Fábio Romeiro Gullo

Fábio Romeiro Gullo

n. 1980 BR BR

n. 1980-08-08, Santos

Perfil
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Biografia
Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.

Poemas

47

smile


in multimidia res perpétuo
porque gotas-começo e gotas-fim tornam-se
um só jorro-presente quando o tempo inveja a luz
aquele que prefere imagens a palavras (a[na]lógicas
mesmo em prosa palavras jamais alcançam alta-definição)
é o mesmo que faz (palavras) cruzadas à lápis
sente emoções via emoticons
e assistirá ao apocalipse catódico-cristão vestindo óculos 3D
(eis a imagem: o mundo acabando num ataque epilético
sob um sol estroboscópico com forma de :-)
503

prótese



desmontável
protético
impenetrável
o manequim
não pode ser
particula
rizado
(plástico é
plástico)

melhores ventríloquos
a TV e o rádio
fazem companhia àqueles
que maqueiam os manequins
e
na falta de luz
sentem que ausências se instalam
e os elevadores descansam
na solidão das escadas

571

poeira


após o princípio foi a palavra
caindo sobre tudo

partícul-
a
partícula

letr-
a
letra

até que nada restasse
à vista
exceto a língua
cobrindo o mundo

camad-
a
camada

opaca como poeira
515

mar



mar
ave
ilha

610

caos



caos:

in
verter

:ordem
582

erosão



Abraçamo-nos na chuva fina,
nesta praia cujo nome indígena
teria lugar num poema de palavras e rimas raras,
não aqui, nalgum ponto do litoral norte,
nalgum instante entre o agora do texto
e o tempo em que emergia do mar, deste Atlântico
sempre o mesmo, o primeiro ser a se arrastar solitário,
sem poesia só desejo na areia outrora cascalho.

Mas então um abraço é tudo o que temos,
apesar dos braços cansados.
Por tudo o que perdemos,
por tudo o que perderemos - por todos os espelhos
quebrados em busca do inatingível fundo opaco -,
tornamo-nos cinza com o passar dos milênios,
não sentimos falta de um poente,
desmanchamos na água de onde viemos.

591

estio


circular
sanguíneo
as faces passam
não páram
mas olhares
empréstimos de luz que não se devolve
revelam einstein e
no estio
o desejo de que os vidros se embacem
outra vez
e chovam sombras nas solidões
545

o homem só


o homem só
morre por
ter-se
recusado a
(virar)
borboleta
530

cálculos pontuais


Cada sinal cuidadosamente evitado é uma reverência feita pela escrita ao som que ela sufoca.
Theodor W. Adorno, Sinais de Pontuação


?
, + . = ;
. + . = :
: + . = ...
- + - = -
( + ) = ( x )
- - - = -
; - , = ,
... - . = :
: - . = .
!
546

1


um pombo alumínio
deflete ideias
transmuda em insônia
por arrulhos
na memória
decaimento de nomes
faces

no cheiro de hospitais
eternidade
525

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