A DÉCIMA MUSA
à musa e esposa Edilene Dentre as noves musas da Mitologia Grega quis o poeta intrépido a décima criar dando pra ela um atributo espetacular como se lá do Olimpo viesse a pronta entrega! Sabendo que todas as musas têm função o poeta trabalhou somente com essências por ser musa deu o atributo da Excelência que na verdade era mesmo sua missão! A musa foi escolhida na ilha dos amores na terra fértil de São Luís do Maranhão onde se colhe cajus, pitangas e flores! Minha musa tem a bela cor da castanha carrega consigo os mais sublimes valores de uma gata ela possui a graciosa manha!
DOS LÁBIOS DE MEL
à musa Edilene Fui preso com os tentáculos dos seus braços fiquei enlaçado de maneira envolvente doutras mulheres sei que foste diferente seu jeito de amar me levou pelos espaços! E, por onde eu passava percebia seus traços em cada lugar tinha uma história da gente tinha na minha roupa o perfume abrangente como tintas frescas das telas de Picasso! Teus lábios tão doces como eram de Iracema que são lábios da boca dos beijos de mel não vale que eu faça só um... mas dez mil poemas! Morena da terra onde canta o sabiá te conquistei aqui... mas eu tive que ir lá também amar você debaixo do teu céu!
DAS FALSAS ILUSÕES
I Se de vossa esperança me mantenho por dar-me pouco achar-me compensado sendo fácil haver-me ludibriado por falsas ilusões do amor que eu tenho Se vivo de querer algo sonhado cadê o porto seguro que desenho de tê-la no aprisco que nem ordenho passando na vida sendo enganado dando-me sofrimento por viver Meu Deus leva pra longe esta pessoa que dos meus versos e do amor caçoa Se nem um bem me pode oferecer melhor sozinho estar numa caverna se o amor que me prometes ainda hiberna II Primeiro você traiu-me a confiança sem levar o nosso tempo em conta e nada a seu favor tudo era contra quando havia perdido a esperança a falta de respeito era uma afronta eu nem quis dar o troco por vingança nem busquei na escassez ter abastança na ilusão dum amor que se desmonta se a casa edificada despencou se amaldiçoa quem tanto te amou embora fiquei firme até o fim hoje te vejo andando só e triste embora nenhuma mágoa persiste ao florescer perdão dentro de mim III Meu Deus põe outra pessoa no lugar que saiba ser amada e dar amor que não venha ser causa de favor a brincar com meu viver pra explorar se quem bem não possa nos agradar e toca em nossa vida só terror faz-nos longe nos sentimos melhor que por ser dois não forma nenhum par tenha então pessoa doce e especial que ao dar valor seja valorizada(o) quando estiver amando seja amada (o) que eu venha receber só um sinal se por ventura existe alguém assim que venha a ser a flor do meu jardim Rio, em 11 e 12 nov 19
NO VAI E VEM DO TEMPO
I Parece amada minha que te vi ontem Medindo a lucidez dessa distância Ao temperar desejo na inconstância E a linha que nos une foi uma ponte Você surgiu na imagem do horizonte Mostrou-me a mais perfeita relevância Do amor no tempo pleno da mudança Nem pude imaginar que era o bastante E assim grudei em ti tal um chiclete Foi muito mais além do que peguete No amor ou na amizade tanto faz Na pescaria do tempo da vontade Fui menino sem dizer minha idade Você tão pouco nem ficou pra trás II Na álgebra do amor e geometria plena Tentei arriscar um cálculo preciso Ainda que parecia meio indeciso Conectei meu pensar a sua antena Você raiz quadrada de mim mesmo Não quis admitir os planos traçados Na bissetriz dos corpos enlaçados Parecíamos que estávamos à esmo Mas somente era uma bela equação Você quis logo me ver pelo avesso Parecendo ter fim sem um começo Engano achar que árbitro é a razão Eu bem sei que ao contrário é nossa conta A empilhar dominó que se desmonta III Cavalo doido todo meu desejo no frenesi do tempo percorrido eu e você nos vemos divididos nossa contradança é pleno realejo posso te ver além do que te vejo na aparição que revelou cupido natural sem enfim ficar despido desses arcos e flechas que manejo vivendo a interação do nosso orgasmo no pleno universo entre nós dois ante a forte contração de um espasmo então sou um puro sangue que te ama relincho com a minha própria voz na imensidão do palco em nossa cama Rio, em 10 nov 19
DAS ESSÊNCIAS DO AMOR
Certamente tu tens em mim um mar de flores e tudo que me habilita a te amar de fato não tenho dúvidas que seja o seu bom trato sem nada estando a polemizar... nem te opores! Sem nenhum grilo na sua cuca ou temores me conquistou sem ter melindres, nem recatos, e por Deus... sei que me sinto por demais grato por feliz demonstrar pra mim simples valores! Tu és o porto seguro do amor divino uma mulher que Deus predestinou pra mim única flor exótica do meu jardim que exala o doce odor do sexo feminino! Não há outra que faz de mim sentir-se rei Que tira da minha vida todas as leis!
