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A DÉCIMA MUSA

à musa e esposa Edilene

 

Dentre as noves musas da Mitologia Grega

quis o poeta intrépido a décima criar

dando pra ela um atributo espetacular

como se lá do Olimpo viesse a pronta entrega!

 

Sabendo que todas as musas têm função

o poeta trabalhou somente com essências

por ser musa deu o atributo da Excelência

que na verdade era mesmo sua missão!

 

A musa foi escolhida na ilha dos amores

na terra fértil de São Luís do Maranhão

onde se colhe cajus, pitangas e flores!

 

Minha musa tem a bela cor da castanha

carrega consigo os mais sublimes valores

de uma gata ela possui a graciosa manha!

 

 

 

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Poemas

31

INTRODUÇÃO AO LIVRO SONETOS DA ILHA DO AMOR

Ao tratar do tema Sonetos da Ilha do amor, me vem a felicidade de haver realizado mais uma obra magnífica e especificamente, nesta posso homenagear uma terra tropical e de eterna magia, conhecida como a Ilha do amor e Atenas brasileira, ou seja, São Luís do Maranhão que é Patrimônio Cultural da Humanidade, nos encanta com suas casas entalhadas pela tradicionalidade portuguesa, trazendo o que  há de moderno na cidade, parecendo contrastar  com o que vemos nas construções, de uma beleza exuberante e clássica, no registro das marcas significantes em sua arquitetura pelas nuances da arte barroca; ver os designes dos azulejos que vigoram e os entalhes das pedras portuguesas, muito nos encanta, com sua exuberante paisagem e belos desenhos arquitetônicos, a cidade também conhecida como a do Reggae, nossa Jamaica brasileira. Esta terra tem tantos encantos, que apesar de haver este poeta se apaixonado por tantos lugares paradisíacos, como a encantadora cidade do interior Barreirinhas, onde nos dá acesso para ir aos Lençóis Maranhenses, lugar de uma visão espetacular e imperdível, formado por lagoas de águas cristalinas, que brota da própria terra e das águas da chuva. Além de lugares de belos rios e praias como Santo Amaro, Atins, Caburé, Mandacaru, onde visitamos o seu farol, e outros lugares que conhecemos de carro de tração 4 x 4, bugres, barcos, lanchas numa tremenda aventura por caminhos e trilhas emocionantes, na expectativa de chegar, e vislumbrar tão bela natureza feita por Deus.   Sim! Poderia eu me alongar para falar de São Luís e seus encantos, deveras me desculpe a licença poética, de ser eu o carioca mais maranhense, que se autonomeia apaixonado por aquela região, e por ter uma amada que bem representa pela beleza nativa que tem e costumo dizer ser a minha Gabriela, como assim em seu romance a citou Jorge Amado, eu neste livro exalto a ancestralidade indígena da minha amada Edilene,  esposa que me inspira e contribui para combinar duas potência incríveis que há no lugar donde ela nasceu, o que ela simboliza e o que São luís do Maranhão representa para todos nós brasileiros, como tantos outros Estados do Nordeste, que amo de paixão. E, como não podia deixar de ser, além de pegar carona com a descrição brilhante da eloquente jornalista que falou das belezas naturais e tradicionais desse lugar espetacular, não poderia deixar de citar aqui na integra o poeta maranhense Gonçalves Dias (da fase romântica), o poema CANÇÃO DO EXÍLIO:

 
Minha terra tem palmeiras,

 Onde Canta o Sabiá; 

As aves, que aqui gorjeiam, 

Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas, 

Nossas várzeas têm mais flores,

 Nossos bosques têm mais vida,

 Nossa vida mais amores.

 Em cismar, sozinho, à noite, 

Mais prazer encontro eu lá; 

Minha terra tem palmeiras, 

Onde canta o Sabiá. 

Minha terra tem primores, 

Que tais não encontro eu cá;

 Em cismar - sozinho, à noite.

Mais prazer encontro eu lá; 

Minha terra tem palmeiras, 

Onde canta o Sabiá.

 Não permita Deus que eu morra,

 Sem que eu volte para lá; 

Sem que desfrute os primores.

