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A DÉCIMA MUSA

à musa e esposa Edilene

 

Dentre as noves musas da Mitologia Grega

quis o poeta intrépido a décima criar

dando pra ela um atributo espetacular

como se lá do Olimpo viesse a pronta entrega!

 

Sabendo que todas as musas têm função

o poeta trabalhou somente com essências

por ser musa deu o atributo da Excelência

que na verdade era mesmo sua missão!

 

A musa foi escolhida na ilha dos amores

na terra fértil de São Luís do Maranhão

onde se colhe cajus, pitangas e flores!

 

Minha musa tem a bela cor da castanha

carrega consigo os mais sublimes valores

de uma gata ela possui a graciosa manha!

 

 

 

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Poemas

31

A DÉCIMA MUSA

à musa e esposa Edilene

 

Dentre as noves musas da Mitologia Grega

quis o poeta intrépido a décima criar

dando pra ela um atributo espetacular

como se lá do Olimpo viesse a pronta entrega!

 

Sabendo que todas as musas têm função

o poeta trabalhou somente com essências

por ser musa deu o atributo da Excelência

que na verdade era mesmo sua missão!

 

A musa foi escolhida na ilha dos amores

na terra fértil de São Luís do Maranhão

onde se colhe cajus, pitangas e flores!

 

Minha musa tem a bela cor da castanha

carrega consigo os mais sublimes valores

de uma gata ela possui a graciosa manha!

 

 

 

65

DOS LÁBIOS DE MEL

à musa Edilene

 

Fui preso com os tentáculos dos seus braços

fiquei enlaçado de maneira envolvente

doutras mulheres sei que foste diferente

seu jeito de amar me levou pelos espaços!

E, por onde eu passava percebia seus traços

em cada lugar tinha uma história da gente

tinha na minha roupa o perfume abrangente

como tintas frescas das telas de Picasso!

Teus lábios tão doces como eram de Iracema

que são lábios da boca dos beijos de mel

não vale que eu faça só um... mas dez mil poemas!

Morena da terra onde canta o sabiá

te conquistei aqui... mas eu tive que ir lá

também amar você debaixo do teu céu!

62

DAS FALSAS ILUSÕES

I

 

Se de vossa esperança me mantenho

por dar-me pouco achar-me compensado

sendo fácil haver-me ludibriado

por falsas ilusões do amor que eu tenho

 

Se vivo de querer algo sonhado

cadê o porto seguro que desenho

de tê-la no aprisco que nem ordenho

passando na vida sendo enganado

 

dando-me sofrimento por viver

Meu Deus leva pra longe esta pessoa

que dos meus versos e do amor caçoa

 

Se nem um bem me pode oferecer

melhor sozinho estar numa caverna

se o amor que me prometes ainda hiberna

 
II

 

Primeiro você traiu-me a confiança

sem levar o nosso tempo em conta

e nada a seu favor tudo era contra

quando havia perdido a esperança

 

a falta de respeito era uma afronta

eu nem quis dar o troco por vingança

nem busquei na escassez ter abastança

na ilusão dum amor que se desmonta

 

se a casa edificada despencou

se amaldiçoa quem tanto te amou

embora fiquei firme até o fim

 

hoje te vejo andando só e triste

embora nenhuma mágoa persiste

ao florescer perdão dentro de mim

 
III

 

Meu Deus põe outra pessoa no lugar

que saiba ser amada e dar amor

que não venha ser causa de favor

a brincar com meu viver pra explorar

 

se quem bem não possa nos agradar

e toca em nossa vida só terror

faz-nos longe nos sentimos melhor

que por ser dois não forma nenhum par

 

 tenha então pessoa doce e especial

que ao dar valor seja valorizada(o)

quando estiver amando seja amada (o) 

 

que eu venha receber só um sinal

se por ventura existe alguém assim

que venha a ser a flor do meu jardim

 

 

                             Rio, em 11 e 12 nov 19

 
 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

13

NO VAI E VEM DO TEMPO

I

Parece amada minha que te vi ontem

Medindo a lucidez dessa distância

Ao temperar desejo na inconstância

E a linha que nos une foi uma ponte

 

Você surgiu na imagem do horizonte

Mostrou-me a mais perfeita relevância

Do amor no tempo pleno da mudança

Nem pude imaginar que era o bastante

 

E assim grudei em ti tal um chiclete

Foi muito mais além do que peguete

No amor ou na amizade tanto faz

 

Na pescaria do tempo da vontade

Fui menino sem dizer minha idade

Você tão pouco nem ficou pra trás

 
 

II

 

Na álgebra do amor e geometria plena

Tentei arriscar um cálculo preciso

Ainda que parecia meio indeciso

Conectei meu pensar a sua antena

 

