EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

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264 - A TESTEMUNHA

Oh, Jeová, tu vês a testemunha,
O modo como os inimigos agem
E como já se aflige e se acabrunha
Pois ela não espera que te ultrajem!

Teu povo teve de agarrar à unha
A integridade e, cheio de coragem,
Enquanto à vil perseguição se expunha,
Jamais cedia ao mal cruel, selvagem.

Tem sido sim diante até da morte,
E de opressão e oposição ferrenhas,
Inabalável com a fé mais forte.

Oh, Jeová, meu Deus, eu só te rogo
Que com Miguel e os santos intervenhas
Em seu favor no Armagedom e logo!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 22/06/2020)
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263 - PÁSSAROS PÚRPURA

Porta-se espírito apático após
Dúvidas, dívidas, décadas más.
Tímidos tínhamos típica paz,
Cântico cálido e cândida voz.

Pássaros púrpura partem-se sós.
Éramos míseros mártires mas
Vívidos vínhamos: vórtice traz
Súbita súplica e some-se em nós.

Falta-me o fôlego e foge-me a luz.
Lânguido lembro-me: a lâmpada à mão 
Leva-me às lágrimas, lástima expus.

Trôpego e trêmulo trago-te aqui.
Pálidas pálpebras pétalas são.
Prímula próxima, prendo-me a ti.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 20/06/2020 para a minha esposa Ingrid Oliveira)
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262 - DOR ESPERADA

É dor que se espera até mais severa
Que aquela que gera o mal do presente.
Mas ó quem me dera opor-me a tal fera
Que só dilacera aquele que a sente!

Sou eu quem libera alguém que não era
Mas já me encarcera justo na mente.
De forma sincera faço da espera
O que degenera a paz permanente.

No espelho que odeio, pérfido, opaco,
Olhando-me alheio, vejo-me cheio
De chagas ao seio quando me ataco.

De angústia e receio não me contorça:
O Deus em quem creio sempre por meio
Das súplicas veio dando-me força!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/06/2020)
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261 - DE QUARENTENA

Sou cinzas e pó no piso de casa
E sinto-me só e apaga-se a vela.
Aperta-se o nó da corda amarela.
Das pálpebras, ó! a lágrima vaza.

De lástimas é a poça tão rasa
E mesmo de pé afogo-me nela.
Sem forças até a brisa congela
Os olhos da fé sem fogo, sem brasa.

De quem eu ouvi risada sonora?
Alguém por aí que fale bem claro?
Há perto de si criança que chora?

Janelas abri num dia tão raro
Mas nunca mais vi a vida lá fora:
Meu rosto sorri enquanto o mascaro?

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/06/2020)
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260 - O MEU MELHOR POEMA

Bem sei que te pareço tão disperso
Como se olhasse para o próprio umbigo
Porque, depois que me casei contigo,
Há dias não te escrevo meio verso.

É que nos nossos beijos vivo imerso:
E apenas com sussurros já te digo:
“Tornei-me no silêncio o teu abrigo
Que sempre nestes braços alicerço."

O que me inspira seja mais perfume
Da tua pele límpida que assume
Textura de papel em que se escreve:

"Carinho seja o meu melhor poema
Que faz com que o teu corpo gele e trema
Se a mão lhe compuser carícia leve."

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 04/06/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
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