EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

73

289 - EU E OS VERSOS MEUS

Seremos eu e os versos meus talvez
Um dia, conhecidos pela voz
Que emites quando os cantas logo após
O mal que o teu silêncio já te fez.

Queremos eu e os versos meus que dês
O canto teu a quem se cala a sós
E que, através de ti, o amemos nós
Como te amamos quando tu nos lês.

Fazemos eu e os versos meus que a luz
Incida sobre tudo o que te expus:
Que não te sigam mais as sombras más!

Tornemos eu e os versos meus feliz
Teu tempo nesta página e sorris
Quando existimos nessa tua paz.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/09/2007)
142

SONNET 138

Hawks seek a creek or peak so bleak: Each beak
Will sneak the weak that squeak, the meek that bleed.
No weeds or reeds of greed succeed or reek.
Indeed, good seed will feed the breed in need.
The breeze from seas through trees at ease agrees
To please, not tease, the bees like these by eaves.
The sheep do keep their sleep so deep and freeze.
Clouds weep; rains seep; winds sweep a heap of leaves.
Stars preach; skies teach; their speech does reach the beach.
Storm cleaves and grieves and heaves the sheaves of wheat.
Goats' feet repeat the beat of sleet and screech.
No peace will cease; release for geese; lambs bleat.
Let me just flee to sea to be so free
And kneel and feel more zeal and reel with glee.

(Author: Eden Santos Oliveira. Written in 18/08/2008)

378

149 - OS MEUS POEMAS NÃO SÃO PARA TI

Os meus poemas não são para ti
Pois forma fixa para ti é má.
Esquema, rima e métrica haverá
Nos versos meus que nunca te escrevi.

Como um leitor cruel que deles ri,
Tu não és quem os quer nem quem os dá.
Só queres rejeitá-los desde já:
Não sei o que procuras por aqui.

Enquanto o que compus com tanto afã
Me foi o fruto duma mente sã,
Tu pensas: "É pedante e tão ruim!"

Ao menos concordamos que amanhã
Em ti não haverá lembrança vã
De algum dos meus poemas ou de mim.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/09/2020)
455

288 - LOGO APÓS O ARMAGEDOM

Sintamos já perfeita e pura paz
Após o Armagedom, sim, logo após.
Louvemos sempre ao Pai com alta voz
Pois sob os nossos pés o mundo jaz.

Assim, jamais olhemos para trás.
Pensemos no que Deus já fez por nós
E em como a salvação tornou veloz:
Não vemos ao redor as coisas más!

Sem dor, velhice e praga sobre os ombros
Que juntos transformemos os escombros
Em belas casas para quem amamos.

Plantemos nos lugares mais extremos
Árvores dos jardins e enfim achemos
Repouso eterno à sombra dos seus ramos.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 06/09/2020)
329

287 - NAS HORAS MÁS

Fico de pé nas horas más do fim.
Longe do afã eu louvo ao Pai celeste.
Lástima vã esclamam: "Ai, que peste!"
Firme na fé não perco a paz: eu vim!

Vida pois é de luz que faz jardim.
Torna-se sã a voz que sai: "Que reste!"
Vem de manhã o que se vai no oeste
Deita-se até voltar por trás de mim.

Apenas o pó eu sou, por enquanto.
A corda desato quando me deito.
Há penas e o voo eu nunca levanto.

A cor da manhã traz dia perfeito.
A pé nas estradas vou ao recanto.
Acorda, Coragem, dentro do peito!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 03/09/2020)
152

286 - SEGURO E PROTEGIDO

Seguro e protegido já me sinto,
Se dessas feras sempre te defendo;
Eu tenho a sensação de estar comendo,
Se te alimento enquanto estou faminto;

Eu não me perco mais num labirinto,
Se te resgato dum buraco horrendo;
À densa escuridão eu não me prendo,
Se então te acendo amor leal, extinto;

Sou teu escudo e que ninguém te agrida,
Se com a espada não te faço forte;
Por ti eu sangro quando estás ferida,

Se o teu afeto me estancar o corte;
Eu morro para que te dê mais vida,
Se aqui viver sem ti se torna morte.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 28/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
188

285 - EU QUIS

Eu quis olhar quem sou e o véu o esconde;
Eu quis ouvir verdade e foi escassa;
Eu quis provar do mel e o fel não passa;
Eu quis tocar meu ser e quem o sonde;

Eu quis achar resposta e quem responde;
Eu quis falar do bem mas há mordaça;
Eu quis calar o mal se me ameaça;
Eu quis cair em mim - não sei por onde;

Eu quis levar a vida e foi pesada;
Eu quis vencer a morte e sem espada;
Eu quis não ter vontades - são venenos;

Eu quis não desejar mas não me agrada;
Eu quis somente precisar, mais nada;
Eu quis enfim poder querer bem menos.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/08/2020)
162

283 - ÁGUAS PASSADAS

Com tudo sempre me animava todo
Mas hoje passa a correnteza fria
Por baixo destas pontes em que via
Da vida acumular-se expesso lodo.

Há muito tempo com moinhos rodo,
Porém, nenhuma volta me extasia,
E, enquanto terras giram, a agonia
Eu passo tantas vezes deste modo.

Água passada, que me alaga logo
Revolta e turva, nunca mais deságua
Num mar de rosas onde não me jogo.

No fundo deste coração que gela,
Ou sou quem a tragou com dor e mágoa
Ou sou quem se afogou sozinho nela.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 23/08/2020)
141

282 - BOTÃO NA ROCHA

Botão que está na rocha e tem má fama,
Se queima como a tocha, não é puro.
Enquanto desabrocha contra o muro,
Diz ter-se feito “flor”, porém, não ama.

O macho duma abelha zune e clama
Sempre que se ajoelha, tão seguro,
Sobre a rosa vermelha, sem futuro,
Com pétalas abertas sobre a grama.

Quando se farta assim da planta nobre,
Logo a descarta e parte então em fuga
E em busca de outra que jamais lhe cobre

Por tudo (que se torna mel) que suga
Até que nada reste enfim da pobre,
Senão o que murchou com cada ruga.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 19/08/2020)



164

TU ÉS

Se trevas sou e a febre que mais arde,
És cura;
Se sou maturidade que vem tarde,
És pera;
Se sou no meu quadrado tão covarde,
És fera;

Se peixe fora d'água sou, nos lagos,
És cama;
Se escasso sou na falta dos afagos,
És toque
E, se à deriva sou conceitos vagos,
És croque;

Se fogo sou, contido numa tocha,
És palha!
Se sou os pés que galgam esta rocha,
És calo;
Se sou botão que mudo desabrocha,
És talo;

Se sou demora que te cale, agrida,
És pressa!
Se sou todas as mortes da ferida,
És uma;
Se sou feroz na poça poluída,
És puma;

Se pombo sou que se cansou do voo:
És pouso;
Se cheio de secreta culpa sou,
És pia;
Se sou a confusão que me enfunou,
És guia;

Se sou grilhões e cela e lá sou preso,
És passo;
Se sou profundidade triste e peso,
És alta;
Se sou sem brilho e cor, não sou aceso,
És malta;

Se luto sou, sem choro de consolo,
És gota;
Se nunca sou de nada, sempre tolo,
És tudo;
Se sou um peito nu, se posso espô-lo,
Escudo!

Se estrada sou até o imundo caos,
És carro;
Se sou abaixo todos os degraus,
És cada
E, se indefeso sou nos dias maus,
Espada!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/08/2020)
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