DAS PROVAS DA PAIXÃO
I
Paixão que certamente desordena
e não se deve com ela brincar
que nos deixa à prova na arte de amar
que tanto nos salva como condena?!
Paixão que também derruba as alianças
provoca sentimento de torpor
que pode nos causar prazer ou dor
por apostar numa falsa esperança!
Quem consegue uma paixão definir
E sem receio costuma admitir
dizendo a alguém estar apaixonado?!
Se ela então nos atrai ou nos assusta
não sabemos ser benção ou pecado
ao menos perda de sono nos custa!
II
E, nela tudo é fim e recomeço
um desajuste da própria razão?!
Nem adianta querer rezar um terço
buscar com sabedoria explicação...
É o que nos derruba e também eleva
que de uma maneira estranha alucina
faz-nos trafegar entre luz e trevas
ante uma miragem que nos fascina!
Nos causa um descontrole emocional
pode gerar tanto bem quanto mal
ora nos aprisiona... ora liberta?!
Algo proibido para se desejar?
tesouro que nunca vai encontrar?
quanto mais a nossa saudade aperta!
III
Paixão nunca será coisa absoluta
sempre haverá de assim nos fracionar
Rendido quando se quer dominar
empenhando o esforço perde-se a luta!
Quando a gente assim pensa haver ganhado
o que na verdade é tiro no escuro
Esperar algo que seja seguro
numa fonte de um desejo insaciado!
Quem numa paixão um conforto busca
a própria natureza dela ofusca
pelos fins que os meios vai apontar!
Nos entristece por não dar conforto
por navegar sem enxergar o porto
nem ver o farol que possa guiar!
A BELA DO ORIENTE
Sem esperar cruzou o meu destino
Vi os astros passarem reluzentes
E tudo se tornou tão diferente
A fazer do que sou outra vez menino
Vendo-a passar com as vestes do Oriente
Com realces dum desenho dum felino
E os delicados brincos pequeninos
da graça vinda doutro continente
Para dar maior Tchan na minha vida
Surgiu esta nipônica tão bela
Com uma braçada de margaridas
Esta mulher estrangeira era aquela
Que tal a gueixa dança num cortejo
Ofertou-me o encanto além dum beijo
Rio, 12/11/19
SONETO DAS DESAVENÇAS AMOROSAS
I
Esfregas na minha cara teu decote
não vou me redimir do meu olhar
o que é bonito é para contemplar
e que nos fura os olhos pra que note
de fato você fez bem de propósito
tirando-me suspiros imprecisos
fez-me parecer perder os juízos
retendo a minha sede pro depósito
talvez pela chama da sedução
que algo entre nós parecia decolar
de início eu nem queria ser teu par
pra só querer viver desse tesão
mas além de um decote a gente pensa
o corpo nunca foi uma recompensa
II
Se enfim gozastes não perdeu a chance
bom sexo pode ser libertador
não faça da nossa história um terror
o que ainda é promessa dum romance
o clímax quanto mais a gente avance
é fruto desse mesmo doce amor
nada disso tem graça sem fulgor
prazer não é tributo de revanche
se da mesma forma que a gente gosta
não tem razões pra se buscar resposta
buscando no outro mais intimidade
se a química faltar já foi pro brejo
nada pode fluir sem ter desejo
nem orgasmo não rola sem vontade
III
Se logo fomos pra linha de frente
talvez por nos conhecermos muito antes
sabendo que fui mero figurante
sendo usado de forma diferente
ainda que fosse o máximo elegante
enquanto o sangue todo fica quente
aliviando nossos corpos carentes
na banal relação de dois amantes
voltamos aos dilemas inventados
da triste relação de dois coitados
se depois que este fogo todo queima
se além da cama somos dois estranhos
se a gente vive só de tira teima
sendo ordenhados como bom rebanho
IV
Rebanho do que a gente só rumina
comendo nada além disso que é palha
eu sendo troço e você uma tralha
pelas coisas que a gente nem opina
embora o que mais nos contamina
é que nada disso nem atrapalha
ou achar valer o que nem mesmo valha
da pureza perdida da menina
se nossa relação seguiu pro abismo
não fora somente pelo que eu cismo
mas pelas coisas que foi se arrastando
se a gente se deleita já nos basta
como se fosse lucro estar transando
mesmo que a relação esteja gasta
V
Retirando antolhos da insensatez
pude contemplar a chance de amar
depois duma briga pude voltar
te ver sem dar bola pra pequenez
se o amor é veredito de vitória
vamos buscar um novo horizonte
deixando no passado a dor de ontem
vivendo bom romance nessa história
para termos nosso jardim florido
ante a beleza de te ver sorrir
pra não ter motivos de arrumar brigas
que faz do viver não ter sentido
nos pondo atrás de linhas inimigas
não tendo vencedor e nem vencido
Rio, 29 e 30/12/19
DO INCANSÁVEL AMOR
Não chegou o tempo de brindar valores
O tempo é outro fora duma margem
Falta nitidez diante das imagens
Tratar bem não se motiva favores
Se pra ti tenha faltado coragem
Não cabe se ancorar nos teus temores
Viver baile de máscaras e horrores
Curtindo então banquete da sacanagem
Agora és jovem faz o que bem quer
Antes da menopausa da mulher
Sujeita docilmente o corpo seu
Aos prazeres que a carne solicita
No anseio de viver o que não viveu
mas nada aplaca o fogo que te habita?
