Clara Anjos

Clara Anjos

Chá de idiossincrasias.

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Olhar embriagado

Vi 
      Uma mulher 
                              Bela e 
Formosa
                  Pena que a danada 
     Não foi
          com a minha prosa
Tentei me aproximar
                     Tropecei
que nem senti
                Só ouvi quando berrou
Bebo fedido sai daqui
             Cai       bem do seu lado
Babando afobado
             Eita
          que      arrogância
Eu só queria um trocado.
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Poemas

21

Sufoco

Viver é tão desconcertante
Casca que inflama
Lágrima que não derrama
Estamos bem piores que antes
Piores que vampiros
Matando sem retirar o sangue.
226

O porque de ser assim


Terei de aceitar
A vida e a morte 
Em meu dia mais miserável
Entregar-me a sorte
Pois ao menos posso queixarme
Meu lamento incoerente 
Entendem por charme
Pois vos digo 
Minha fome não é de carne
Minha dor não é braço 
É saudade do calor
De gente de verdade
Da vida que ardeu certa tarde
Sairei eu desse inverno gélido?
Não sei, sei apenas que 
Não é preciso morrer
Para conhecer o inferno.
220

Sentir

Escrevo a ti como nem sou eu
Sem drama sem trama sem manha
A verdade da minha banalidade
Sublimimente rente a mente
Contente me sinto carente
A dádiva da dor, do fátidico amor
Desatino, desmancho por inteira
Chorando e rindo de meu desespero
Sentir é uma regalia
Viver oque se sente é poesia.
219

Quem é o morto

 
E pela primeira vez
Não a diferenças
Entre o pobre e o doutor
A morte é a única justa 
Quem morre é quem ficou
Porque morrer é para os vivos
Por isso se morre por quem
A morte levou.
207

Sanguinária verdade

Sinônimo de desgraça
De dor, mocidade, amor
E ainda, fonte de vida
Me preenchendo por completo
Por mas que dircurso a paz
Não a como negar 
Sou o sangue todo mês
Sou o sangue quente de raiva
Sou o sangue paralisado de dor
Sou o sangue que me faz viva
Sou demais o sangue
Para fingir que o desprezo.
178

Assasinato da flor

Flores sempre bonitas
Sejam Margaridas ou tulipas
Flores morrendo a toda hora
Rosas brancas ou rosas
Em sua romântica morte
Pobre girassól sem sorte
Arrancado do galho
Como prova de amor
Esquecido de vez
Num jarro sem cor.
222

Aninha

E ai, Ana ficou mocinha
Passa batom, mancha a calcinha
Cala a boca, vai pra cozinha
Fecha as pernas, e só abre de véu e grinalda
Não chame atenção, não seja deslechada
Mas que difícil ser mulher. Que nada
Não pensa de mais, mulher sabida é cilada
É vagabunda e mal amada
Agora bem crescida
O povo fofoca quando anda
Olhar firme, batom vermelho, pouca roupa
Satisfeita bem morada
Sim, ela é a vagabunda mal amada.
212

Anônimo desejo

O coração derrete
O libido pulsa
Somos Afrodite e Hera
Inocente luxúria
Faça-me te amar loucamente
arfar docemente
Viciar em seu aperto forte
Se te viver for pecado
Quero pecar até a morte.
227

Peixe sem nome

Certa vez
Tal peixe doente
Miserável deficiente
Vagava no mar eminente
Com sua nadadeira dormente
A danada nascera quebrada
O coitado remexia e nada
Se arrastava em meio a lama encolhido
Não sei porque Deus o fez tão sofrido
Viverá apenas e unicamente
Para minha agonia de contar sua história
Pois toda história merece ser contada
Até a do peixe sem rosto, sem cor
E sem vida.
219

O óbvio é o asco

Eu que de tudo sou imensurável
Que para a matéria me perco
E o invisível sou hábil
E de tudo que vejo carrego o fardo
De fingir que não vi
Pior
Não senti
Minha dor está em saber
Totalmente consciente
Que meu dever no mundo é
Sofrer
Por saber demais da minha mesquinhez
De saber do meu monstruoso orgulho
E dessa minha percepção
Me orgulhar
Me fazendo assim oque mais temo
Oque vejo.
207

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