Viva Lenin
As mãos operárias,
Sejam as que manuseiam a foice ou
O martelo estavam fartas com a repetição
De séculos de desigualdade.
Mas a luta pela revolução tomou
Corpo em suas teorias e atitudes,
A vontade do proletariado se concretizou
Nas páginas da humanidade.
Dirigente da primeira revolução proletária,
Fundador da União Soviética,
Libertador dos trabalhadores da opressão,
Lenin, te saudamos como grande
Arquiteto da liberdade,
Quem ajudou no nascedouro do comunismo.
Nos tempos em que vidas se destroem
Em vão consumismo,
Em que o neoliberalismo aliena
Consciências e empobrece os povos,
Tuas ideias são tão atuais
Quanto nos dias das vitórias bolcheviques.
Nos salões dos palácios imperialistas
A corrente forte e organizada
Das nações oprimidas destruindo
O capitalismo rumo a uma coletividade igualitária.
O Medo da Morte
Quem é que se preocupa
Com o gemido final que é a morte?
E o meu último respirar perante
A foice fatal, como será?
Serei cremado como desejo
Ou estarei rodeado de falsos amigos sentados
Em frios mármores de um cemitério?
O curto instante de ser é aqui,
Confraternizando com as pessoas amadas
E tentando transformar o mundo,
Não me agrada nada como ele é!
O medo da morte é o caminho da inutilidade,
Espírito apequenado, cenário do nada.
Por que negligenciar a vida?
Livre é o homem que pouco ou
Nada pensa sobre o caminho final.
O que importa está aqui, no fazer terreno...
O dito lado de lá são vazias promessas.
Enquanto vivo, me equilibro em corda bamba,
A fria dama é sensação inexistente.
De meu crânio e veias brotam
A verborragia contra os incômodos,
Os malabares que exercitam com destreza
As argolas e facas compostas
De escolhas e consequências.
E quando a pirotecnia dos átomos findar?
Eu fui, não sou mais,
Boas experiências vividas,
Memórias para meia duzia de amigos,
Amor plantado nos familiares,
Tateei o mundo, combati o bom combate...
Vivi, acabou, não me importo!
A Liberdade Perante o Mergulho no Abismo
Não são os coaches,
Não são os livros religiosos,
Nem os psicólogos, muito menos os padres,
Nada e nem ninguém explica com exatidão
Tudo que compõe a vida incerta.
Sem bússola,
Sem usual mapa,
Sem dogmas,
Vou em direção errática
Ao encontro do planalto do desconforto,
Ao espancamento da dor.
No peito grandes distâncias percorridas
E um baú que guarda indizíveis falhas.
Mas mergulhando no abismo
De todos os lugares que habitei,
Todos os infernos que vi travestidos de paraísos,
No epicentro de tempestades,
A dor foi temporal que adubou novos jardins.
Resisti às falhas,
Suportei os fracassos,
Superei os limites impostos,
Aguentei o que era vulnerável,
Reergui após várias quedas,
Jorrei adversidades
Que forjaram o viver além de mim.
Mesmo sabendo que viver quase todos os dias cansa,
Nessa sentença genética imposta pela natureza,
Para alcançar a liberdade é preciso força.
Porque neste estranho sonho, insônia sem fim
A que chamam realidade,
É necessário determinação
Para elevar o espírito
Além do crime e castigo,
Além das certezas e censuras,
Além dos horizontes pintados
No maniqueísmo do bem e do mal.
Reavaliar, duvidar sobre o que é
O correto e o errado,
Os direitos e os fardos dos afazeres.
Suportar
As escolhas e suas consequências,
Criticar as verdades banais,
Observar
A virtude acompanhada do fel dos vícios.
Permitir ver a existência
Através de óculos que
Mostrem imagens no reaprender
De valores e práticas
Neste planeta que imola diariamente
Vidas humanas.
Diante das contingências que são
Pedras impostas pelos homens ao redor,
Naquilo que fizeram de mim
Nos muros coletivos
Que insistem em me prender,
Desenvolver o hábito
De destruir grilhões,
Criar valores, cosmovisões,
Lutar contra opressores
E se aliar aos que tem fome de vida.
Está condenado a ser livre
No buscar de uma vida autentica,
Forjando atitudes
No tedioso pendulo composto
De escolhas e consequências.
As Práticas dos Fiéis de Jesus e Buda
Senhor Buda,
Não deveria ter esquecido
De detalhar com empiria
Como os meros mortais
Estressados, cansados no mundo moderno
Alcançariam o inatingível nirvana.
