Jardins Interiores
Jardins de desconhecimento Vagando na suavidade do tempo Pairando entre o sentido e sentimento Brisa que se escoa e se leva por dentro Para depois se voltar a encontrar Ver o nascer desse etéreo elemento Indo desse simples fundamento Pleno de se fazer assentimento Até assim poder voltar a sonhar E nesse divagar de sobriedade Nesse encontrar uma verdade Nesse dizer de felicidade... Assim voltar a ler devagar Ecos dessa sonoridade essencial Latejo silencioso desse algo que amais E com suavidade assim apanhar Molhos de flores aparecendo a teus olhos Para depois assim colocares em seu lugar
tempo vergado
Vereda inconclusa Sempre a mudar Ora é linha reta Ora se faz curva Tempo Por ti adentro a vergar E nesse instante Tão puro e singelo qual inquietante O puro mistério se abre E nesse veludo etéreo Assim se conhece, sabe Entre o tudo mais sério O que era assim ameno se torna presente sereno Nesse lugar de vida e júbilo Nesse momento atempado Nesse espaço entre tudo e todos Esse presente de vida que foi dado
Mais perto
Se estivesses mais perto Nesse espaço mais certo Se sonhasses comigo E dançasses destino Se aconchegasses O que escrevo e mimo Se ainda voltasses Onde te deixei qual amigo
Hora de viver
Ora a viver Ora a partilhar Ora a deixar entrar Desde esse outro ser Assim a se estender Ponte de vida a entrelaçar
Lugares velados
Nesses lugares fechados Onde deixas sonhos trancados Nesse bem-querer sem mais Onde todos os dias se fazem reais Nesse algo tão almejado Querer sem deixar de amar E nessa estar em verdade que vai onde voga à vontade Ai se perfazem os beirais Destas ruas tais que se desfazem em marés de verde azulado Quando trilho e caminho São contigo lado a lado E quem caminha E assim se avizinha É ainda teu amigo velado
Sonhos a Concretizar
Dando tempo para se estar Neste tempo das realidades Ir sem mais duvidar Encontrar o tempo para se poder parar E sonhar os sonhos que foram dados a concretizar E nesse ir e voltar sem maneira Definida ora contida Verdadeira Atear fogos secretos Em paragens assim preparadas, E deixar assim chamas sagradas Voar entre fagulhas das páginas dessas poesias ainda ignoradas… poesias soletradas desde o mais profundo desde o íntimo desse mundo âmago e fulcro a suster Uma certa realidade Um certo ideal de verdade Um sentido de tempo e idade Uma paz que se procura em saudade
Redutos de Emoção I
Nesse reduto pulsátil Onde cresce e se entrelaça o volátil Efémero e temperado Esse algo nos tem inspirado Até de novo poisar Nesse ninho antigo nesse calor entre o frio Nessa flor de vida a se desdobrar Em silêncios prezados Até se voltar a olhar
Ser a despertar
Sonhar, e voltar a acender essa luz devagar Crer e perseverar Nesse voltar a nascer em cada dia a passar Dar passos, novos em cada caminho a se andar E nas veredas conhecidas Olhar nascer alegrias Onde se pensava conhecer o lugar E nas esquinas plantadas Surpresas amadas Por se deixar levar No estar atento… No ser por dentro Ser de novo a despertar;
Aeroportos
Nestes horizontes Onde a luz é sempre a mudar Onde as gentes chegam e não param de chegar; E ao se abeirar, alguém poderia estar à espera Depois de tudo se ter de largar Um tal abraço a alegrar Esses que agora se nega Que nos recebam devagar… sem duvidar De que chegámos, que voltamos a estar Em casa – qual suavidade Entre o campo o rio – cidade Nesse velho casario – de frio Esse lugar de brio - no estio Palavra traduzida em verdade E nesse acolher, rosto familiar a se ver E nesse voltar, a abrir portas e sonhar Ao sair desse algo que nos estava a levar Ver veredas ainda inexploradas Gentes quais portas abertas jamais fechadas Avenidas de luz e de cor, desse algo de amor O que se leva por dentro Para doar e se partilhar… Se planta um pouco entre quem e aonde ainda se achega ao passar…
rumos no olhar
um rumo mais a seguir uma viagem a mais a se fazer pelo bem estar de servir pelo bem de bem querer pelo amor mais pleno ora mais forte que dê sentido ao tempo sem ter de se falar em morte de sonhos viventes de fantasias a decorar estas paisagens sorridentes a luz desse teu olhar e entre os pómulos mais preciados que se vestem em gargalhadas de azul quais as madrugadas de céus despejados ora choro-as eu ora as choras tu ora se limpam com teu sorriso ora brilham no meu olhar as madrugadas mais intensas tardes onde me entregar ora noites para se sonhar... e quem sabe... amar