Caminhar e viver
gostava de voltar a encontrar
o brio no olhar
o andar erguido e ver seguido
todo o mundo a brilhar
gostava de voltar a encontrar
a mão de um amigo
o gesto calmo que sigo
serenidade de se ter conseguido
o dia a dia levar...
para aonde a vontade caminha
para aonde a verdade aninha
para aonde se possa abraçar
sem mais duvidar
sem hesitar...
entre os medos
que nos vai plantando
em segredo
tanto ser berrando
sem nada
dessa vida nova
a anunciar
vítores aos céus - erguer olhar entre os véus deste tempo a passar... devagar
palácios de pedra alva
aonde ainda a vista nos salva
ao erguer para ver o olhar
e nesse azul bem sereno
encontra o céu todo ameno
infantil certeza
Para caminhar de pé
– em pé – firmeza…
com plena certeza
Dessa fé infantil
Suave e subtil
Sonho efémero se não cuidado
Eco ou sombra sempre a teu lado
A espera de se transformar
Nesse algo de verdade
Em plena rua – realidade
Que nos leva de novo a erguer o olhar
A sentir de novo a confiança perdida
Essa que parecia estilhaçada – vazia
E assim voltar a crer sorrir sem se ver:
lugares de encontro
poesia que se fez um dia
ainda a alvorada nascia
e o ser sonhava a divagar
assim qual poema de suavidade
que nos fala do mar da praia do rio ou cidade
desse campo de fertilidade sem fim
mundo inteiro que deflagra em ti e em mim...
e nos lugares mais humildes
humanidades que vejas e lês sem se findar
aproximam-se seres gigantes
simples lugares onde se voltar a encontrar;
Tu serena
Para lugares de sonho e bênção
Aonde ainda se ouve
a voz do seu coração
E nesses lugares plantadas,
Sementes a ser germinadas
Pelo mais suave calor…
Ameno, assim qual amor
E sempre assim investida
Da luz da força da vida…
Estejas a olhar bem para quem
Te reconhece em cada dia
Te sabe assim preenchida
Dessa esperança serena
De ser qual amiga amena
E de estar assim
– suave
Subtil, sem mais
Esperando o teu momento
De saltar de fora para dentro
E aqui assim voltar a morar
Qual brisa de primavera
De quem ouve e espera,
Na face a tua simplicidade
A bem nos tocar em verdade
E nos ajudar a voltar a sonhar
gotas vivas, oceanos de amar
Por entre as gotas deste viver
Encontrar pontes vivas para bem ser
E nessas novas sintonias
Ouvir antigas melodias
A fazer brilhar o crer
O se despojar para acreditar
E nesses arcos de luzes novas
Nestas estranhas novas trovas
Assim voltar a nos encontrar...
O olhar de confiança futura
Uma fruta em estio madura
Prenhe de vida para se partilhar
de mão em mão abraços dados... desde aqui a outros lados
palácios de fogo a brilhar,
noite inteira,
cidade primeira,
que nos acolhe e escolhe
gesto nobre nos deixa abeirar
nesse outro tempo,
entre o prado e o vento,
assim em silêncio chegávamos,
olhar em olhar, mão em mão
por opção de coração
assim nos abraçávamos
ao som das melodias
que cantávamos...
partilhar o dom que nos foi dado a cuidar
Se houvesse
Um tempo
no que se esquecesse
De se estar apressado
E assim lado alado
Ver horizontes
Voltar a brilhar
Frontes iluminadas
Por suaves e finas tiaras
Linhas desses sorrisos…
Que sempre aprendeste a doar
E nesse olhar atento
Nesse pungir de sentimento
Nessa amenidade suave
Nesse sentir em verdade
Acolher por bem querer
A prosa e poema
que faz cantar o ser
Qual corda de harpa consagrada
Que vibra e dança ao ser tocada
Por essa simples vida
em nós a renascer
Pelo canto mais alto
Sublime sem sobressalto
Que te foi dado a cuidar e querer
E nessa hora
sem tempo ou demora
Alimentar sonhos poisados
Quais andorinhas nos
beiras dos telhados
E ai aninhar
E ver surgir em ti
As poesias mais vivas
que nos foi dado a guardar
de sol a Sol
Avenidas cheias coloridas
Bandeiras nas ruas despidas
Templos de pedra e betão
Portas de triunfos tão distantes
Ecos de mão em mão amantes
Gente em frenesim,
cidade em ebulição
E na cadencia destes dias
Entre máscaras e ruas vazias
Ainda se ouve esperança a vogar
Nessa voz de criança sempre a animar
Pinturas momentâneas
Telas efémeras, diárias
Imagens do ser real
Transformadas e levadas
Pelas ruas desta capital…
mar és interior es
espelhos
imagens subtis
desses tempos,
antigos agasalhos
conselhos que levais e assim assumis…
e nestes retalhos, entre ruas e atalhos
ainda são a vogar,
nesses detalhes…
entre as rosas e flores desse lugar
a se levarem antes nas avenidas,
prendidas por entre os beirais…
tantas quantas as mãos comezinhas…
essas serenas sereias que as regavam
mãos tão cheias de vida
que assim bem as plantavam;
sem mais e sem cessar;
nesses campos prenhes de vida
por entre as ameias amuradas,
dessas antigas estradas…
eram ainda mimadas,
por pés descalços traçadas
os trilhos mais inquietantes eram desbravados,
pelos seres mais pequenos que encontrávamos
a ser e brincar sem mais
serpenteavam
entre o tudo e o nada,
vogavam de lá para cá
sem medo, ser e não ser…
sem sentido desse tal selo
enviavam cartas silentes
aos corações das gentes
as que ainda se atreviam
entre ritmos de alegrias
assim a saber ser cuidar
nem se sabia
se era noite ou dia,
para estar assim
a ver passar…
horizontes
sem princípio
nem se deixar findar
e nesse instrumento que se leva por dentro
compor poemas e melodias de se encantar;
sonhar novas estradas,
veredas vazias marcadas
por pés descalços ao passar
estrofes dessa musicalidade
sem ter tempo nem saber a idade
essa que se levava,
onde a areia parava
assim ai começava
esse imenso mar…
sempre a navegar