Fábio Romeiro Gullo (1980, Santos, SP, Brasil) é escritor, tradutor, crítico literário e artista multimídia, com textos e trabalhos visuais publicados em sites, blogs e revistas eletrônicas.
desaprumo dragão de veias sangue dissolvido na chuva escorre na sarjeta
assinatura do desacordo entre mar e corpo
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uma viagem solitária
apesar da paisagem a poesia su- porta o pesar por só estar- mos de passagem
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o canto das sereias
após Maurice Blanchot
Sem sombra ao sol, não há sereias; sem centro, silencioso, o canto desses seres não soa: é, somente: o canto mais distante da Terra, equidistância constante sublime e leve horizonte: palavra em que onde, origem e fonte se fundem e a fundam.
523
o abismo
todo verso um suicídio e um renascer em signos
488
prótese
desmontável protético impenetrável o manequim não pode ser particula rizado (plástico é plástico)
melhores ventríloquos a TV e o rádio fazem companhia àqueles que maqueiam os manequins e na falta de luz sentem que ausências se instalam e os elevadores descansam na solidão das escadas
571
amortecido
Imaginou a morte mil vezes: as Mil e Uma Noites que todos escrevemos a mando do medo.
Recitou de si para si suas lembranças: todas doces e belíssimas como poesia.
À base de morfina disse (delirou) para a escrita do filho:
toda vez um talvez solidão plena da aparência absência da essência
Sem querer haviam descrito a existência humana, as palavras amor- tecidas.
519
se
se (não) sei que (m) (não) so (u) (não) so (u) (in) certo (de) que (m) (não) so u