Caminhos de Vida a encontrar
gostava de voltar a encontrar
o brio no olhar
o andar erguido e ver seguido
todo o mundo a brilhar
gostava de voltar a encontrar
a mão de um amigo
o gesto calmo que sigo
serenidade de se ter conseguido
o dia a dia levar...
para aonde a vontade caminha
para aonde a verdade aninha
para aonde se possa abraçar
sem mais duvidar
sem hesitar...
entre os medos
que nos vai plantando
em segredo
tanto ser berrando
sem nada
dessa vida nova
a anunciar
Ecos da cidade a mais
e veredeas... iluminadas
cheias de tanto se andar
desses relanços de escadas escondidas
entre ruas e pedras polidas
até os beirais aonde ainda
nos vemos sem nos falar
estes ecos de viver
assim entre o estar e ser - atuais
tanto que se mostra e se deixa passar
entre o que era vivo, o que está assumido
e ainda o que poderemos voltar a encontrar
caminhos de luz e de sonho
neste lugar enorme - medonho
noite após noite tanto ser a silenciar
seus devaneios, ainda entre os recreios
das praças cheias, das vias que creias
assim qual ver e pintar...
nesses poemas aonde ias,
nessas rimas de poesias
saindo sem sequer se pensar...
Ser e Estar
ecos desse futuro presente
nos guia entre rios de gente
um lugar calmo e sereno
aonde ser e estar
ouvir essa melodia garrida
em cada eco palavra de vida
sentir essa alegria em cada dia
voltar a crer sem mais duvidar
entrar na sintonia que por dentro vivia
criar novas metas, encontrar estradas esguias
viajar, em teus pés assim o palpitar, desse estar mais perto
de cada ser e lugar, e querer de corpo inteiro assim se chegar
inteiro o tempo, integro o ser a passar
sentir que se está cada vez mais perto
meta futura que te foi dada a sonhar...
Pianista
nas letras entre abraços dados
nos poemas entrelaçados
nas linhas subtis
aonde ainda assumis vontades
nesses lugares aonde estais
nas frases que nunca terminais
esses tais locais de encontro
aonde ainda exista assombro
espaços reservados
dessa gente por todos os lados
aonde entramos envergonhados
ou saímos para outros fados
destinos entrelaçados
entre livres e escravos
que se vão refazendo
caminhando por entre o vento
suavidade nessa cidade
que tem em si calor...
humanidade
esperança
que se leva
por dentro
Timor cantar d'agua
qual ser humano descalço e confiado
como quando nos foi dado assim viver
ali e além
aonde a montanha
beija o céu distante
e os rios são qual o mar
ao voltar a se ver
- nem doce nem salgado -
água que nos embala
esse algo em todo o lado...
efémero sempiterno
Vamos para lugares ainda marcados
Pelos arvoredos quedos ali varados
Pelas presenças dos passos passados
Pedras erguidas pelos antepassados
E sonhamos ao nos deixar desenrolar
Passarela, qual tela em branco
Para se voltar a ver e pintar
E poisando assim seu encanto de novo sobre nós…
Qual uma capa de seda que se entrelaça e conceba
Sonhos em vez de divagações, voz das vivas opções
novas veredas guardadas
pelos corações reveladas
Assim sonoras odes, melodias e estrofes nobres
Que se ouvem ao voltar o olhar o céu e sonhar…
Com outro ser
Sem querer
Com outro lugar
A se desflorar
Com outro jardim em ti em mim
Para de novo se voltar a plantar;
Dessas flores plenas de tempo
Desse algo íntimo fundamento
infantil certeza
Para caminhar de pé
– em pé – firmeza…
com plena certeza
Dessa fé infantil
Suave e subtil
Sonho efémero se não cuidado
Eco ou sombra sempre a teu lado
A espera de se transformar
Nesse algo de verdade
Em plena rua – realidade
Que nos leva de novo a erguer o olhar
A sentir de novo a confiança perdida
Essa que parecia estilhaçada – vazia
E assim voltar a crer sorrir sem se ver:
Ecos de Vida
Ai aonde a vida aninha
Nesse coração que se detinha
Em cada passo numa vereda qualquer…
Sentir vida por nós adentro a acontecer;
Em cada momento de silêncio maior;
Nesse recanto que cresce no interior
Nesses claustros ainda cheios de vida
Veredas e trilhos que nos animam
A voltar a caminhar:
Nesse sentir devagar
E nesse contexto ameno,
nesse tudo calmo e sereno
Sentir as cores de vida preenchida,
A germinar assim sem despedida,
Apenas a nos tocar nesse divagar
Espaço Interior desse ser maior
Esse algo assim a se encontrar
Nó que se estende em derredor
Assim sempre a nos entrelaçar…
Integrar sem ir nem voltar apenas o descobrir devagar
Algo dessa essência a se concentrar e nos alimentar…
Dessa vida que rejubila:
Dessa água cristalina
Assim ainda a borbulhar;
Coração na Cidade
entre meias medidas
entre as linhas erguidas
das ruas esguias, elevadas
vamos passando,
marchando...
ao som de uma melodia vazia
sendo que quem a preenchia
coração que sente e cria:
vai ficando com a sua verdade vencida
a não ser que encontre refúgio ou guarida
para voltar a crer em amar...
em se erguer para ver teu olhar
para sonhar que de novo me sonhas
que as escolhas que no caminho recolhas
serão para bem maior por simples opção:
que se recria, em cada palavra menos fria
que se deixa no interior se levar...
pelos lábios vazios do seu elemento
chamada viva que levamos por dentro
clamando sempre pelo ser lado a lado
caminho ainda velado
entre tanto ser humano
por todo o lado...
Esperança
Nesses momentos
Nos que te sentes esvaziado
Depois de ter andado
Depois de ter perseverado
Depois dessa longa jornada
Que se inicia
Onde se termina
E que parece que não acaba
Dia a pós dia
Esse olhar que se deixa
Se admira
Se contradiz
Até se iluminar
Ou ser feliz
Nesse horizonte
Sempre pintado
De cores diferentes
De quem caminhe a teu lado
Cristal transfigurado
Entre aluz trespassado
Algo que por dentro
Te é bem prezado
E nesse sentimento
Nesse momento
A tua vontade
Volta a ter a idade
De crer
Sem saber
Ou perseverar
Por querer
Até se concretizar
No teu ser
Esse algo a se entrever
Essa esperança
Renascida
Que dá sentido
A todo o teu dia….