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DOS LÁBIOS DE MEL

à musa Edilene

 

Fui preso com os tentáculos dos seus braços

fiquei enlaçado de maneira envolvente

doutras mulheres sei que foste diferente

seu jeito de amar me levou pelos espaços!

E, por onde eu passava percebia seus traços

em cada lugar tinha uma história da gente

tinha na minha roupa o perfume abrangente

como tintas frescas das telas de Picasso!

Teus lábios tão doces como eram de Iracema

que são lábios da boca dos beijos de mel

não vale que eu faça só um... mas dez mil poemas!

Morena da terra onde canta o sabiá

te conquistei aqui... mas eu tive que ir lá

também amar você debaixo do teu céu!

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Poemas

31

DAS PROVAS DA PAIXÃO

I

 

Paixão que certamente desordena

e não se deve com ela brincar

que nos deixa à prova na arte de amar

que tanto nos salva como condena?!

Paixão que também derruba as alianças

provoca sentimento de torpor

que pode nos causar prazer ou dor

por apostar numa falsa esperança!

Quem consegue uma paixão definir

E sem receio costuma admitir

dizendo a alguém estar apaixonado?!

Se ela então nos atrai ou nos assusta

não sabemos ser benção ou pecado

ao menos perda de sono nos custa!

  

II

 

E, nela tudo é fim e recomeço

um desajuste da própria razão?!

Nem adianta querer rezar um terço

buscar com sabedoria explicação...

É o que nos derruba e também eleva

que de uma maneira estranha alucina

faz-nos trafegar entre luz e trevas

ante uma miragem que nos fascina!

Nos causa um descontrole emocional

pode gerar tanto bem quanto mal

ora nos aprisiona... ora liberta?!

Algo proibido para se desejar?

tesouro que nunca vai encontrar?

quanto mais a nossa saudade aperta!

 III

 

Paixão nunca será coisa absoluta

sempre haverá de assim nos fracionar

Rendido quando se quer dominar

empenhando o esforço perde-se a luta!

Quando a gente assim pensa haver ganhado

o que na verdade é tiro no escuro

Esperar algo que seja seguro

numa fonte de um desejo insaciado!

Quem numa paixão um conforto busca

a própria natureza dela ofusca

pelos fins que os meios vai apontar!

Nos entristece por não dar conforto

por navegar sem enxergar o porto

nem ver o farol que possa guiar!

 

 

 

 

 

 

 

 

13

A BELA DO ORIENTE



Sem esperar cruzou o meu destino

Vi os astros passarem reluzentes

E tudo se tornou tão diferente

A fazer do que sou outra vez menino

 

Vendo-a passar com as vestes do Oriente

Com realces dum desenho dum felino

E os delicados brincos pequeninos

da graça vinda doutro continente 

 

Para dar maior Tchan na minha vida

Surgiu esta nipônica tão bela

Com uma braçada de margaridas

 

Esta mulher estrangeira era aquela

Que tal a gueixa dança num cortejo

Ofertou-me o encanto além dum beijo

 

 

Rio, 12/11/19

 

 

 

8

SONETO DAS DESAVENÇAS AMOROSAS



 

Esfregas na minha cara teu decote

não vou me redimir do meu olhar

o que é bonito é para contemplar

e que nos fura os olhos pra que note

de fato você fez bem de propósito

tirando-me suspiros imprecisos

fez-me parecer perder os juízos

retendo a minha sede pro depósito

talvez pela chama da sedução

que algo entre nós parecia decolar

de início eu nem queria ser teu par

pra só querer viver desse tesão

mas além de um decote a gente pensa

o corpo nunca foi uma recompensa

 II

 

Se enfim gozastes não perdeu a chance

 bom sexo pode ser libertador

não faça da nossa história um terror

o que ainda é promessa dum romance

o clímax quanto mais a gente avance

é fruto desse mesmo doce amor

 nada disso tem graça sem fulgor

prazer não é tributo de revanche

se da mesma forma que a gente gosta

não tem razões pra se buscar resposta

buscando no outro mais intimidade

se a química faltar já foi pro brejo

nada pode fluir sem ter desejo

nem orgasmo não rola sem vontade

 III

 

Se logo fomos pra  linha de frente

talvez por nos conhecermos muito antes

sabendo que fui mero figurante

sendo usado de forma diferente

ainda que fosse o máximo elegante

enquanto o sangue todo fica quente

aliviando nossos corpos carentes

na banal relação de dois amantes

voltamos aos dilemas inventados

da triste relação de dois coitados

se depois que este fogo todo queima

se além da cama somos dois estranhos

se a gente vive só de tira teima

sendo ordenhados como bom rebanho

 IV

 

Rebanho do que a gente só rumina

comendo nada além disso que é palha

eu sendo troço e você uma tralha

pelas coisas que a gente nem opina

embora o que mais nos contamina

é que nada disso nem atrapalha

ou achar valer o que nem mesmo valha

da pureza perdida da menina

se nossa relação seguiu pro abismo

não fora somente pelo que eu cismo

mas pelas coisas que foi se arrastando

se a gente se deleita já nos basta

como se fosse lucro estar transando

mesmo que a relação esteja gasta

 
V

 

