Lista de Poemas
O Causo do o do u
O Causo do o do u
Que não sendo buraco seja fenda, porque a introdução do poema precisa referência,
E os meus olhos sentem a carência de sentir de perto, ponto por ponto, vírgula por vírgula,
Que não sendo a tua pele sejam os teus pelos, pois pelo menos o que escrevo carece de penugens, de plumagem de algum apelo que seja do teu corpo nu
Que não sendo rua seja nua, pois eu troco as letras com frequência e a senda sendo a linha há de querer se escrita, mas que se esse(S) for efe (F), pode ser por onde a boca úmida comece, a dar forma às palavras orais, verbalmente ditas, sentidamente proferida, ou intencionalmente confundida, sendo fundida com ungida e benta, sacrilegamente penetrada como uma saída à falta de rima nobre, mas tendo a indecência busca dar algum uso aos confusos pensamentos de quem desorientado pensa que saída é entrada e entra.
Que não sendo jardins seja rosa, de preferência amarelo bem forte, para preencher o poema de ardência e amplidão, e que não sendo folha seja pétala cedida à cadência do poeta e que fingido acredita que ela é flor, ainda que sendo mulher
Faz poesia acreditando que perfume é tinta e pinta a escrita como flor, enquanto com ela faz amor
Do meu livro Causos Complicados
Que não sendo buraco seja fenda, porque a introdução do poema precisa referência,
E os meus olhos sentem a carência de sentir de perto, ponto por ponto, vírgula por vírgula,
Que não sendo a tua pele sejam os teus pelos, pois pelo menos o que escrevo carece de penugens, de plumagem de algum apelo que seja do teu corpo nu
Que não sendo rua seja nua, pois eu troco as letras com frequência e a senda sendo a linha há de querer se escrita, mas que se esse(S) for efe (F), pode ser por onde a boca úmida comece, a dar forma às palavras orais, verbalmente ditas, sentidamente proferida, ou intencionalmente confundida, sendo fundida com ungida e benta, sacrilegamente penetrada como uma saída à falta de rima nobre, mas tendo a indecência busca dar algum uso aos confusos pensamentos de quem desorientado pensa que saída é entrada e entra.
Que não sendo jardins seja rosa, de preferência amarelo bem forte, para preencher o poema de ardência e amplidão, e que não sendo folha seja pétala cedida à cadência do poeta e que fingido acredita que ela é flor, ainda que sendo mulher
Faz poesia acreditando que perfume é tinta e pinta a escrita como flor, enquanto com ela faz amor
Do meu livro Causos Complicados
85
Esta noite
Todas as noites escrevo para busca-la, mas está noite viestes tão perto,
Tuas mãos forçando as minhas a escrever sobre aquilo que ainda sonho
Escrevo tão indefeso, tão conscientemente de ti, a silhueta de cada ilha na penumbra, um corpo que brilha feito estrela
Os barcos voltando das loucuras marítimas, as dores do corpo que nunca aceitam os vazios
Os abismos desconexos, o olhar que passeia no quarto tentando distinguir cada coisa, as tristezas oferecidas que não cabem mais
Cada aldeia nas suas rotinas de ferir a terra, o cheio do solo, o sangue correndo nas veias das plantas,
O copo de água macia que alivia a garganta das sedes eternas, os suores noturnos escrevem também
Os olhos estáticos das estrelas agora cintilam mais, como bons presságios a afastar o negrume dos corvos
As tuas mãos são as escritas das minhas e sinto que há mais do que desejo das palavras ditas,
Há as buscas dos longos estios das peles esquecidas nas ausências,
O toque a perceberem mais do que as lembranças que ondulavam sem definições precisas
Há os consolos de quem acredita no ressurgimento das coisas perdidas, da carícia da terra a acolher a semente que brota,
Por cada gota ensopada de orvalho, num diminuto sermão da vida,
A folha branca da aurora estendida ao longo da estrada a nos chamar a escrever outra história,
E se o silêncio pudesse ouvir as palavras ditas por nossos olhares, diria que, o amor nunca se cansa de tentar
.
