mar és interior es
espelhos imagens subtis desses tempos, antigos agasalhos conselhos que levais e assim assumis… e nestes retalhos, entre ruas e atalhos ainda são a vogar, nesses detalhes… entre as rosas e flores desse lugar a se levarem antes nas avenidas, prendidas por entre os beirais… tantas quantas as mãos comezinhas… essas serenas sereias que as regavam mãos tão cheias de vida que assim bem as plantavam; sem mais e sem cessar; nesses campos prenhes de vida por entre as ameias amuradas, dessas antigas estradas… eram ainda mimadas, por pés descalços traçadas os trilhos mais inquietantes eram desbravados, pelos seres mais pequenos que encontrávamos a ser e brincar sem mais serpenteavam entre o tudo e o nada, vogavam de lá para cá sem medo, ser e não ser… sem sentido desse tal selo enviavam cartas silentes aos corações das gentes as que ainda se atreviam entre ritmos de alegrias assim a saber ser cuidar nem se sabia se era noite ou dia, para estar assim a ver passar… horizontes sem princípio nem se deixar findar e nesse instrumento que se leva por dentro compor poemas e melodias de se encantar; sonhar novas estradas, veredas vazias marcadas por pés descalços ao passar estrofes dessa musicalidade sem ter tempo nem saber a idade essa que se levava, onde a areia parava assim ai começava esse imenso mar… sempre a navegar
Palavras e ameias
E estar sem se deixar levar E embarcar em novas odisseias Nestes lugares onde as palavras e a verdade nessa grande cidade Parece que já não andam a meias
Ren as ceres
Sonhar, e voltar a acender essa luz devagar Crer e perseverar Nesse voltar a nascer em cada dia a passar Dar passos, novos em cada caminho a se andar E nas veredas conhecidas Olhar nascer alegrias Onde se pensava conhecer o lugar E nas esquinas plantadas Surpresas amadas Por se deixar levar No estar atento… No ser por dentro Ser de novo a despertar;
novas vestes
estável pleno afável o tronco, nu ao de cima sem casca sem crosta sem medida pleno para se abraçar sem espinhos em volta que rasguem a sua intenção ao se entregar e o ser enorme em sua extensão quer seja que faça chuva quer pareça que faça sol nos abriga sem duvidar nessas passagens sem criva precisa a atenção a se dar amor em humanidades entregues em palmas de mão aberta para quem as eleva em braços em seu redor, abraçando e no tempo oh!o tempo de amar de querer de entregar doce encanto esse que o faz assim florescer sem parar... e nova casca em si e em sua volta: de novo a crescer quando o amor de humanidade se mostre em face de homem e de mulher...
Cibeles
nesses vítores consagrados, aqui e além por todos os lados, quando frio do Inverno apertava, a gente se reunia em volta do fogo e ainda mais se abeirava humanidades destes tempos, cidades e seus fundamentos;
Teclado a teu lado
Sentar frente ao teclado Um tudo ou nada apagado Se atrever a estender asas Primeiro voo Sempre novo Saltar... e nessa confiança Voltar a voar! E na magia da harmonia dessa tecla vazia Poisar o olhar e com essa humana força Quase divina, suavidade de corça que nos anima: Adivinhar o ser que nos está a inspirar Uma paisagem, uma qualquer imagem Melodia desse dia ou doutra coisa qualquer... Que passa por nós adentro Ganha forma e sentimento e se faz de novo repousar... Até que um dia, por simples alegria Olhes de novo as letras passar; E no teu ser, por querer – assim sem se programar Aparece a imagem imaginada Essa fotografia por nós entrelaçada
cidade de anjos
alturas de encantar nessa cidade sem mar,
oceanos de azul poisados, por aqui e além
- em todos os lados -
onde se atrevam
os bem humanos
ainda a erguer o olhar,
poderão ver poisados
esses anjos sagrados
sobre nós ainda a pairar
Voltar a Rimar
O simples gesto de se gostar De algo, uma frase uma imagem Uma certa melodia no ar… a pairar Esse lugar preferido Esse algo que é quente no frio Essa mensagem sempre fascinante Esse algo que não se diria antes... E tudo volta a rodar e em teu derredor – fina flor A se abrir devagar... Esse sentido mais vivo, Entre o calor deste estio Sonhar em encontrar sem se vagar Até fazer tuas as avenidas... Dessa tua cor ainda despidas E nesse acorde de suavidade Nesse ser que recorre passo a passo, a nua cidade Ir pintando telas imaginadas Ruas vazias cheias de fadas E nesse caminho a se completar Encontrar novos sons para se voltar a rimar
Mais além ainda encontrar alguém
Trilhos dessa nossa amenidade por entre o coração da cidade, Lugares capitais, interesses reais... E nesse confluir devagar Sangue vital a brotar passar a ser-se igual Para tomar seu lugar Ali onde a vida permanece Aonde o ser humano jamais se esquece Desse calor sempre sagrado... À rotina do dia a dia profano
Odisseias
Neste nosso fado Dessa caminho passado Dia a dia, noite sem findar Sonho coerente, entre calma brisa e gente Que nos levou do campo ao mar E nessa meta sorridente, entre tanto e tanto ser crente Voltamos a arribar… À margem nesses encontros sonhados Comunidades que idealizamos Que nos contavam sem se deixar levar Sobre essa palavra… saudade… Sonhos para se voltar… a avançar Nesse tempo sem ter conta ou maldade… Entre os que lá se ficavam e viviam e estavam… Nessas aldeias pequenas; Nesses lugares lado a lado Até que dispersos pelo destino incerto Cantando um fado de peito aberto Nos pusemos de novo a sonhar Agora diáspora migrante Sentimento errante De ser sem ter lugar Essa magia que nos unia Essa simplicidade na noite e no dia Esse celebrar cada efeméride, comezinha… Esse algo que nos reunia na mesa da cozinha E nos punha à roda dessa via de vida a falar; Esses lugares sonhados Agora idealizados Onde era tudo bem familiar Cantamos tantos poemas Poetas e poetisas nos guiavam Para fazer ressurgir Portugal Agora as comunidades separadas As outras bem sonhadas Seguem além do mar E em cada lágrima em silêncio Exprimimos esse incendio Que por dentro queima sem mais Essa saudade de se estar à vontade À beira de seres sem idade Com tantas histórias para contar… E no lusco-fusco desta vida Quando tudo e todos nos convida À volta do lume, porta a porta a entrar Ainda se ouvia, quem tão bem dizia Como se era feliz sem ter mais Do que a vida do campo, desse mar E esse feliz recanto onde cada noite Deixar no colo amigo amado Essa cabeça sem enfado a repousar Vidas de outrora Heranças de agora Que vale sempre a pena voltar a cantar…