Lista de Poemas

Amei

Comparam a mim um dia
O amor a um cálculo matemático. Quem ousa dizer
Que meus amores não passam de paixões banais!

Querendo convencer-me que amor só é amor reverente, partindo de fórmulas fundamentais

Bem, amo assim, com fim, em um momento que se eterniza em mim.

Amo despreocupada vivendo de puro amor inocente

E amo tanto amar sem ser carente, amar algo como que se vive dele.

Eu vivo do meu amor.
203

Mãe Deus

Qual o motivo que me leva a acreditar
Ser íntima do mundo?
A pergunta me persegue atônita
Tão bruta cuspindo em minha cara o fato
Que não sou nada, totalmente abestada
Um animal fútil
Preso em superstições com um destino atado
Se achando acima de tudo por usar um sapato
Igualmente fútil e abestado
Que direito eu tenho?
De não só me satisfazer no seio do mundo
Como reconhece-lo como mãe
Depois de tudo que fiz, que quis!
De me sentir amada e acolhida
De oferecer meu tão pouco
Pela imensidão que me é oferecida
Será que é um amor recíproco?
Sou uma boba iludida?
Não pode ser; o carinho que sinto
É real. Tem de ser
Se não, nada ne importa
Pois então, rezo, dou
Todo minha alma na tentativa incerta
De retribuir, apenas
Assim como faço do mundo meu altar
Me prontifico a ele
Minha morada
Eu que nele
Hábito.
200

Quem é o morto

 
E pela primeira vez
Não a diferenças
Entre o pobre e o doutor
A morte é a única justa 
Quem morre é quem ficou
Porque morrer é para os vivos
Por isso se morre por quem
A morte levou.
189

Sentir

Escrevo a ti como nem sou eu
Sem drama sem trama sem manha
A verdade da minha banalidade
Sublimimente rente a mente
Contente me sinto carente
A dádiva da dor, do fátidico amor
Desatino, desmancho por inteira
Chorando e rindo de meu desespero
Sentir é uma regalia
Viver oque se sente é poesia.
203

Assasinato da flor

Flores sempre bonitas
Sejam Margaridas ou tulipas
Flores morrendo a toda hora
Rosas brancas ou rosas
Em sua romântica morte
Pobre girassól sem sorte
Arrancado do galho
Como prova de amor
Esquecido de vez
Num jarro sem cor.
206

Sanguinária verdade

Sinônimo de desgraça
De dor, mocidade, amor
E ainda, fonte de vida
Me preenchendo por completo
Por mas que dircurso a paz
Não a como negar 
Sou o sangue todo mês
Sou o sangue quente de raiva
Sou o sangue paralisado de dor
Sou o sangue que me faz viva
Sou demais o sangue
Para fingir que o desprezo.
158

Poesia platônica

Me faço de música
Mas você não me ouve
Me faço de quadro
Mas você não me olha
Me faço de cola
Mas você não se junta
Me faço de vento
Mas você não me sente
Me faço de poema
Mas você não me lê
E mesmo não me fazendo de chão
Você só me pisa.
211

Aninha

E ai, Ana ficou mocinha
Passa batom, mancha a calcinha
Cala a boca, vai pra cozinha
Fecha as pernas, e só abre de véu e grinalda
Não chame atenção, não seja deslechada
Mas que difícil ser mulher. Que nada
Não pensa de mais, mulher sabida é cilada
É vagabunda e mal amada
Agora bem crescida
O povo fofoca quando anda
Olhar firme, batom vermelho, pouca roupa
Satisfeita bem morada
Sim, ela é a vagabunda mal amada.
198

Peixe sem nome

Certa vez
Tal peixe doente
Miserável deficiente
Vagava no mar eminente
Com sua nadadeira dormente
A danada nascera quebrada
O coitado remexia e nada
Se arrastava em meio a lama encolhido
Não sei porque Deus o fez tão sofrido
Viverá apenas e unicamente
Para minha agonia de contar sua história
Pois toda história merece ser contada
Até a do peixe sem rosto, sem cor
E sem vida.
200

Sufoco

Viver é tão desconcertante
Casca que inflama
Lágrima que não derrama
Estamos bem piores que antes
Piores que vampiros
Matando sem retirar o sangue.
211

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