Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.
no disco ao raio da agulha condensa-se o silêncio corre o chuvisco quase-música ............................. nas alturas ao raio de Zeus cai a chuva fria úmida tédio sobre prédios
565
uma viagem solitária
apesar da paisagem a poesia su- porta o pesar por só estar- mos de passagem
471
açougue de signos
no açougue de si gnos ou cemitérioci bern ético todos os tipos de cortes à escolha do cli ente
545
amortecido
Imaginou a morte mil vezes: as Mil e Uma Noites que todos escrevemos a mando do medo.
Recitou de si para si suas lembranças: todas doces e belíssimas como poesia.
À base de morfina disse (delirou) para a escrita do filho:
toda vez um talvez solidão plena da aparência absência da essência
Sem querer haviam descrito a existência humana, as palavras amor- tecidas.
519
vela
à luz da vela lábios lágrimas (cera em queda)
ao sopro do vento verbos treva (que queda re vela)
529
narciso de areia
eco no deserto o vento na b oca de um boneco cego surdo mu(n)do sem ego e(s) coa do homem a voz que vem do ventrilouco seu g rito a primeira explosão
em cada de -ci- são de existências
escolhas de d eus ou vidas
557
morte
pergunta que me quer calar
603
o canto das sereias
após Maurice Blanchot
Sem sombra ao sol, não há sereias; sem centro, silencioso, o canto desses seres não soa: é, somente: o canto mais distante da Terra, equidistância constante sublime e leve horizonte: palavra em que onde, origem e fonte se fundem e a fundam.