De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
229
LEMBRA-ME
Lembra-me Por favor, de hoje e sempre Das coisas que tu me falas Tão mansinho e verdadeiro Teus olhos me falam Afagando a minha face
Lembra-me desse nosso lar Simples e sublime, como as asas de Deus Que nos aquece da fria solidão Da minha promessa de fazer-te sorrir Da simplicidade da vida, que é poesia Que sem ela, fracassarei em fazer-te feliz
Lembra-me dos versos de hoje Que escrevo nessa linha chamada tempo Para eu sentir meu passado presente…
Porque a mim agora só me resta escrever O pouco que sobrou As lembranças que perduraram ao tempo As outras se foram e não sei mais o caminho São como se não houvesse…
Lembra-me de mim, ainda que pouca coisa Do muito que tu sempre serás: Meu maior fragmento que ainda vivo
Porque agora só resta a mim o que tu me lembrares Só resta a mim, vislumbrar quando tu me olhares Só resta a mim, completar quando tu me devolveres Só resta a mim me achar quando tu me encontrares…
Por tudo, enfim, te peço: lembra-me Lembra-me de eu guardar num livro As folhas do meu coração Para que, se algum dia alguém quiser saber Se algum dia, tu sentires saudades de mim E, se tu mesmo quiseres me encontrar Saibas onde estou…
196
SOTURNO
Nunca pensei a sofrer pelo engasgo das palavras Vem à minha garganta e tão somente um refugo Volta ao coração e faz moradia…
161
CONFESSO MINHA LUTA COM A VONTADE
Confesso minha luta com a vontade Nos dias que se passam, a tudo quero fazer Mas, o que há em mim, fazendo-me crer Se no tentar o fazer, só faço a metade?
Isso aborrece minha consciência Visto que, de tal ânimo é o querer Mas o desejo desfaz-se a perder E se debanda sem dó, nem clemência
Que eu termine, ao menos, estes versos Seja por vontade ou obrigação Pois, que nessa noite meu coração Perdido está em sonhos dispersos
170
NO TEMPO DOS MEUS DIAS DE MARÇO
No tempo dos meus dias de março Eu ainda menino a sugar o mato Ficava agachado à tardinha Esperando a chuva, olhando se ela vinha.
O equinócio me dava as boas-vindas Tempo de igualdade e reflexão… E eu sem entender, andava a refletir Espiando o céu, sem saber do existir
O vento me soprava na cara Baforando o solene ‘está vindo, As nuvens negras cheias d’águas caindo’ E as janelas aplaudindo o outono Retiravam o verão de seu trono Mesmo não entendendo, eu sentia O céu me envolvendo como uma fantasia Sem o peso de agora, nada era antigo (ainda que velho), e o tempo era amigo
No tempo dos meus dias de março A alegria era natural e eu não percebia A tristeza normalmente eu não via Mas estavam lá, lado a lado Traçando os dias do meu não saber
Hoje observo meus dias Com os olhos cientes da vida Sem inocência, foi-se a despedida De mais um ano de verão Foi-se o agachar e a reflexão Foi-se o menino que sugava o mato Foi-se o viver em anonimato
Hoje, inquieto, olho meus dias E me pergunto: onde estão as alegrias? Em qual canto as larguei? Por muitos cantos passei Sem refletir e olhar as nuvens…
Hoje percebo tudo religiosamente E por mais que seja novo, diferente Não sinto mais o sabor de antes Meu tempo de agora falta sal Diferentemente, tudo é tão igual!
Por que, meu Deus, meu hoje é insosso? Por que não me agacho mais na inocência De uma etérea experiência? Ah! Que eu me suporte até a morte Pela realidade de meus dias…
Ao menos me deste a compreensão Do meu refletir saciando minha alma A consciência daquilo que eu vivia E que, por completo, me preenchia Ao menos o conforto dessa lembrança… Que dias me deste quando criança!
As cores dançavam comigo no meio Das dificuldades da vida, estava alheio Aqueles encontros comigo em contentamento Eram dias de meu alento, de enlevação Imprimidos no meu coração Contemplando o céu, uma festa eu vivia No tempo dos meus dias de março!
194
LACUNA
É uma sensação estranha
O tempo segue
Aí vem a saudade
E ele para...
186
SÓ DESEJO TRÊS COISAS
Só desejo três coisas Primeiro a primavera florida com teus beijos Segundo o verão com o ardor dos teus abraços Terceiro que o outono chegue o mais rápido possível Nele juntaremos nos lívidos dias Toda a paixão das estações para nos aquecermos no inverno
166
SENTADO SOB O IPÊ
sentado sob o ipê folhas caem sobre mim uma encosta suave no meu peito como fosse seu rosto o vento outonal logo a leva impregnada de paixão pretensiosa a te tocar
152
HÁ UM ANJO AO MEU LADO
há um anjo ao meu lado ele sopra e eu o escuto: você não está só… talvez seja essa a razão O motivo de agarrar-me a essa corda…
há um anjo ao meu lado e às vezes, ele me carrega no colo talvez seja essa a razão de seguir sentindo-me acolhido…
há um anjo ao meu lado e ele vai à frente com um escudo talvez seja essa a razão de eu chegar até aqui…
meu Deus! Sabia que eu era fraco quando eu me enganava sendo forte…
o seu abandono me fez ciente as suas razões foram justas grande é o mundo e enganador é o coração…
minha fé é tão pequena… mas ainda assim, quero acreditar Que há um anjo ao meu lado…
197
NÓS
Nós, que olhamos a vida torta Olhamos o mundo envergado Julgamos a todo momento Jogamos a merda no vento Somos cegos em nós mesmos
Nós, que culpamos os outros Culpamos a Deus Mas não damos esmolas Somos homens vazios Homens tortos Secos na criação dos laços Laços feitos ocos e doídos De doídas picadas tóxicas
Nós, que não enxergamos O caminho do sol A morada do bem A luz do farol Somos homens empedrados Crias de um solo árido Bebemos fel e cuspimos O sangue inocente desprezado
Nós somos homens reais Esperando a bomba atômica Cheios de pelancas Ressecadas pelo sal da amargura Curtidas no sol do deserto Coladas na carne pela inveja
Ai de nós, impiedosos! Corações descarnados Humanos sem humanidade Um leito sombrio nos abraça
'Porque és pó e em pó hás de tornar-se'
Um sono imerecido nos espera, nos espera
'Porque és pó e em pó hás de tornar-se'
Por a palavra ser verdadeira Por a vida ser uma ladeira E a quarta-feira ser de cinzas