ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

27

OLHOS VERDES III

Olhos verdes, estrelas são grandezas de luz
Tu te transformaste na grandeza que me conduz
No calor do desejo ao fogo que me seduz
Tu és a energia que me movimenta e me induz.

Eu que sonho ser sabido por teus olhos
Ser lembradiço em teus pensamentos
Por mais que eu insista ouvirá os meus arrulhos?
Mas olhos verdes, existirão alguns momentos?

Olhos verdes da cor do excelso mar
Se atentares para mim um dia desses
Inclinarei aos teus pés para te honrar
Creia-me um príncipe de benesses.

Tu olhos verdes lagos, candura minha
Eu queria tanto amar-te com ternura
Acolher-te em meu peito, próspera vinha
Embriagar-te de amor, sabor de uva pura.
292

O QUE HÁ CONOSCO

O que há conosco que nos leva a pensar
Naquilo que se segue num breve olhar
Na calada da sombra, num breve sussurrar
No exílio da alma, num instante vulgar.

Que se esconde no corpo e não pode mostrar
Que na vida barganha e não se pode doar
Que o preço é tão alto e não se pode pagar
Sem ter sangue nas veias para se derramar.

Que o ódio é o pódio almejado a alcançar
Que na luta se frustra quando se ouve falar
Que na ira se acalma num breve cantar
Pois o sol já se pôs no horizonte fulgurar.

Nas águas do mundo para se afogar
Buscando o fôlego das criaturas do mar
Sem se sobressair e sem saber nadar
Fugindo da besta que te quer devorar.
280

SEI QUE AMAR É O FOGO

Meu amor eu sei que amar é o fogo
Que alastra e queima em nós adentro
Que revira os sentidos e faz a cinza
Que depois é tirada e lançada ao vento.

Meu amor, o amor nos mata e nos dá a vida
Enche-nos de chagas, mas cura-nos a ferida
Já nos matou várias vezes, somos vida
Mata-nos de novo, e vivifica-nos querida.

Morremos de morte de amor por amarmos
Vivemos vida abundante ao sonharmos
Pela ferida sarada ao nos entrelaçarmos
Quando se escolheu viver para lutarmos.
246

AVISEM OS DISTRAÍDOS

Avisem os distraídos que eu voltei.
Aos que se encontravam confortáveis,
Não se assustem porque exalo a paz.
Aos que se diziam fiéis e notáveis,
Não se desesperem, não sou a lei.

Não os sinto mais importantes de antes,
Perderam o encanto do medo loquaz.
Já não fazem mais barulhos gigantes.
Andam encurvados, dobraram a cerviz,
Hipócritas coragens, irrelevantes ardis.

Perderam a luz por insignificância,
Não veem mais à distância de um dedo.
O pulsante amolece e volta à infância,
Se o corte é reto sem nenhum segredo.
Para que demonstrar tanta jactância?

Erimar Lopes.

861

OLHOS VERDES II

Olhos verdes, quão surpreendentes!
Minha carência por teu amor é tanta
Congela-me os teus olhos reluzentes 
Na expressão do teu rosto que me abrilhanta. 

Porque é forte e cortante a lâmina
Que penetra e alcança o indivisível
E chora a alma a solidão que abomina
Almejando um amor real que a faça risível.

Se tu fosses olhos verdes o meu bem
Te daria a paz das leves e suaves brisas
Te aprovaria em meu coração com amém 
A tocaria com a leveza de calmas águas.

Mas injusto é este meu mundo de amar
Tanto para dar e nada para receber
Tudo na minha vida poderia mudar
Se tu olhos verdes pudesses me perceber.
303

OLHOS VERDES I

Olhos verdes, tu que não me conheces,
Miras-me vez ou outra aleatoriamente
Ao passo que me reveste de luz.
Somente eu sinto a paz quando me olhas.

Olhos verdes, quem és tu que vais adiante,
Que Deus criou com tanta formosura?
Que em meu coração ensaio preces,
Quem dera fosses meu milagre de bênçãos.

Olhos verdes, se tu soubesses!
Ao menos visses a minha sombra!
Contemplar-me-ia o oráculo dos deuses.
Que realidade díspar e sem nexo.

Há coisas, há bens, há sonhos, desejos.
Inalcançáveis! Será que tu és olhos verdes?
318

CORAÇÃO NA IMENSIDÃO

À beira mar a saudade e a solidão
São fortes ondas que se debatem,
À solidão: onde está o meu coração?

Sem a atenção dela, indaguei a saudade:
Essa sim me trouxe uma resposta,
Disse-me: _o seu coração está na vontade.

