Peixe sem nome
Certa vez
Tal peixe doente
Miserável deficiente
Vagava no mar eminente
Com sua nadadeira dormente
A danada nascera quebrada
O coitado remexia e nada
Se arrastava em meio a lama encolhido
Não sei porque Deus o fez tão sofrido
Viverá apenas e unicamente
Para minha agonia de contar sua história
Pois toda história merece ser contada
Até a do peixe sem rosto, sem cor
E sem vida.
Sanguinária verdade
Sinônimo de desgraça
De dor, mocidade, amor
E ainda, fonte de vida
Me preenchendo por completo
Por mas que dircurso a paz
Não a como negar
Sou o sangue todo mês
Sou o sangue quente de raiva
Sou o sangue paralisado de dor
Sou o sangue que me faz viva
Sou demais o sangue
Para fingir que o desprezo.
Lembrete
Sou uma coisa
Que fizeram
Depois moldaram
E mais a frente descobriu algo
Que era viva
E que era para ser
Não poderia mas ser eles
Teria de ser eu
Então acreditou em coisas
Que lhe contarão e que inventou
E por mais que esqueça nos dias corridos e despropósitos
Que é uma coisa
Jamais poderá esquecer que é viva
Enquanto for.
Passarinho
Passarinho apareceu empolgado me contou
Disse que viu cobra transformar-se em uma flor
Que da água mais pura provara o frescor
Num lugar de grama céu azul, frutas, na companhia de um anjo
Mas é claro que aquela paz vinha de um manto
Suas assas foram cortadas para o meu espanto
Não podia mas voar, isolado resistia
Por não saber onde estava achou que era o paraíso
Mas pobre passarinho
Estava a beira de um abismo.
Sentir
Escrevo a ti como nem sou eu
Sem drama sem trama sem manha
A verdade da minha banalidade
Sublimimente rente a mente
Contente me sinto carente
A dádiva da dor, do fátidico amor
Desatino, desmancho por inteira
Chorando e rindo de meu desespero
Sentir é uma regalia
Viver oque se sente é poesia.
Assasinato da flor
Flores sempre bonitas
Sejam Margaridas ou tulipas
Flores morrendo a toda hora
Rosas brancas ou rosas
Em sua romântica morte
Pobre girassól sem sorte
Arrancado do galho
Como prova de amor
Esquecido de vez
Num jarro sem cor.
Estranho depoimento
Estranho é quem é capaz de se estranha
Porque de final oque importa
Tudo é uma série de estranhesas despropósitas
E muito bem articulada
A vida é uma estranhes da morte.
Meu futuro amor
Querida vida
Tudo que lhe peço é um amor
Exijo apenas que seja sincero
Despido de vaidade
Que seja de verdade
Singelo, carregado de Espontaneidade
Quero de um jeito que nunca vi
Mas anseio por sentir
Não desejo tal
Para tampar vazios
Isso é tarefa para mim mesma
Mas que meu amor
Seja minha fortaleza
Ternura em riqueza isso é beleza
Não exijo que fique comigo
Quero viver em zona de perigo
Dizem que amor é fogo... bem
Que me queime
Por cada átomo do corpo
Enfim poderei me tranquilizar
Ter algo por zelar
Meu segredo profundo
Vou amar até ser defunto
Que seja por acaso
Saberei por um simples esmo
Porque sou boa em sentir
Se não fosse ai de mim
Então não irei me preucupar
Minha hora vai chegar
Me resta apenas esperar.
Poesia platônica
Me faço de música
Mas você não me ouve
Me faço de quadro
Mas você não me olha
Me faço de cola
Mas você não se junta
Me faço de vento
Mas você não me sente
Me faço de poema
Mas você não me lê
E mesmo não me fazendo de chão
Você só me pisa.
Sufoco
Viver é tão desconcertante
Casca que inflama
Lágrima que não derrama
Estamos bem piores que antes
Piores que vampiros
Matando sem retirar o sangue.