Lista de Poemas

Vitrine

Caminhando nas jovens marcas do do meu rosto, minhas mãos caiem em abismo fatais!
Não são de distância, faca, morte, mas de antes e depois e agora e vida?!

Tanto tempo fui caindo que a vida “levou os meus vinte anos, o meu coração”

As mãos seguem escrevendo está caminhada pretérita!
Mas eu em repulso, como o braço que ficou de fora do giro doce e alegre de um carrossel,
por meio da vitrine da uma loja,
tristemente reconheço e vejo que minha história fora e será negra!
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Sentimento Cacheado

 

Dentre as coisas, dias, anos, “uma vida inteira” jogada no esgoto,
há um Amor Cacheado, Puro que é Criança
descendo mansamente, como cicuta, Por esses mesmos Canos!

Quem me dera o amanhã em seus braços, Sentimento Cacheado e longe de mim ou um adeus de Cachos nos alhos; 
 
Um outro homem, eu!
um outro homem, eu!!
por Deus! Um outro homem, Eu,
para cachear-me de si!

Caio para fora do abismo do mundo,alto e fundo na distância que engoli distância,
vejo que o vácuo é preenchido por coisas que não foram. Mas  ele  engole-me, cachea-se  "e explode". E constrói novos infinitos tão puros que são Crianças que dançam ao vento Puros e Belos,como cachos como cachos. Meus Deus, Ainda como cachos!

(as
    frases
             descem
                         e é o fim
                                     de um amor)


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Declaração

Quando olhei, lá estava um belo Corpo dentro de um caixão! Não me foi dado conhecer a vida dele e os diversos ramos dela.  Sobre o mesmo, sei é que era lindo e que era um belo corpo, um belo Corpo dentro de um caixão! Mas tão lindo que convidada à morte, o Corpo no caixão que parecei Narciso olhando-se naquele fatal rio. Estava circunstancialmente – isso é “faca me escavacando” – morto, no entanto, parecia que a morte o enfeitava de vida e distância, uma  desconhecida vida, que por sua beleza faz também com que queiramos revivê-lo.

Olhei-o mais de perto: ele cheirava a luz! E, como em um sonho, quis, mas não consegui tocá-lo, porque, com o aproximar das minhas mãos, ele, paulatinamente, se desfazia em pó de luz brilhante. Mas de um pó tão esplêndido que mais parecia reflexão de vida. Então, já que estava perto dele, desejei conhecê-lo. Desejei entrar dentro da morte, e com a força da minha espada tomá-lo dela. E isso desejei tão forte, tão forte que o Corpo, o belo Corpo no caixão, se fez de uma clara luz brilhante e calma.

 “Por que me foi dado conhecê-lo nesse estado?”, pensei lembrando dele! Mas logo emendei o pensamento: Para espada minha, “deixar o pensar na cabeça”, porque Você só que revivê-lo e sujá-lo, o Corpo é um belo Corpo, mas estar dentro de um caixão, sua fúria não é mais forte que isso. Ela é fraca e má, de consumidor querendo promoção – Chora e “estala”, espada “vidro pintada”, conclui!

Perdi o rumo! Já não estava diante de um Belo Corpo, circunstancialmente, num caixão! Estava num um verdadeiro labirinto, e só uma coisa me guiava: o som de um violão e a certeza que eu precisava tocá-lo, danadamente tocá-lo. No entanto, foi-me mais difícil concebê-lo assim do que aceitar a impossibilidade de invadi-lo. Certo disso, lágrimas puras e duvidosas caíram dentro de mim: Desejoso, eu chorei! E o Corpo caia cada vez mais fundo e alto dentro de mim.

“Você não morre, Belo Corpo dentro do caixão, porque levo-lhe no esquecimento, como aquela menina do poema”, gretei à noite olhando para a vida!  Mas o Corpo, o Belo Corpo dentro do caixão, o corpo que parecia um anjo em oração, que como um instrumento musical continuava a tocar e que eu precisava tocá-lo, danadamente, se refazia e em distância luzente e eu, com a força do gerúndio, aí matando-o.

