Lista de Poemas
O PESSIMISTA
Há um defunto sempre pronto na boca de um pessimista
Ah, morte morte certa é a morte!
Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas
Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto
Nesse mundo difícil de dar certo
E quem pensar o contrário é louco varrido
Ah, morte morte certa é a morte!
Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas
Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto
Nesse mundo difícil de dar certo
E quem pensar o contrário é louco varrido
208
LA PAZ
¿Lo que sabemos del mañana, aún hoy?
Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy
proponer con cariño la paz que espalma
el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy
proponer con cariño la paz que espalma
el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
181
CARNE FRESCA
às pressas veio e sorriu
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade
carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade
por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei
amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar
me amarrando
ao pé da tua vontade
porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento
no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo
se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…
mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade
carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade
por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei
amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar
me amarrando
ao pé da tua vontade
porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento
no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo
se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…
mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro
214
MUJER
En la forma de nada comparable en este mundo;
tan noble y hermosa, que me pierdo en un latido profundo
de mi corazón entregado a los encantos de ese vivir.
De tu vientre brota la vida y el amor: servir…
Y en tus brazos, en tu mirada tierna, el sobrevivir
de tu semilla, que amas y quieres bienvivir.
Eres fuerte, mujer; eres suave, delicada: pétalo de vida
Todos los días, temprano florece, comprometida
al hacer de este mundo un lugar más feliz cada segundo.
Y ese es el sentido de la vida: contigo convivir
con respeto y gratitud por tu amor sin medida.
tan noble y hermosa, que me pierdo en un latido profundo
de mi corazón entregado a los encantos de ese vivir.
De tu vientre brota la vida y el amor: servir…
Y en tus brazos, en tu mirada tierna, el sobrevivir
de tu semilla, que amas y quieres bienvivir.
Eres fuerte, mujer; eres suave, delicada: pétalo de vida
Todos los días, temprano florece, comprometida
al hacer de este mundo un lugar más feliz cada segundo.
Y ese es el sentido de la vida: contigo convivir
con respeto y gratitud por tu amor sin medida.
196
BRUMAS DE OUTONO
raia a aurora em brumas de outono
um véu cobre meus olhos nesse dia,
mas um vento permeia
como raio de luz a dizer-me:
não tens mais um coração seco
como folhas amareladas caindo no chão,
sem sentido no caminhar
as folhas caem e pousam
mexem-se e remexem-se no chão
levadas pelo vento
quando caio, pouso e me levanto
não me remexo, apenas sigo,
apenas sinto o sumir das brumas
e o ar fresco de um dia de outono.
um véu cobre meus olhos nesse dia,
mas um vento permeia
como raio de luz a dizer-me:
não tens mais um coração seco
como folhas amareladas caindo no chão,
sem sentido no caminhar
as folhas caem e pousam
mexem-se e remexem-se no chão
levadas pelo vento
quando caio, pouso e me levanto
não me remexo, apenas sigo,
apenas sinto o sumir das brumas
e o ar fresco de um dia de outono.
184
RETA VELHA
Deu a mim as cousas boas…
E eu as tratei tão corriqueiras...
Serenamente sobre a palha das esteiras
Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças
Pão na manteiga e aquela atenção
Do seu Jacinto me falando ao coração
Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade
Com a família desfrutei da vida boa
Lá vivi com dona Zeca em pessoa
Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade
Da Reta Velha tão batida e sem luz
Dessa herança minha memória produz
Uma vontade de voltar na minha idade
E eu as tratei tão corriqueiras...
Serenamente sobre a palha das esteiras
Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças
Pão na manteiga e aquela atenção
Do seu Jacinto me falando ao coração
Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade
Com a família desfrutei da vida boa
Lá vivi com dona Zeca em pessoa
Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade
Da Reta Velha tão batida e sem luz
Dessa herança minha memória produz
Uma vontade de voltar na minha idade
198
POESIA
Essa me faz escapar: conforta
Rompe a barreira da dor: sorrio
Do cansaço se cansa no estio
Essa me faz descansar e exorta
Em versos de raios da aurora
Que o fulgor a mim me cega?
Essa me faz enxergar: entrega
E o sentido da vida me aflora
Na sua lida me desinflama
Do mal, mais que toda a matéria
Na alma me afasta da miséria
Essa é a existência que clama
Rompe a barreira da dor: sorrio
Do cansaço se cansa no estio
Essa me faz descansar e exorta
Em versos de raios da aurora
Que o fulgor a mim me cega?
Essa me faz enxergar: entrega
E o sentido da vida me aflora
Na sua lida me desinflama
Do mal, mais que toda a matéria
Na alma me afasta da miséria
Essa é a existência que clama
206
CORAÇÃO PIEDOSO
Desejo um coração piedoso.
O que não se acha orgulhoso,
o que não sabe fazer contas
e que transborda em horas tantas...
Ó coração, como me encantas
por fazeres das tuas mãos, santas!
Com gestos de amor, tu alivias
tais pobres vidas arredias...
E não te cansas, caridoso:
o bebê órfão, tu acalantas
no doce colo, em noites frias.
*(rima jotabé)
O que não se acha orgulhoso,
o que não sabe fazer contas
e que transborda em horas tantas...
Ó coração, como me encantas
por fazeres das tuas mãos, santas!
Com gestos de amor, tu alivias
tais pobres vidas arredias...
E não te cansas, caridoso:
o bebê órfão, tu acalantas
no doce colo, em noites frias.
*(rima jotabé)
185
BEGÔNIAS
Ganhei presentes de pardais no meu jardim
Ouvi os cantos, mas não pude perceber
Que os presentes brotariam sem eu ver
Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes
Rosa floral em dégradé, quão flores belas!
De muito encantos, como fossem aquarelas
Se espalharam fartamente entre as paredes
Pardais bondosos alegraram meu viver
Deram calma ao meu revolto coração
No meu jardim, uma amável inspiração
Para agradar o meu amor, meu bem-querer
Ouvi os cantos, mas não pude perceber
Que os presentes brotariam sem eu ver
Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes
Rosa floral em dégradé, quão flores belas!
De muito encantos, como fossem aquarelas
Se espalharam fartamente entre as paredes
Pardais bondosos alegraram meu viver
Deram calma ao meu revolto coração
No meu jardim, uma amável inspiração
Para agradar o meu amor, meu bem-querer
188
BAILARINA
Como tu danças!
É arte, e fazes dela (ofício)
O tempo é teus pés flutuando
Na música que te convida
A celebrar a vida
Como te soltas nos passos!
Faz-me como ante o mar
Sentindo as ondas
Me levar nos movimentos
Transladas como a Terra
Trazendo as estações
E a paixão que libertas
Encontra outra dimensão
A Alma repleta
No pórtico da arte
Como tu vives!...
É arte, e fazes dela (ofício)
O tempo é teus pés flutuando
Na música que te convida
A celebrar a vida
Como te soltas nos passos!
Faz-me como ante o mar
Sentindo as ondas
Me levar nos movimentos
Transladas como a Terra
Trazendo as estações
E a paixão que libertas
Encontra outra dimensão
A Alma repleta
No pórtico da arte
Como tu vives!...
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