Tuas mãos forçando as minhas a escrever sobre aquilo que ainda sonho
Escrevo tão indefeso, tão conscientemente de ti, a silhueta de cada ilha na penumbra, um corpo que brilha feito estrela
Os barcos voltando das loucuras marítimas, as dores do corpo que nunca aceitam os vazios
Os abismos desconexos, o olhar que passeia no quarto tentando distinguir cada coisa, as tristezas oferecidas que não cabem mais
Cada aldeia nas suas rotinas de ferir a terra, o cheio do solo, o sangue correndo nas veias das plantas,
O copo de água macia que alivia a garganta das sedes eternas, os suores noturnos escrevem também
Os olhos estáticos das estrelas agora cintilam mais, como bons presságios a afastar o negrume dos corvos
As tuas mãos são as escritas das minhas e sinto que há mais do que desejo das palavras ditas,
Há as buscas dos longos estios das peles esquecidas nas ausências,
O toque a perceberem mais do que as lembranças que ondulavam sem definições precisas
Há os consolos de quem acredita no ressurgimento das coisas perdidas, da carícia da terra a acolher a semente que brota,
Por cada gota ensopada de orvalho, num diminuto sermão da vida,
A folha branca da aurora estendida ao longo da estrada a nos chamar a escrever outra história,
E se o silêncio pudesse ouvir as palavras ditas por nossos olhares, diria que, o amor nunca se cansa de tentar
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381
Penas
Arranca pena a pena como se a alma moldada aos vícios prepostos se alinhassem aos teus gozos não dados
Como se a ave plena, dentro do peito se libertassem para os voos como se soubesse das dores maiores que nunca contastes
Lastrei os teus pés no piso para que nunca caminhes locais sagrados onde as chagas manchariam o chão
Pede o fogo apagado um carvão, as cinzas e pinta a cara e apaga os olhos à face escondida aos apelos de amor
Dobra as vestes de perdidas vontade de ser nua e alivia o contraste entre a boca e as palavras que alongam para dentro os desejos quando a parte mais sentida pede para ser tocada
Dê-se a todos os sentidos sem censura, pois a pureza concede mil desejos antes de cingir-se à imoral língua apregoada pelos santos,
Lambe e se farta antes que o sonoro cansaço a convença que a música não presta,
Mas saiba que dentro da presa a música boa é a da entrega quando não cabemos mais no desejo
Lava a alma boa, a vida pregressa sem a pressa de se vestir, deixa a brisa brinca na tua boca atrevida, nas partes mais íntimas
Deixa cada toque de vida te servir, pois a liberdade só vem depois que cada desejo deixar de existir
Como se a ave plena, dentro do peito se libertassem para os voos como se soubesse das dores maiores que nunca contastes
Lastrei os teus pés no piso para que nunca caminhes locais sagrados onde as chagas manchariam o chão
Pede o fogo apagado um carvão, as cinzas e pinta a cara e apaga os olhos à face escondida aos apelos de amor
Dobra as vestes de perdidas vontade de ser nua e alivia o contraste entre a boca e as palavras que alongam para dentro os desejos quando a parte mais sentida pede para ser tocada
Dê-se a todos os sentidos sem censura, pois a pureza concede mil desejos antes de cingir-se à imoral língua apregoada pelos santos,
Lambe e se farta antes que o sonoro cansaço a convença que a música não presta,
Mas saiba que dentro da presa a música boa é a da entrega quando não cabemos mais no desejo
Lava a alma boa, a vida pregressa sem a pressa de se vestir, deixa a brisa brinca na tua boca atrevida, nas partes mais íntimas
Deixa cada toque de vida te servir, pois a liberdade só vem depois que cada desejo deixar de existir
187
Sobre Ela
E se eu e ela tivéssemos vidas como as borboletas eu voaria com ela, por sobre os mares que cantamos em poemas,
e se eu pudesse escolher, abriria mão dos ventos, para viver eternidades pousado no peito dela
E borboleta não seria mais, porque as minhas asas atrofiariam,
e se pudesse escolher ainda mais onde morrer, abrira mão do mar, porque deitado sobre ela eu teria os mares todos,
e as vidas todas para ouvi-la marear os mares que deixei
E seria eu apenas felicidade a formar redemoinhos, mansos à volta dela
E se as borboletas soubessem de nós viriam também abrir mãos dos voos,
E pousariam sobre o peito dela
E saberiam todas como é, estando sobre o amor, amar
e se eu pudesse escolher, abriria mão dos ventos, para viver eternidades pousado no peito dela
E borboleta não seria mais, porque as minhas asas atrofiariam,
e se pudesse escolher ainda mais onde morrer, abrira mão do mar, porque deitado sobre ela eu teria os mares todos,
e as vidas todas para ouvi-la marear os mares que deixei
E seria eu apenas felicidade a formar redemoinhos, mansos à volta dela
E se as borboletas soubessem de nós viriam também abrir mãos dos voos,
E pousariam sobre o peito dela
E saberiam todas como é, estando sobre o amor, amar
343
O causo do colar de contas
O causo do colar de contas
Preparei um colar de contas cristalinas, sagradas pedras que valorizam o seio do rio,
Eu vi visagem beberando água no regato mais manso, o coração sente sede, mas nem tudo é água da boa,
Despi fantasmas para ver a alma por dentro, mas o tempo racha o corpo ao meio e o receio dos tropeços torna a estrada pior,
Canto baixinho quando céu avermelha, não quero atrair agouros, mas já fiz coro com anjos e com irerês de causarem arrepios
De fio a pavio prefiro as coisas boas, mas umas molecagens têm o seu tempo de gosto,
Não sou proposto de mulher feia, de mulher barbuda ou com bigodes no meio, depiladas todinhas parecem bocas raspadas de recém-nascidos, chamei a cabocla de pele marrom, já que nos veios dela tudo parece bombom,
Oh! Coisa delicada colar boca na boca, mas mulher amarrada num beijo bom, te suga todo, e cola feito cola de mandioca brava e goma de seringueira.
