Fábio Romeiro Gullo

Fábio Romeiro Gullo

n. 1980 BR BR

n. 1980-08-08, Santos

Perfil
24 133 Visualizações

cela-canto



poetas
peixes pré-históricos
praias remotas

à noite
luas de estátuas
gatos
olhos antigos
a antiga cidade dos telhados

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Biografia
Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.

Poemas

47

1


um pombo alumínio
deflete ideias
transmuda em insônia
por arrulhos
na memória
decaimento de nomes
faces

no cheiro de hospitais
eternidade
525

mar



mar
ave
ilha

610

eule


o
eu
ele
me
sm
o
549

poeira


após o princípio foi a palavra
caindo sobre tudo

partícul-
a
partícula

letr-
a
letra

até que nada restasse
à vista
exceto a língua
cobrindo o mundo

camad-
a
camada

opaca como poeira
516

tigres



o cosmo são tigres
à caça de Williams Blake

um fósforo fascina
um poema
que escreve um poeta
que o vê tocar breve
a eternidade da treva

557

infinito



infinito:
um menino
joga bola
580

morte



pergunta que me quer calar
603

confusão


e apesar da morte
palavras
esta urgência do vivo
que é multiplicar
se
s
que é perdurar
perdurar
ok
mas por quê

se não se pressupõe o tempo como essência
então só há o que há
e tudo vale tudo
ou nada
apenas por si
ou melhor
apenas por ser
por existir
e fazer ou escrever
seja lá o que for
literaturao
bituários
cartas de amor
vale o mesmo
(tudo ou nada)
apenas mais ou menos
quando visto em contexto
considere este texto
assim
perdido num blog ou num sebo
há nele um sentimento ou conceito
que talvez só existam em seus olhos
ou em minhas lembranças
ou
mais provável
que apenas sejam quando nossas dú
vidas se con
fundem
num breve beijo de lingua
gem
554

obturador (exposição longa)


abrir e não fechar mais as pálpebras (não
se abrem os olhos, assim como não se abrem
portas), ver o vaievem de pessoas até que
se tornem todas um só feixe furta-cor
até que se de(s)corem todos os preços e os
ciclos sazonais das promoções e últimas tendências
até que se compre(enda) a perimtranscendência
imóvel do concreto das fundações e do vidro da vitrine
onde se pode ve(nde)r até a própria aparência
554

narciso de areia


eco no deserto
o vento na b
oca de um boneco
cego
surdo
mu(n)do
sem ego
e(s)
coa do homem
a voz
que vem do ventrilouco
seu g
rito a primeira explosão

em cada de
-ci-
são de existências

escolhas de d
eus
ou
vidas
557

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