Estes dias nossos
Nestes nossos dias
Desde esperanças fugidias
Nesse acordo de coragem
Brisa entre o campo qual aragem
Que se estende aonde bem entende
Quando já sabemos de cor a cidade…
E marchamos sem tempo marcado
Por aqui além e todo lado
A procura de plantar
Sementes viventes esperanças presentes
Que nos devolvam de novo a luz no olhar
Palavras e ameias
E estar sem se deixar levar
E embarcar em novas odisseias
Nestes lugares onde
as palavras e a verdade
nessa grande cidade
Parece que já não andam a meias
infantil certeza
Para caminhar de pé
– em pé – firmeza…
com plena certeza
Dessa fé infantil
Suave e subtil
Sonho efémero se não cuidado
Eco ou sombra sempre a teu lado
A espera de se transformar
Nesse algo de verdade
Em plena rua – realidade
Que nos leva de novo a erguer o olhar
A sentir de novo a confiança perdida
Essa que parecia estilhaçada – vazia
E assim voltar a crer sorrir sem se ver:
lugares e eventos que levamos por dentro
Nessa cidade
eco sem tempo e sem idade
aonde aninhamos tantos
aonde se passam encantos
por entre os recantos
encontros desapaixonados
entre pares de seres enamorados
nessa sede silente
de se ser humano
entre tanta gente
nessa vontade
corrente qual
rio, ribeiro...
sol soalheiro
brisa a passar
despercebida
a acariciar
por dentro
retalhos de vida
nesse rosto iluminado
qual jardim de cores decorado
nesses portais sem fim nem findar
entramados de folhas erguidas
assim quedas e escondidas
quais as tuas e mais as minhas
todas as que disfarçamos em linhas
Tu por sempre
Por dentro de mansinho
Nesse lugar comezinho
Aonde guardamos
os mais queridos retratos
Desses momentos exatos
Nos que assim se fez florida
Cálida tão próxima e garrida
entretecendo em seu vagar
nesse caminho toldado,
em ti em mim em todo o lado
Voltar a vê-la passar…
Esperança do ser criança
No adulto ainda plantada
Um algo desse ar de novo
alimentando entre o povo
E nos faz de assim abraçar
Pequenos gestos, olhares serenos
Passos no que somos e cremos
Assim a crescer devagar…
mar és interior es
espelhos
imagens subtis
desses tempos,
antigos agasalhos
conselhos que levais e assim assumis…
e nestes retalhos, entre ruas e atalhos
ainda são a vogar,
nesses detalhes…
entre as rosas e flores desse lugar
a se levarem antes nas avenidas,
prendidas por entre os beirais…
tantas quantas as mãos comezinhas…
essas serenas sereias que as regavam
mãos tão cheias de vida
que assim bem as plantavam;
sem mais e sem cessar;
nesses campos prenhes de vida
por entre as ameias amuradas,
dessas antigas estradas…
eram ainda mimadas,
por pés descalços traçadas
os trilhos mais inquietantes eram desbravados,
pelos seres mais pequenos que encontrávamos
a ser e brincar sem mais
serpenteavam
entre o tudo e o nada,
vogavam de lá para cá
sem medo, ser e não ser…
sem sentido desse tal selo
enviavam cartas silentes
aos corações das gentes
as que ainda se atreviam
entre ritmos de alegrias
assim a saber ser cuidar
nem se sabia
se era noite ou dia,
para estar assim
a ver passar…
horizontes
sem princípio
nem se deixar findar
e nesse instrumento que se leva por dentro
compor poemas e melodias de se encantar;
sonhar novas estradas,
veredas vazias marcadas
por pés descalços ao passar
estrofes dessa musicalidade
sem ter tempo nem saber a idade
essa que se levava,
onde a areia parava
assim ai começava
esse imenso mar…
sempre a navegar
lugares de encontro
poesia que se fez um dia
ainda a alvorada nascia
e o ser sonhava a divagar
assim qual poema de suavidade
que nos fala do mar da praia do rio ou cidade
desse campo de fertilidade sem fim
mundo inteiro que deflagra em ti e em mim...
e nos lugares mais humildes
humanidades que vejas e lês sem se findar
aproximam-se seres gigantes
simples lugares onde se voltar a encontrar;
efémero sempiterno
Vamos para lugares ainda marcados
Pelos arvoredos quedos ali varados
Pelas presenças dos passos passados
Pedras erguidas pelos antepassados
E sonhamos ao nos deixar desenrolar
Passarela, qual tela em branco
Para se voltar a ver e pintar
E poisando assim seu encanto de novo sobre nós…
Qual uma capa de seda que se entrelaça e conceba
Sonhos em vez de divagações, voz das vivas opções
novas veredas guardadas
pelos corações reveladas
Assim sonoras odes, melodias e estrofes nobres
Que se ouvem ao voltar o olhar o céu e sonhar…
Com outro ser
Sem querer
Com outro lugar
A se desflorar
Com outro jardim em ti em mim
Para de novo se voltar a plantar;
Dessas flores plenas de tempo
Desse algo íntimo fundamento
de mão em mão abraços dados... desde aqui a outros lados
palácios de fogo a brilhar,
noite inteira,
cidade primeira,
que nos acolhe e escolhe
gesto nobre nos deixa abeirar
nesse outro tempo,
entre o prado e o vento,
assim em silêncio chegávamos,
olhar em olhar, mão em mão
por opção de coração
assim nos abraçávamos
ao som das melodias
que cantávamos...
Certa Incerteza
quando voamos, por entre ruas e estrados
vários e variados com gentes sorrindo
por entre espaços vedados...
quando é subtil o fino fio
entre o inverno e o frio
e ainda voltamos
a crer
e regressamos, com outro olhar
outro querer estar, e voltar...
a ser feliz, por um instante
eco desse sonhar inquietante...