Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.
um pombo alumínio deflete ideias transmuda em insônia por arrulhos na memória decaimento de nomes faces
no cheiro de hospitais eternidade
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mar
mar ave ilha
610
eule
o
eu
ele
me
sm
o
549
poeira
após o princípio foi a palavra caindo sobre tudo
partícul- a partícula
letr- a letra
até que nada restasse à vista exceto a língua cobrindo o mundo
camad- a camada
opaca como poeira
516
tigres
o cosmo são tigres à caça de Williams Blake
um fósforo fascina um poema que escreve um poeta que o vê tocar breve a eternidade da treva
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infinito
infinito: um menino joga bola
580
morte
pergunta que me quer calar
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confusão
e apesar da morte palavras esta urgência do vivo que é multiplicar se s que é perdurar perdurar ok mas por quê
se não se pressupõe o tempo como essência então só há o que há e tudo vale tudo ou nada apenas por si ou melhor apenas por ser por existir e fazer ou escrever seja lá o que for literaturao bituários cartas de amor vale o mesmo (tudo ou nada) apenas mais ou menos quando visto em contexto considere este texto assim perdido num blog ou num sebo há nele um sentimento ou conceito que talvez só existam em seus olhos ou em minhas lembranças ou mais provável que apenas sejam quando nossas dú vidas se con fundem num breve beijo de lingua gem
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obturador (exposição longa)
abrir e não fechar mais as pálpebras (não se abrem os olhos, assim como não se abrem portas), ver o vaievem de pessoas até que se tornem todas um só feixe furta-cor até que se de(s)corem todos os preços e os ciclos sazonais das promoções e últimas tendências até que se compre(enda) a perimtranscendência imóvel do concreto das fundações e do vidro da vitrine onde se pode ve(nde)r até a própria aparência
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narciso de areia
eco no deserto o vento na b oca de um boneco cego surdo mu(n)do sem ego e(s) coa do homem a voz que vem do ventrilouco seu g rito a primeira explosão