 Que não encontro por cá; 

Sem qu'inda aviste as palmeiras, 

Onde canta o Sabiá.

                 Bom! Chegar até aqui já seria o suficiente, mas não poderia deixar de registrar acerca do soneto de abertura deste livro que é o Cafofinho da Tia Dica,  resolvi também  homenagear o restaurante dela, que é uma das referências do Bairro Reviver, a poucos metros do Teatro Odylo Costa Filho, outro poeta de minha predileção, dentre tantos, que conheço por livros como Nauro Machado, Salgado Maranhão, José Chagas, Bandeira Tribuzzi, Luis Augusto Cassas e outros, que inclusive fazem parte do meu acervo literário, são muitos deles, meus mestres na poesia e na vida rsrsrsrs.

Falar de tia Dica é falar de sua história, sua forma acolhedora e reveladora de ser gente do povo, grande anfitriã, de minha esposa não é prima, é uma irmã que supera inclusive a relação de muitas irmãs de sangue, sim! Sangue nas veias, da força da mulher nordestina, mulher guerreira. 

              No restaurante, que fica no Reviver, cujo nome já diz tudo, e nos leva no tempo das coisas boas a provar uma culinária maravilhosa, que todas às vezes que vou lá, prepara o fabuloso “arroz do mar”, regado a posta de peixe e camarões, suspeito sou de dizer que é uma das iguarias fabulosas, ainda por cima lembra de servir a este poeta e sua amada, um musse de bacuri, por conta da casa rsrsrs. Se aqui depois de tudo não fizesse tal menção, se não registrasse tudo isso, eu não seria menos admirado por Dica e seu povo, mas ficaria faltando alguma coisa, como falar de uma rosa sem as pétalas. 
 

             O Cafofinho da Tia Dica, não é só um estabelecimento comercial, mas um local de refúgio para os enamorados e um jardim das delícias para quem é um eterno sonhador. Deveras, pode ter no mesmo local, outros estabelecimentos, até mais sofisticados, mas não quero! Quero o que há de simples e acolhedor, daquele cheiro bom de comida caseira, que nos conduz pelo aroma gostoso a ir flutuando como nos desenhos animados, a chegar nesse lugar que é um porto seguro da boa comida maranhense, pelo cuidado e  limpeza do ambiente, e como não podia deixar de ser simpatia e bom atendimento, que faz o diferencial  do meu e nosso Estado do Maranhão.

Certamente, que para finalizar e para coroar esta relação, com tudo que foi dito até aqui, falar também de uma pessoa muito especial, a musa maranhense, de tanta coisa que falei... nela se resume numa expressão de amor, numa expressão de vida, a mulher que me conquistou e me apresentou a terra do amor e dos prazeres, a sua Ilha 

do Amor, minha amazona, por ser guerreira, como ela só é, e representa nos versos que componho ao longo dos anos de inspiração, cada mulher desse imenso Brasil. 

Embora tenha sido escolhida por Deus, reinar com sua beleza natural em São Luís do Maranhão. Nela, a terra, o sol, o mar e o luar são ingredientes de luz, amor e poesia, equivalência de força e sensibilidade, naturalidade e frescor que vem das dunas dos lençóis maranhenses, no limite de minha inspiração, no marco da minha paixão, por ser tão caprichosa e gentil. Edilene Damasceno Cabral da Silva, tem a pele cor de jambo, olhos da imensidão da noite, com detalhes do brilho do luar e o seu riso, demonstra os dentes da brancura das dunas de lá, embora não seja nem branca nem morena, diria ser castanha na cor, a trato carinhosamente de “minha preta”, conforme a poesia que subscrevo.

 Sim, reúne a miscigenação das três belas raças em si, a negra, a branca e  a índia, não necessariamente nessa ordem, se José de Alencar elegeu Iracema, Jorge Amado,  a Gabriela, eu fecho o meu discurso com uma poesia em sua homenagem, como referência de mulher nordestina, e representante real de sua classe e sua raça: 

 MINHA PRETA

 

A preta 

que eu tenho é a coisa mais linda

e a chama do meu amor arde por ela

parece a namoradeira numa janela

traz no olhar esperança 

que não finda!

