Espaço no Peito
Quem ascendeu a fogueira do coração
Quer saber se é sim ou se é não?
Faísca no escuro é lareira
Aquecendo a razão.
Dói os meus olhos
Que sonham a te encontrar
E minha alma descansa só em pensar
Grito em silencio bem alto
Eu perdi o abraço
Que ganhei de você
E o infinito bem calmo
Vem me aquecer
Falta em meu céu
A estrela que está com você:
Tinha cabelos tão negros
Tão negros como o amanhecê.
Fiz tantos gestos,
Caminhei tão por perto
Mas tudo em vão é pecado
O amor seja louvado!
Não não da paz
A saudade que descansa em meu leito.
Ondas voltam pro mar
E saudade pro peito.
E essa distancia
É um sol tão perfeito
separa e aquece,
Abre caminhos no peito
Não sou capaz
De encontrar nesse drama defeitos.
Tudo que bom tira a paz.
Coração triste que mais...
- Espaço no peito!
Fuga
Há um navio perdido dentro do meu coração
como um sentimento... A vagar a vagar a vagar...
Uma tela dentro do meu pensamento
Onde eu te vejo e te penso te vejo e te penso,
A te esperar esperar esperar...
Uma distancia, um abandono,
Qualquer coisa como... uma fuga!
Que nos separa como o pecado de céu.
E eu vejo que cada vez menos te sinto
Mas te sinto cada vez mais
Como o eterno perdedor
Que ganhou mais uma derrota.
Eu não te entendo direito
E não encontro tradução sobre tu no dicionário.
Mas meu coração sente a tua falta
Como as nuvens se novem no céu
minhas mãos intendem tua pele
Como a fala a voz
E minhas pálpebras piscam
Como se dentro do meus olhos
pudessem te tocar.
Tão sozinho...
Eu estou tão sozinho,
Como uma estrela que se perdeu da constelação
E que vai caindo mais alto e longe no espeço
Só indelevelmente só!
Tão Cansando...
eu estou tão cansado,
Como um rio que não quer mais correr pro mar
E vai mantando, sem querer, todo vida de sede.
Choro do Poema
Mais uma vez o vento soprou e devastou em mim e em mim nada mudou! A soma dos minutos se misturaram em hora e anos... - E em mim nada mudou! As pernas cansadas de pensarem um novo primeiro caminho agora choram! E olhos pararam de seguir o caminho do nada; deixaram de respirar e já não mais nada do que escuridão!E o pouco brilho que a esperança trouxe deixou opaca a alma e já não sente e já não cheira já não dor que a alimente!
SIM...! "mais uma vez solidão", Vinicius, "mais uma vez solidão." - Você está sempre certo! Quão grandes mares de choradas angustias carrego na vida, mas agora como navegar se estou tão vazio?
Nos altíssimos prédios da vida em que cheguei, como, agora, descer as escadas desta solidão - e ir para aonde! Para se viver em silêncio é preciso saber muitas historias ... - Minhas mãos choram graves lágrimas no Pranto Pobre e Tímido deste poema!
A Dor de Dente
Na praça a posa de sangue prossegue secando até que as autoridades joguem terra por cima; depois de algum tempo a prefeitura mandará alguns empregados pegarem-na, se é que mandará. Sobre ela os jornais noticiam: previsões do tempo, as atracções da festa do próximo sábado, o ultimo time de futebol campeão de qualquer torneio e a repetição do ultimo capitulo da novela.
Por sua vez nos shoppings e bares e restaurantes, gabinetes, fundo de oficinas e em cima das lajes, barracas de 'espetinho', os copos com cerveja saúdam,nos próximo dias e sempre,o luto da nação.
E continuam as noticias , nos jornais, sobre a dor de dente que só aumenta, mas agora seguem também, nas revistas, os comentários de génios, filósofos, bêbados e dos mendigos e das baratas : "A dor de dente não pára, e provavelmente não parará,mas vivi-se bem com ela." Em quanto isso o dinamismo e a leveza do caos - não, caos não! - da dor de dente segue calmamente.
As filas de pessoas nos supermercados e nos cinemas e de desempregados provam que o cotidiano apenas sobrevive. Mas, fatalmente e infelizmente, para todos esses e demais, por causa da dor de dente, um dia caíra um dente aqui, depois cairão todos o dentes acolá; e mais tarde a boca em quem estão os dentes, depois de algum tempo a vida que tem a boca em que estão os dentes. E seguiram-se os comentários: "..., vivi-se bem com ela".
