Lista de Poemas

EM QUAIS CONDIÇÕES ESTAREMOS QUANDO A MORTE CHEGAR?

O que será feito da humanidade?
Grandes empreendimentos
Prédios, castelos, templos
Bilionários
O ciclo vicioso da vida e morte
Quantos já foram
E quantos não sabemos se ainda virão
Os espíritos que retornam
E as almas que esperam
O gozo e as aflições terrenas
A paz comprada pela guerra
Mas ainda não é o fim
As calamidades
A miséria em tantos cantos
Mas ainda não é o fim
Eu vou morrer
Todos nós iremos
A diferença é
Em quais condições
Estaremos
Quando ela chegar?

Erimar Lopes.
940

ERA A ELZA

Sempre a via passar pela minha rua
Andar apressado
Cabelos ao vento
Sempre me chamava
A atenção
Olhar desconfiado
Passos compassados
Olhos cintilados
Uma tremenda distração
Perfumada
Enfeitada
Pura vibração
Era a Elza
Mulher poderosa
Que em versos e prosas
Levou meu coração.

Erimar Lopes.
873

QUANTA DESILUSÃO

Quanta desilusão eu sinto nesta hora, quero o abandono e a solidão. Um desejo premente de ser invisível. Uma gana ardente por desaparecer na imensidão do infinito. Minha alma desamada, mal amada, subentendida. Vontade de correr sem sentir cansaço, nadar um oceano inteiro. Que anseio por ser luz que se dissipa, água que evapora com o calor. Passar pelas grades da prisão, abraçar, beijar, e dançar com a liberdade.

Erimar Lopes.
334

À BOCA ABERTA

São os dentes que mordem a língua e fazem sangrar toda a boca, é a mosca medonha folgada, voando zumbindo, caindo, que faz estragar toda a sopa. O mau alfaiate faz estragar boa roupa. A boca sangrando não se importa com a mosca na sopa, pois o mau alfaiate não costurou a boca da língua louca. Um pedaço da língua, a mosca, e a sopa no ventre. A mosca já morreu, a língua se perdeu, e a sopa não apeteceu a boca aberta que a comeu. O mau alfaiate foi o único que não se proveu da sopa com a mosca, porque a sua própria língua coseu e também a sua boca.

Erimar Lopes.

2 450

UM HOMEM TEM QUE SER FORTE

Um homem tem que ser forte
Decidido, firme, e convicto
Não pode ficar voltando atrás
Tem que confiar em seu veredito
Um homem ergue a cabeça
Tem determinação
Mas ao decidir é sensato
Não pode se dá por vencido
Derrotado por si mesmo
Um homem é responsável
Pelos seus atos
Um homem tem fraquezas no corpo
Mas seu espírito tem de estar
Sempre pronto
Um homem não pode
Permanecer caído
Tem que buscar forças para levantar-se
Um homem não anda
Se firmando com pernas alheias
Antes escolhe
Seu reto caminho.

Erimar Lopes.
383

PRECISO DORMIR

Preciso dormir porque amanhã
Partirei bem cedo
Numa viagem do meu destino
Pelo caminho
Irei deixando tudo para trás
Oxalá a minha sombra também ficasse
Não tenho pressa
Os meios de transporte não importam
Somente quero me distanciar
Desta vida cheia de derrotas
Não levarei bagagens
Tampouco documentos
Onde me derem um gole d’água
Abençoarei
Aos parentes e amigos digo que cansei
Ao amor confesso que amei
Peregrino apregoarei virtudes
Irei me distanciando pelos anos
Como muitas almas que se aperfeiçoam.

Erimar Lopes.
509

SONETO DA LIVRE UNIÃO

Estar feliz e alegre por fora
Todavia há tristeza por dentro
Saudoso da vida de outrora
Paz e liberdade eram o centro.

Estar feliz e alegre por fora
Com paz e liberdade ao centro
O bom do futuro seria o agora
Contudo há tristeza por dentro.

Mistura-se tudo em reflexão
Presente e passado em atitude
Ambíguos causam dissensão.

Quando livre recorre-se à união
Buscando se livrar da solitude
Mas Junto se prende à tribulação.

Erimar Lopes.
406

JÁ FAZ TEMPO

Já faz tempo que o sabor acabou
Goma de mascar sem gosto
Já faz tempo que o calor esfriou
O fogo foi tirado de onde foi posto.

Já faz tempo que não sinto nada
Tal qual um membro anestesiado
Já não levanto mais a guarda
Para em breve ser nocauteado.

Já faz tempo que não mais importo
É como se eu fosse um estranho
Tanto tempo que nem me reporto
Dos dias em que perco ou ganho.

Já faz tempo, e o tempo leva tudo
Juntando o passado num embrulho
Já é tempo de apagar sobretudo
As marcas dos golpes sem orgulho.

Erimar  Lopes.
806

VAI TER COM OS ANIMAIS Ó INFELIZ!

Vai ter com os animais ó infeliz!
Mas escolha bem quais
Eles não te suportarão ó infeliz
Mas escolha bem quais
Não vá para os felinos
Pois te espreitarão e rasgarão a tua carne
Os símios zombarão de ti
As aves, todas levantarão voo
Nas águas tu não tens fôlego
Ás serpentes
Nem queira pensar
Amarguras tu tens ó infeliz!
Vá curá-las com os animais
Eles não te suportarão
Mas escolha bem quais
As hienas te rirão de fome
Os lobos são traiçoeiros
Viva com os cães ó infeliz
Aqueles vagabundos.

Erimar Lopes.
542

SEM PREOCUPAÇÃO

Eu quero um amor
Que não seja possessivo
O amor é liberdade
Não quero um amor irritável
O amor é paciente
Não quero um amor desconfiado
O amor é transparente
Nada de amor ciumento
Pois ele é seguro
Nem amor tolo
Porque ele não se porta inconvenientemente
Ele tudo suporta
Porque é Divino
Porque são tantas as astúcias
E cada um leva em sua consciência
Os seus segredos
E cada um responde pelos seus atos
Assumindo as consequências
Boas ou ruins
E não há nada que esteja oculto
Que não for perdoado
Há de ser revelado.

Erimar Lopes.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971