Fábio Romeiro Gullo

Fábio Romeiro Gullo

n. 1980 BR BR

n. 1980-08-08, Santos

Perfil
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cela-canto



poetas
peixes pré-históricos
praias remotas

à noite
luas de estátuas
gatos
olhos antigos
a antiga cidade dos telhados

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Biografia
Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.

Poemas

47

cálculos pontuais


Cada sinal cuidadosamente evitado é uma reverência feita pela escrita ao som que ela sufoca.
Theodor W. Adorno, Sinais de Pontuação


?
, + . = ;
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: + . = ...
- + - = -
( + ) = ( x )
- - - = -
; - , = ,
... - . = :
: - . = .
!
546

todos


todos no nascimento
todos no enterro
flores para todos
em ambos os momentos
519

se



tudo tem sua razão de se
552

Usar

usar carvão
para escre
ver

a
trev(id)a
trans

lúcida
trans
(o)cedental

i(r)ra
cio
(a)nal

oceânica
pup
πla
378

erosão



Abraçamo-nos na chuva fina,
nesta praia cujo nome indígena
teria lugar num poema de palavras e rimas raras,
não aqui, nalgum ponto do litoral norte,
nalgum instante entre o agora do texto
e o tempo em que emergia do mar, deste Atlântico
sempre o mesmo, o primeiro ser a se arrastar solitário,
sem poesia só desejo na areia outrora cascalho.

Mas então um abraço é tudo o que temos,
apesar dos braços cansados.
Por tudo o que perdemos,
por tudo o que perderemos - por todos os espelhos
quebrados em busca do inatingível fundo opaco -,
tornamo-nos cinza com o passar dos milênios,
não sentimos falta de um poente,
desmanchamos na água de onde viemos.

591

versívoro


mudo
testemunho
dizemos a
quietude
de ser na
luz
mais
de ser ainda
na sombra
escrevemos
viva
ó
viva
semp
terna
pergunta
por que é
preciso sofrer
para descobrir
provisório
por quê

versívoro
ser
não sendo
criar salva
do desespero
cria(-se) em
desespero
cria(-se) do
desespero
lamenta a
lentidão da
luz
tua mãe lacrimeja
antes que tu
vejas
depois da morte
não poderás mais criar
desculpas para a culpa
de ter nascido só uma
vez
verseja
510

vela



à luz da vela
lábios
lágrimas
(cera em queda)

ao sopro do vento
verbos
treva
(que queda
re
vela)
529

smile


in multimidia res perpétuo
porque gotas-começo e gotas-fim tornam-se
um só jorro-presente quando o tempo inveja a luz
aquele que prefere imagens a palavras (a[na]lógicas
mesmo em prosa palavras jamais alcançam alta-definição)
é o mesmo que faz (palavras) cruzadas à lápis
sente emoções via emoticons
e assistirá ao apocalipse catódico-cristão vestindo óculos 3D
(eis a imagem: o mundo acabando num ataque epilético
sob um sol estroboscópico com forma de :-)
503

os dentes


a coragem
necessária?
para matar a dentadas
a mulher amada
(contra-senso
mais fácil que assassinar um estrangeiro)

possível?
tirar uma vida
como se usa
um eufemismo?
com os próprios meios
como os deuses
dentes por arma?

não depois da faca
(enfraquece
acovarda)

da cárie e os de leite à palavra (escrita)
dentadura (postiça)
faltam os dentes
poesia (falada)

(pensei nisso nossas lín-
guas enroscadas
você tão calada)
525

estio


circular
sanguíneo
as faces passam
não páram
mas olhares
empréstimos de luz que não se devolve
revelam einstein e
no estio
o desejo de que os vidros se embacem
outra vez
e chovam sombras nas solidões
545

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