De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
Enquanto ouço o silêncio aportado Um grito ecoa no mundo Tão persistente que ensurdece Tão loucamente, e padece Na utopia desprezada O silêncio arregalado vela A insuportável dor da perfeição
Ah! Se essa fábula existisse As lágrimas seriam de amor A criança não sentiria dor... Ah! Se o mundo soubesse O que fazemos escondidos Não haveriam feridos Nem as matas queimariam...
Com o silêncio aportado Da janela, vejo o sombrio Um passado que não se apaga: Ossos andando pelos campos
O passado, às vezes, são como galhos secos Numa memória contida por baques É como uma rua com vários becos Como uma pena sofrendo ataques
Uma vida nova no mundo Não faz o passado morrer
Porque no mundo está a ruína Do sangue que traz a herança A mim só resta a morfina E não perder a esperança
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MINAS GERAIS
Capelas Fuscas La dei ras Queijos Beijos
200
NOITE EM CLARO
A noite é longa
Quando a torneira
Fica pingando
185
AMIGO, TE IMAGINO PARA TER UM
Amigo, te imagino para ter um Não sou muito de conversar A não ser com o silêncio Com ele, passo noites em claro Ele me ouve com mais atenção, Com um olhar compreensível Como esse seu agora, Sabedor da minha tristeza
Ah, amigo Eu te imagino para ter um Com quem dividir a indivisível solidão As pernas de hoje vão e vem Sem tempo de se esbarrarem Não quero mensagens de ‘smartphone’ Quero a verdade dos olhos Dar ao fingimento um breve descanso
Senta-se ao meu lado Como sui generis Simples e humano como se deseja um amigo Não precisa ser perfeito, nem me bajular Mas precisa ser verdadeiro Ainda que haja discordância entre nós Eu te imagino para me calar E ouvir a voz do seu coração Me dizendo como é ruim a vida E como vale a pena, apesar de tudo Uivarei sem medo de ser instintivo Até não haver mais lágrimas
Se tenho amigos? Tenho-os guardados por toda vida O que acontece é que me sinto só…
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BARRACO
Aqui tem poesia Porão de tábuas Sol inabitável Com musgos verticais Detestável aos mortais
Tem poesia Sete num cômodo Mais bichos de estimação Passeando nos pratos Empilhados no canto
Aqui a boneca fala Brinca consigo mesmo Faltando um braço Recita poemas e vaga Na inocência amarga
Em preto e branco A poesia faz chama Sacia com um verso no prato De sete sentados sem cadeira Na mesa posta sem mesa Sobram espíritos e vozes Declamarem em cada olhar
Aqui a poesia é nua Brinca no beco, flutua Aqui a poesia sonha: Atriz, professora Modelo, cantora... Aqui a poesia acorda para sobreviver
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RETA VELHA
Deu a mim as cousas boas… E eu as tratei tão corriqueiras... Serenamente sobre a palha das esteiras Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças Pão na manteiga e aquela atenção Do seu Jacinto me falando ao coração Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade Com a família desfrutei da vida boa Lá vivi com dona Zeca em pessoa Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade Da Reta Velha tão batida e sem luz Dessa herança minha memória produz Uma vontade de voltar na minha idade
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ÉGIDE
Das torres do mundo Do alto vejo longe Longe de todos os olhos O mundo dos outros
No meu mundo — ais Não vejo das torres Preciso dos olhos teus Para decifrar meu mundo
Das torres do mundo Longe de todos os olhos O que me importa Os ais que vê em mim
Em súplica recorro Porque não vejo e sinto Preciso dos olhos teus Saber porque sinto
Que seja num corcel Que venhas galopante Decifrar o que vês Das torres do mundo
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JARDIM BOTÂNICO – PRELÚDIO
- Ⅰ - Há um orvalho que desce e corre em direção a carne No inverno: senti à meia-noite na praça Itália No andar apressado, na solidão da noite O vapor gélido persegue a alma e diz: — Passo manso que te alcanço, apressa-te para eu te ferir os ossos na esquina da Sabbag Ruas dizem o destino das lareiras: prédios redondos Há lembranças impregnadas do inverno curitibano Dos estrangeiros acolhidos no jardim do Éden
- ⅠⅠ - Há uma brisa suave e doce nos dias de verão Que se renovam a cada manhã: senti ao meio-dia no Botânico Deitado na relva, afagado pelo céu Ventos levitam a mente pesada, dissipa o cinzento Os olhos se abrem ante o fulgor do dia Um espelho d’água reflete o infinito E os mistérios da vida se abrem no pergaminho da esperança Há uma pequena mata com trilhas que levam para além da morte Penso ser aos andantes, o renovar da carne e o conservar dos ossos
- ⅠⅠⅠ - Retas de pedras, abertas sem ermo O sol se levanta e a relva floresce O viver da lembrança levada a bom termo Em paz, na esperança, a vida efervesce
Há uma saudade que fica na esquina da memória Olho e apenas varais se acham além da realidade
Os dias se vão e o passado implica No que foi, e o que pode ser A mente explica, mas a saudade fica Da cerejeira: a sua sombra ter
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TEU AMOR ME CUSTA
Teu amor me custa Morde e assopra a ferida E não percebes inflamar Teu amor me dá febre E o calafrio me impede sonhar Procuro a claridade, mas não acho Em trevas me cobras Há uma máscara que (tu)sorris para o mundo Outra que choras em ocasiões especiais E mais outra com que me amas Tu feres sem bálsamo E eu convulsiono a alma. Teu amor me custa, e não tenho como pagar (E mesmo que eu pagasse, ainda assim estaria condenado) Teu amor é prisão Teu amor é solidão Teu amor é tudo, menos amor Pô, tu não me amas!
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MEDO DE TE AMAR
Quanto medo tive de te amar Quantos perigos despertaste em mim Tive medo de ser teu Medo da recusa Medo de ter medo de te amar Ainda assim Amei-te muito Amei-te mais que eu
De tanto medo de te amar Amei-te com medo de tudo Por isso, em tudo falhei
Por ter te amado tanto Esqueci da vida Esqueci de mim...