BARREIRINHAS MEU AMOR
Amor meu te namorei em Barreirinhas
Depois nos banhamos no rio Preguiças
Mesmo com timidez duma noviça
Entregou-se fazendo toda minha
Sequer imaginavas que tu vinhas
Caminhando de forma tão faceira
Eu te paquerei dum pé de mangueira
Quando passavas indo pra Tendinha
Encantei-me contigo maranhense
Que preparou-me um suco de açaí*
Se vem qualquer cansaço a gente vence!
Na rede fizemos amor ali
Na plena madrugada de luar
Beleza igual não tem tão singular.
*Juçara, uma fruta típica da região nordestina.
São José de Ribamar-MA, em 19 out 19
DAS ESSÊNCIAS DO AMOR
Certamente tu tens em mim um mar de flores
e tudo que me habilita a te amar de fato
não tenho dúvidas que seja o seu bom trato
sem nada estando a polemizar... nem te opores!
Sem nenhum grilo na sua cuca ou temores
me conquistou sem ter melindres, nem recatos,
e por Deus... sei que me sinto por demais grato
por feliz demonstrar pra mim simples valores!
Tu és o porto seguro do amor divino
uma mulher que Deus predestinou pra mim
única flor exótica do meu jardim
que exala o doce odor do sexo feminino!
Não há outra que faz de mim sentir-se rei
Que tira da minha vida todas as leis!
DA REALEZA DO AMOR
Quando fores velhinha, e eu velhinho,
vamos lembrar das coisas que passou
que nossa história não ultrapassou
sendo rosas e espinhos no caminho!
Nas provações da vida que passamos
tudo faz parte para o crescimento
prédio erguido de tijolo e cimento
das boas coisas que juntos somamos!
Depois de muita luta e sofrimento
dos sortilégios e agruras da vida
vindo dessas promessas recebidas!
Velhinho eu, bem junto a ti já velhinha,
me dirás: "fui pra ti prometida."
Direi: "não seria eu um Rei... sem a Rainha!"
DO INCANSÁVEL AMOR
Não chegou o tempo de brindar valores
O tempo é outro fora duma margem
Falta nitidez diante das imagens
Tratar bem não se motiva favores
Se pra ti tenha faltado coragem
Não cabe se ancorar nos teus temores
Viver baile de máscaras e horrores
Curtindo então banquete da sacanagem
Agora és jovem faz o que bem quer
Antes da menopausa da mulher
Sujeita docilmente o corpo seu
Aos prazeres que a carne solicita
No anseio de viver o que não viveu
mas nada aplaca o fogo que te habita?
Rio, 06/11/19
NO VAI E VEM DO TEMPO
I
Parece amada minha que te vi ontem
Medindo a lucidez dessa distância
Ao temperar desejo na inconstância
E a linha que nos une foi uma ponte
Você surgiu na imagem do horizonte
Mostrou-me a mais perfeita relevância
Do amor no tempo pleno da mudança
Nem pude imaginar que era o bastante
E assim grudei em ti tal um chiclete
Foi muito mais além do que peguete
No amor ou na amizade tanto faz
Na pescaria do tempo da vontade
Fui menino sem dizer minha idade
Você tão pouco nem ficou pra trás
II
Na álgebra do amor e geometria plena
Tentei arriscar um cálculo preciso
Ainda que parecia meio indeciso
Conectei meu pensar a sua antena
Você raiz quadrada de mim mesmo
Não quis admitir os planos traçados
Na bissetriz dos corpos enlaçados
Parecíamos que estávamos à esmo
Mas somente era uma bela equação
Você quis logo me ver pelo avesso
Parecendo ter fim sem um começo
Engano achar que árbitro é a razão
Eu bem sei que ao contrário é nossa conta
A empilhar dominó que se desmonta
III
Cavalo doido todo meu desejo
no frenesi do tempo percorrido
eu e você nos vemos divididos
nossa contradança é pleno realejo
posso te ver além do que te vejo
na aparição que revelou cupido
natural sem enfim ficar despido
desses arcos e flechas que manejo
vivendo a interação do nosso orgasmo
no pleno universo entre nós dois
ante a forte contração de um espasmo
então sou um puro sangue que te ama
relincho com a minha própria voz
na imensidão do palco em nossa cama
Rio, em 10 nov 19
DELÍRIOS PLENOS
Tivemos nos extremos da paixão
Sua boca extensão da minha boca
Você urrava loba feito louca
Delírios plenos de satisfação!
Como se em ti habitasse um vulcão
A chama ardente me desarvorou
Sem de fato saber como ando e estou
Para fugir de doce tentação?
Quero-te bem mais do que se imagina
Afeita a uma entrega verdadeira
Sem achar nosso caso ser besteira
Amar não é mapa que se examina
É chance de fazer alguém feliz
ser leal a quase tudo que se diz!
Vinhais-MA, em 18 out 19
DAS PROVAS DA PAIXÃO
I
Paixão que certamente desordena
e não se deve com ela brincar
que nos deixa à prova na arte de amar
que tanto nos salva como condena?!