Aí me confundi por um instante,
A vontade! Nunca será o bastante,
A retruquei por outra proposta.

Deixaram-me perdido e foram mar afora,
E agora? Não me deixe também a vida,
Ser levada nessas ondas que ela namora.

Apagada feito os rastros na areia,
Quando sobe a água maré cheia,
Esses que insistem dias sem ideia.

O seu coração nada na imensidão,
Imergindo em oceanos de paixão.
Respondeu antagônica a ilusão.

Preso a uma âncora de amor, à sorte,
Acorrentado, sentir-se-á a sua dor?
Debaixo de muitas águas a morte.

Ipatinga, 21/11/2018

Erimar Santos.
380

É NA CHAVE QUE POR DENTRO SE ABRE

Os teus lábios nos meus afoitos,
Tua boca na minha com gosto,
Nos apertos de encontro aos peitos,
Te forço, te arrocho, te pego disposto.

Tomo de ti as tuas forças, suave,
Te prendo, te contorço seivoso,
Corpos com corpos num entrave.
Te domino nos braços gostoso,

No espaço entre vãos acalorados,
O teu corpo é um mapa traçado,
Eram caminhos jamais trilhados,
Todas as partes que tenho tocado.

Tua beleza esplêndida juvenil,
Teus alegres olhos brilhantes,
Que me veem homem varonil,
Te levando ao êxtase em instantes.

É na chave que por dentro se abre,
Todo o regozijo preso em elegância,
Toda satisfação no coração reabre,
Horizontes de amor em abundância.
285

INTUIÇÃO

Creio no amor, creio na vida,
No amor como a fonte maior,
Que traduz o perdão em valor.
Creio na vida assim enaltecida.

Creio na flor que desabrocha,
Num desejo flamante tocha,
Que escurece os olhos vivos
De um homem firme rocha.

Creio na profecia inda futura,
Que mostrará aquela amada
Na palavra forte esquadrinhada
Em detalhes de uma pura lisura.

Creio na face formosa do céu,
Em mulheres que o cabelo é o véu,
E que na boca o beijo é ardente,
Que encobrem o corpo envolvente.

Não creio na virgem indolente,
Em caminho de encruzilhada,
Na serpente que dorme inocente,
Não creio na aparência de nada.
271

ÀQUELA QUE FERIU MEU CORAÇÃO

Não diga que valeu a pena ser como não poderia se expressar, como não deveria se comportar, se maculando em coisas difíceis, ágeis, tornando tão frágeis os elos duros de se romperem, esmagando a corrente, ferindo as sementes, mesmo após serem plantadas, antes de germinarem e nascerem. Você fundiu meu coração, matou minha ilusão, expôs minhas feridas, foram muitas evidências, mais dúvidas e poucas crenças que cercaram as nossas vidas, você meu ponto de partida, em minha fé desguarnecida, com carência exacerbada não pensei muito em nada, você surgiu toda encantada prometendo-me amor, tão doce em sabor, dócil e muito agradável, naquele tempo sentia-me um sozinho miserável. Foi amor que eu senti, foi lindo, obedeci meu coração esquecendo-me da razão, coloquei-o em tuas mãos e disse: faças de mim o que quiseres, pois se é assim que tu queres, eu me rendo e já me prendo. Provei as tuas maravilhas, deixou-me um vício, faço vigílias, não me surpreendo quando me flagro pensando nos momentos em que estávamos nos amando, meu corpo no teu, gemidos no breu, suor em abundância, nas bocas duas línguas que dançam, a saudade e a lembrança são as maldades que me alcançam. Mas com todo gosto, sentimento exposto, não pude mais suportar você comigo brincar, eu que quis além de tudo te declarar amor altíssimo a te dar. O que pensavas? O que fazias? É lícito transformar os nossos sonhos em realidades vazias? E por que fundiu meu coração com marca fria? Já chorei por ti, já quis te procurar, te amo! Te amo! Mas fui obrigado a deixar enterrar este desejo, matá-lo é o que vejo, antes que eu morra por te querer, não que eu quisera te perder, mas a causa foi você. Te quero de novo, me fez te amar, é estranho assim pensar, por que não sei o que tu sentes, mas imagino que ainda há algo vivo em nossas mentes, que nos una novamente ou que rompam de vez os elos da corrente deste tempo e, que as sementes que foram plantadas nestas covas de carne aprofundadas, mesmo feridas, se algumas ainda brotarem, sejam de vez desarraigadas.

Ipatinga, 19/11/2018
Erimar Lopes.
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Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema