Florestas
Nessa floresta imensa
Passa o que não pensa
A ouvir seus passos no ar
Entre a ramagem
Suavidade e fina aragem
Desse sentir teu respirar
E nas sombras iluminadas
Vitrais dessas antigas moradas
Voltar a ser qual coração a palpitar
E em teu redor
Devagar
Descobrir essa transparência
De se saber sem pensar
E descobrir
Que o tempo a seguir
É o que já está assim a voltar
E em cada gota
Que se foi escoando
Folha a folha
Limpando
Até te poder assim tocar
Esse céu escondido
Recôndito e garrido
Vejas ali outra vez
Orla que assim se fez
Voltar a se iluminar
cerne de poesia
Mergulhar
Hino profundo
Nesse confim
Entre a verdade
e o mundo
Estender
Pontes de vida, coragem
Reconhecer
Qual na brisa
o tempo em passagem
e saber
Voltar
Em estrofes de sonho
o contar
A pairar
trazer,
devagar
À tona
Dessa nova consciência
Essa tal cadência que se procurava
Essa melodia que não se encontrava
Essa suavidade frágil e subtil,
Essa idoneidade de ser dúctil
Entre seres assim a se assumir
Humanos e irmanados
pelo tema desse algo a surgir;
vestes de sentir
E sentes, onde estás
E sabes quando vás
aonde te perdeste
E sabes assim, sem mais
Quais os locais
Mais enamorados
Quais os jardins
Onde os prados
Que te podem dar
Essa paz velada
Esse trilho perdido
depois dessa estrada
A entrar
Por ti a dentro
A ir e voltar
Aonde tua flor silvestre
Se veste de sentimento…
tempo vergado
Vereda inconclusa
Sempre a mudar
Ora é linha reta
Ora se faz curva
Tempo
Por ti adentro
a vergar
E nesse instante
Tão puro e singelo
qual inquietante
O puro mistério se abre
E nesse veludo etéreo
Assim se conhece, sabe
Entre o tudo mais sério
O que era assim ameno
se torna presente sereno
Nesse lugar de vida e júbilo
Nesse momento atempado
Nesse espaço entre tudo e todos
Esse presente de vida que foi dado
Aeroportos
Nestes horizontes
Onde a luz é sempre a mudar
Onde as gentes chegam
e não param de chegar;
E ao se abeirar,
alguém poderia estar à espera
Depois de tudo se ter de largar
Um tal abraço a alegrar
Esses que agora se nega
Que nos recebam devagar… sem duvidar
De que chegámos, que voltamos a estar
Em casa – qual suavidade
Entre o campo o rio – cidade
Nesse velho casario – de frio
Esse lugar de brio - no estio
Palavra traduzida em verdade
E nesse acolher, rosto familiar a se ver
E nesse voltar, a abrir portas e sonhar
Ao sair desse algo que nos estava a levar
Ver veredas ainda inexploradas
Gentes quais portas abertas jamais fechadas
Avenidas de luz e de cor, desse algo de amor
O que se leva por dentro
Para doar e se partilhar…
Se planta um pouco
entre quem e aonde
ainda se achega ao passar…
Teclado a teu lado
Sentar frente ao teclado
Um tudo ou nada apagado
Se atrever a estender asas
Primeiro voo
Sempre novo
Saltar... e nessa confiança
Voltar a voar!
E na magia da harmonia dessa tecla vazia
Poisar o olhar e com essa humana força
Quase divina,
suavidade de corça que nos anima:
Adivinhar o ser que nos está a inspirar
Uma paisagem, uma qualquer imagem
Melodia desse dia
ou doutra coisa qualquer...
Que passa por nós adentro
Ganha forma e sentimento
e se faz de novo repousar...
Até que um dia, por simples alegria
Olhes de novo as letras passar;
E no teu ser,
por querer –
assim sem se programar
Aparece a imagem imaginada
Essa fotografia por nós entrelaçada
Lugares velados
Nesses lugares fechados
Onde deixas sonhos trancados
Nesse bem-querer sem mais
Onde todos os dias se fazem reais
Nesse algo tão almejado
Querer sem deixar de amar
E nessa estar em verdade
que vai onde voga à vontade
Ai se perfazem os beirais
Destas ruas tais
que se desfazem
em marés de verde azulado
Quando trilho e caminho
São contigo lado a lado
E quem caminha
E assim se avizinha
É ainda teu amigo velado
lugares e eventos que levamos por dentro
Nessa cidade
eco sem tempo e sem idade
aonde aninhamos tantos
aonde se passam encantos
por entre os recantos
encontros desapaixonados
entre pares de seres enamorados
nessa sede silente
de se ser humano
entre tanta gente
nessa vontade
corrente qual
rio, ribeiro...
sol soalheiro
brisa a passar
despercebida
a acariciar
por dentro
retalhos de vida
nesse rosto iluminado
qual jardim de cores decorado
nesses portais sem fim nem findar
entramados de folhas erguidas
assim quedas e escondidas
quais as tuas e mais as minhas
todas as que disfarçamos em linhas
pontes entre poentes de vida
Por entre as gotas deste viver
Encontrar pontes vivas para bem ser
E nessas novas sintonias
Ouvir antigas melodias
A fazer brilhar o crer
O se despojar para acreditar
E nesses arcos de luzes novas
Nestas estranhas novas trovas
Assim voltar a encontrar
O olhar de confiança futura
Uma fruta em estio madura
Prenhe de vida para se partilhar
gotas vivas, oceanos de amar
Por entre as gotas deste viver
Encontrar pontes vivas para bem ser
E nessas novas sintonias
Ouvir antigas melodias
A fazer brilhar o crer
O se despojar para acreditar
E nesses arcos de luzes novas
Nestas estranhas novas trovas
Assim voltar a nos encontrar...
O olhar de confiança futura
Uma fruta em estio madura
Prenhe de vida para se partilhar