Frederico de Castro

Frederico de Castro

n. 1961 GW GW

Escuto o sentir das palavras e então esculpo-as nos meus silêncios, dando-lhes vida forma e cor. Desejo-as, acalento-as, acolho-as,embelezo-as sempre com muito, muito amor…

n. 1961-06-20, Bolama

Perfil
334 878 Visualizações

Ver-te nos olhos de mim



E assim se multiplicou aquele visceral momento de ilusão
Adiando até a madrugada que absorta nos limites do tempo
Destronou a luz escapulindo por entre toda a balburdia de festejos
Debruados numa sôfrega rima despida de flamejantes e ígneos desejos

Depois acorda a manhã envolta numa magistral embriaguez
Abandonada num espesso silêncio matinal aromatizando o cerne da
Esperança onde escorre a seiva dos meus clamores passionais, qual
Oclusa saudade sulcando os céus talhando essas gargalhadas quase colossais

Ato aos meus desassossegos todos os gomos de uma emoção deixada
Nos escombros do tempo pintalgando as cordilheiras da ilusão com
Os mais nobres desejos que soletro nesta incógnita e abastada desilusão

Ver-te nos olhos de mim incute a cada sonho o sôfrego registo
De um beijo mais veemente resgatando os fragmentos de tantas solidões
Escapulindo deste abissal silêncio desenhado e esculpido...a três dimensões

Frederico de Castro
Ler poema completo

Poemas

4

Talvez em Abril...


Talvez em Abril o dia fotografe aquela luminescência
Tão tosca, tão inacabada…quase sempre inimputável
E numa cilada algeme cada sorriso tântrico e insaciável

Talvez em Abril eu esconda das palavras uma rima mais viril
Sinta o rito das minhas angústias orquestrar cada eco febril
E à porta do céus duas lágrimas desabem num aguaceiro tão gentil

Talvez em Abril os cravos renasçam livres, mágicos tão esfomeados
Ali um heroico sussurro, desmantelará um rubro afago assoreado
Exuberante incitará o tempo a eternizar cada desejo, cada beijo enamorado

Talvez em Abril eu pincele os céus de azuis tão plissados, coloridos e afáveis
Num relance melódico cada hora apascente todos os imperdíveis sonhos imutáveis
E num close final faça adormecer o silêncio detido no antro das palavras inimagináveis

Frederico de Castro
112

Rosa caída


No charco do tempo caiu uma rosa rubra
Volátil e tão despojada
Desvela o doce mandriar de uma
Luminescência enamorada
Pintalga nos terraços do céu uma serena
Carícia tão, tão abreviada

Sem mais espalhafatos o dia tatua cada silêncio
Esdrúxulo e bem sedimentado
Lava meus olhos tolhidos com as lágrimas
Depositadas no odre de um eco ousado
Passarinham pela tempestade mais intrépida
Dos meus desejos quase asfixiados

Frederico de Castro
167

Trago o silêncio no paladar


Das minhas veias escorre um silêncio sereno e triunfal
Trauteia uma melodia velejando nesta escuridão escultural
Traveste a noite maquilhada por esta luminescência descomunal

Trago no paladar este silêncio tão frágil, tão volátil, quase vulnerável
Apascenta a mais magnânima prece desenhada num luar imensurável
Algema todas as palavras vagueando no colírio das lágrimas tão indecifráveis

Às duas por três o tempo expande-se a cada segundo felino e resignado
Adormece na cripta da solidão estendida no dorso de um olhar sacrificado
A rogo e em souplesse o silêncio amplia cada eco feérico, fecundo e adocicado

Frederico de Castro
114

Pelas frestas da luz


Pelas frestas da luz choraminga o dia pestanejando
À beira de um riacho de murmúrios tão inconsolados
Assim se descarta o tempo em sessenta segundos afortunados

Pelas frestas da luz flutuam duas lágrimas gentis e lisonjeadas
Realçam a solidão pousada entre as caleiras de uma hora excitada
Enquanto tranquila e naufragante adormece cada brisa tão pavoneada

Pelas frestas do teu olhar apascento um tsunami de luminescências enamoradas
Aconchego-me nos teus braços que abraçam as mais felinas caricias exasperadas
Irradiando em silêncio um tão perplexo sussurro clonado pelas palavras afeiçoadas

Frederico de Castro
88

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ltslima

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!