Nisto o dentista,que ainda nem se formal em dentista, está em casa deitado, esperando organizar a imensa fila que se formou no consultório publico que e ele ainda não trabalha,(em qual deverá trabalhar 5 vezes por semana, mas só ira 2 ), com dor de dente.
" O ano que vem tem eleições 'para todos os cargos'..." " O novo presidente toma posse hoje; será que ela vai dar um jeito nessa dor de dente?"
Mas o novo presidente já saiu; e aquele futuro ex-dentista, acabou de morrer com dor de dente. E no futuro pararão todas as noticias, não porque a dor de dente cessou, mas porque todos...
Fim.
Versos de Pedão
Nunca fiz um verso e chorei depois de tê-lo feito;
Nunca, se quer, chorei ao ler um verso - por mais verdade que me coubesse nele!
Nunca nunca coloquei uma vírgula de um verso na balança de minhas decisões,
Nunca...
- precisei de um verso para viver!
Mas hoje procuro um verso que não há em mim, que não existe para mim
Para expressar a vida que, como uma lâmpada apagada, vivo!
As palavras não têm vida, mas hoje supliquei porque quis está frente a frente a esse verso e ver sua imagem e ouvir sua melodia, encostar minha vida inteira em seu peito e lhe pedir perdão!
Naufrago
Ali vai o meu sonho:
Tão leva e tão divino:
Depois que ele acordar
Sei que não saberei mais sonhar.
Ali vai o meu sol:
Vai luzindo no céu traiçoeiro
Mas depois que a noite acordar
Sei que ele não saberá mais brilhar.
Ali estar o mar
E suas ondas que vem e que vão
Inundam minha vastidão,
E como uma sereia -
Parece-me enfeitiçar.
Assim como o rio
Minhas chagas correm para o mar -
Mais todos também parece
Lançar suas feridas ao mar.
Aqui vou eu
Dentro de um navio,
Que é o próprio eu,
Sobre o mar - imenso e calmo mar
Que mais cedo ou mais tarde
Irá me afogar!
Assim foi tudo que sou:
Sempre uma amargurar a curar e
Sempre uma nova amargura a magoar
Sempre um sol a se apagar
Sempre um sonho a se frustrar
Sempre um navio a naufragar
Sempre que achei certo
O que já era certo
Já não era certo se achar
E boquiaberto, esperei quieto,
Uma nova chance de achar.
Para o mar eu vou indo,
Vou indo para o mar
E o medo me constringindo...
E o sol desluzindo..
O sonho fugindo...
E lá no fundo do mar
Para sempre
Meu navio vai caindo.
Canto Alto
às vezes sinto que sou tão pequeno
E falo baixo para ninguém me escutar
Da vida foi o inimigo mais ameno
E sofre baixo para ela não se incomodar
As coisas nascem em qualquer terreno
Mesmo sem se plantar
Mas para crescer é preciso cultivar
Porem às vezes quando se é sereno
Um canto alto também faz da rocha flor brotar
E um canto alto de quem e pequeno
A Tudo pode encantar
Por isso sereno canto alto porque sou pequeno
Porque algo em minha vida tem de brotar
um in-propósito
Fiz do meu propósito o meu túmulo, fiz do medo a minha causa e agora estou de costas pra mim. Fiz de mim um deposito de frustração - e agora que estou cheio? - Sigo em um caminho - que não é caminho - a direção oposta a tudo que quis! Mesmo assim fui fiel ate na minha mais lúcida incerteza. E por causa disso foram realidade todos os meus Magnos sonhos, mas também foi um sonho o pesadelo de minha sonhada realidade alcançada. E, no entanto, desconecto e sóbrio da utopia inalcançado e não curada, vejo, e confesso que tudo foi verdade porque sofri - e agora sinto a dó, tão antiga dó, que tanto desconheço nas lágrimas que não posso chorar!
O que foi enquanto tudo isso me acontecia - ai, meus Deus! O que foi: Um ponto vermelho a se perder na treva, uma fagulha apagada pelo o oceano? Ou não fui nada enquanto era tudo, porque nem mesmo todos esses caos se aguentaram em mim - talvez, mas custa acreditar que não! Suprema angustia frustrada em mim, quem diria que com o correr dos anos eu te corroeria e também te correria tanto, tanto e tanto que esqueceria ate de mim?