 – Porque um belo corpo dentro de um caixão, meus Deus, por que não em vida, como uma árvore cuja eu poderia subir e colher-lhes os frutos, ou, como um presente a tanto tempo  sonhado e que  tanto mereço, que eu pudesse abri-lo em casa, sem medo e sem culpa e como fome e com sede. Meu Deus, por que!
Para não sucumbir ao desejo, pois, avistei-me dele o quanto pude. Melhor que isso: fugir dele – a fuga mais triste e precisa de todo a minha vida porque na consciência da potência do ato de fugir, eu vi que espada já não era e nunca fora preciso nesta batalha. Não obstante, à distância que me coloquei, pois tive medo de ser tragado por ele, ainda sentia seu calor fervente, seu branco cheiro de vida que convida a viver, imensamente!

–  Por que, meus Deus! ó corpo, vir-te num caixão e tão vestido de vida, por que não pude conhecer teus movimentos e perguntar teu já conhecido nome e ouvir tua já conhecida e aclamadora voz e assistir minha vida inteira em teus olhos de poesia! Desta vez sentindo amor eu chorei e pude, então, voltar para perto dele.
Aqueles olhos fechados, aquela silenciosa boca ceivada e viva, davam àquele rosto de leva luz nas trevas um aspecto de Anjo em oração. Ao revê-lo, o que mais desejei foi um gesto de vida! E já sem espadas nas mãos nem nada, eu só queria conhecê-lo, vê-lo brilhar e viver, imensamente, vê-lo brilhar e viver. Sentindo dor eu também chorei.

A maior dor não é vê-lo nestas circunstâncias, é o vê assim ser preciso e saber que, como dito, circunstancialmente ele estar morto e que eu o matei, que é preciso continuar matando-o. A verdadeira dor  é vê-lo cair dentro de mim cada vez mais fundo e cada vez mais alto, de modo que eu nunca posso alcança-lo, é fechar meus olhos para carregá-lo comigo sem que eu o veja e  olhar para ele e saber que não pode haver dor alguma que fosse.

Dor essa, essa dor sem nome e sem dor, é dor de noite esquecida dentro do segundo que não veio, de “pétala de estrela caindo bem devagar”,  de “gole de água bebido no escuro”,  de poema molhado e de gota de luz presa no fundo do abismo, brilhando e queimando e morrendo e revivendo até apagar a escuridão!

–  Como é preciso senti-la! Eu quero dormir essa dor e sonhar com o Corpo, quero lembrar do corpo e esquecer a dor e o caixão! Peço-lhe, Corpo sem dor e belo, que me leve, que me leve em algum lugar, por mais fútil que seja!

Mas O corpo não estava morto nem nada. Era um linda Vida viva e que existe e estava diante de mim!  Esse e a verdade.Outra verdade é que as estralas brilham no infinito desconhecido do espaço e que um coração sensível como o meu não poderia resistir – eu me apaixonei orgulhosa e erradamente! Há um Amor Cacheado, puro que é criança. Quem me dera o amanhã em seus Braços, Sentimento Cacheado e longe de mim!  O resto foi um desenho de Itabira que eu fiz dentro de mim. Apenas um desenho, meu Deus, “Mas como dói”!
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Gerúndio

Vencido, parado, morrendo em preto e branco e sonhos apagados. 
Falhado!
O fiz e soube, como a morte que não pode viver.
Do amor, tenho as ilusões de um adolescente que acordou mijado e  a dor dum tomate de fim de feira.
Falhei, Senhor! Sobretudo na esperança  e na vida, “vida noves fora zero.”!
 
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Raio de noite


Deste que a luz do amor raiou na noite do meu peito nunca mais tive paz.
Por outra lado brilhou também a esperança de antes apagada.

Triste é saber o inicio, meio e fim das "coisas'' e não poder mudá-las!
Ai! Se eu pudesse acordar e todo se tornar perfeito!

Triste fim para uma árvore no meio da multidão humana - saber que eles andam e pulam, mas "ela deve ficar parada!", como os infinitos momentos que descontinuam numa fotografia.

A velhice nunca dá tempo para ninguém ficar jovem, por isso ela puxa cada segundo com sua infinita corda que é o tempo - pudesse eu ter o tempo, como as linhas nas palmas das minhas mãos!

