Palavras e ameias
E estar sem se deixar levar
E embarcar em novas odisseias
Nestes lugares onde
as palavras e a verdade
nessa grande cidade
Parece que já não andam a meias
de sol a Sol
Avenidas cheias coloridas
Bandeiras nas ruas despidas
Templos de pedra e betão
Portas de triunfos tão distantes
Ecos de mão em mão amantes
Gente em frenesim,
cidade em ebulição
E na cadencia destes dias
Entre máscaras e ruas vazias
Ainda se ouve esperança a vogar
Nessa voz de criança sempre a animar
Pinturas momentâneas
Telas efémeras, diárias
Imagens do ser real
Transformadas e levadas
Pelas ruas desta capital…
na tal (c) idade (s)
e nos detalhes destes lugares
onde assim os bem gravaram
palácios desse tudo e de nada
avenidas na noite a iluminar...
nestas festas que antes fazíamos...
na face de rosto que bem sabíamos
nessas celebradas palavras
datas de sempre
que jamais se apagava...
ainda agora se iluminam
pelas as ruas e os beirais
antes eram assim iguais
quais calores humanos
nessas aldeias irmanados
mãos em mãos desatados
eram cores garridas sem mais
humanidades simples reunidas
nessas outras veredas desse outrora
agora, nesta hora assim esquecidas;
a volta da roda se juntavam e à roda assim dançavam
nesses lugares anteriores, entre festas e senhores
entre recantos de pequenas flores plantadas
cresciam flores silvestres onde a noite se deixava
assim iluminar - pelo cântico mais discreto, pelo ser subtil e secreto
que se encontrava aonde morava, ali entre o aroma do rio corrente
a margem sempre ardente, dessas pratas luzidias
decoros e coragens de todos os dias a se perfazer
entre crianças e seres de humanidade,
entre ser homem e mulher de verdade
mar és interior es
espelhos
imagens subtis
desses tempos,
antigos agasalhos
conselhos que levais e assim assumis…
e nestes retalhos, entre ruas e atalhos
ainda são a vogar,
nesses detalhes…
entre as rosas e flores desse lugar
a se levarem antes nas avenidas,
prendidas por entre os beirais…
tantas quantas as mãos comezinhas…
essas serenas sereias que as regavam
mãos tão cheias de vida
que assim bem as plantavam;
sem mais e sem cessar;
nesses campos prenhes de vida
por entre as ameias amuradas,
dessas antigas estradas…
eram ainda mimadas,
por pés descalços traçadas
os trilhos mais inquietantes eram desbravados,
pelos seres mais pequenos que encontrávamos
a ser e brincar sem mais
serpenteavam
entre o tudo e o nada,
vogavam de lá para cá
sem medo, ser e não ser…
sem sentido desse tal selo
enviavam cartas silentes
aos corações das gentes
as que ainda se atreviam
entre ritmos de alegrias
assim a saber ser cuidar
nem se sabia
se era noite ou dia,
para estar assim
a ver passar…
horizontes
sem princípio
nem se deixar findar
e nesse instrumento que se leva por dentro
compor poemas e melodias de se encantar;
sonhar novas estradas,
veredas vazias marcadas
por pés descalços ao passar
estrofes dessa musicalidade
sem ter tempo nem saber a idade
essa que se levava,
onde a areia parava
assim ai começava
esse imenso mar…
sempre a navegar
perto do coração
ventre de pedra erigido,
ali aonde antes era vivido,
pelo batimento da simples opção,
abraço a braços dados,
por aqui além em todos os lados....
assim bem enlevados
por essa melodia e canção
a que nos falava de tudo
o que bem se amava
e se levava perto do coração
cidade de anjos

alturas de encantar nessa cidade sem mar,
oceanos de azul poisados, por aqui e além
- em todos os lados -
onde se atrevam
os bem humanos
ainda a erguer o olhar,
poderão ver poisados
esses anjos sagrados
sobre nós ainda a pairar
Ser a despertar
Sonhar, e voltar a acender essa luz devagar
Crer e perseverar
Nesse voltar a nascer em cada dia a passar
Dar passos,
novos em cada caminho a se andar
E nas veredas conhecidas
Olhar nascer alegrias
Onde se pensava conhecer o lugar
E nas esquinas plantadas
Surpresas amadas
Por se deixar levar
No estar atento…
No ser por dentro
Ser de novo a despertar;
qual criança que renascia entre a luz do ser e o prender do dia
qual criança
voltar a erguer o olhar
e nesse alento varado
assim ficar em plena rua...
parado, boca aberta, sem falar
e ver essas ruas iluminadas
cheias dessas gentes que vagam
a procura desse novo encontrar:
essa alegria imensa
que vai além
do que se detém
ou se pensa
e nos leva de novo ao ser singular
ess@ que tantas horas a fio passava
castelos efémeros de tudo e de nada
construídos a beira da estrada
desse caminho a se saltitar...
e nem assim se abria
essa cúpula de alva magia
quando o tempo assim em seu enfado
vinha e colocava a subtil noite a seu lado
Flor Suave e Subtil
Sentir em derredor,
como qual uma flor
Nova e gentil, renovada…
O ser mais bem presente
que encontrei nesta estrada
Assim de novo a se abeirar,
de mansinho, sem me tocar
E estando olhando admirando
Olhos novos abertos de par em par
Criança renascida
nesta e noutra vida
Assim sem querer a vogar