Esta preta 

que gosta do balanço 

da rede desse seu doce viver...

meu Deus fico feliz só de ver

a delícia do ritmo do seu descanso. 

Ela tem os atributos das belas mulatas

quando desfila na sala só para mim

sou jardineiro do seu florido jardim!

Mas o amor desta preta inda me mata

na rede ou fora dela sabe tanto gozar

a vida muito além de sentir só prazer...

que arte é vê-la toda se derreter

sabendo amor receber

da mesma forma que sabe 

amar!

Esta preta 

se faz todinha dengosa 

tão faceira e feliz me enche de luz

sem mesmo perceber o quanto seduz

dos pés a cabeça é natural ser gostosa

uma preta assim eu a vi primeiro;

agora se fez a dona do meu coração

sendo  eterno tema de uma canção

por me conquistar de janeiro

 a janeiro!

Minha preta 

meu Deus tem uma cor

que se destaca entre todas as cores

se no buquê é a mais linda das flores

além de ser perita na arte 

do amor.

 

Denilson Marques   - Rj, em 17 nov 19

 

 

 

 

 
 
 

 

41

SONETOS DAS DESVENTURAS DO AMOR

I


Senhora, sabe que tanto vos quero

do quanto que desejo vosso amor

do tanto que vos causa desfavor

devido a minha angústia quanto espero!

Mas vale a pena se aguardar vos possa

pois um segundo contigo parece

eternidade que amando acontece

que tanto mais vossa alma se remoça!

Se prometida minha, vós não seja,

sofrendo mais minha alma que deseja,

a tendo perto embora estando longe!

Amar assim é amargo sentimento

devido a situação que vos constrange

proibido amor vale consentimento?!

II

 

Senhora, ainda posso vos querer,

certeza não tenho e presumo apenas,

nem sei se o sacrifício vale a pena

arriscar pra terdes como puder!

Só peço-vos, que se não me sentencie

devido as esperanças que mantenho,

feito gado desordeiro que ordenho,

mordaça na boca que me silencie.

Ah! Senhora, vos peço, na hora extrema

que de consentimento venha ter...

sem que vos sinta comigo entre algemas!

Sendo natural o que acontecer

Senhora, afasta de mim se puder,

do contrário seja eu clara, e vós gema!

 

 III

 

Minha Senhora, quero vossa paz,

e sei que estás comigo por vontade,

mesmo além de quaisquer fatalidade,

sentimento de culpa que vos traz...

À mente o que se nos vai martelando,

tal tique-taque no passar das horas

distante sofro, e vós sofreis, penhora,

enquanto o tempo vai nos afastando!

Vós sois a lua, quando anoitecendo,

eu sol, perante o dia vou crescendo,

no breve eclipse para se abrasar!

Minha Senhora, vos peço paciência

sei que Deus pode não nos perdoar,

suplico a Ele somente tal clemência!

 
IV

 

Outro hás de vos querer e vos amar

Senhora, serás dele certamente,

pois vosso coração ainda é crente

neste amor que deixamos de apostar...

À distância alimentará saudade

do que vivemos mas virou história,

que alimentamos dentro da memória

e passa tal quem age por vontade?!

Se vós deveis partir minha Senhora,

saberei inconformado, ser preciso!

Sofreria mais com vossa demora...

Se tiverdes que partir de verdade,

prefiro gerir dor duma saudade,

mesmo a saber que aos poucos me devora!

 
 

V

 

Senhora, se me conformar não possa

pela chama do amor que me domina

ante a dor que me causa e contamina

a ocasionar triste saudade vossa!

De tais dificuldades me mantenho

que devido a estar preso por vontade

sofrendo então deveras de saudade

sabendo do amor que a dizer não tenho!

Senhora minha quero por justiça

livrar-me do desejo que enfeitiça

por só guardar agora sofrimento?!

Se de vós nenhum beijo me consola

quiçá poder verdes de camisola

ficando meu querer só de momento!

 VI

 

Há de valer se apenas consentisse

de tudo que de vós me proporciona

caso fosse deleite que ambiciona

e não só porque querendo exigisse

me vale vos querer ainda agora

somente para vos ter pertencida

tendo vossa consciência dividida

ante a chama do amor que vos devora?!

