Lista de Poemas
Tatuagens no céu

Deus tateou nos céus Seu sempre eterno poder e Divindade
Num instante fortificou a fé a esperança brilhando de verdade
Do silêncio gerou-se um imperturbável sussurro recriado e
Desenhado com esmero, meiguice e absurda criatividade
Frederico de Castro
62
Silêncios enamorados

No jardim dos meus sonhos pintalga-se a solidão
Com inúmeros silêncios enamorados…quase conspirados
No espelho do tempo ficam refletidos dúcteis ecos tão domados
Da embriagante formosura dos céus chuviscam palavras harmoniosas
Orquestram a nona sinfonia da fé rodopiando no meio de preces virtuosas
Ali pulsam e suspiram intensas brisas avivadas por gargalhadas sempre preciosas
Frederico de Castro
101
Lá no meio do céu...

Toquei na ponta dos céus e de lá escorreu uma gota de
Luz tão voraz tão sagrada e imarcescívelmente conivente
Abriu-se o horizonte e choveram azuis tão, tão irreverentes
Nos jardins do tempo debutam preces quase incandescentes
No planalto da manhã colho os mais belos silêncios reverentes
Toda uma eternidade preenche o safari de esperanças eloquentes
Frederico de Castro
34
Guardo no silêncio

Guardo no leito dos silêncios as palavras aleatórias e coniventes
Na abdução de cada eco suturam-se todos os lamentos subservientes
Rapta-se e seduz-se as escuridões fluindo pelo gargalo dos dias convergentes
Guardo no silêncio a saudade repleta de encontros e desencontros reincidentes
Pintalgo nos céus as mais elegantes fluorescências explodindo numa hora irreverente
Imagino a mais bela tempestade de tsunamis desaguando em cada prece omnipresente
Frederico de Castro
64
Noturno Instante

Neste noturno instante velo a escuridão abarrotada de
Palavras condescendentes, serenas…escritas entredentes
No imenso caos de desejos deliram estes breus tão confidentes
Neste noturno instante o tempo entorpecido jaz além judiado
Alinhava e costura cada lamento, desbotado, vagabundo e repudiado
Refugia-se num milimétrico segundo que se esvai impotente e odiado
Frederico de Castro
87
Com fair play

Com fair play o silêncio repousa à sombra daquela
Brisa perene, vestida de fluorescências quase extraterrenas
Cativa cada palavra pestanejando absurda e elegantemente serena
Com fair play o poente percorre tantos labirínticos sonhos majestosos
Ali todos os ínvios ecos se apiedam daquele vendaval de lamentos queixosos
Desbravam rumos sem destino, desmascaram versos quase clandestinos
Com fair play o tempo deseja e enlouquece cada segundo vagabundo
Declama em silêncio a ode dos sussurros mais quânticos e concubinos
Descodifica e perfuma o poente embalsamado por viçosos devaneios extrafinos
Frederico de Castro
42
Os itens do silêncio

Cada item do silêncio é peculiarmente extravagante
Empola todos os desvairados lamentos quase delirantes
Agrega em si os mais absurdos e estapafúrdios ecos insinuantes
Num ínclito sussurro a manhã desvela-se tão abrasante
Rega todos os desejos estrondosos, mirabolantes…tão divagantes
Profana a solidão pousada no timbre fantástico de um afago itinerante
Sorve a metamorfose das luminescências bailando e fluindo de rompante
Apascenta-me a liberdade ajoelhada junto à sinagoga das preces excitantes
Dou por mim estendido ao redor das súplicas repercutidas em palavras pujantes
Frederico de Castro
62
Nosso mar

No nosso mar desaguam carícias e maresias, assim afavelmente
No estendal do tempo o silêncio amara além tão discretamente
Na berma da praia lavro as mais belas e ardentes palavras complacentes
No nosso mar embrenham-se tantas luminescência vorazes e penitentes
Diluem-se entre marés e um arrastão de desejos bolinando numa brisa confidente
No poente gritam sufocados e aflitos versos à mercê de um breve entardecer tão indulgente
Frederico de Castro
151
Templo dos silêncios

No templo dos silêncios escorre a escuridão assim docilmente
Na vagueza de uma brisa a solidão perscruta o tempo tão divergente
Lado a lado saltitam gargalhadas cúmplices explodindo furtivamente
No templo dos silêncios um montão de ecos retocam um cântico narcótico
Bebericam o amniótico desejo fecundado no útero de um afago quase caótico
E de tanto arfar adormecem no dorso altruístico de um meigo poente apoteótico
Frederico de Castro
86
Guardo nas lágrimas

Guardada numa lágrima cada gota de orvalho
Escorrega pelos cílios deste silêncio que tanto acarinho
Num marulhar aveludado o rio desagua além de mansinho
Guardei na pureza dos horizontes a luminescência da manhã enamorada
Fecundei num sorriso o despetalar da vida prenhe de palavras empolgadas
Abandonei-me no vão das horas pranteando tão exuberantemente fascinadas
Frederico de Castro
83
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