De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
Como tu danças! É arte, e fazes dela (ofício) O tempo é teus pés flutuando Na música que te convida A celebrar a vida
Como te soltas nos passos! Faz-me como ante o mar Sentindo as ondas Me levar nos movimentos
Transladas como a Terra Trazendo as estações E a paixão que libertas Encontra outra dimensão A Alma repleta No pórtico da arte
Como tu vives!...
205
BEGÔNIAS
Ganhei presentes de pardais no meu jardim Ouvi os cantos, mas não pude perceber Que os presentes brotariam sem eu ver Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes Rosa floral em dégradé, quão flores belas! De muito encantos, como fossem aquarelas Se espalharam fartamente entre as paredes Pardais bondosos alegraram meu viver Deram calma ao meu revolto coração No meu jardim, uma amável inspiração Para agradar o meu amor, meu bem-querer
202
FLERTE
Espreito de canto de olho Insinuações contidas Em tua forma de sentar-se No que hesitas, não escolho Tampouco nego (e quero) Não na forma, contudo, no olhar A tua chama a me chamar No que levantas, flertas Com todos tua beleza Todavia, quando percebes... Ao meu notar, te desconcertas Tu inclinas a cabeça... O que te sentes, doce dama? Que seja toda sua chama Porque te espero em cada olhar...
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NÃO ME ABANDONE
Céus, esperança! Não aprontes comigo Se fores embora Deixares minha vida Quem de mim cuidará?
221
CARNE FRESCA
às pressas veio e sorriu sem dó, foi-se, partiu sangrou a carne fresca e não olhou para trás malvadeza, por que sorriu? por que deixou tua presa às moscas? na agonia, no delírio anêmico, amarelado necessitado do sangue teu? a sede do teu suor por que me deste de beber a tua seiva? prometido foi seu corpo e alma guilhotinada a promessa encapuzada, com pressa sem piedade
carne fresca sem idade sem chão, prisioneiro no tempo aprisionado pisoteado pela saudade
por que me escolheu? por que a mim? por que não chocolates? por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar não te achei o deserto ressecou meus olhos não mais te vi secou minha garganta não mais gritei secou meu coração não mais te amei
amei-te muito com o sorriso teu teu, era teu viu minha liberdade e quis voar me amarrando ao pé da tua vontade
porque minha carne era fresca era doce era inocente era necessitada de tudo você era tudo eu, o efêmero descartado no tempo levado no vento
no torto caminho eu no tempo tempo seco rachava o chão estéril nos ventos levado ao ermo
se tu não viesses não me farias um homem não me farias um verme não me farias um reles não me farias um troço estaria chovendo as cores voltariam…
mas se te culpo por que te culpo? eu sou o culpado fiz-me tudo isso por ter amado consentir o teu sorriso e ir às pressas ao teu encontro
228
LA PAZ
¿Lo que sabemos del mañana, aún hoy? Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma. Sin embargo, una palabra nos encalma. Que, en todos nosotros, ella está empalma y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy proponer con cariño la paz que espalma el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
194
NÃO ME BASTA A TERRA O CALOR
Não me basta a Terra o calor As águas ao céu elevar-se Às nuvens, e então despencar-se Trazendo a mim o frescor
Não me basta a luz clarear O dia, que à noite dormiu Nem a noite, do sol que partiu Se a luz dela a mim não chegar
Não me basta a boca dizer: Esqueça esse amor, é melhor! Pois em meu coração é maior Essa falta que só faz doer
Mas, se a vida a mim me propor Que o frescor e a luz venham dela A minha amada, luzente flor bela Transbordante serei de amor
201
PERGE
A maior de todas as desilusões Causada pela maior de todas as ilusões A maior de todas as verdades Causada pela maior de todas as mentiras Percorrendo o mundo à procura do tudo por nada Enganado pelo encantamento Dissolvido foi o sentimento De um sentido sem sentido Um coração foi partido
A realidade nua e crua Quando o encanto se quebrou Abatido ficou a alma Mas calma, calma! Trazido foi para o mundo real O tempo deixa a marca, mas fecha a ferida Se cair, levante-se e caminhe Por coisa difícil ser é o amor E se a escuridão vier Corra para a luz
Ninguém pode tirar tudo o que conquistou Tudo o que é bom, justo e agradável Das pérolas e diamantes Pedras cintilantes
Mas, se ainda assim a tristeza vier, não pare Vença as areias da vida Com resilientes pegadas Olhe para o céu sem véu Peça forças ao Criador E sem o menor temor Não pare, siga!
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A NOSSA VERGONHA
Tanta coisa para fazer Correr, correr sem saber andar Assim começa a vida para muita gente E como machuca tentar! Sair de um buraco que mais parece um poço sem fundo Profissão: enxugador de gelo Desistir jamais, esperança sempre Porque é hora de preparar o solo seco e torrado A chibata do sol castigando a pele que já virou couro Curtido Semeia olhando para o céu pedindo “Misericórdia, Senhor!” E a autoridade do outro lado da cerca na dúvida se almoça lagosta ou salmão Sugiro que pule a cerca e veja a lavoura do enxugador de gelo Mas há quem prefira ficar e ouvir Ivan Dzerzhinsky De qualquer forma essa gente continuará correndo Porque sobreviver é preciso.
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PRÓXIMO DE CASA
As vezes que saio ao mercado Passo por um lugar estranho, próximo de casa Uma esquina que leva desprevenidos à cova rasa E no fim da rua fica um de feitio fechado Creio ser o coveiro bebendo água na esquina No caminho do mercado, estranho também aos gatos Lugar (em sua maioria) dominado pelos ratos Está dona Margota encostada no muro: a sua sina
Nesse lugar estranho, tem o que não diz ‘boa noite!’ Porém, seu olhar acompanha uma alma até o cemitério Tal como a coruja compenetrada num mistério De alguém correndo do estalar de um açoite
Estranho não ver mais o gambá na madrugada Anormal que se tornou habitual nesse lugar estranho À meia-noite, passeava, talvez para um banho Ou quem sabe, para encontrar a amada
O sol queima no verão sem sombra A alma insola nesse lugar que assombra De tanto andar, meu corpo dá câimbra
O que a mim não é estranho são as donas de casa Andam com um sorriso largo nas maçãs do rosto Vão e vem, bailando, vivendo com bom gosto Nesse lugar, não se preocupam com a cova rasa
Tem também nesse lugar aquele que diz: — Você vai ganhar na loteria hoje Outro: — Hum! Você está magrinho E outra: — Você não tem onde cair morto E tem o manco, uma fingidora, o bêbado, as más línguas, O carro do ovo, da fruta, do pão, do gás, do... E.