Lista de Poemas
Amo todos os stressados
Amo todos os stressados
E mais aqueles que estão sempre a reclamar,
E os músculos da voz a escavar
Suas queixas de queixados!
Contenta-me as pessoas que nunca se contentam
E não contentes com isso,
Sempre se não contentam disso!
E sempre se descontentam...
Honestamente, gosto!
Os que não sabem fazer sacrifícios;
Os púdicos, que são para mim um vício,
Os que não se importam com os outros!
Adoro sentar-me à mesa com os escravos do prazer,
Os que não aguentam estar sozinhos
Os muy nobres elitistazinhos,
Fico bêbado de os ver!
Os frios, de cortar os ouvidos;
Os intolerantes como Jesus Cristo!
Sérios, arrogantes, os de alma despidos
Cegam-me de amor imprevisto!
Amo ainda todas as pessoas como eu:
Os molengões mais criativos, tão sem jeito!
Os mais felizes tristes passaréus...!
E aqueles que não possuem estes defeitos,
E não têm mais nada seu!
E mais aqueles que estão sempre a reclamar,
E os músculos da voz a escavar
Suas queixas de queixados!
Contenta-me as pessoas que nunca se contentam
E não contentes com isso,
Sempre se não contentam disso!
E sempre se descontentam...
Honestamente, gosto!
Os que não sabem fazer sacrifícios;
Os púdicos, que são para mim um vício,
Os que não se importam com os outros!
Adoro sentar-me à mesa com os escravos do prazer,
Os que não aguentam estar sozinhos
Os muy nobres elitistazinhos,
Fico bêbado de os ver!
Os frios, de cortar os ouvidos;
Os intolerantes como Jesus Cristo!
Sérios, arrogantes, os de alma despidos
Cegam-me de amor imprevisto!
Amo ainda todas as pessoas como eu:
Os molengões mais criativos, tão sem jeito!
Os mais felizes tristes passaréus...!
E aqueles que não possuem estes defeitos,
E não têm mais nada seu!
1 222
Alice
Alice chamava-se assim: uma menina bonita
Os dedos sempre longos, como tranças
num rosto de boneca recortadas.
Os cabelos rabiscados como armas
sobre os ombros e uma boca de bondade.
(Desenhem-se uns olhos verdes de fruta, num corpo de missangas
E um perfil estreito de ilha...)
Dos lábios incómodos (e de aspecto melífero)
Alice trincava Fábulas e ruía.
Inocente compulsiva, aquele sorriso impune...
Aquela fragrância ilícita...
Os dedos sempre longos, como tranças
num rosto de boneca recortadas.
Os cabelos rabiscados como armas
sobre os ombros e uma boca de bondade.
(Desenhem-se uns olhos verdes de fruta, num corpo de missangas
E um perfil estreito de ilha...)
Dos lábios incómodos (e de aspecto melífero)
Alice trincava Fábulas e ruía.
Inocente compulsiva, aquele sorriso impune...
Aquela fragrância ilícita...
1 028
Insónia
Ao pé de ti, não durmo.
A noite é clandestina
da esperança,
Que os teus gestos acordam.
À janela
Do teu castelo branco,
Toda a pornografia
roubada
se mostra.
No medo da guerra,
Barulho
Em que tudo morre,
Os meus olhos são aves que pousam no teu peito.
Ao pé de mim, não dormes...
A noite é clandestina
da esperança,
Que os teus gestos acordam.
À janela
Do teu castelo branco,
Toda a pornografia
roubada
se mostra.
No medo da guerra,
Barulho
Em que tudo morre,
Os meus olhos são aves que pousam no teu peito.
Ao pé de mim, não dormes...
1 353
Confissão
és minha.
Confesso
Que não te dou a liberdade.
Na minha boca, flor
do campo,
há uma insanidade
que mais ninguém
conhece...
Sim, pirilampo,
és minha.
eu confesso:
Confesso que não te respeito;
E sempre soube
que isto que eu sei que tu sabes
que és minha,
foi apenas um sonho...
974
Foi preciso
Foi ontem, às três da tarde
Da tarde de todas as tardes
Que tardam no coração do tempo
Mas foi preciso esperar
Foi preciso sair para a rua sem nenhum objetivo
Que não fosse andar às voltas
em círculos
Foi preciso
Abandonar reuniões, despedir-me de mim
E dos meus pares
De tudo o que me era íntimo
e metafísicamente seguro
Foi preciso
ficar sem falar com ninguém durante meses
beijarem-me num gesto longo
e desconhecido.
