Flávio Gomes da Silva

Flávio Gomes da Silva

n. 1968 BR BR

Canto versos sem me perguntar, sem procurar, sendo o quanto há de ser sem algemas

n. 1968-09-09, Rio de Janeiro

Perfil
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MINHA DOCE MENINA

De tudo o que importa nessa vida
Sua lembrança em meu último suspiro
Minha Lua, doce Lua minha
Em sua estrada havia atalhos
Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos
Quando você nasceu, morri
Minha vida esvaiu-se
Vi seu choro me abraçando
E o seu olhar me beijando.
E te abracei como nunca,
Te beijei como nunca, Lua Estrela!
Ah, quem me dera te ver correndo
A perder de vista encontrando a felicidade!
Quem me dera te ver correndo
Para os meus braços nesse mundo frágil…
Você foi minha guerreira imortal
A luta não foi em vão
Linda é sua coroa!
Fez-me ver o invisível
E era tanta luz a te envolver!
Nasceu para cumprir a eterna felicidade
Para banhar-me de luz
E eu estando morto, revivesse
Sempre te alcançarei minha menina
Até então te vejo de longe
Para te encontrar sempre
Sempre e sempre andaremos juntos…
  *(em memória)
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Poemas

40

LA PAZ

¿Lo que sabemos del mañana, aún hoy?
Siquiera conocemos el convoy

que pasará por la estación del alma.
Sin embargo, una palabra nos encalma.
Que, en todos nosotros, ella está empalma
y, no hay otro verbo que lleve la calma.

Una canción, un poema: la paz
palabra que amansa la guerra voraz.

Sí, yo creo; con mi semejante, voy 
proponer con cariño la paz que espalma 
el corazón al completo amor vivaz!


*(rima jotabé)
189

PERGE

A maior de todas as desilusões
Causada pela maior de todas as ilusões
A maior de todas as verdades
Causada pela maior de todas as mentiras
Percorrendo o mundo à procura do tudo por nada
Enganado pelo encantamento
Dissolvido foi o sentimento
De um sentido sem sentido
Um coração foi partido

A realidade nua e crua
Quando o encanto se quebrou
Abatido ficou a alma
Mas calma, calma!
Trazido foi para o mundo real
O tempo deixa a marca, mas fecha a ferida
Se cair, levante-se e caminhe
Por coisa difícil ser é o amor
E se a escuridão vier
Corra para a luz

Ninguém pode tirar tudo o que conquistou
Tudo o que é bom, justo e agradável
Das pérolas e diamantes
Pedras cintilantes

Mas, se ainda assim a tristeza vier, não pare
Vença as areias da vida
Com resilientes pegadas
Olhe para o céu sem véu
Peça forças ao Criador
E sem o menor temor
Não pare, siga!
220

EXANIMATIONES INCIDAMOS IV

Há um chicote que fere

— Prisioneiro e carcereiro 
porque a tua maldade não cessa?

Há lágrimas num sorriso
Quem pode ver, senão os céus!

Há solidão na multidão
O que transita num mundo sem cor

Há um grito mudo
Quem ouve a silenciosa dor?

Há um pedido decifrável
é urgente
decifremos a tempo

Há alguém para alguém
E se não houver?

 Há esperança
182

FLERTE

Espreito de canto de olho
Insinuações contidas
Em tua forma de sentar-se
No que hesitas, não escolho
Tampouco nego (e quero)
Não na forma, contudo, no olhar
A tua chama a me chamar
No que levantas, flertas
Com todos tua beleza
Todavia, quando percebes...
Ao meu notar, te desconcertas
Tu inclinas a cabeça...
O que te sentes, doce dama?
Que seja toda sua chama
Porque te espero em cada olhar...