Caro Jesus,
Mesmo deixando reflexivos sermões
Nunca se viveu plenamente o amor ao próximo
Ou a partilha do pão entre os hipócritas cristãos.
Há mais moralistas fiscalizando beijos gays
Ao invés das práticas na cartilha do perdão.
Mestres do Ocidente e Oriente,
As boas novas morreram em uma cruz fincada
Na Judeia e em uma última meditação na Ásia?
Atravessam as mentes em dogmas diversos,
Usam uma couraça de valores,
Palestram sobre tudo e todos,
Mas são abomináveis em suas discriminações.
Os fiéis quando estão a sós,
Em frente ao espelho:
São práticas pela metade,
Erros abissais de quem se diz humano raro.
Viver Com Autenticidade
Olhei o vasto mundo
E percebi um lugar agressivo,
Indiferente as necessidades humanas.
Olhei o farto cotidiano
E purifiquei essa trilha de espinhos
Ao assumir as próprias escolhas.
Olhei a vida rolando como pedra
Montanha abaixo e
E além de suportar seus percalços,
Me rebelei contra seus caminhos coisificantes.
Defendi as próprias opiniões para não
Seguir a maré de silenciados escravos.
Olhei todo dinheiro e posses
E acostumei a entender que
Tudo isso nunca é um fim em si mesmo.
Olhei a vida novamente,
Com toda sua dor, incerteza, absurdos
E decidi viver de forma autêntica...
Rebelando contra o dia a dia,
Inventando e reinventando movimentos,
Lutando para não está morto,
Apropriando de si, tomando consciência do real,
Esculpindo na lama o duro ferro do espírito.
Me olhando e renascendo das cinzas
A cada amanhecer, como uma insistente fênix.
Brasília
Sou morador de Brasília,
Projeto sonhado por Niemeyer,
Cidade desprovida de ares novos,
Marasmo de concreto no cerrado,
Útero gerador de periferias que são escondidas,
Capital com ares de misérias ocultas do público
Em monumentos patrimônios da humanidade.
A sanha do brasiliense é a aglomeração
Consumista em enfadonhos shoppings.
O Lago Paranoá é o habitat natural da burguesia
Enquanto os “oreias-secas” gastam
As horas em fétidas viagens de ônibus.
Os terceirizados comem pastel na rodoviária
E limpam fezes nos departamentos públicos,
Mas sonham com as ilusões meritocráticas
De que "vencerão na vida”.
Expulsar pobres do "centro",
Derrubar ocupações dos humildes
E regularizar invasões dos ricos
É a tônica dos governantes.
Os novos retirantes mastigam marmitas
E morrem nas filas dos hospitais.
Muitos pobres que aqui residem
Têm síndrome de classe média,
Comem pão dormido,
Mas arrotam caviar para não perderem a pose.
Vivem em imóveis de surrados alugueis,
Lotados de dívidas,
Mas exibem carros parcelados
Em suaves prestações de quarenta vezes...
Simulam o estilo de vida do servidor público
E desejam serem semelhantes ao patrão.
Sol Nascente, Fercal, Estrutural,
Rastros de miséria que não são vistos
No cartão postal da cidade.
A Realidade
Seja o insano mundo e suas crias tristes
Engolidos pelos dentes do vazio e da podridão.
Seja o sol um astro de intensa luz que deixa
Os troféus de derrotas a vista de todos.
Mesmo nos períodos que a vida se torna intolerável
E o açúcar se torna agulha mortal no sangue,
Contente-se com a realidade mesmo sem brio.
Ela não se compõe de fundos sonhos, lindas fantasias,
Mas é o que existe, vale a pena rolar a pedra.
Por cima dos dolorosos muros é possível
Morrer, renascer, ser máquina para triturar
Absolutamente tudo e fazer tudo de novo.
A Vida e Seus Abismos aos 38 Anos
Eu preciso do mundo, de suas cores,
De seus cheiros, seus sabores.
Mas ele é indiferente a mim,
É uma noite que não me embala o sono,
Livro que oculta respostas em suas páginas.
Mantenho meus esforços,
Aprecio os jogos dos dias por prazer
Mesmo que a direção dos caminhos
Não seja guiada por um divino maquinista
Ou racional mapa de ação.
Pinto belas obras no estar vivo,
Sou eu o único responsável pelo fardo
Das responsabilidades e escolhas assumidas.
Viver como quem está ferido, enfermo
Por uma angústia
E mesmo assim golpear com revolta
Os abismos que consomem os ânimos.
Viver como quem inventa uma alegria
Mesmo nos dias nauseados.
Viver uma vida criando valores,
Plenos sentidos e respostas
Que superem qualquer situação,
Se rebelem contra qualquer grilhao
Ou a mudez do universo.