 

Retirando antolhos da insensatez

pude contemplar a chance de amar

depois duma briga pude voltar

te ver sem dar bola pra pequenez

se o amor é veredito de vitória

vamos buscar um novo horizonte

deixando no passado a dor de ontem

vivendo bom romance nessa história

para termos nosso jardim florido

ante a beleza de te ver sorrir

pra não ter motivos de arrumar brigas

que faz do viver não ter sentido

nos pondo atrás de linhas inimigas

não tendo vencedor e nem vencido

 

Rio, 29 e 30/12/19

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

15

DO INCANSÁVEL AMOR

Não chegou o tempo de brindar valores

O tempo é outro fora duma margem

Falta nitidez diante das imagens

Tratar bem não se motiva favores

 

Se pra ti tenha faltado coragem

Não cabe se ancorar nos teus temores

Viver baile de máscaras e horrores

Curtindo então banquete da sacanagem

 

Agora és jovem faz o que bem quer

Antes da menopausa da mulher

Sujeita docilmente o corpo seu

 

Aos prazeres que a carne solicita

No anseio de viver o que não viveu

mas nada aplaca o fogo que te habita?

 

Rio, 06/11/19

 

 

54

NO VAI E VEM DO TEMPO

I

Parece amada minha que te vi ontem

Medindo a lucidez dessa distância

Ao temperar desejo na inconstância

E a linha que nos une foi uma ponte

 

Você surgiu na imagem do horizonte

Mostrou-me a mais perfeita relevância

Do amor no tempo pleno da mudança

Nem pude imaginar que era o bastante

 

E assim grudei em ti tal um chiclete

Foi muito mais além do que peguete

No amor ou na amizade tanto faz

 

Na pescaria do tempo da vontade

Fui menino sem dizer minha idade

Você tão pouco nem ficou pra trás

 
 

II

 

Na álgebra do amor e geometria plena

Tentei arriscar um cálculo preciso

Ainda que parecia meio indeciso

Conectei meu pensar a sua antena

 

Você raiz quadrada de mim mesmo

Não quis admitir os planos traçados

Na bissetriz dos corpos enlaçados 

Parecíamos que estávamos à esmo

 

Mas somente era uma bela equação

Você quis logo me ver pelo avesso

Parecendo ter fim sem um começo

Engano achar que árbitro é a razão

 

Eu bem sei que ao contrário é nossa conta

A empilhar dominó que se desmonta

 

 III

 

 Cavalo doido todo meu desejo

no frenesi do tempo percorrido

eu e você nos vemos divididos

nossa contradança é pleno realejo

 

posso te ver além do que te vejo

na aparição que revelou cupido

natural sem enfim ficar despido

desses arcos e flechas que manejo

 

vivendo a interação do nosso orgasmo

no pleno universo entre nós dois

ante a forte contração de um espasmo

 

então sou um puro sangue que te ama

relincho com a minha própria voz

na imensidão do palco em nossa cama

 

 

Rio, em 10 nov 19

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

18

DOS BEIJOS DA AMADA

Os beijinhos da amada são supremos

sua maneira de amar me habilita

a trafegar no êxtase dos extremos

na emoção que no coração palpita!

Na amada corre a fonte dos desejos

desses eflúvios que dela vem da ânsia

deleitosa do dulçor dos seus beijos...

muito mais além da própria substância!

Na amada a própria Bíblia ratifica

que o próprio amor carnal se santifica

de uma só carne unifica dois seres!

A amada se destaca entre as mulheres

que no seu próprio amor se justifica

no mundo nada além de mim prefere!
31

SONETOS À AMADA MARANHENSE

I

 

O amor que tenho vai além dos mares

muito além de terras equidistantes

a superar as águias pelos ares

e torna grandioso o insignificante!

Naturalmente bela entre as mulheres

e a simplicidade que tem garante

que não há nenhuma outra que a supere

sendo minha amada já é o bastante!

Este amor que tenho de uma princesa

de cuja maravilhosa realeza

faz de mim poeta nunca ser plebeu!

O amor da minha esposa e minha diva

cuja própria alegria me cativa

cuja graça que ela tem vem de Deus!

 

 

 II

 

Ela tem frescor e não ar solene

que a faz agir com bondade e ternura

mulher virtuosa se chama EDILENE

da cor do jambo Deus te fez criatura!

Fiz do teu amor a oferta real

como a natureza oferta seus frutos

buscamos juntos, mesmo ideal,

se de seus sábios conselhos, escuto!

Do amor que ela me devota acredito

nosso amor se rende a um Ser infinito

que a fizera tal Eva na Criação!

Do que vem do transitório e o perene

provinda das terras do Maranhão

cujo sublime nome ecoa: EDILENE!

 
 

III

 

Andei por muitos lugares distantes

cuja estrada traçou meu caminhão

bem além dos confins do Maranhão

mas para a encontrar não foi desgastante!