Fujo de quem se apega e fica cega, Doninha matou Dodô, arrancou o coração e plantou no terreiro, deu um pé de vespeiro desejando vingança, as pragas morderam tanto as xapeca de Doninha que travou a bichibinha,
As urinas, não sabemos por onde saem agora, mas nada entra com certeza. Quem me contou carece de confiança, foi meu Avô Lourenço, homem que não mentia nunca, a não ser se bebia, mas o Vô bebia tanto que eu mal sei se acredito no contado, mas minha avó fez novena para dar freios na mardita cana que ele tomava, mas ele tinha outros tropeços e os santos desistiram de fazer do velho um homem santo.
Assim fico eu calado, só falo do que tenho provas, minha ex queria ficar viúva, mas ela morreu primeiro, falava mal de todos, mas a boca não só destilava venenos, tinha lá sua prosas boas, ardências dá em todos, pimenta malagueta arde, mas só para quem a põe ela na boca.
Do meu livro Causos Complicados
Preparei um colar de contas cristalinas, sagradas pedras que valorizam o seio do rio,
Eu vi visagem beberando água no regato mais manso, o coração sente sede, mas nem tudo é água da boa,
Despi fantasmas para ver a alma por dentro, mas o tempo racha o corpo ao meio e o receio dos tropeços torna a estrada pior,
Canto baixinho quando céu avermelha, não quero atrair agouros, mas já fiz coro com anjos e com irerês de causarem arrepios
De fio a pavio prefiro as coisas boas, mas umas molecagens têm o seu tempo de gosto,
Não sou proposto de mulher feia, de mulher barbuda ou com bigodes no meio, depiladas todinhas parecem bocas raspadas de recém-nascidos, chamei a cabocla de pele marrom, já que nos veios dela tudo parece bombom,
Oh! Coisa delicada colar boca na boca, mas mulher amarrada num beijo bom, te suga todo, e cola feito cola de mandioca brava e goma de seringueira.
Fujo de quem se apega e fica cega, Doninha matou Dodô, arrancou o coração e plantou no terreiro, deu um pé de vespeiro desejando vingança, as pragas morderam tanto as xapeca de Doninha que travou a bichibinha,
As urinas, não sabemos por onde saem agora, mas nada entra com certeza. Quem me contou carece de confiança, foi meu Avô Lourenço, homem que não mentia nunca, a não ser se bebia, mas o Vô bebia tanto que eu mal sei se acredito no contado, mas minha avó fez novena para dar freios na mardita cana que ele tomava, mas ele tinha outros tropeços e os santos desistiram de fazer do velho um homem santo.
Assim fico eu calado, só falo do que tenho provas, minha ex queria ficar viúva, mas ela morreu primeiro, falava mal de todos, mas a boca não só destilava venenos, tinha lá sua prosas boas, ardências dá em todos, pimenta malagueta arde, mas só para quem a põe ela na boca.
Do meu livro Causos Complicados
80
A Sombra
A sombra estava só,
Queria companhia e sentou-se ao meu lado, na normalidade dos dias cinza,
Assoviei uma música de George Harrison
é um bonito gesto dividir uma canção,
Eu nunca cobicei o que não possa ser consumido no ato
Dou prova de mim ao que o amor não se deve adiar,
Faz tempo que aprendi, mas ela não voltou
Tenho isso num papel, escrito
Para não esquecer jamais
Queria companhia e sentou-se ao meu lado, na normalidade dos dias cinza,
Assoviei uma música de George Harrison
é um bonito gesto dividir uma canção,
Eu nunca cobicei o que não possa ser consumido no ato
Dou prova de mim ao que o amor não se deve adiar,
Faz tempo que aprendi, mas ela não voltou
Tenho isso num papel, escrito
Para não esquecer jamais
368
As velhas senhoras
Arrumam os guardas roupas e organizam o infinito, os olhos longes, o tempo que foge, ao que abrem as portas
Pressinto haver mais, mas não pergunto
Quero escrever para ela sobre as roupas no varal, sobre o terreiro e o quintal,
Há mais, e não posso,
Associo os olhares evasivos, os disfarces das maquiagens a divagarem sobre o tempo
Faz tempo que tudo é igual
O jasmim florando, os sexos secando, as almas enrugando, as roupas balançando ao vento
Faz tempo que nada muda nessa vida muda
Até o silêncio é igual,
Elas vão aos quartos e ligam as músicas,
os sonhos ficam sentados, observando os gestos contidos, medrosos de se revelarem, de se entregarem à dança,
A velha história da velha mulher, da moça nova, da mulher sentada no bar
Da viúva sem marido morto, da menina das pernas tortas, da moça que me olha, de todas as vidas a exporem
As velhas história que escrevi e não sei contar,
Há composições dos beijos que guardaram para dar,
Dos corações que amam mesmo sem ter a quem amar,
Por vezes elas me chamam sem me chamar,
Pedem poemas sem me pedir,
Então eu conto
Charles Burck
406
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