Fazer as próprias escolhas
Nos tortuosos caminhos.
Não sou fisicamente idoso,
Mas muitos dias tenho 80 anos de idade.
Sou um velho em um corpo de um jovem,
Com os 38 ainda sinto um grande desejo de
Relembrar memórias em fotografias,
Acalmar os nervos na praia,
Saborear um cabernet,
Beijar a mulher amada,
Rir com amigos,
Apreciar a companhia dos pais,
Incomodar o crânio com instigantes leituras,
Abraçar a vida como ela é.
Estar presente no caótico mundo,
Indiferente a morte.
Na minha ação,
A felicidade,
O contentamento,
O sentido
De existir!
O Renegado
Eu sou o renegado, o inimigo,
O herege, o desiludido,
O cético, a tenaz pedra no sapato,
A curva diante das retas feitas de tediosas verdades.
Eu sou ninguém,
As vezes me porto na vaidade de Napoleão,
O imperador de tudo que existe,
O qual insiste, persiste
Em não ser consumido pela liturgia
Do conformismo gravado nas testas
Dos homens-ovelhas em rebanhos
Burrocraticamente estáveis no senso comum.
Eu sou a tesoura, a faca amolada, o sarcasmo,
O triste tango de Piazzolla tocado na folia do carnaval,
O provocador rock n' roll contra as mesmices das canções de amor.
Eu sou o maldito, o prisioneiro, o reservado,
O verborrágico contra os persistentes dogmas.
O lutador contra a política a favor dos opressores,
O operário que incita a rebelião contra os desmandos do patrão.
Eu sou o atrito, o trágico, o provocador,
O torcedor de um time pouco querido,
Um isolado filósofo sartreano que desfere machadadas contra valores reconfortantes.
Eu sou o inconformado, o do contra,
A ovelha negra que não vestiu o branco manto das religiões,
O amigo de poucas amizades e que deseja a cabeça dos traidores num vistoso prato.
Eu sou o homem que se consome de ódio
Contra injustiças que me prejudicam e não posso alterar.
Eu sou o tiro, o lamento do blues, o que tem dificuldade em pedir desculpas,
O professor que roda a chave da reflexão na cabeça dos alunos.
Eu sou o questionador de tudo que me dizem,
O que enfia com violência o dedo nas feridas que me causam incomodo,
O eterno rebelde em tempos petrificados em redes sociais e amores líquidos.
Eu sou o defensor do lado pouco visitado,
O viajante em busca de quentes praias,
O que cospe nas good vibes dos sacerdotes,
O que desdenha dos dúbios milagres,
O esfomeado por novas transcendências,
O que não se aliena na felicidade acéfala dos zumbis,
O antissocial que não faz coro com os imbecis.
Eu sou o esquisito, o pé torto, o peculiar,
O frio corte nos cadáveres dos ídolos públicos,
O detestado e que a poucos ama, mas com intensidade.
Eu sou a língua ferina, o pé atrás com conhecidos,
O alpinista que escala montanhas além da mediocridade,
O sombrio poema de Augusto que fertiliza o húmus de pessimismo e decompõe a matéria.
O epicurista que questiona os jardins de aparente felicidade,
A pessoa que carrega a foice e o martelo para decepar cabeças de reis e burgueses.
Eu sou o blasfemador contra verdades absolutas,
O paradoxo, a contracultura, o protesto,
A visceral canção de Belchior tateando liberdades,
O lobo que critica a alcateia firmada na corrosão da conformidade,
O dialético que internaliza as contradições da realidade em suas entranhas, que a tudo quer alterar.
Eu sou o que faz moradia em seu próprio lar,
Que de erro em erro descobriu-se e construiu os próprios alicerces.
O homem que do nascimento a sepultura
Nao será devorado por uma vida insossa e sem sentido.
O Juiz Que Manipulava Sentenças
Que prazer eu tenho
Em não cumprir os deveres da lei,
Ter uma sentença para decidir
E não sustentá-la segundo os preceitos da Justiça.
Aqui, ter provas robustas para incriminar é besteira,
Ter diálogos ilegais com procuradores não é nada.
Pois enquanto as luzes do poder brilharem em meu caminho,
O bom mesmo é fazer o Estado de Direito correr, bem ou mal,
Segundo os ventos de meus partidarizados interesses.
Eu sou o juiz, a autoridade que grampeia ilegalmente advogados de defesa.
Aquele que cruza as mãos para sentenciar
Inocentes perante frágeis suspeitas.
Eu sou o togado que agitará a salvação desse país...
Morou minhas segundas intenções?