Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.
todos no nascimento todos no enterro flores para todos em ambos os momentos
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se
tudo tem sua razão de se
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Usar
usar carvão para escre ver
a trev(id)a trans
lúcida trans (o)cedental
i(r)ra cio (a)nal
oceânica pup πla
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erosão
Abraçamo-nos na chuva fina, nesta praia cujo nome indígena teria lugar num poema de palavras e rimas raras, não aqui, nalgum ponto do litoral norte, nalgum instante entre o agora do texto e o tempo em que emergia do mar, deste Atlântico sempre o mesmo, o primeiro ser a se arrastar solitário, sem poesia só desejo na areia outrora cascalho.
Mas então um abraço é tudo o que temos, apesar dos braços cansados. Por tudo o que perdemos, por tudo o que perderemos - por todos os espelhos quebrados em busca do inatingível fundo opaco -, tornamo-nos cinza com o passar dos milênios, não sentimos falta de um poente, desmanchamos na água de onde viemos.
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versívoro
mudo testemunho dizemos a quietude de ser na luz mais de ser ainda na sombra escrevemos viva ó viva semp terna pergunta por que é preciso sofrer para descobrir provisório por quê
versívoro ser não sendo criar salva do desespero cria(-se) em desespero cria(-se) do desespero lamenta a lentidão da luz tua mãe lacrimeja antes que tu vejas depois da morte não poderás mais criar desculpas para a culpa de ter nascido só uma vez verseja
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vela
à luz da vela lábios lágrimas (cera em queda)
ao sopro do vento verbos treva (que queda re vela)
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smile
in multimidia res perpétuo porque gotas-começo e gotas-fim tornam-se um só jorro-presente quando o tempo inveja a luz aquele que prefere imagens a palavras (a[na]lógicas mesmo em prosa palavras jamais alcançam alta-definição) é o mesmo que faz (palavras) cruzadas à lápis sente emoções via emoticons e assistirá ao apocalipse catódico-cristão vestindo óculos 3D (eis a imagem: o mundo acabando num ataque epilético sob um sol estroboscópico com forma de :-)
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os dentes
a coragem necessária? para matar a dentadas a mulher amada (contra-senso mais fácil que assassinar um estrangeiro)
possível? tirar uma vida como se usa um eufemismo? com os próprios meios como os deuses dentes por arma?
não depois da faca (enfraquece acovarda)
da cárie e os de leite à palavra (escrita) dentadura (postiça) faltam os dentes poesia (falada)
circular sanguíneo as faces passam não páram mas olhares empréstimos de luz que não se devolve revelam einstein e no estio o desejo de que os vidros se embacem outra vez e chovam sombras nas solidões