Lista de Poemas
(In)constante silêncio

Neste (in)constante silêncio viaja uma imensa solidão generosa
Em epílogo escrevo minhas preces intensas e portentosas
O que me devora é esta carente e flamejante ilusão tão pegajosa
Neste (in)constante silêncio o dia embala ao som de cânticos ruidosos
Ali cai a meus pés o tempo repleto e prenhe de segundos rigorosos
Ali se ostentam todos os lamentos tão perplexamente impetuosos
Neste (in)constante silêncio cada eco choraminga e uiva tão melodioso
Assim de afogam duas lágrimas no lagar das palavras quase embriagadas
Em cada desassossego se consomem putrefatas horas esquecidas e inutilizadas
Frederico de Castro
43
Passadiço do tempo

Caminho pelo passadiço do tempo deixando no pavimento da vida
Sílabas que se entreabrem num felino croché de palavras deslumbradas
Provocam no silêncio o breve balbucio de uma carícia quase, quase asfixiada
No passadiço do tempo os dias escorrem finitos, voláteis…tão conformados
Alimentam a promiscuidade de cada desejo fluindo fluidificante e empolgado
Aninham-se no limiar de um encriptado verso tão pacifico, tão intimo tão embriagado
Frederico de Castro
102
Imagino...silêncio
Imagino…silêncio
E o silêncio amarrotado jaz anémico
Adormece estirado no catre dos lamentos mais boémios
Em delírio o tempo entranha-se em cada segundo glicémico
Imagino…silêncio
E cada lamento transplantado num desejo epistémico
Ostracisa um ínvio eco vadiando no vendaval de lamentos epidémicos
Imagino...silêncio...
Frederico de Castro
55
À meia-luz

À meia-luz a noite balda-se num sussurro hermético
Sela um enigmático eco dormitando além tão estético
Sem rumores a escuridão apascenta cada breu felino e poético
À meia-luz cada hora sepulta a noite que fenece volátil e frenética
Bons ventos perfumam este luar aconchegado a uma prece profética
No periélio do tempo o tempo orbita sua mais inóspita ilusão aritmética
À meia-luz a solidão transversal circunavega o silêncio quase genético
Deixa nos murais da vida cada sonho desenhado com um uivo epilético
Tatua na alma a junção gigantesca de tantos, tantos sonhos anestésicos
Frederico de Castro
81
Terna é a noite

Terna é a noite escondida na penumbra das sombras oscilantes
Breve o silêncio que pernoita no felino ondular da maresia delirante
Magnifica a escuridão que se alimenta de elípticas ilusões gratificantes
Terna é a noite aconchegada às minhas preces serenas e extasiantes
É Infecciosa como mil sussurros pandémicos, vorazes e intimidantes
Dolorosa como a ténue luminescência que além fenece periclitante
Terna é a noite desaguando nas bermas de um breu fugaz e sonante
Por um triz deixa uma hora escapulir pelas frinchas das solidões oxidantes
Sucumbe no apogeu notívago das palavras que deliram num adeus tão relutante
Frederico de Castro
106
Pelo brilho das estrelas

Sigo o brilho das estrelas e da sua luz beberico o mosto
Das ilusões mais fantásticas…tão absurdamente inexoráveis
Assim se embebeda o cosmos vadiando por breus tão afáveis
Sigo o trilho da noite e encontro nos céus aquela
Escuridão quase espampanante, prisioneira de fé exultante
Tão imortal quanto as palavras algemadas ao altar do tempo palpitante
Frederico de Castro
66
Profunda lágrima

Escorre por esta profusa e profunda lágrima
A solidão esquartejada, tão esmagada, tão alagada
Deixa nas lágrimas o sabor adocicado de uma dor homologada
Nesta profunda lágrima soluçam palavras quase trespassadas
Até à última gota a solidão embebeda-se de tristezas tão amarrotadas
Desnorteada a manhã deambula ensopada de prantos e gargalhadas abreviadas
Frederico de Castro
108
Imensamente...silêncio

Neste imenso silêncio o tempo estagnou quase olvidado
No meu esconderijo o dia fenece no pantanal de ecos degradados
Apenas um olhar furtivo deambula pelas vielas de um breu exsudado
Neste imenso silêncio cada ósculo afaga todo o palato de palavras desvendadas
Traz a alvorada a recordação de mil luminescências tão ígneas, bem aveludadas
Aconchegam-me as carícias declamadas por emoções vestidas de gargalhadas apaixonadas
Frederico de Castro
101
Resgate

Nas profundezas da noite uma onda fenece quase banida
A escuridão ousada, intrépida e absolutamente coagida
Afoga-se no breve e felino marulhar das marés tão esbaforidas
Sobre a maresia frágil, o silêncio ecoa faminto e indecifrável
Em anexo escrevo o epílogo de um sussurro indiscreto e irresistível
Ali aplaco e afogo cada lamento compadecido, delirante e imperceptível
Frederico de Castro
63
O pavimento do silêncio

O pavimento do silêncio assoalha a solidão com palavras urgentes
Sublime e dolorosa a luz requenta todas estas emoções estridentes
E doidamente dormita nas mais notívagas paisagens de um sonho impertinente
O pavimento do silêncio é flutuante e assente numa manta de sussurros fluentes
Calçam os passeios com empedrados e basálticos lamentos mais coniventes
Afagam o lajedo do tempo onde caminham incólumes segundos tão repelentes
O pavimento do silêncio asfalta a manhã que além fenece lírica e dissolvente
Vadia pelo passadiço da vida onde comovidas palavras amaram tão amavelmente
Onde brejeiros desejos algemam com delicadeza um desejo voraz…assim ardentemente
Frederico de Castro
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