Tempos amigos
Nesses tempos fugidios Nesses recantos ainda vazios À espera do teu bem-querer Desse teu decidir que fazer Moram os sonhos mais esquecidos Esses à espera de serem nascidos Entre os canteiros sem plantar Flores desses momentos vividos Rebentos de vida a desabrochar
Na tal idade
Gosto de se estar Num certo tempo num certo lugar… Estendendo pontes viventes Entre o coração vivo das gentes E celebrar Esse tempo Lento Que nos foi dado a partilhar E nesse momento Que perdura A amizade Em silêncio Se torna mais forte e mais pura…
tempo vergado
Vereda inconclusa Sempre a mudar Ora é linha reta Ora se faz curva Tempo Por ti adentro a vergar E nesse instante Tão puro e singelo qual inquietante O puro mistério se abre E nesse veludo etéreo Assim se conhece, sabe Entre o tudo mais sério O que era assim ameno se torna presente sereno Nesse lugar de vida e júbilo Nesse momento atempado Nesse espaço entre tudo e todos Esse presente de vida que foi dado
oceanos sem voz...
Oceanos de saudade Vivem em ti qual vaidade Essa que se recatou… Qual onda que não chegou A praia alguma… a suspirar Nesses teus sonhos Entre labirintos medonhos À espera de se libertar E quando acedes E se fazem mais leves Quando entregas Determinada cena A algum tempo ou lugar E dás corda solta para poder voar Até algum trilho ou rota Que ainda não se atreveu ninguém a tocar Assim pé ante pé aparece Sem contar acontece E sem mais se deixa assim alcançar Até ao momento de ser No teu ser Até ao evento assim suceder E alimentar Outros olhares Parecendo distantes Outras chamas de vida… Que até parecia Assim se eclipsar Ora baça, bafejada pelo frio do estio Chamarada Eco bem forte Desse algo que não sorte Que nos foi dado a partilhar Ora por ventura A semente segura Que em solo consagrado Pelo tempo e teu agrado Assim cresceu e se deu Tendo alimentado Quem dela assim colheu Desse teu campo tão soletrado Desse poema tão ousado Desse tema que te tem falado Vez a pós vez ao passar Nessa praça depressa Nessa correria que cessa Quando assim consegues chegar Ao local sem espaço nem tempo A esse estranho silêncio Cheio de som – melodia Estranha antiga sintonia Que até a criança mais pequenina Sabia cantar sem ensaiar
novas vestes
estável pleno afável o tronco, nu ao de cima sem casca sem crosta sem medida pleno para se abraçar sem espinhos em volta que rasguem a sua intenção ao se entregar e o ser enorme em sua extensão quer seja que faça chuva quer pareça que faça sol nos abriga sem duvidar nessas passagens sem criva precisa a atenção a se dar amor em humanidades entregues em palmas de mão aberta para quem as eleva em braços em seu redor, abraçando e no tempo oh!o tempo de amar de querer de entregar doce encanto esse que o faz assim florescer sem parar... e nova casca em si e em sua volta: de novo a crescer quando o amor de humanidade se mostre em face de homem e de mulher...
o que levamos por dentro
quando uma mão amiga se juntar num lugar numa atividade sendo par sem par e nessa labuta intensa nesse algo que mais se pensa sem deixar de procurar nessa poesia quente e fria nesse dia a dia de mão cheia ora vazia preenchendo: o capitulo mais intenso daquilo que levamos dentro
Aeroportos
Nestes horizontes Onde a luz é sempre a mudar Onde as gentes chegam e não param de chegar; E ao se abeirar, alguém poderia estar à espera Depois de tudo se ter de largar Um tal abraço a alegrar Esses que agora se nega Que nos recebam devagar… sem duvidar De que chegámos, que voltamos a estar Em casa – qual suavidade Entre o campo o rio – cidade Nesse velho casario – de frio Esse lugar de brio - no estio Palavra traduzida em verdade E nesse acolher, rosto familiar a se ver E nesse voltar, a abrir portas e sonhar Ao sair desse algo que nos estava a levar Ver veredas ainda inexploradas Gentes quais portas abertas jamais fechadas Avenidas de luz e de cor, desse algo de amor O que se leva por dentro Para doar e se partilhar… Se planta um pouco entre quem e aonde ainda se achega ao passar…
Voltar a Rimar
O simples gesto de se gostar De algo, uma frase uma imagem Uma certa melodia no ar… a pairar Esse lugar preferido Esse algo que é quente no frio Essa mensagem sempre fascinante Esse algo que não se diria antes... E tudo volta a rodar e em teu derredor – fina flor A se abrir devagar... Esse sentido mais vivo, Entre o calor deste estio Sonhar em encontrar sem se vagar Até fazer tuas as avenidas... Dessa tua cor ainda despidas E nesse acorde de suavidade Nesse ser que recorre passo a passo, a nua cidade Ir pintando telas imaginadas Ruas vazias cheias de fadas E nesse caminho a se completar Encontrar novos sons para se voltar a rimar
Melodia da poesia
Nessa melodia Que se entretece E se passa Nessa cadencia Que nos envolve E abraça Partilha serena Qual suave pena Na pele a poisar Ponte de suavidade Fina e sem idade… Que une em verde Sem deixar definir Tempo a se prolongar Frase sem se findar… Sentido do sentimento Que ora lembramos Ora levamos por dentro Saltitar nas letras E ver assim passar Estradas estreladas Pontos de luz e alvoradas Nesse teu céu interior… E sentir renascer Esse voltar a crer Por devoção Por amor Por simples dar Sem esperar Receber Mais que a atenção Assim sendo dispersa Em gotas desse calor Em claridade desperta Celebrar sem estar em festa Assim qual o se reencontrar Quem junto a nós se apresta Entregar simples e sem mais Deixar fluir essas melodias iguais… E transformar fantasias em sonhos Reais melodias em cantos risonhos E entre esses íntimos espaços Ecos de vida num puro abraço Dar, e dar de si sempre… Num poema, qual novo tema Assim ecoando entre a gente
cerne de poesia
Mergulhar Hino profundo Nesse confim Entre a verdade e o mundo Estender Pontes de vida, coragem Reconhecer Qual na brisa o tempo em passagem e saber Voltar Em estrofes de sonho o contar A pairar trazer, devagar À tona Dessa nova consciência Essa tal cadência que se procurava Essa melodia que não se encontrava Essa suavidade frágil e subtil, Essa idoneidade de ser dúctil Entre seres assim a se assumir Humanos e irmanados pelo tema desse algo a surgir;