De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
Ganhei presentes de pardais no meu jardim Ouvi os cantos, mas não pude perceber Que os presentes brotariam sem eu ver Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes Rosa floral em dégradé, quão flores belas! De muito encantos, como fossem aquarelas Se espalharam fartamente entre as paredes Pardais bondosos alegraram meu viver Deram calma ao meu revolto coração No meu jardim, uma amável inspiração Para agradar o meu amor, meu bem-querer
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JARDIM BOTÂNICO – PRELÚDIO
- Ⅰ - Há um orvalho que desce e corre em direção a carne No inverno: senti à meia-noite na praça Itália No andar apressado, na solidão da noite O vapor gélido persegue a alma e diz: — Passo manso que te alcanço, apressa-te para eu te ferir os ossos na esquina da Sabbag Ruas dizem o destino das lareiras: prédios redondos Há lembranças impregnadas do inverno curitibano Dos estrangeiros acolhidos no jardim do Éden
- ⅠⅠ - Há uma brisa suave e doce nos dias de verão Que se renovam a cada manhã: senti ao meio-dia no Botânico Deitado na relva, afagado pelo céu Ventos levitam a mente pesada, dissipa o cinzento Os olhos se abrem ante o fulgor do dia Um espelho d’água reflete o infinito E os mistérios da vida se abrem no pergaminho da esperança Há uma pequena mata com trilhas que levam para além da morte Penso ser aos andantes, o renovar da carne e o conservar dos ossos
- ⅠⅠⅠ - Retas de pedras, abertas sem ermo O sol se levanta e a relva floresce O viver da lembrança levada a bom termo Em paz, na esperança, a vida efervesce
Há uma saudade que fica na esquina da memória Olho e apenas varais se acham além da realidade
Os dias se vão e o passado implica No que foi, e o que pode ser A mente explica, mas a saudade fica Da cerejeira: a sua sombra ter
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AMOR ANALFABETO
Se eu pudesse em uma palavra abrandar seu dia Se num pequeno gesto eu fizesse você sorrir Sentiria sua ternura e meu prazer conseguiria Ser maior que minha tristeza no porvir
Porque desejo a suavidade de um momento Paz no coração ao suspirar sua beleza A leveza de andar em contentamento Vencendo a real vida com destreza
Desejo a plenitude da sua serenidade Impelir o dia ruim a sair do meu caminho Desejo os ares livres da maldade Vendo o sol realçar-te de puro linho
Tão delicada! Suas mãos me tocando como veludo Tão amada! Sua inocência me conquistando por completo Pois, que ao conseguir abrandar seu dia transmudo Ao fazer você sorrir, sinto o meu amor analfabeto
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TODOS OS DIAS SÃO DIAS
Tão logo aponta o dia, o cantar do pardal Escolho o destino deste mundo, que me vem em retalhos E me diz a rotina dos dias, do levantar-se e cursar
Começo a remendar uma estrada Para caminhar do bocejo ao sono Um tapete vermelho Quero um tapete vermelho sobre os remendos Um sossego, sossego de rei Ao saborear a alegria do povo Um banquete diário quero Um caminho notável Aconchego da igualdade
Remendo meus dias, uso linha forte… São dias de renovo, dias de arrepender-se Dias de perdoar, sim, de esquecer
BOM DIA!
Dias de acolher e descansar De dizer palavras mágicas Dias de acalentos Incansáveis dias Diariamente Dias de criança Inesgotáveis Afáveis Inefáveis, escolho
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O DESNUDO
Falar do ser desnudo é insidioso Não é como um ser normal em seu viver Conquanto os dois sejam sujeitos a sofrer Por vezes, o desnudo não é maldoso
Não é como julgar o ser perverso O desnudo erra, faz careta e não esconde É enganado nas perguntas que responde Mas, sabendo o fato, sofre em seu reverso
Seus ossos são iguais aos de qualquer criatura Entretanto, totalmente decifráveis Acusam o corpo em mentiras (são instáveis) Ao serem incitados por sua mente in natura
Os ossos que mantém a mentira: os do rosto Os que sustentam o olhar em cólera serena E o ranger de dentes em sintonia plena Aos desnudos são os ossos do desgosto:
Ossos do ofício.
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NÃO ME BASTA A TERRA O CALOR
Não me basta a Terra o calor As águas ao céu elevar-se Às nuvens, e então despencar-se Trazendo a mim o frescor
Não me basta a luz clarear O dia, que à noite dormiu Nem a noite, do sol que partiu Se a luz dela a mim não chegar
Não me basta a boca dizer: Esqueça esse amor, é melhor! Pois em meu coração é maior Essa falta que só faz doer
Mas, se a vida a mim me propor Que o frescor e a luz venham dela A minha amada, luzente flor bela Transbordante serei de amor
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ALMA
O sono, um sonho. Desperto Corpo e espírito entrelaçados Pois, os tenho desejados Na jornada, sem ser um deserto
Um oásis esverdeia ao redor Intacto, e assim seja a vida Essencialmente enaltecida E que dela, se extraia o melhor
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ÉGIDE
Das torres do mundo Do alto vejo longe Longe de todos os olhos O mundo dos outros
No meu mundo — ais Não vejo das torres Preciso dos olhos teus Para decifrar meu mundo
Das torres do mundo Longe de todos os olhos O que me importa Os ais que vê em mim
Em súplica recorro Porque não vejo e sinto Preciso dos olhos teus Saber porque sinto
Que seja num corcel Que venhas galopante Decifrar o que vês Das torres do mundo
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POESIA
Essa me faz escapar: conforta Rompe a barreira da dor: sorrio Do cansaço se cansa no estio Essa me faz descansar e exorta
Em versos de raios da aurora Que o fulgor a mim me cega? Essa me faz enxergar: entrega E o sentido da vida me aflora
Na sua lida me desinflama Do mal, mais que toda a matéria Na alma me afasta da miséria Essa é a existência que clama
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O PESSIMISTA
Há um defunto sempre pronto na boca de um pessimista Ah, morte morte certa é a morte! Oh, vida vida breve é a vida que segue de forma atabalhoada!
Entre mais ou menos ou quem sabe, toca-se as horas Mas tudo é nebuloso, emperrado e incerto Nesse mundo difícil de dar certo E quem pensar o contrário é louco varrido