Redutos de Emoção I
Nesse reduto pulsátil
Onde cresce
e se entrelaça o volátil
Efémero e temperado
Esse algo
nos tem inspirado
Até de novo poisar
Nesse ninho antigo
nesse calor entre o frio
Nessa flor de vida
a se desdobrar
Em silêncios prezados
Até se voltar a olhar
vestes de sentir
E sentes, onde estás
E sabes quando vás
aonde te perdeste
E sabes assim, sem mais
Quais os locais
Mais enamorados
Quais os jardins
Onde os prados
Que te podem dar
Essa paz velada
Esse trilho perdido
depois dessa estrada
A entrar
Por ti a dentro
A ir e voltar
Aonde tua flor silvestre
Se veste de sentimento…
Tempos amigos
Nesses tempos fugidios
Nesses recantos ainda vazios
À espera do teu bem-querer
Desse teu decidir que fazer
Moram os sonhos mais esquecidos
Esses à espera de serem nascidos
Entre os canteiros sem plantar
Flores desses momentos vividos
Rebentos de vida a desabrochar
oceanos sem voz...
Oceanos de saudade
Vivem em ti qual vaidade
Essa que se recatou…
Qual onda que não chegou
A praia alguma… a suspirar
Nesses teus sonhos
Entre labirintos medonhos
À espera de se libertar
E quando acedes
E se fazem mais leves
Quando entregas
Determinada cena
A algum tempo ou lugar
E dás corda solta para poder voar
Até algum trilho ou rota
Que ainda não se atreveu ninguém a tocar
Assim pé ante pé aparece
Sem contar acontece
E sem mais se deixa assim alcançar
Até ao momento de ser
No teu ser
Até ao evento assim suceder
E alimentar
Outros olhares
Parecendo distantes
Outras chamas
de vida…
Que até parecia
Assim se eclipsar
Ora baça, bafejada
pelo frio do estio
Chamarada
Eco bem forte
Desse algo que não sorte
Que nos foi dado a partilhar
Ora por ventura
A semente segura
Que em solo consagrado
Pelo tempo e teu agrado
Assim cresceu e se deu
Tendo alimentado
Quem dela assim colheu
Desse teu campo tão soletrado
Desse poema tão ousado
Desse tema que te tem falado
Vez a pós vez ao passar
Nessa praça depressa
Nessa correria que cessa
Quando assim consegues chegar
Ao local sem espaço nem tempo
A esse estranho silêncio
Cheio de som – melodia
Estranha antiga sintonia
Que até a criança mais pequenina
Sabia cantar sem ensaiar
Sonhos a Concretizar
Dando tempo para se estar
Neste tempo das realidades
Ir sem mais duvidar
Encontrar o tempo
para se poder parar
E sonhar os sonhos
que foram dados a concretizar
E nesse ir e voltar sem maneira
Definida ora contida
Verdadeira
Atear fogos secretos
Em paragens assim preparadas,
E deixar assim chamas sagradas
Voar entre fagulhas das páginas
dessas poesias ainda ignoradas…
poesias soletradas
desde o mais profundo
desde o íntimo desse mundo
âmago e fulcro a suster
Uma certa realidade
Um certo ideal de verdade
Um sentido de tempo e idade
Uma paz que se procura em saudade
Aeroportos
Nestes horizontes
Onde a luz é sempre a mudar
Onde as gentes chegam
e não param de chegar;
E ao se abeirar,
alguém poderia estar à espera
Depois de tudo se ter de largar
Um tal abraço a alegrar
Esses que agora se nega
Que nos recebam devagar… sem duvidar
De que chegámos, que voltamos a estar
Em casa – qual suavidade
Entre o campo o rio – cidade
Nesse velho casario – de frio
Esse lugar de brio - no estio
Palavra traduzida em verdade
E nesse acolher, rosto familiar a se ver
E nesse voltar, a abrir portas e sonhar
Ao sair desse algo que nos estava a levar
Ver veredas ainda inexploradas
Gentes quais portas abertas jamais fechadas
Avenidas de luz e de cor, desse algo de amor
O que se leva por dentro
Para doar e se partilhar…
Se planta um pouco
entre quem e aonde
ainda se achega ao passar…
Ibéria Mágica
A sombra do monte pautava…
O lugar aonde a luz se marcava
E no horizonte
Sempre qual fonte
Ver assim a voltar
Estilhaços de estrela
Estrada assim bela
Aonde nos foi dado
Assim erguer o olhar
E esse lugar estreito
Passo a passo, leito
De ribeiro silencioso
Na noite a borbulhar
Paisagens de outrora
Eternidade ou hora
Nestas paragens
ainda a espera
De te ver voltar,
caminhos de sonho real
A se entretecer devagar
Mais perto
Se estivesses mais perto
Nesse espaço mais certo
Se sonhasses comigo
E dançasses destino
Se aconchegasses
O que escrevo e mimo
Se ainda voltasses
Onde te deixei qual amigo
Florestas
Nessa floresta imensa
Passa o que não pensa
A ouvir seus passos no ar
Entre a ramagem
Suavidade e fina aragem
Desse sentir teu respirar
E nas sombras iluminadas
Vitrais dessas antigas moradas
Voltar a ser qual coração a palpitar
E em teu redor
Devagar
Descobrir essa transparência
De se saber sem pensar
E descobrir
Que o tempo a seguir
É o que já está assim a voltar
E em cada gota
Que se foi escoando
Folha a folha
Limpando
Até te poder assim tocar
Esse céu escondido
Recôndito e garrido
Vejas ali outra vez
Orla que assim se fez
Voltar a se iluminar
Mais além ainda encontrar alguém
Trilhos dessa nossa amenidade
por entre o coração da cidade,
Lugares capitais,
interesses reais...
E nesse confluir devagar
Sangue vital a brotar
passar a ser-se igual
Para tomar seu lugar
Ali onde a vida permanece
Aonde o ser humano
jamais se esquece
Desse calor sempre sagrado...
À rotina do dia a dia profano