Lista de Poemas

Tu por sempre

Por dentro de mansinho

 

Nesse lugar comezinho

Aonde guardamos

os mais queridos retratos

Desses momentos exatos

 

Nos que assim se fez florida

Cálida tão próxima e garrida

entretecendo em seu vagar

nesse caminho toldado,

em ti em mim em todo o lado

Voltar a vê-la passar…

 

Esperança do ser criança

No adulto ainda plantada

Um algo desse ar de novo

alimentando entre o povo

 

E nos faz de assim abraçar

 

Pequenos gestos, olhares serenos

Passos no que somos e cremos

Assim a crescer devagar…
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infantil certeza

Para caminhar de pé

– em pé – firmeza…

com plena certeza

Dessa fé infantil

Suave e subtil

 

Sonho efémero se não cuidado

Eco ou sombra sempre a teu lado

A espera de se transformar

Nesse algo de verdade

Em plena rua – realidade

 

Que nos leva de novo a erguer o olhar

A sentir de novo a confiança perdida

Essa que parecia estilhaçada – vazia

E assim voltar a crer sorrir sem se ver:
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novas vestes

estável pleno afável
o tronco, nu ao de cima
sem casca
sem crosta
sem medida

pleno para se abraçar
sem espinhos em volta que rasguem
a sua intenção ao se entregar
e o ser enorme em sua extensão
quer seja que faça chuva
quer pareça que faça sol

nos abriga sem duvidar
nessas passagens sem criva
precisa a atenção a se dar

amor em humanidades entregues
em palmas de mão aberta
para quem as eleva

em braços
em seu redor,
abraçando
e no tempo
oh!o tempo
de amar
de querer
de entregar
doce encanto
esse que o faz
assim florescer
sem parar...
e nova casca
em si
e em sua volta:
de novo a crescer
quando o amor de humanidade
se mostre em face de homem
e de mulher...
130

cidade de anjos



alturas de encantar nessa cidade sem mar,

oceanos de azul poisados, por aqui e além 

- em todos os lados - 

onde se atrevam

os bem humanos 

ainda a erguer o olhar, 

poderão ver poisados

esses anjos sagrados

sobre nós ainda a pairar
99

Odisseias

Neste nosso fado

Dessa caminho passado

Dia a dia, noite sem findar

 

Sonho coerente,

entre calma brisa e gente

Que nos levou do campo ao mar

 

E nessa meta sorridente,

entre tanto e tanto ser crente

Voltamos a arribar…

 

À margem nesses encontros sonhados

Comunidades que idealizamos

 

Que nos contavam sem se deixar levar

Sobre essa palavra… saudade…

 

Sonhos para se voltar… a avançar

 

Nesse tempo sem ter conta ou maldade…

Entre os que lá se ficavam e viviam e estavam…

 

Nessas aldeias pequenas;

Nesses lugares lado a lado

 

Até que dispersos pelo destino incerto

Cantando um fado de peito aberto

Nos pusemos de novo a sonhar

 

Agora diáspora migrante

Sentimento errante

De ser sem ter lugar

 

Essa magia que nos unia

Essa simplicidade na noite e no dia

 

Esse celebrar cada efeméride, comezinha…

Esse algo que nos reunia na mesa da cozinha

E nos punha à roda dessa via de vida a falar;

 

Esses lugares sonhados

Agora idealizados

Onde era tudo bem familiar

 

Cantamos tantos poemas

Poetas e poetisas nos guiavam

Para fazer ressurgir Portugal

 

Agora as comunidades separadas

As outras bem sonhadas

Seguem além do mar

 

E em cada lágrima em silêncio

Exprimimos esse incendio

Que por dentro queima sem mais

 

Essa saudade de se estar à vontade

À beira de seres sem idade

Com tantas histórias para contar…

 

E no lusco-fusco desta vida

Quando tudo e todos nos convida

À volta do lume, porta a porta a entrar

 

Ainda se ouvia, quem tão bem dizia

Como se era feliz sem ter mais

Do que a vida do campo, desse mar

 

E esse feliz recanto onde cada noite

Deixar no colo amigo amado

Essa cabeça sem enfado a repousar

 

Vidas de outrora

Heranças de agora

Que vale sempre a pena

voltar a cantar…
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Ibéria Mágica

A sombra do monte pautava…

O lugar aonde a luz se marcava

E no horizonte

Sempre qual fonte

Ver assim a voltar

Estilhaços de estrela

Estrada assim bela

Aonde nos foi dado

Assim erguer o olhar

E esse lugar estreito

Passo a passo, leito

De ribeiro silencioso

Na noite a borbulhar

Paisagens de outrora

Eternidade ou hora

Nestas paragens

 ainda a espera

De te ver voltar,

caminhos de sonho real

A se entretecer devagar
125

a volta da roda se juntavam e à roda assim dançavam

nesses lugares anteriores, entre festas e senhores

entre recantos de pequenas flores plantadas

cresciam flores silvestres onde a noite se deixava

assim iluminar - pelo cântico mais discreto, pelo ser subtil e secreto

que se encontrava aonde morava, ali entre o aroma do rio corrente

a margem sempre ardente, dessas pratas luzidias

decoros e coragens de todos os dias a se perfazer

entre crianças e seres de humanidade,

entre ser homem e mulher de verdade
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partilhar o dom que nos foi dado a cuidar

Se houvesse

Um tempo

no que se esquecesse

De se estar apressado

E assim lado alado

 

Ver horizontes

Voltar a brilhar

 

Frontes iluminadas

Por suaves e finas tiaras

Linhas desses sorrisos…

Que sempre aprendeste a doar

 

E nesse olhar atento

Nesse pungir de sentimento

Nessa amenidade suave

Nesse sentir em verdade

 

Acolher por bem querer

A prosa e poema

que faz cantar o ser

 

Qual corda de harpa consagrada

Que vibra e dança ao ser tocada

 

Por essa simples vida

em nós a renascer

 

Pelo canto mais alto

Sublime sem sobressalto

Que te foi dado a cuidar e querer

 

E nessa hora

sem tempo ou demora

Alimentar sonhos poisados

Quais andorinhas nos

beiras dos telhados

 

E ai aninhar

E ver surgir em ti

As poesias mais vivas

que nos foi dado a guardar
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perto do coração

ventre de pedra erigido,

ali aonde antes era vivido,

pelo batimento da simples opção,

abraço a braços dados,

por aqui além em todos os lados....

assim bem enlevados

por essa melodia e canção

a que nos falava de tudo

o que bem se amava

e se levava perto do coração
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Flor Suave e Subtil

Sentir em derredor,

 

como qual uma flor

 

Nova e gentil, renovada…

O ser mais bem presente

que encontrei nesta estrada

 

Assim de novo a se abeirar,

de mansinho, sem me tocar

 

E estando olhando admirando

Olhos novos abertos de par em par

 

Criança renascida

nesta e noutra vida

Assim sem querer a vogar
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