Rio, 06/11/19
NO VAI E VEM DO TEMPO
I
Parece amada minha que te vi ontem
Medindo a lucidez dessa distância
Ao temperar desejo na inconstância
E a linha que nos une foi uma ponte
Você surgiu na imagem do horizonte
Mostrou-me a mais perfeita relevância
Do amor no tempo pleno da mudança
Nem pude imaginar que era o bastante
E assim grudei em ti tal um chiclete
Foi muito mais além do que peguete
No amor ou na amizade tanto faz
Na pescaria do tempo da vontade
Fui menino sem dizer minha idade
Você tão pouco nem ficou pra trás
II
Na álgebra do amor e geometria plena
Tentei arriscar um cálculo preciso
Ainda que parecia meio indeciso
Conectei meu pensar a sua antena
Você raiz quadrada de mim mesmo
Não quis admitir os planos traçados
Na bissetriz dos corpos enlaçados
Parecíamos que estávamos à esmo
Mas somente era uma bela equação
Você quis logo me ver pelo avesso
Parecendo ter fim sem um começo
Engano achar que árbitro é a razão
Eu bem sei que ao contrário é nossa conta
A empilhar dominó que se desmonta
III
Cavalo doido todo meu desejo
no frenesi do tempo percorrido
eu e você nos vemos divididos
nossa contradança é pleno realejo
posso te ver além do que te vejo
na aparição que revelou cupido
natural sem enfim ficar despido
desses arcos e flechas que manejo
vivendo a interação do nosso orgasmo
no pleno universo entre nós dois
ante a forte contração de um espasmo
então sou um puro sangue que te ama
relincho com a minha própria voz
na imensidão do palco em nossa cama
Rio, em 10 nov 19
DOS BEIJOS DA AMADA
Os beijinhos da amada são supremos
sua maneira de amar me habilita
a trafegar no êxtase dos extremos
na emoção que no coração palpita!
Na amada corre a fonte dos desejos
desses eflúvios que dela vem da ânsia
deleitosa do dulçor dos seus beijos...
muito mais além da própria substância!
Na amada a própria Bíblia ratifica
que o próprio amor carnal se santifica
de uma só carne unifica dois seres!
A amada se destaca entre as mulheres
que no seu próprio amor se justifica
no mundo nada além de mim prefere!
SONETOS À AMADA MARANHENSE
I
O amor que tenho vai além dos mares
muito além de terras equidistantes
a superar as águias pelos ares
e torna grandioso o insignificante!
Naturalmente bela entre as mulheres
e a simplicidade que tem garante
que não há nenhuma outra que a supere
sendo minha amada já é o bastante!
Este amor que tenho de uma princesa
de cuja maravilhosa realeza
faz de mim poeta nunca ser plebeu!
O amor da minha esposa e minha diva
cuja própria alegria me cativa
cuja graça que ela tem vem de Deus!
II
Ela tem frescor e não ar solene
que a faz agir com bondade e ternura
mulher virtuosa se chama EDILENE
da cor do jambo Deus te fez criatura!
Fiz do teu amor a oferta real
como a natureza oferta seus frutos
buscamos juntos, mesmo ideal,
se de seus sábios conselhos, escuto!
Do amor que ela me devota acredito
nosso amor se rende a um Ser infinito
que a fizera tal Eva na Criação!
Do que vem do transitório e o perene
provinda das terras do Maranhão
cujo sublime nome ecoa: EDILENE!
III
Andei por muitos lugares distantes
cuja estrada traçou meu caminhão
bem além dos confins do Maranhão
mas para a encontrar não foi desgastante!
Morena bonita cravo e canela
dum lugar com encanto tropical
que somente dela é terra natal,
tão graciosa quanto fora Gabriela!
