Ecos da Cidade
numa cidade cadente
cheia de humanidade e de gente
alamedas preenchidas
olhares de soslaio, reflexo
dos ecos de outras vidas...
aromas que se entrelaçam
enquanto uns e outros passam
Em cada Batimento
Em cada batimento desse coração
Que por opção bem clara e assumida
Nos abraça e envolve ao longo da vida
E nos faz sentir a voltar ao nosso lar
Esse momento fugidio
Entre outono e estio…
Esse algo puro e singelo
Que preenche o vazio
De cor e vida qual elo
Simples melodia…
que nos anima a voltar
Em cada momento
Algo simples desse ser atento
Desse algo a nos humanizar
Em Timor pés descalços
pairando sem sobressalto
aonde a erva não pára de crescer
nem o ser que aprende a passar
se volta assim a perder...
e o monte é sempre alto
se quiser ver e erguer o olhar
deixando a luz do sol e luar
assim voltarem a passar
Tu serena
Para lugares de sonho e bênção
Aonde ainda se ouve
a voz do seu coração
E nesses lugares plantadas,
Sementes a ser germinadas
Pelo mais suave calor…
Ameno, assim qual amor
E sempre assim investida
Da luz da força da vida…
Estejas a olhar bem para quem
Te reconhece em cada dia
Te sabe assim preenchida
Dessa esperança serena
De ser qual amiga amena
E de estar assim
– suave
Subtil, sem mais
Esperando o teu momento
De saltar de fora para dentro
E aqui assim voltar a morar
Qual brisa de primavera
De quem ouve e espera,
Na face a tua simplicidade
A bem nos tocar em verdade
E nos ajudar a voltar a sonhar
Voltaremos a Avançar
quando se juntam, dois ou três
quais crianças que sentes e vês
seres humanizados, pelos trilhos vivos e os campos sonhados
pelas veredas mais cheias de vidas, ora assim estando vazias:
onde punhas o olhar vias a tua força de vida voltar a germinar
onde colocavas tempo, dedicação era aonde se ouvia coração;
a sós proclamando que mão em mão, amando, voltaremos a nos juntar
nesse recanto - remanso - aonde havia todo o tempo para se voltar...
Flor Suave e Subtil
Sentir em derredor,
como qual uma flor
Nova e gentil, renovada…
O ser mais bem presente
que encontrei nesta estrada
Assim de novo a se abeirar,
de mansinho, sem me tocar
E estando olhando admirando
Olhos novos abertos de par em par
Criança renascida
nesta e noutra vida
Assim sem querer a vogar
Caminhar e viver
gostava de voltar a encontrar
o brio no olhar
o andar erguido e ver seguido
todo o mundo a brilhar
gostava de voltar a encontrar
a mão de um amigo
o gesto calmo que sigo
serenidade de se ter conseguido
o dia a dia levar...
para aonde a vontade caminha
para aonde a verdade aninha
para aonde se possa abraçar
sem mais duvidar
sem hesitar...
entre os medos
que nos vai plantando
em segredo
tanto ser berrando
sem nada
dessa vida nova
a anunciar
Tu por sempre
Por dentro de mansinho
Nesse lugar comezinho
Aonde guardamos
os mais queridos retratos
Desses momentos exatos
Nos que assim se fez florida
Cálida tão próxima e garrida
entretecendo em seu vagar
nesse caminho toldado,
em ti em mim em todo o lado
Voltar a vê-la passar…
Esperança do ser criança
No adulto ainda plantada
Um algo desse ar de novo
alimentando entre o povo
E nos faz de assim abraçar
Pequenos gestos, olhares serenos
Passos no que somos e cremos
Assim a crescer devagar…
Trilhos dessas Humanidades
no dom dessa humanidade
esse estar e ser em verdade
desse ser e estar à vontade
o que não tem tempo nem idade
que paira e voga entre arvoredo
indo daqui a além em segredo...
Certa Incerteza
quando voamos, por entre ruas e estrados
vários e variados com gentes sorrindo
por entre espaços vedados...
quando é subtil o fino fio
entre o inverno e o frio
e ainda voltamos
a crer
e regressamos, com outro olhar
outro querer estar, e voltar...
a ser feliz, por um instante
eco desse sonhar inquietante...