Você raiz quadrada de mim mesmo

Não quis admitir os planos traçados

Na bissetriz dos corpos enlaçados 

Parecíamos que estávamos à esmo

 

Mas somente era uma bela equação

Você quis logo me ver pelo avesso

Parecendo ter fim sem um começo

Engano achar que árbitro é a razão

 

Eu bem sei que ao contrário é nossa conta

A empilhar dominó que se desmonta

 

 III

 

 Cavalo doido todo meu desejo

no frenesi do tempo percorrido

eu e você nos vemos divididos

nossa contradança é pleno realejo

 

posso te ver além do que te vejo

na aparição que revelou cupido

natural sem enfim ficar despido

desses arcos e flechas que manejo

 

vivendo a interação do nosso orgasmo

no pleno universo entre nós dois

ante a forte contração de um espasmo

 

então sou um puro sangue que te ama

relincho com a minha própria voz

na imensidão do palco em nossa cama

 

 

Rio, em 10 nov 19

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

18

DAS ESSÊNCIAS DO AMOR

Certamente tu tens em mim um mar de flores

e tudo que me habilita a te amar de fato

não tenho dúvidas que seja o seu bom trato

sem nada estando a polemizar... nem te opores!

 

Sem nenhum grilo na sua cuca ou temores

me conquistou sem ter melindres, nem recatos,

e por Deus... sei que me sinto por demais grato

por feliz demonstrar pra mim simples valores!

 

Tu és o porto seguro do amor divino

uma mulher que Deus predestinou pra mim

única flor exótica do meu jardim

 

que exala o doce odor do sexo feminino!

Não há outra que faz de mim sentir-se rei

Que tira da minha vida todas as leis!

21

SONETO DAS DESAVENÇAS AMOROSAS

I 

 

Esfregas na minha cara teu decote

não vou me redimir do meu olhar

o que é bonito é para contemplar

e que nos fura os olhos pra que note

de fato você fez bem de propósito

tirando-me suspiros imprecisos

fez-me parecer perder os juízos

retendo a minha sede pro depósito

talvez pela chama da sedução

que algo entre nós parecia decolar

de início eu nem queria ser teu par

pra só querer viver desse tesão

mas além de um decote a gente pensa

o corpo nunca foi uma recompensa

 II

 

Se enfim gozastes não perdeu a chance

 bom sexo pode ser libertador

não faça da nossa história um terror

o que ainda é promessa dum romance

o clímax quanto mais a gente avance

é fruto desse mesmo doce amor

 nada disso tem graça sem fulgor

prazer não é tributo de revanche

se da mesma forma que a gente gosta

não tem razões pra se buscar resposta

buscando no outro mais intimidade

se a química faltar já foi pro brejo

nada pode fluir sem ter desejo

nem orgasmo não rola sem vontade

 III

 

Se logo fomos pra  linha de frente

talvez por nos conhecermos muito antes

sabendo que fui mero figurante

sendo usado de forma diferente

ainda que fosse o máximo elegante

enquanto o sangue todo fica quente

aliviando nossos corpos carentes

na banal relação de dois amantes

voltamos aos dilemas inventados

da triste relação de dois coitados

se depois que este fogo todo queima

se além da cama somos dois estranhos

se a gente vive só de tira teima

sendo ordenhados como bom rebanho

 IV

 

Rebanho do que a gente só rumina

comendo nada além disso que é palha

eu sendo troço e você uma tralha

pelas coisas que a gente nem opina

embora o que mais nos contamina

é que nada disso nem atrapalha

ou achar valer o que nem mesmo valha

da pureza perdida da menina

se nossa relação seguiu pro abismo

não fora somente pelo que eu cismo

mas pelas coisas que foi se arrastando

se a gente se deleita já nos basta

como se fosse lucro estar transando

mesmo que a relação esteja gasta

 
V

 

 

Retirando antolhos da insensatez

pude contemplar a chance de amar

depois duma briga pude voltar

te ver sem dar bola pra pequenez

se o amor é veredito de vitória

vamos buscar um novo horizonte

deixando no passado a dor de ontem

vivendo bom romance nessa história

para termos nosso jardim florido

ante a beleza de te ver sorrir

pra não ter motivos de arrumar brigas

que faz do viver não ter sentido

nos pondo atrás de linhas inimigas

não tendo vencedor e nem vencido

 

Rio, 29 e 30/12/19

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

15

A BELA DO ORIENTE



Sem esperar cruzou o meu destino

Vi os astros passarem reluzentes

E tudo se tornou tão diferente

A fazer do que sou outra vez menino

 

Vendo-a passar com as vestes do Oriente

Com realces dum desenho dum felino

E os delicados brincos pequeninos

da graça vinda doutro continente 

 

Para dar maior Tchan na minha vida

Surgiu esta nipônica tão bela

Com uma braçada de margaridas

 

Esta mulher estrangeira era aquela

Que tal a gueixa dança num cortejo

Ofertou-me o encanto além dum beijo

 

 

Rio, 12/11/19

 

 

 

8

DAS PROVAS DA PAIXÃO

I

 

Paixão que certamente desordena

e não se deve com ela brincar

que nos deixa à prova na arte de amar

que tanto nos salva como condena?!