Os papeis em branco guardados, historia entupindo os bueiros são cenas da minha vida a olhar para mim... Toda a fartura dos tempos dos Reis e também a falta de pão aos outros naquele tempo ainda sou eu cuidando dos meus sonhos - Ai de mim! Que grande pintor foi para pintar a mão livre o quadro negro da minha vida?
O grito simples em supremo silêncio foi sempre meu paraíso, mas agora o silêncio se desfez - que paraíso foi esse? - Choro lágrima pelo o céu todo e já nem me canso...
Ei,Ei!
Ei! Esperem por mim - Há algumas lágrimas neste pedido, mas nãos se importem apenas, me esperem, por favor!
Ei! Eu também sou bacana, só não sei como se faz para que vocês percebam isso;
Ei! Também há calor em meus braços. E eu sei que você está com frio agora. Por isso, converse comigo, assim sei que você eu poderemos nos acertar;
Ei! se me acharem aqui atrás deste disfarce e se me descobrirem após esta camuflagem que estou, eu garanto que vocês não irão se arrepender;
Ei! O mundo é triste sim, mas eu tenho sido muito mais triste e, tudo isso em silencio! Mas agora quero curar essas dores, quero falar pra esse silêncio - quem pode me escutar?
Ei! Eu só preciso de um tempo e uma mão amiga e de também um grande sorriso pra mim, não para a minha fraqueza, porque sou fraco agora e ainda não sei me livrar;
Ei! Por um momento eu preciso de um abraço... Depois o resto se vier;
Ei! Antes eu acreditava no 'pra sempre' e ate sonha sonhava com ele, mas agora sei que para que o aja, primeiro, ele tem de acontecer. Ou posso ser como vocês quererem também - tudo pelo hoje! E que o amanhã apenas venha! E se sobrevivermos a ele - deixe-me pedir uma chance para outro amanhã - porque a humildade é o meu jeito de fazer o 'pra sempre' acontecer;
Ei! O ruim do diálogo, para mim, é só quando eu tenho que falar. Por isso, guardo no silêncio a minha própria confissão e no olhar....ainda muito mais do que posso falar;
Ei! Pouco para mim é tanto e tudo para mim tem tanto sentido que às vezes não parece ter lógica alguma nisso! Por isso é que, às vezes, tenho me guardado. Mas hoje peço - achem-me...!
Ei! Desfeita para mim não tem gosto e exclusão para mim não se aplica. Pois, foi justamente a sobra disso todo que fez de mim a palavra obrigada e também a palavra Saudade. E ainda muito mais que isso me deu também:
Ei! Eu guardo um presente o qual ainda não tenho a quem dá. Porém, guardo como uma peça de museu, no meu baú de lembrar, desejos e olhares e sorrisos e momentos que morrerão comigo. Porque não tive como dá - e também não quiseram - a quem seria para dá. Posso ate mesmo dá o que não tenho, mas nunca darei o mesmo brilho que eu fiz brilhar por um sol à lua que ainda farei , mas os dois sempre brilharão no mesmo céu. E sempre haverá céu em mim... - sempre!
A esmo
Saíra à caminhar a esmo à noite depois de um dia leve, porém muito escuro, como um funcionário público que levasse consigo, ao invés da pasta, a alma debaixo do braço e nela houvesse todos os pontos de amargura muitíssimos bem marcados. E lançara olhares para alguma coisa e para qualquer coisa e para tudo ao mesmo tempo, mas nada se comunica com meus olhos. Faltava qualquer coisa àqueles dois presentes de infância que os tornassem capazes de atrairem a vida das cenas das ruas. Faltava um motivo , talvez, um brilho ou até mesmo uma alma, porque ela se comunica com a vida! Mas esssas duas uvas estavam tão passas que cliente algum as levou.
Recordo-me que dois desejos foram os motivos desse calvário. Eram os de...
Então anos passaram-se e tudo ficou sob o tapete do tempo. Mas esse Deus infinito, não sei se por bondade ou travessura, o teceu com o meu coração.
Até hoje, como um sorriso amargo que o dentes não quiseram parir , sinto-os igual uma múmia em no coração dizendo que um era o de ver a sujeira das ruas e as pessoas que nela passam e outro era, talvez, o de viver!