Morena bonita cravo e canela

dum lugar com encanto tropical

que somente dela é terra natal,

tão graciosa quanto fora Gabriela!

Eu a homenageio além dos meus poemas

tal o poeta à garota de Ipanema

eternizo nos meus versos a amada!

Que conquistou o poeta fluminense

caminhando nos Lençóis Maranhenses

E, não na Zona Sul pelas calçadas!

 IV

 

Nascida das águas fora a deusa Afrodite

em meio as espumas do imenso mar surgiu

no entanto não houve simples mortal que viu

mas minha amada que nasceu da mãe Edith

É uma doce mulher abençoada por Deus,

ela não veio do Olimpo tal ser etéreo,

nem mesmo foi iniciada em nenhum mistério,

ou sequer saiu formada da coxa de Zeus...

Pois nem Afrodite nem Zeus, são seres reais,

se excelentes somos nós, os seres normais?!

tal a amada ao sorrir como o sol que irradia:

Edilene, é real como foi Sulamita

que Salomão consagrou em belas poesias,

tais meus louvores que exalto a Deus, nela habita!

 

  

V

 

Eu vejo ela se banhar no rio Preguiças

Feliz às margens da famosa Barreirinhas

E sua doce formosura me enfeitiça

Da formosura que possui uma indiazinha!

É tão linda minha amada, cravo e canela,

Porém sua realeza nem Sarney há de ter

Mas em si mesma traz virtude, e não poder...

Muita gente pergunta, quem há de ser ela!

Ela é minha Maranhense da Ilha do amor

Princesa do Nordeste do meu coração

Seu nome é uma bela canção, conforme for

Edilene Damasceno Cabral da Silva

Mulher de fibra, és esposa, mãe e inspiração

Mesmo sem falar muito...ela encanta e cativa!

 

Rio,02 de julho de 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

57

DA REALEZA DO AMOR

Quando fores velhinha, e eu velhinho,

vamos lembrar das coisas que passou

que nossa história não ultrapassou

sendo rosas e espinhos no caminho!

Nas provações da vida que passamos

tudo faz parte para o crescimento

prédio erguido de tijolo e cimento

das boas coisas que juntos somamos!

Depois de muita luta e sofrimento

dos sortilégios e agruras da vida

vindo dessas promessas recebidas!

Velhinho eu, bem junto a ti já velhinha,

me dirás: "fui pra ti prometida."

Direi: "não seria eu um Rei... sem a Rainha!"
14

APENAS BIBELÔ



 

Se na vida mando nos  doamos tanto

Porque a pessoa amada nos maltrata?

Vindo arrumar logo outra e nos destrata

Se tal indiferença causa espanto.

 

Depois de tantas juras insensatas

Vê-se logo que ninguém é tão santo

Sem dó e piedade nos leva aos prantos

Se dizendo não mais enamorada!

 

E cai por terra a entrega por amor

Como se não valesse nossa entrega

Na relação furada que nos cega?

 

O tempo passa e a rotina se instala

O que era bom demais vira favor

E a gente parece um sofá na sala.

 

Vinhas-MA, em 18 out 19

 

 

 

 

 

 

 

59

DAS TRÊS TIAS

I

Um dia conheci dona Zulima

A maranhense de forte expressão

Tal magnifica mulher do sertão

Que faz da própria fala sua estima

 

Conhecida então como Tia Zuzu

Dentre belas matriarcas é a senhora

Já agora em pleno avançar das horas

Tem a pele com a maciez do caju

 

Independente da idade que avança

Sorri como se fosse terna criança

Zulima traz em seu nome a doçura

 

E nem sempre cativa no que diz

Talvez pela luta e suas agruras

Dizia ser dona do próprio nariz

 
II

 

Maria do Socorro é de fala mansa

Sua voz limpidamente ressoa

Parece Sereia e não uma pessoa...

E na rede que ela sempre descansa

 

Os beija-flores faz dela uma flor

A vir beijá-la com seus biquinhos

Que terno encanto tem seus olhinhos

E sua expressão só revela amor!

 

A dizer tudo no seu jeito de olhar

Pois não posso e nem podes imaginar

Que essa doce mulher tão pequena tem

 

A força poderosa de uma leoa

Socorro é assim e muito mais além

Se é mulher nordestina não é à-toa!

 
 

III

 

Da minha amada é tia e também madrinha

Fez pra Edilene os primeiros lacinhos

A fez andar com belos sapatinhos

A protegendo do sol com sombrinhas

 

Tia Tânia é dessas pessoas amorosas

Que nos acolhe feito próprios filhos

A colocar todo mundo nos trilhos

Diante da vida um tanto venturosa

 

Pois Tia Tânia dentre tantas matriarcas

É das meninas quem venceu bastante

Traçou seu destino além do horizonte

 mulher guerreira deixou sua marca

 

por ser tão  simples se distingue tanto

pela fé demonstra todo seu encanto

 

 

Durante o voo São Luís-Rio,  28 out 19

 

 

 

 
 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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