Eu a homenageio além dos meus poemas
tal o poeta à garota de Ipanema
eternizo nos meus versos a amada!
Que conquistou o poeta fluminense
caminhando nos Lençóis Maranhenses
E, não na Zona Sul pelas calçadas!
IV
Nascida das águas fora a deusa Afrodite
em meio as espumas do imenso mar surgiu
no entanto não houve simples mortal que viu
mas minha amada que nasceu da mãe Edith
É uma doce mulher abençoada por Deus,
ela não veio do Olimpo tal ser etéreo,
nem mesmo foi iniciada em nenhum mistério,
ou sequer saiu formada da coxa de Zeus...
Pois nem Afrodite nem Zeus, são seres reais,
se excelentes somos nós, os seres normais?!
tal a amada ao sorrir como o sol que irradia:
Edilene, é real como foi Sulamita
que Salomão consagrou em belas poesias,
tais meus louvores que exalto a Deus, nela habita!
V
Eu vejo ela se banhar no rio Preguiças
Feliz às margens da famosa Barreirinhas
E sua doce formosura me enfeitiça
Da formosura que possui uma indiazinha!
É tão linda minha amada, cravo e canela,
Porém sua realeza nem Sarney há de ter
Mas em si mesma traz virtude, e não poder...
Muita gente pergunta, quem há de ser ela!
Ela é minha Maranhense da Ilha do amor
Princesa do Nordeste do meu coração
Seu nome é uma bela canção, conforme for
Edilene Damasceno Cabral da Silva
Mulher de fibra, és esposa, mãe e inspiração
Mesmo sem falar muito...ela encanta e cativa!
Rio,02 de julho de 2015
DA REALEZA DO AMOR
Quando fores velhinha, e eu velhinho,
vamos lembrar das coisas que passou
que nossa história não ultrapassou
sendo rosas e espinhos no caminho!
Nas provações da vida que passamos
tudo faz parte para o crescimento
prédio erguido de tijolo e cimento
das boas coisas que juntos somamos!
Depois de muita luta e sofrimento
dos sortilégios e agruras da vida
vindo dessas promessas recebidas!
Velhinho eu, bem junto a ti já velhinha,
me dirás: "fui pra ti prometida."
Direi: "não seria eu um Rei... sem a Rainha!"
APENAS BIBELÔ
Se na vida mando nos doamos tanto
Porque a pessoa amada nos maltrata?
Vindo arrumar logo outra e nos destrata
Se tal indiferença causa espanto.
Depois de tantas juras insensatas
Vê-se logo que ninguém é tão santo
Sem dó e piedade nos leva aos prantos
Se dizendo não mais enamorada!
E cai por terra a entrega por amor
Como se não valesse nossa entrega
Na relação furada que nos cega?
O tempo passa e a rotina se instala
O que era bom demais vira favor
E a gente parece um sofá na sala.
Vinhas-MA, em 18 out 19
DAS TRÊS TIAS
I
Um dia conheci dona Zulima
A maranhense de forte expressão
Tal magnifica mulher do sertão
Que faz da própria fala sua estima
Conhecida então como Tia Zuzu
Dentre belas matriarcas é a senhora
Já agora em pleno avançar das horas
Tem a pele com a maciez do caju
Independente da idade que avança
Sorri como se fosse terna criança
Zulima traz em seu nome a doçura
E nem sempre cativa no que diz
Talvez pela luta e suas agruras
Dizia ser dona do próprio nariz
II
Maria do Socorro é de fala mansa
Sua voz limpidamente ressoa
Parece Sereia e não uma pessoa...
E na rede que ela sempre descansa
Os beija-flores faz dela uma flor
A vir beijá-la com seus biquinhos
Que terno encanto tem seus olhinhos
E sua expressão só revela amor!
A dizer tudo no seu jeito de olhar
Pois não posso e nem podes imaginar
Que essa doce mulher tão pequena tem
A força poderosa de uma leoa
Socorro é assim e muito mais além
Se é mulher nordestina não é à-toa!
III
Da minha amada é tia e também madrinha
Fez pra Edilene os primeiros lacinhos
A fez andar com belos sapatinhos
A protegendo do sol com sombrinhas
Tia Tânia é dessas pessoas amorosas
Que nos acolhe feito próprios filhos
A colocar todo mundo nos trilhos
Diante da vida um tanto venturosa
Pois Tia Tânia dentre tantas matriarcas
É das meninas quem venceu bastante
Traçou seu destino além do horizonte
mulher guerreira deixou sua marca
por ser tão simples se distingue tanto
pela fé demonstra todo seu encanto
Durante o voo São Luís-Rio, 28 out 19