visto, pintava para sobreviver.

Cada obra era uma tentativa de manter o coração aberto,

de impedir que a escuridão interna o consumisse por completo.

E o que ele deixou ao mundo não foi só cor,

não foi só forma foi o mapa emocional

de um homem que sentiu tanto que precisou explodir em arte.

Hoje, quando olhamos suas telas, não vemos apenas pintura:

vemos o fantasma da luz lutando contra a sombra, vemos o eco de uma alma que ardeu demais, vemos a eternidade engastada em cada pincelada, como se dissesse:

“A dor passa,

mas o brilho que deixamos

fica.”

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