Paixão que também derruba as alianças

provoca sentimento de torpor

que pode nos causar prazer ou dor

por apostar numa falsa esperança!

Quem consegue uma paixão definir

E sem receio costuma admitir

dizendo a alguém estar apaixonado?!

Se ela então nos atrai ou nos assusta

não sabemos ser benção ou pecado

ao menos perda de sono nos custa!

  

II

 

E, nela tudo é fim e recomeço

um desajuste da própria razão?!

Nem adianta querer rezar um terço

buscar com sabedoria explicação...

É o que nos derruba e também eleva

que de uma maneira estranha alucina

faz-nos trafegar entre luz e trevas

ante uma miragem que nos fascina!

Nos causa um descontrole emocional

pode gerar tanto bem quanto mal

ora nos aprisiona... ora liberta?!

Algo proibido para se desejar?

tesouro que nunca vai encontrar?

quanto mais a nossa saudade aperta!

 III

 

Paixão nunca será coisa absoluta

sempre haverá de assim nos fracionar

Rendido quando se quer dominar

empenhando o esforço perde-se a luta!

Quando a gente assim pensa haver ganhado

o que na verdade é tiro no escuro

Esperar algo que seja seguro

numa fonte de um desejo insaciado!

Quem numa paixão um conforto busca

a própria natureza dela ofusca

pelos fins que os meios vai apontar!

Nos entristece por não dar conforto

por navegar sem enxergar o porto

nem ver o farol que possa guiar!

 

 

 

 

 

 

 

 

13

DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR



 

DENILSON MARQUES, pseudônimo Dante Negro, natural do Rio de Janeiro,  escritor, poeta, ensaísta, artista plástico e Design Gráfico pela Control C, Servidor Público, Formado na área de Ciências Humanas (Filosofia/UERJ e Teologia/ IBADERJ), Psicanálise e Pós-graduação em Psicanálise pela SETEAD. participou das antologias Poesias e Contos Grandes Talentos pela Litteris Editora/93, Devaneios e Mutações/94 pela Taba Cultural Editora, Menção Honrosa  no Livro de Poesias, Crônicas e Contos dos Servidores Públicos pela Fesp/95 e Ceperj/10.

 Participou da Coletânea das 30 melhores poesias do ano de 2005, patrocinado pelo Jornal Koisas do Rio. No ano de 1999, divulgou a 2ª edição do Livro Canções dos Jogos do Amor e Outros Poemas e participou de 02 (duas) Exposições de Artes do Clube Naval em 2006 e 2007 e Antologia Poética do Grupo Meriti Fazendo Arte (2005) e do Prêmio de Poesia do Sesc/Tijuca (2005). 

Publicou seu primeiro livro de poesia CANÇÕES DOS JOGOS DO AMOR, em Outubro / 98 e a 2ª Edição no ano de 1999, em seguida os livros: AS DESATENÇÕES DO AMOR E DA VIDA (Maio/2013 – 1ª Edição), pela Letras e Versos Editora e A CELEBRAÇÃO DA AMADA (Nov/2013 – 1ª Edição e Dez/2014 - 2ª Edição), pela Editora Multifoco; SONETOS DA MATURIDADE (Abril/2016) pela Letras e Versos Editora, DRUMMONDIAR, A ARTE DE PENEIRAR COISAS NO TEMPO (Nov/2018), A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 1 (Nov/2018 - 1ª Edição) e (Maio/2019 – 2ª Edição), pela Editora Autografia. O ESPINHO NÃO FERE A ROSA, Fontenele Edições, Dez/19 e SONETOS DA ILHA DO AMOR E MATURIDADE e A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 2, Editora Autografia, ano 2020. Atualmente dedica-se a escrever e a pintar, transpondo também a poesia para suas telas.

 

 

37

DO REENCONTRO DO AMOR

Dentre quais paredes nos reencontramos

nas chances que tive de te ver nua

hoje recolho minhas mãos às tuas

nessa cama agora nos embrenhamos!

Tem certas coisas que a gente habitua

embora outras sequer pensar devemos

nos envolvemos num delírio extremo

pela paixão que não se conceitua...

Foste o silêncio dos gritos supremos

a direção das aventuras loucas

no encontro da minha com tua boca!

E, nessa hora o beijo é tudo que temos

nessas paredes deixo a assinatura

que jamais amei igual outra criatura!
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