SONETO DAS DESAVENÇAS AMOROSAS
I Esfregas na minha cara teu decote não vou me redimir do meu olhar o que é bonito é para contemplar e que nos fura os olhos pra que note de fato você fez bem de propósito tirando-me suspiros imprecisos fez-me parecer perder os juízos retendo a minha sede pro depósito talvez pela chama da sedução que algo entre nós parecia decolar de início eu nem queria ser teu par pra só querer viver desse tesão mas além de um decote a gente pensa o corpo nunca foi uma recompensa II Se enfim gozastes não perdeu a chance bom sexo pode ser libertador não faça da nossa história um terror o que ainda é promessa dum romance o clímax quanto mais a gente avance é fruto desse mesmo doce amor nada disso tem graça sem fulgor prazer não é tributo de revanche se da mesma forma que a gente gosta não tem razões pra se buscar resposta buscando no outro mais intimidade se a química faltar já foi pro brejo nada pode fluir sem ter desejo nem orgasmo não rola sem vontade III Se logo fomos pra linha de frente talvez por nos conhecermos muito antes sabendo que fui mero figurante sendo usado de forma diferente ainda que fosse o máximo elegante enquanto o sangue todo fica quente aliviando nossos corpos carentes na banal relação de dois amantes voltamos aos dilemas inventados da triste relação de dois coitados se depois que este fogo todo queima se além da cama somos dois estranhos se a gente vive só de tira teima sendo ordenhados como bom rebanho IV Rebanho do que a gente só rumina comendo nada além disso que é palha eu sendo troço e você uma tralha pelas coisas que a gente nem opina embora o que mais nos contamina é que nada disso nem atrapalha ou achar valer o que nem mesmo valha da pureza perdida da menina se nossa relação seguiu pro abismo não fora somente pelo que eu cismo mas pelas coisas que foi se arrastando se a gente se deleita já nos basta como se fosse lucro estar transando mesmo que a relação esteja gasta V Retirando antolhos da insensatez pude contemplar a chance de amar depois duma briga pude voltar te ver sem dar bola pra pequenez se o amor é veredito de vitória vamos buscar um novo horizonte deixando no passado a dor de ontem vivendo bom romance nessa história para termos nosso jardim florido ante a beleza de te ver sorrir pra não ter motivos de arrumar brigas que faz do viver não ter sentido nos pondo atrás de linhas inimigas não tendo vencedor e nem vencido Rio, 29 e 30/12/19
A BELA DO ORIENTE
Sem esperar cruzou o meu destino Vi os astros passarem reluzentes E tudo se tornou tão diferente A fazer do que sou outra vez menino Vendo-a passar com as vestes do Oriente Com realces dum desenho dum felino E os delicados brincos pequeninos da graça vinda doutro continente Para dar maior Tchan na minha vida Surgiu esta nipônica tão bela Com uma braçada de margaridas Esta mulher estrangeira era aquela Que tal a gueixa dança num cortejo Ofertou-me o encanto além dum beijo Rio, 12/11/19
DAS PROVAS DA PAIXÃO
