De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
Tanta coisa para fazer Correr, correr sem saber andar Assim começa a vida para muita gente E como machuca tentar! Sair de um buraco que mais parece um poço sem fundo Profissão: enxugador de gelo Desistir jamais, esperança sempre Porque é hora de preparar o solo seco e torrado A chibata do sol castigando a pele que já virou couro Curtido Semeia olhando para o céu pedindo “Misericórdia, Senhor!” E a autoridade do outro lado da cerca na dúvida se almoça lagosta ou salmão Sugiro que pule a cerca e veja a lavoura do enxugador de gelo Mas há quem prefira ficar e ouvir Ivan Dzerzhinsky De qualquer forma essa gente continuará correndo Porque sobreviver é preciso.
225
EXANIMATIONES INCIDAMOS IV
Há um chicote que fere
— Prisioneiro e carcereiro porque a tua maldade não cessa?
Há lágrimas num sorriso Quem pode ver, senão os céus!
Há solidão na multidão O que transita num mundo sem cor
Há um grito mudo Quem ouve a silenciosa dor?
Há um pedido decifrável é urgente decifremos a tempo
Há alguém para alguém E se não houver?
Há esperança
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O DESNUDO
Falar do ser desnudo é insidioso Não é como um ser normal em seu viver Conquanto os dois sejam sujeitos a sofrer Por vezes, o desnudo não é maldoso
Não é como julgar o ser perverso O desnudo erra, faz careta e não esconde É enganado nas perguntas que responde Mas, sabendo o fato, sofre em seu reverso
Seus ossos são iguais aos de qualquer criatura Entretanto, totalmente decifráveis Acusam o corpo em mentiras (são instáveis) Ao serem incitados por sua mente in natura
Os ossos que mantém a mentira: os do rosto Os que sustentam o olhar em cólera serena E o ranger de dentes em sintonia plena Aos desnudos são os ossos do desgosto:
Ossos do ofício.
200
ALMA
O sono, um sonho. Desperto Corpo e espírito entrelaçados Pois, os tenho desejados Na jornada, sem ser um deserto
Um oásis esverdeia ao redor Intacto, e assim seja a vida Essencialmente enaltecida E que dela, se extraia o melhor
197
MUJER
En la forma de nada comparable en este mundo; tan noble y hermosa, que me pierdo en un latido profundo
de mi corazón entregado a los encantos de ese vivir. De tu vientre brota la vida y el amor: servir… Y en tus brazos, en tu mirada tierna, el sobrevivir de tu semilla, que amas y quieres bienvivir.
Eres fuerte, mujer; eres suave, delicada: pétalo de vida Todos los días, temprano florece, comprometida
al hacer de este mundo un lugar más feliz cada segundo. Y ese es el sentido de la vida: contigo convivir con respeto y gratitud por tu amor sin medida.
211
LA PAZ
¿Lo que sabemos del mañana, aún hoy? Siquiera conocemos el convoy
que pasará por la estación del alma. Sin embargo, una palabra nos encalma. Que, en todos nosotros, ella está empalma y, no hay otro verbo que lleve la calma.
Una canción, un poema: la paz palabra que amansa la guerra voraz.
Sí, yo creo; con mi semejante, voy proponer con cariño la paz que espalma el corazón al completo amor vivaz!
*(rima jotabé)
195
TODOS OS DIAS SÃO DIAS
Tão logo aponta o dia, o cantar do pardal Escolho o destino deste mundo, que me vem em retalhos E me diz a rotina dos dias, do levantar-se e cursar
Começo a remendar uma estrada Para caminhar do bocejo ao sono Um tapete vermelho Quero um tapete vermelho sobre os remendos Um sossego, sossego de rei Ao saborear a alegria do povo Um banquete diário quero Um caminho notável Aconchego da igualdade
Remendo meus dias, uso linha forte… São dias de renovo, dias de arrepender-se Dias de perdoar, sim, de esquecer
BOM DIA!
Dias de acolher e descansar De dizer palavras mágicas Dias de acalentos Incansáveis dias Diariamente Dias de criança Inesgotáveis Afáveis Inefáveis, escolho
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ÉGIDE
Das torres do mundo Do alto vejo longe Longe de todos os olhos O mundo dos outros
No meu mundo — ais Não vejo das torres Preciso dos olhos teus Para decifrar meu mundo
Das torres do mundo Longe de todos os olhos O que me importa Os ais que vê em mim
Em súplica recorro Porque não vejo e sinto Preciso dos olhos teus Saber porque sinto
Que seja num corcel Que venhas galopante Decifrar o que vês Das torres do mundo
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NÃO ME BASTA A TERRA O CALOR
Não me basta a Terra o calor As águas ao céu elevar-se Às nuvens, e então despencar-se Trazendo a mim o frescor
Não me basta a luz clarear O dia, que à noite dormiu Nem a noite, do sol que partiu Se a luz dela a mim não chegar
Não me basta a boca dizer: Esqueça esse amor, é melhor! Pois em meu coração é maior Essa falta que só faz doer
Mas, se a vida a mim me propor Que o frescor e a luz venham dela A minha amada, luzente flor bela Transbordante serei de amor
202
PRÓXIMO DE CASA
As vezes que saio ao mercado Passo por um lugar estranho, próximo de casa Uma esquina que leva desprevenidos à cova rasa E no fim da rua fica um de feitio fechado Creio ser o coveiro bebendo água na esquina No caminho do mercado, estranho também aos gatos Lugar (em sua maioria) dominado pelos ratos Está dona Margota encostada no muro: a sua sina
Nesse lugar estranho, tem o que não diz ‘boa noite!’ Porém, seu olhar acompanha uma alma até o cemitério Tal como a coruja compenetrada num mistério De alguém correndo do estalar de um açoite
Estranho não ver mais o gambá na madrugada Anormal que se tornou habitual nesse lugar estranho À meia-noite, passeava, talvez para um banho Ou quem sabe, para encontrar a amada
O sol queima no verão sem sombra A alma insola nesse lugar que assombra De tanto andar, meu corpo dá câimbra
O que a mim não é estranho são as donas de casa Andam com um sorriso largo nas maçãs do rosto Vão e vem, bailando, vivendo com bom gosto Nesse lugar, não se preocupam com a cova rasa
Tem também nesse lugar aquele que diz: — Você vai ganhar na loteria hoje Outro: — Hum! Você está magrinho E outra: — Você não tem onde cair morto E tem o manco, uma fingidora, o bêbado, as más línguas, O carro do ovo, da fruta, do pão, do gás, do... E.