Assim como as coisas que dão erradas começam certas é também o poema: Se eu forçar os meus olhos um pouquinho só a mais eles se fecharam, depois, ate mesmo antes de se abrirem haverá só você pra mim, mas e daí? talvez você nunca saibas disso!
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Jesus

E me amou me perdoou morreu por mim
Está sentado á direita do pai...
... E me chamou me abençoou me enviou
Estou prostrado em seu altar

E é assim Cuida de mim
Amor maior não há
Será sempre assim não terá fim
Minha morada é me amar

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Às vezes quando sobra um pouco de esperança


Às vezes quando sobra um pouco de esperança,
É preciso renascer em si mesmo e em outro lugar,
Onde tudo pareça novo... Velho e sem experiência.
Também, é preciso deixar que o rio corra a caminha do mar.
Mas que o mar seja sempre um horizonte distante a se fitar,
Um farol perdido com nostalgias de luz!

Às vezes quando sobra um pouco de lembrança
É preciso docemente lembrar...
Mas que a lembrança seja simples e leve com a bruma
E que sua a espuma
Rapidamente Se desovar no ar

Às vezes quando sobra um pouco paixão
É preciso ensinar o coração
A dizer não.
Mas do que adianta ensinar o coração dizer não
Se sua função é bombear, e não falar?

Às vezes quando sobra um pouco de esperança,
Às vezes quando sobra um pouco de lembrança,
Às vezes quando sobra um pouco paixão
É preciso ter cuidado...
Porque se não,
Como um milagre, todo o peixe pescado, morto, volta para o mar.

Se mesmo assim
Às vezes quando sobra um pouco de alguma coisa similar à esperança,
Não é preciso, assim, uma borracha, e se apagar?

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Estou Feliz


Hoje estou triste, como as aves batem as asas, como quente é o sol, como quem vive e também porque a solidão não tem nada com isso. Triste, pois hoje existe é um dia em qual estou assim - fosse eu uma pedra o dia e o nada ou tudo não existiria pra mim. Mesmo assim triste eu seria! Pior ainda - não teria impaciência; já que ela é a faísca do fogo da mudança. Ficaria lá onde estivesse em meu estado de pedra, e teria uma só forma de pedra por fora e outras tantas e tantas de tristeza por dentro.
Fosse eu a água do rio... O meu correr para o mar também seria triste assim como estou agora! E agora parece ser um tempo sem fim!!
Fosse eu outro... Até mesmo assim estaria triste!

Fosse eu a noite tempestuosa, em pleno nesse dia que estou assim: a cotovia cantaria plenamente só pra mim; os trovões seriam os meus gritos; o vento frio seria o calor que me faz falta; a chuva seria as lágrimas que mal sei se tenho! Então o dia se fazendo em noite a cotovia cantaria e trovoaria e sopraria o vento e choveria e se eu amanhecesse conseqüentemente feliz seria!?
Sim, seria! Porque enquanto sou reta não sei ser curva e nem também escolher outra coisa - aliás, não sei e não quero e não preciso! Quantas curvas eu fui à plena reta! - sou uma coisa de casa vez, mas gosto de passear entre tantas outras ao mesmo tempo, porém sem perder a essência!
Mas justamente hoje quis ser tudo que a imaginação se quer pensou e tudo que os olhos sequer veriam. Também quis ser tudo que existe, sendo uma coisa de cada vez e todas ao mesmo tempo, mas não pude! Hoje estou triste porque só restou-me isso, e eu não tive escolhas! Estou triste, como um mais um é dois e também, como todas as ciências é ilusões. Por isso assim fico e estou muito feliz.
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Rosas


A felicidade é como as rosas: ás vezes murcha, mas nunca morre. Porque na roseira haverá sempre rosas.

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Ouvidos da mão



Há alguma coisa aqui dentro, cá dentro, apertada no peito que a pena, por hora, não consegui decifrar. Grito muito agora, mas nada chega aos ouvidos da mão. Só sei o que sinto e o que escrevo porque estou vivo e vejo! Fora isto mais nada - vou me deixar quieto num canto! Guardado como um presente mal querido, sepultado como silencio em uma cova

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Comentários (2)

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danilo

Obrigado

Gostei de passar por aqui e conhecer um pouco do seu trabalho. Hoje tem tanta gente boa escrevendo por aí que é quase impossível dar conta de tudo!

Escrevo para saber que um dia sofrir, mas que  também  foi um Cezar,  um Cezar para mim mesmo. Por isso, não publico nada, guardo aqui estas notas e ponto.