Mais perto
Se estivesses mais perto Nesse espaço mais certo Se sonhasses comigo E dançasses destino Se aconchegasses O que escrevo e mimo Se ainda voltasses Onde te deixei qual amigo
Lugares velados
Nesses lugares fechados Onde deixas sonhos trancados Nesse bem-querer sem mais Onde todos os dias se fazem reais Nesse algo tão almejado Querer sem deixar de amar E nessa estar em verdade que vai onde voga à vontade Ai se perfazem os beirais Destas ruas tais que se desfazem em marés de verde azulado Quando trilho e caminho São contigo lado a lado E quem caminha E assim se avizinha É ainda teu amigo velado
rumos no olhar
um rumo mais a seguir uma viagem a mais a se fazer pelo bem estar de servir pelo bem de bem querer pelo amor mais pleno ora mais forte que dê sentido ao tempo sem ter de se falar em morte de sonhos viventes de fantasias a decorar estas paisagens sorridentes a luz desse teu olhar e entre os pómulos mais preciados que se vestem em gargalhadas de azul quais as madrugadas de céus despejados ora choro-as eu ora as choras tu ora se limpam com teu sorriso ora brilham no meu olhar as madrugadas mais intensas tardes onde me entregar ora noites para se sonhar... e quem sabe... amar
Mais além ainda encontrar alguém
Trilhos dessa nossa amenidade por entre o coração da cidade, Lugares capitais, interesses reais... E nesse confluir devagar Sangue vital a brotar passar a ser-se igual Para tomar seu lugar Ali onde a vida permanece Aonde o ser humano jamais se esquece Desse calor sempre sagrado... À rotina do dia a dia profano
Florestas
Nessa floresta imensa Passa o que não pensa A ouvir seus passos no ar Entre a ramagem Suavidade e fina aragem Desse sentir teu respirar E nas sombras iluminadas Vitrais dessas antigas moradas Voltar a ser qual coração a palpitar E em teu redor Devagar Descobrir essa transparência De se saber sem pensar E descobrir Que o tempo a seguir É o que já está assim a voltar E em cada gota Que se foi escoando Folha a folha Limpando Até te poder assim tocar Esse céu escondido Recôndito e garrido Vejas ali outra vez Orla que assim se fez Voltar a se iluminar
Ren as ceres
Sonhar, e voltar a acender essa luz devagar Crer e perseverar Nesse voltar a nascer em cada dia a passar Dar passos, novos em cada caminho a se andar E nas veredas conhecidas Olhar nascer alegrias Onde se pensava conhecer o lugar E nas esquinas plantadas Surpresas amadas Por se deixar levar No estar atento… No ser por dentro Ser de novo a despertar;
Ibéria Mágica
A sombra do monte pautava… O lugar aonde a luz se marcava E no horizonte Sempre qual fonte Ver assim a voltar Estilhaços de estrela Estrada assim bela Aonde nos foi dado Assim erguer o olhar E esse lugar estreito Passo a passo, leito De ribeiro silencioso Na noite a borbulhar Paisagens de outrora Eternidade ou hora Nestas paragens ainda a espera De te ver voltar, caminhos de sonho real A se entretecer devagar
Teclado a teu lado
Sentar frente ao teclado Um tudo ou nada apagado Se atrever a estender asas Primeiro voo Sempre novo Saltar... e nessa confiança Voltar a voar! E na magia da harmonia dessa tecla vazia Poisar o olhar e com essa humana força Quase divina, suavidade de corça que nos anima: Adivinhar o ser que nos está a inspirar Uma paisagem, uma qualquer imagem Melodia desse dia ou doutra coisa qualquer... Que passa por nós adentro Ganha forma e sentimento e se faz de novo repousar... Até que um dia, por simples alegria Olhes de novo as letras passar; E no teu ser, por querer – assim sem se programar Aparece a imagem imaginada Essa fotografia por nós entrelaçada
Estes dias nossos
Nestes nossos dias Desde esperanças fugidias Nesse acordo de coragem Brisa entre o campo qual aragem Que se estende aonde bem entende Quando já sabemos de cor a cidade… E marchamos sem tempo marcado Por aqui além e todo lado A procura de plantar Sementes viventes esperanças presentes Que nos devolvam de novo a luz no olhar
Odisseias
Neste nosso fado Dessa caminho passado Dia a dia, noite sem findar Sonho coerente, entre calma brisa e gente Que nos levou do campo ao mar E nessa meta sorridente, entre tanto e tanto ser crente Voltamos a arribar… À margem nesses encontros sonhados Comunidades que idealizamos Que nos contavam sem se deixar levar Sobre essa palavra… saudade… Sonhos para se voltar… a avançar Nesse tempo sem ter conta ou maldade… Entre os que lá se ficavam e viviam e estavam… Nessas aldeias pequenas; Nesses lugares lado a lado Até que dispersos pelo destino incerto Cantando um fado de peito aberto Nos pusemos de novo a sonhar Agora diáspora migrante Sentimento errante De ser sem ter lugar Essa magia que nos unia Essa simplicidade na noite e no dia Esse celebrar cada efeméride, comezinha… Esse algo que nos reunia na mesa da cozinha E nos punha à roda dessa via de vida a falar; Esses lugares sonhados Agora idealizados Onde era tudo bem familiar Cantamos tantos poemas Poetas e poetisas nos guiavam Para fazer ressurgir Portugal Agora as comunidades separadas As outras bem sonhadas Seguem além do mar E em cada lágrima em silêncio Exprimimos esse incendio Que por dentro queima sem mais Essa saudade de se estar à vontade À beira de seres sem idade Com tantas histórias para contar… E no lusco-fusco desta vida Quando tudo e todos nos convida À volta do lume, porta a porta a entrar Ainda se ouvia, quem tão bem dizia Como se era feliz sem ter mais Do que a vida do campo, desse mar E esse feliz recanto onde cada noite Deixar no colo amigo amado Essa cabeça sem enfado a repousar Vidas de outrora Heranças de agora Que vale sempre a pena voltar a cantar…