I Paixão que certamente desordena e não se deve com ela brincar que nos deixa à prova na arte de amar que tanto nos salva como condena?! Paixão que também derruba as alianças provoca sentimento de torpor que pode nos causar prazer ou dor por apostar numa falsa esperança! Quem consegue uma paixão definir E sem receio costuma admitir dizendo a alguém estar apaixonado?! Se ela então nos atrai ou nos assusta não sabemos ser benção ou pecado ao menos perda de sono nos custa! II E, nela tudo é fim e recomeço um desajuste da própria razão?! Nem adianta querer rezar um terço buscar com sabedoria explicação... É o que nos derruba e também eleva que de uma maneira estranha alucina faz-nos trafegar entre luz e trevas ante uma miragem que nos fascina! Nos causa um descontrole emocional pode gerar tanto bem quanto mal ora nos aprisiona... ora liberta?! Algo proibido para se desejar? tesouro que nunca vai encontrar? quanto mais a nossa saudade aperta! III Paixão nunca será coisa absoluta sempre haverá de assim nos fracionar Rendido quando se quer dominar empenhando o esforço perde-se a luta! Quando a gente assim pensa haver ganhado o que na verdade é tiro no escuro Esperar algo que seja seguro numa fonte de um desejo insaciado! Quem numa paixão um conforto busca a própria natureza dela ofusca pelos fins que os meios vai apontar! Nos entristece por não dar conforto por navegar sem enxergar o porto nem ver o farol que possa guiar!
DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR
DENILSON MARQUES, pseudônimo Dante Negro, natural do Rio de Janeiro, escritor, poeta, ensaísta, artista plástico e Design Gráfico pela Control C, Servidor Público, Formado na área de Ciências Humanas (Filosofia/UERJ e Teologia/ IBADERJ), Psicanálise e Pós-graduação em Psicanálise pela SETEAD. participou das antologias Poesias e Contos Grandes Talentos pela Litteris Editora/93, Devaneios e Mutações/94 pela Taba Cultural Editora, Menção Honrosa no Livro de Poesias, Crônicas e Contos dos Servidores Públicos pela Fesp/95 e Ceperj/10. Participou da Coletânea das 30 melhores poesias do ano de 2005, patrocinado pelo Jornal Koisas do Rio. No ano de 1999, divulgou a 2ª edição do Livro Canções dos Jogos do Amor e Outros Poemas e participou de 02 (duas) Exposições de Artes do Clube Naval em 2006 e 2007 e Antologia Poética do Grupo Meriti Fazendo Arte (2005) e do Prêmio de Poesia do Sesc/Tijuca (2005). Publicou seu primeiro livro de poesia CANÇÕES DOS JOGOS DO AMOR, em Outubro / 98 e a 2ª Edição no ano de 1999, em seguida os livros: AS DESATENÇÕES DO AMOR E DA VIDA (Maio/2013 – 1ª Edição), pela Letras e Versos Editora e A CELEBRAÇÃO DA AMADA (Nov/2013 – 1ª Edição e Dez/2014 - 2ª Edição), pela Editora Multifoco; SONETOS DA MATURIDADE (Abril/2016) pela Letras e Versos Editora, DRUMMONDIAR, A ARTE DE PENEIRAR COISAS NO TEMPO (Nov/2018), A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 1 (Nov/2018 - 1ª Edição) e (Maio/2019 – 2ª Edição), pela Editora Autografia. O ESPINHO NÃO FERE A ROSA, Fontenele Edições, Dez/19 e SONETOS DA ILHA DO AMOR E MATURIDADE e A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 2, Editora Autografia, ano 2020. Atualmente dedica-se a escrever e a pintar, transpondo também a poesia para suas telas.
DO REENCONTRO DO AMOR
Dentre quais paredes nos reencontramos nas chances que tive de te ver nua hoje recolho minhas mãos às tuas nessa cama agora nos embrenhamos! Tem certas coisas que a gente habitua embora outras sequer pensar devemos nos envolvemos num delírio extremo pela paixão que não se conceitua... Foste o silêncio dos gritos supremos a direção das aventuras loucas no encontro da minha com tua boca! E, nessa hora o beijo é tudo que temos nessas paredes deixo a assinatura que jamais amei igual outra criatura!