Foi preciso
olhar
Foi preciso olhar
e olhar-me de novo até deixar de me rever
no reflexo dos teus quadros.
Da tarde de todas as tardes
Que tardam no coração do tempo
Mas foi preciso esperar
Foi preciso sair para a rua sem nenhum objetivo
Que não fosse andar às voltas
em círculos
Foi preciso
Abandonar reuniões, despedir-me de mim
E dos meus pares
De tudo o que me era íntimo
e metafísicamente seguro
Foi preciso
ficar sem falar com ninguém durante meses
beijarem-me num gesto longo
e desconhecido.
Foi preciso
olhar
Foi preciso olhar
e olhar-me de novo até deixar de me rever
no reflexo dos teus quadros.
936
Instante
Podes sentir a música estalando no chão,
como paredes de nuvens? Eu sinto.
O navio a chegar, aqui mesmo
A este cais,
E partir
Os sonhos fogem da caixa de música
que me deste. O vento, esse, é o
mesmo, e flutua. Flores de Espaço
de uma força matinal.
Sinto o que estavas a fazer antes de
saberes o meu nome.
Possuo a palavra quente da noite,
enquanto danças.
Tenho para mim a satisfação, como
um dia pleno.
1 077
O Mar
Vejam o Mar que chegou hoje!
O tigre pintado
de Azuis!
O Mar do desejo
Listrado
No fogo,
Rugindo aos teus seios
Azuis!
Chegaste, Mar!
Com garras
Na alma:
Entrelaçaste as tuas lavas
no Verão, e foste tocar
as ondas,
arrastar
a rebentação!
O tigre pintado
de Azuis!
O Mar do desejo
Listrado
No fogo,
Rugindo aos teus seios
Azuis!
Chegaste, Mar!
Com garras
Na alma:
Entrelaçaste as tuas lavas
no Verão, e foste tocar
as ondas,
arrastar
a rebentação!
1 179
Quando
Quando eu tiver uma mulher e me tornar o seu escravo
E depois tiver filhos e me tornar o seu escravo
escravo da cozinha
escravo da TV
escravo de tudo
Serei feliz
Por enquanto ainda me perco nos jardins
E depois tiver filhos e me tornar o seu escravo
escravo da cozinha
escravo da TV
escravo de tudo
Serei feliz
Por enquanto ainda me perco nos jardins
1 062
Hoje
Hoje nasci.
Hoje fiz 10 anos
Hoje fiz 20 anos
Hoje fiz 30 anos
Hoje fiz 40 anos
E hoje sonhei
Que sumi!
1 013
MENSAGEM
cansado
que nunca cheguei a falar
a tua exatidão chora-me de rir
a tua vontade explícita cobre-me de cheiro
A tua planície alarga-me
a carne
grave de palavras
ouve
destino que germinas cometas
da terra
A minha Meta é fracassar
Eu moro nas minas
a cavar ninhos
Abro o céu à minha vontade negra
de preguiça
Peço-lhe como um mendigo
quero ser eu mesmo
ninguém
cafés imaginários conversas soltas
em estradas longínquas
Eu vim para quebrar promessas
o tempo passa
mas eu vivo
que nunca cheguei a falar
a tua exatidão chora-me de rir
a tua vontade explícita cobre-me de cheiro
A tua planície alarga-me
a carne
grave de palavras
ouve
destino que germinas cometas
da terra
A minha Meta é fracassar
Eu moro nas minas
a cavar ninhos
Abro o céu à minha vontade negra
de preguiça
Peço-lhe como um mendigo
quero ser eu mesmo
ninguém
cafés imaginários conversas soltas
em estradas longínquas
Eu vim para quebrar promessas
o tempo passa
mas eu vivo
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Comentários (2)
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Ana Martins
Daniel, qualquer coisa se passou com a(s) rede(s) de algum telemóvel. Já sei que está tudo bem. Beijinho e continua a escrever.
Ana(bela) Martins
Daniel, só agora te descobri e gostei do que li. Voltarei mais vezes. Mas vou dizer-te a razão por que te encontrei: ligo para a tua mãe e ninguém atende. O que se passa? Um abraço e continua a escrever.