Não sei amor qual motivo apresenta

ou nem como a vontade se sustenta

diante do sentimento sem futuro

que por vós fico nutrindo, Senhora,

tal uma plantação que nem vigora!

Querendo ser amado não me curo.

 VII

 

Mentiria ao dizer que não vos quero

que passou o sentimento que tenho

que guardado no meu peito mantenho,

a tal chance que não devia... e espero!

Em vós, encontro o bem de que desejo

mas, desistir eu sei ser bom alvitre,

querer ter algo bom, quem há que evite?!

E eu resisto, contra a ordem de despejo...

Mas quando a mão de Deus me pesa mais,

não posso relutar nem sou capaz,

cuja ânsia de perder-vos me devora!

Pois que eu fique, cá triste vos querendo,

a dor aumenta, por dentro eu morrendo,

e em versos vos despeço triste agora!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

23

DOS BEIJOS DA AMADA

Os beijinhos da amada são supremos

sua maneira de amar me habilita

a trafegar no êxtase dos extremos

na emoção que no coração palpita!

Na amada corre a fonte dos desejos

desses eflúvios que dela vem da ânsia

deleitosa do dulçor dos seus beijos...

muito mais além da própria substância!

Na amada a própria Bíblia ratifica

que o próprio amor carnal se santifica

de uma só carne unifica dois seres!

A amada se destaca entre as mulheres

que no seu próprio amor se justifica

no mundo nada além de mim prefere!
31

DA FONTE DOS AMORES

I

 

Se alguma mulher tive diferente

Nenhuma fora semelhante a ti

Nenhuma que de fato conheci

Tão plena numa entrega permanente!

Tão cheia de integralidade em si

Pude assim desvendar sua frequente

Graça e jeito de sorrir simplesmente

Que por um privilégio percebi...

Mesmo não sendo uma mulher fatal

Mas tão predisposta a viver e amar

Duma forma gostosa e natural!

Difícil de encontrar noutra mulher

Desejo que transcende seu olhar

numa entrega tão rara de se ver!

 
II

 

Este seu jeito incomum de que emana

Da entrega dos afetos reprimidos

Liberados no amor pelos sentidos

Naturais da mulher sagitariana!

A trazer a essência da liberdade

da chama do anseio que a constitui

pela estranha loucura que possui

Almejando decerto a eternidade?!

Nesta sede de amar tão verdadeira

Movida pela força da paixão

Na alquimia do mistério e sedução.

Te despedaça e te refaz inteira

Sendo ao mesmo tempo simples e astuta

Numa sede imensa quase absoluta...

 

  

III

 

Que de tão incrível me cativou

Foi a maneira que tu tens de olhar

De saber pedir e saber chegar

E o aroma do perfume que deixou!

Quando nos amamos naquele quarto

Tive o prazer de te ver como vieste

Ao mundo retirando suas vestes

E largados pelo chão seus sapatos!

Enquanto nossos braços se abraçavam

Ao lado até as roupas se enroscavam

Na eterna história de amor entre nós!

Entre beijos numa química imensa

Ouvindo em meus ouvidos... tua voz!

Naquele instante em que em nada se pensa.

 

 IV

 

Assim conheci tuas terras Yaman

Desfrutei do sabor de tuas uvas

De puro mel regadas pelas chuvas

Nesses confins onde pássaros cantam.

Nós dois caçávamos completamente

Nus, correndo pra pegar borboletas

Feito duas belas crianças repletas

De amor, cheias de diversão... contentes!

Mas além das terras e além dos mares

nas matas e rios, linda cabocla!

Desfrutei do néctar de tua boca.

Desse hálito bom que vindo dos ares;

Primores retratados neste poema

Comparados aos lábios de Iracema!

 

 V

 

Mesmo que tenhas me deixado um dia

Sinto a saudade que me habita ainda

Vendo então que a tristeza não podia

Fazer seu ninho se fazendo infinda!

Ainda que não me quisera como antes

Muito suportei sofrendo à distância

Como um monge que possui relevância

Por tudo que me dera foi bastante?!

Mesmo que parecendo ser migalhas?

De algo que bem mais além esperei

Apenas fui seu súdito, e não rei!!