 

216

A NOSSA VERGONHA

Tanta coisa para fazer
Correr, correr sem saber andar
Assim começa a vida para muita gente
E como machuca tentar!
Sair de um buraco que mais parece um poço sem fundo
Profissão: enxugador de gelo
Desistir jamais, esperança sempre
Porque é hora de preparar o solo seco e torrado
A chibata do sol castigando a pele que já virou couro Curtido
Semeia olhando para o céu pedindo “Misericórdia, Senhor!”
E a autoridade do outro lado da cerca na dúvida se almoça lagosta ou salmão
Sugiro que pule a cerca e veja a lavoura do enxugador de gelo
Mas há quem prefira ficar e ouvir Ivan Dzerzhinsky
De qualquer forma essa gente continuará correndo
Porque sobreviver é preciso.
220

BEGÔNIAS

Ganhei presentes de pardais no meu jardim
Ouvi os cantos, mas não pude perceber
Que os presentes brotariam sem eu ver
Na primavera: eram begônias para mim

De cor singela rebentaram entre os verdes
Rosa floral em dégradé, quão flores belas!
De muito encantos, como fossem aquarelas
Se espalharam fartamente entre as paredes
 
Pardais bondosos alegraram meu viver
Deram calma ao meu revolto coração
No meu jardim, uma amável inspiração
Para agradar o meu amor, meu bem-querer

199

CARNE FRESCA

às pressas veio e sorriu
sem dó, foi-se, partiu
sangrou a carne fresca
e não olhou para trás
malvadeza, por que sorriu?
por que deixou tua presa 
às moscas?
na agonia, no delírio
anêmico, amarelado
necessitado do sangue teu?
a sede do teu suor
por que me deste
de beber a tua seiva?
prometido foi seu corpo e alma
guilhotinada a promessa
encapuzada, com pressa
sem piedade

carne fresca sem idade
sem chão, prisioneiro
no tempo aprisionado
pisoteado pela saudade

por que me escolheu?
por que a mim?
por que não chocolates?
por que cortou minhas asas?

ralei-me a andar
não te achei
o deserto ressecou
meus olhos
não mais te vi
secou minha garganta
não mais gritei
secou meu coração
não mais te amei

amei-te muito
com o sorriso teu
teu, era teu
viu minha liberdade
e quis voar                                                                                                                        
me amarrando
ao pé da tua vontade

porque minha carne
era fresca
era doce
era inocente
era necessitada
de tudo
você era tudo  
eu, o efêmero
descartado no tempo
levado no vento

no torto caminho
eu no tempo
tempo seco
rachava o chão
estéril nos ventos
levado ao ermo

se tu não viesses
não me farias um homem
não me farias um verme
não me farias um reles
não me farias um troço
estaria chovendo
as cores voltariam…

mas se te culpo
por que te culpo?
eu sou o culpado
fiz-me tudo isso
por ter amado
consentir
o teu sorriso
e ir às pressas
ao teu encontro

      

 

      

 

224

POESIA

Essa me faz escapar: conforta
Rompe a barreira da dor: sorrio
Do cansaço se cansa no estio
Essa me faz descansar e exorta

Em versos de raios da aurora
Que o fulgor a mim me cega?
Essa me faz enxergar: entrega
E o sentido da vida me aflora 

Na sua lida me desinflama
Do mal, mais que toda a matéria
Na alma me afasta da miséria
Essa é a existência que clama

215

MUJER

En la forma de nada comparable en este mundo;
tan noble y hermosa, que me pierdo en un latido profundo

de mi corazón entregado a los encantos de ese vivir.
De tu vientre brota la vida y el amor: servir…
Y en tus brazos, en tu mirada tierna, el sobrevivir
de tu semilla, que amas y quieres bienvivir.

Eres fuerte, mujer; eres suave, delicada: pétalo de vida
Todos los días, temprano florece, comprometida

al hacer de este mundo un lugar más feliz cada segundo.
Y ese es el sentido de la vida: contigo convivir
con respeto y gratitud por tu amor sin medida.

 
207

O DESNUDO

Falar do ser desnudo é insidioso
Não é como um ser normal em seu viver
Conquanto os dois sejam sujeitos a sofrer
Por vezes, o desnudo não é maldoso

Não é como julgar o ser perverso
O desnudo erra, faz careta e não esconde
É enganado nas perguntas que responde
Mas, sabendo o fato, sofre em seu reverso

Seus ossos são iguais aos de qualquer criatura
Entretanto, totalmente decifráveis
Acusam o corpo em mentiras (são instáveis)
Ao serem incitados por sua mente in natura 

Os ossos que mantém a mentira: os do rosto
Os que sustentam o olhar em cólera serena
E o ranger de dentes em sintonia plena
Aos desnudos são os ossos do desgosto:

Ossos do ofício.
196

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