Paixão que também derruba as alianças
provoca sentimento de torpor
que pode nos causar prazer ou dor
por apostar numa falsa esperança!
Quem consegue uma paixão definir
E sem receio costuma admitir
dizendo a alguém estar apaixonado?!
Se ela então nos atrai ou nos assusta
não sabemos ser benção ou pecado
ao menos perda de sono nos custa!
II
E, nela tudo é fim e recomeço
um desajuste da própria razão?!
Nem adianta querer rezar um terço
buscar com sabedoria explicação...
É o que nos derruba e também eleva
que de uma maneira estranha alucina
faz-nos trafegar entre luz e trevas
ante uma miragem que nos fascina!
Nos causa um descontrole emocional
pode gerar tanto bem quanto mal
ora nos aprisiona... ora liberta?!
Algo proibido para se desejar?
tesouro que nunca vai encontrar?
quanto mais a nossa saudade aperta!
III
Paixão nunca será coisa absoluta
sempre haverá de assim nos fracionar
Rendido quando se quer dominar
empenhando o esforço perde-se a luta!
Quando a gente assim pensa haver ganhado
o que na verdade é tiro no escuro
Esperar algo que seja seguro
numa fonte de um desejo insaciado!
Quem numa paixão um conforto busca
a própria natureza dela ofusca
pelos fins que os meios vai apontar!
Nos entristece por não dar conforto
por navegar sem enxergar o porto
nem ver o farol que possa guiar!
APENAS BIBELÔ
Se na vida mando nos doamos tanto
Porque a pessoa amada nos maltrata?
Vindo arrumar logo outra e nos destrata
Se tal indiferença causa espanto.
Depois de tantas juras insensatas
Vê-se logo que ninguém é tão santo
Sem dó e piedade nos leva aos prantos
Se dizendo não mais enamorada!
E cai por terra a entrega por amor
Como se não valesse nossa entrega
Na relação furada que nos cega?
O tempo passa e a rotina se instala
O que era bom demais vira favor
E a gente parece um sofá na sala.
Vinhas-MA, em 18 out 19
SOLIDÃO
I
Pois se esta solidão que te visita
Vem ser causa de tanto sofrimento
Se nada mais te alivia o pensamento
Sentido uma sensação esquisita.
Sombra da vida que levou bandida
Que embora não passou de esquecimento
Curtindo coisas que são de momento
Mas que normalmente são esquecidas!
E assim hoje no silêncio do quarto
Sente dor como se fosse dum parto
A gerar dentro de ti uma tristeza.
O tempo agora sendo teu algoz
Te maltrata com falsas gentilezas
Como se fosse desatar teus nós?
II
Como se fosse desatar teus nós
E tudo parecesse diferente
Tanto persiste feito dor frequente
Quando sufoca na garganta a voz.
Porque o destino torna deprimente
Querer alguém que nem olha pra nós
Como se faltasse cães para os trenós
Passando com alguém na nossa frente!
Usando forma de nos provocar
Motivo tão somente de humilhar
Quem tanto se entregou de amor por ti!
Tanto usou e abusou de quem te amava
E a sua perda foi o eu mais sente
Enquanto a tal solidão me abrigava!
III
Enquanto a tal solidão me abrigava
Longe de você morri pouco a pouco
Como registro de amor de alguém louco
Quanto mais me perdia me encontrava
Quanto mais nem sabia que me amava
Mais não foi todavia nem tampouco
Aquilo que era maduro ficou oco
Apodrecendo a fruta que eu gostava
Tendo uma solidão por companheira
Depois de haver-me dito ser besteira
Nosso caso de amor que naufragou
Caso de amor que parecia ser tudo
Mas tal uma folha o vento levou
A buscar razão quanto mais me iludo
IV
A buscar razão no quanto me iludo
E a gente na verdade nem merece
Tudo que a vida de bom oferece
Ou broqueamos como se fosse escudo
Desejar alguém que depois parece
Não mais querer como queria antes
Quando éramos ainda ternos amantes
Tanto quer e deseja e nos esquece!
Bem sabe agora que nos deixou só
E a relação bonita virou pó
Sem que houvesse então chances de voltar.
Você com outra pessoa vive agora
Mas eu mesmo não deixei de te amar
Vivendo a solidão que me devora!
Reviver-MA, em 29 out 19
COLHI PRIMORES
Na fina flor de ti colhi primores
Era o desejo a antevisão saudável
De um eterno destino memorável
Provei do sapoti dos teus sabores
Que delícia embora pude provar
Num doce sortilégio de prazer
Dessas chances que temos de se amar
Em tempos de esperança e de viver
Delírios tropicais nos arrefece
Dos beijos trocados ninguém esquece
Nem as fantasias de fazer amor
Meu bem te vi nos sonhos imprecisos
Foste aquela que me tirou o juízo
Mas no final não passou de um sonho
Pleno voo, Rio-São Luís em 17 out 19