Jogaste porta à fora minhas tralhas

Depois de tanto amor me tens ferido

Quisera muito mais poder ter sido!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

59

DO BALANÇA DA REDE



 

No balanço da rede o sono é bom

E tudo flui melhor do que se pensa

E a nossa vida é menos intensa

Sem haver monotonia nada é vão!

 

E das coisas que nos fazem muito bem

Surge uma paz que nos eleva tanto

Que na vida nada nos causa espanto

Despreocupado naquele vai e vem...

 

Se esta rede nos liga ao infinito

Duma margem a outra tudo é bonito

Muito mais perto da mulher amada.

 

Se meu viver divaga em seu viver

Como se isso bastasse a uma mulher

Viver de brisa, cabana e mais nada!

 

Bom princípio -Barreirinhas-MA, em 22 out 19

 

 

 

 

 

55

BARREIRINHAS MEU AMOR



 

Amor meu te namorei em Barreirinhas

Depois nos banhamos no rio Preguiças

Mesmo com timidez duma noviça

Entregou-se fazendo toda minha

 

Sequer imaginavas que tu vinhas

Caminhando de forma tão faceira

Eu te paquerei dum pé de mangueira

Quando passavas indo pra Tendinha

 

Encantei-me contigo maranhense

Que preparou-me um suco de açaí*

Se vem qualquer cansaço a gente vence!

 

Na rede fizemos amor ali

Na plena madrugada de luar

Beleza igual não tem tão singular.

 

 

*Juçara, uma  fruta típica da região nordestina.

 

São José de Ribamar-MA, em 19 out 19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

74

APENAS BIBELÔ



 

Se na vida mando nos  doamos tanto

Porque a pessoa amada nos maltrata?

Vindo arrumar logo outra e nos destrata

Se tal indiferença causa espanto.

 

Depois de tantas juras insensatas

Vê-se logo que ninguém é tão santo

Sem dó e piedade nos leva aos prantos

Se dizendo não mais enamorada!

 

E cai por terra a entrega por amor

Como se não valesse nossa entrega

Na relação furada que nos cega?

 

O tempo passa e a rotina se instala

O que era bom demais vira favor

E a gente parece um sofá na sala.

 

Vinhas-MA, em 18 out 19

 

 

 

 

 

 

 

60

DO INCANSÁVEL AMOR

Não chegou o tempo de brindar valores

O tempo é outro fora duma margem

Falta nitidez diante das imagens

Tratar bem não se motiva favores

 

Se pra ti tenha faltado coragem

Não cabe se ancorar nos teus temores

Viver baile de máscaras e horrores

Curtindo então banquete da sacanagem

 

Agora és jovem faz o que bem quer

Antes da menopausa da mulher

Sujeita docilmente o corpo seu

 

Aos prazeres que a carne solicita

No anseio de viver o que não viveu

mas nada aplaca o fogo que te habita?

 

Rio, 06/11/19

 

 

54

DAS AMARGAS PROVAS

Venceste amor amargas provas

Sabendo que nenhum contentamento

Possa aliviar nosso pensamento

Daquela relação que não renova

 

Mas se de fato alguém que nos reprova

Vale a causa de tristeza e sofrimento

da necessidade dum só momento

Consentir que desventura se aprova

 

Não cabe alimentar uma ilusão

Achar-se feliz na infelicidade

Achar-se amada (o) na separação

 

Assim se esta boca que não te beija

Te pragueja por pura maldade

Não se humilha por quem não se deseja

 

 

Rio, 31/10/2019

 

 

 

 

 

55

DELÍRIOS PLENOS



 

Tivemos nos extremos da paixão

Sua boca extensão da minha boca

Você urrava loba feito louca

Delírios plenos de satisfação!

 

Como se em ti habitasse um vulcão

A chama ardente me desarvorou

Sem de fato saber como ando e estou

Para fugir de doce tentação?

 

Quero-te bem mais do que se imagina

Afeita a uma entrega verdadeira

Sem achar nosso caso ser besteira

 

Amar não é mapa que se examina

É chance de fazer alguém feliz

ser  leal a quase tudo que se diz!

 

 Vinhais-MA, em 18 out 19

 

 

 

 

 

 

 

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