Ondas de Intimidade
Nesse lugar
aonde se abeira
A barca a vogar
Dessa maneira
Sempre serena
Suave e calma
Nessa lagoa
Qual olhar da alma
E nessa onda
Pequena
Identidade
Que se transforma
Qual pena
A descrever sem idade
Esse tempo que se lembrava
Esse algo entre tudo e nada
Essa alegria
Mais quente que fria
Que ainda se elevava
Que ainda preenchia
Que ainda se levava,
E prendava
Abraços Dados
Nesse elemento
Forte e sedento
Que jorra por ti afora
Que se estende
quando se demora
Nesse tempo,
nesse lugar
Que voga aonde
o sonho chora
Que se entretece
Quando assim permanece
Sem se estender
Entender
Sentir ou partilhar
Essa ponte enrolada
Dentro de ti mais nada
A dar
Sem se ver
Saber
Assentir
Sem querer
E ousar
Assim estar
Lado a lado
Sabendo que somos
Por dentro
Abraçados
Volta de vida
Nessa leveza de se harmonizar
O tempo
o pensamento
o que se sente de repente
o que se sonha assim deixar
Em temas leves, apenas
Quais brisa no teu cabelo a brincar
Ou sem desvelar
o tempo no que te foi dado a partilhar
sentir que assim poderemos ver e ouvir
...E lembrar...
O tanto que se ilumina
quanto em nós cintila
Nesse momento sem tempo
No que nos é dado a soletrar
E ler devagar
Uma prosa sem tema
Uma rima em poema
Essa tua vida a voltar
Incerteza
Nessa incerteza
De onde nasce a poesia
Dessa suavidade
Musicalidade em melodia
Desse algo que nos alumia
Desse sentir que faz da noite ser dia
Desse encontrar novas metas a se partilhar
E ao chegar, descobrir
O que em nós estava a bulir
E a se querer mostrar
Qual uma surpresa enfeitada
Nessa árvore de presentes
Que na noite mais intima
Nos foi deixada
Para a sós descobrir
Qual o sentes
Criança amada, ser maior
Que a matura vida entretecida
Desses poemas que se destinam
A ser enviados
A outros corações
outros seres
humanos
Bem amados
Momento de se encontrar
Quando, por enquanto
Ainda se não conseguiu
Subir
Ao sopé desse alto que é
O lugar aonde queres chegar
E as imagens
Em derredor
Se fazem
Quando olhas atrás
E vês em perspetiva
O campo a estiva
A labuta antiga
Renovada
Pela nova rotina
Nessa cidade marcada
Pelos recantos mais belos
Pelos lugares sobranceiros
Aos que chegas e te entregas
Assim a repousar
Poema de vida
Tempo a se entretecer
devagar...
Até um dia
Poder ser e estar
Nessa melodia
Entre a noite e o dia
Qual horizonte de fronte
A se ver pintar
De cores amenas
Suavidades apenas
Para quem quiser olhar
Sentimentos passados
Suaves e bem levados
Para esse lugar
Íntimo sentimento
Claridade do momento
Que nos é dado a viver
Devagar...
E a entregar
Assim se se puder partilhar
Alegrias
Alegria de se partilhar
De mostrar esse estar presente
Qual palpitar
De sorrir e ver brilhar
O olhar entre a gente
Desse calor de amenidade
Desse algo subtil e coerente
Dessa verdade
Que se sabe e sente
E nesse sentido
Desconhecido
Que nos envolve
Qual abraço
Aconchego renascido
Nesse mais pequeno espaço
E no seu lugar
O lar
Dessa lareira sempre acesa
Assim ao se achegar
Também em calor de humanidade
Assim nos envolve e expressa…
Jorrar de Amores
Marés que não vês
E te preenchem sem cessar
Dessa saudade
Sentimento sem idade
Desse integrar
Esse fundamento
Forte suave e lento
Essa estrela
que levas por dentro
a cintilar
Para que brilhe
E ilumine
Uma outra vida
Nessa breve perspetiva
De se estender
Desde poente a ponte
Que traga assim forte
Alvoradas
Amigas
Águas passadas
mas vivas
Desse querer encontrar
Um lugar e sentimento
Uma palavra de alento
Um momento a se entregar
E ouvir sem mais parar
Isso que se leva por dentro
Assim livre a jorrar
E além do pensamento
Pleno de sentimento
Assim se entretecer e amar
Encontrar teu Lugar
Quando damos
tempo e atenção
Às amenidades serenas
Às tempestades apenas
Trazemos
O que assim pescamos
Ao de cima
Desse mar de amar
Imenso e profundo
Que anima
e dá cor a este mundo
E nos inspira
E se lança
A quem abraça
A assim enjeitar
Em sons de melodia
Entre a noite e o dia
Alvorada
Ora ocaso
Silêncio
Escasso
Pintado
Por todo o lado
E no vento
O sentimento
A se levantar devagar
Até o ar ficar sereno
E o sol repousar
Ou se elevar
Para mostrar
Novas cores
Aos mil amores
Que cintilam
nesse teu jardim
A florir
Longe de mim
A se abrir
Primaveril
A ser sêmea
Desse gérmen
que se semeia
Em cada dia
Chamarada
que se ateia
Ao dar
E saber receber
O que a vida
íntegra
inteira
Convida
A partilhar
Refúgio de Hospitalidade
Nesse lugar
Onde acolhem
Os que escolhem
Assim ficar
Nessa simplicidade
Na mais pura clandestinidade
Até se abeirar
À mesa
Ninguém sopesa
Quem estará
Lado alado
Sentimento alado
No alento assim formado
Nesse sentimento
De se estar por dentro
Encontrado
Assim no abraço
do silêncio
Pela palavra animado
Assim nesse lamento
De melodia renascida
Recriada
Revivida
Nesse lugar
Na mesa redonda
Sem soçobrar
Ninguém sobra
nem há sombra
De se ocultar
E nesse tempo
Velejamos
Nessa brisa
Navegamos
Nesse algo
que nos avisa
Ouvimos
E sabemos
Partilhamos
E nesse dizer
Assim ao saber
Que vamos
Nos ver
Outra vez
Quem sabe
Quando
Levámos
No íntimo
O que encontramos
E no ser
A leveza
Que aceitamos
Coração de Mundo
Poemas e temas
Melodias apenas
Para voltar a encontrar
Uma perspetiva futura
Algo que nutre e perdura
Nesse centro
Latejante
nesse ser amante
Da vida
Da sua leveza
Do que seria sentir e partilhar
Com plena certeza de se encontrar
Tempo
Sonho
Lugar
Para se voltar a plantar e ver germinar
Tanto que levamos
O muito que partilhamos
O sentido desse algo que encontramos
Quando nos damos anos ver refletidos
A estar de novo unidos
A nos assumir
Em humanidade de verdade
Em simples sinceridade
Desse abrir mãos
E vogar
Nesse confiar
Sem mais duvidar
Nesse mergulhar
Hino profundo
Nesse centro a palpitar
Nesse coração do mundo