Lista de Poemas
No pasto dos meus silêncios

No pasto dos meus silêncios renasce o dia frondoso e emancipado
No alfobre das palavras guardo cada centímetro de um sussurro enamorado
Em todos os vácuos do tempo meço a distância entre cada vazio aromatizado
No pasto dos meus silêncios alimenta-se a diabrura contida em cada rima reconciliada
Algema-se a memória tão fecunda e tão prenhe de palavras voláteis e remasterizadas
Ali desaguam numa cachoeira de dóceis gargalhadas fugidias, arrojadas…tão domesticadas
No pasto dos meus silêncios vadiam inclementes aguaceiros de ecos sobredotados
Rondam os horizontes celestiais onde flutuam cristalinos lamentos tão sincronizados
Transformam a metamorfose de cada afago num apaziguante sossego quase insubordinado
Frederico de Castro
60
Tudo passa...até o tempo

Tudo passa…até o tempo por uma fresta de solidões inesgotáveis
Quando entardece dentro da alma o silêncio fenece absurdamente degradável
Desamparam-se pecados e deixa-se alma lavar-se no odre de cada prece lastimável
Tudo passa…até o tempo esquartejado por trilhões de segundos deploráveis
Palavras ardentes são a sequela de tantas desilusões amarguradas e recicláveis
Desagua dos céus um aguaceiro de ecos sorrateiros, atónitos e inconsoláveis
Tudo passa…até o tempo e o mais infecundo sussurro desesperado, hostil e lastimável
O mais furioso tsunami de uivos delapidados pela improficuidade do silêncio incensurável
O latido felino de cada olhar feito arrimo da alma empanturrada de ilusões insaciáveis
Frederi co de Castro
76
Busto da solidão

À esquadria de qualquer lamento grita cada hora
Mais prenhe mais vegetativa, inquietante e tão apelativa
Um segundo reptiliano ziguezagueia entre palavras adversativas
No busto da solidão está solidificado um eco quase pejorativo
Penosa a luz sucumbe entre tantos breus carentes, felinos e esquivos
Esculpido num desumanizado silêncio todos os murmúrios fenecem aflitivos
Frederico de Castro
111
Próximo do horizonte

Próximo do horizonte navega um luar belo e enamorado
Deixa cada guloso olhar a flutuar sereno, feliz e ilibado
Sensibiliza todo o rastejar da luz e de cada sussurro obcecado
Próximo do horizonte o tempo enraíza-se num segundo asfixiado
Degela os mais nobres azuis fluindo, fluidificantes e emancipados
Perfuma a beleza charmosa dos céus felinos, quânticos e requintados
Frederico de Castro
119
Deu-me a preguiça...

- para o Ciro, Lucas e Noemi
Deu-me a preguiça e fiquei por ali dormitando entre
Os címbalos de um silêncio majestoso e aromático
Num sussurro quântico o dia esboroa-se num eco simpático
Deu-me a preguiça e deixei o tempo sucumbir tão acrobático
Em euforia imaginei o ronronar de uma gargalhada simpática
Enfardei a alma com palavras tão, tão absurdamente profiláticas
Frederico de Castro
63
Toquei na alma

Toquei na alma e pressenti na derme dos silêncios
O tinir e vibrar de uma fluorescência tão desodorizante
Ali um eco periódico esboroa-se felino, volátil e sussurrante
Toquei na alma e reconheci nas palavras a doce licorosidade
Que apascenta o pleno esvoaçar do tempo alucinante, tão sibilante
Assim amadurece cada hora inquieta, solitária…perdida num segundo divagante
Resta mitigar uma lágrima escorrendo pelos cílios de um lamento dissonante
Resta musicar o buquê de circenses palavras fluindo e vibrando a cada instante
Resta ludibriar o tempo e um desejo aliciado pela epopeia de gargalhadas divagantes
Frederico de Castro
54
Incompletude

Pousa nos céus quase incandescentes esta inconsumível
Solidão ladeada por lamentos e sussurros tão intangíveis
Infiltram o breve estatuir dos meus silêncios absurdos e inaudíveis
Incompleto o poente navega à bolina das brisas quase imperceptíveis
Alimentam o fadar predestinado das palavras carentes e irremovíveis
São o mais belo prenúncio da luz etérea que além amara auspiciosa e impassível
Frederico de Castro
53
Plagiando o tempo

Plagiei do tempo um naipe de palavras esbeltas
Adormeci apaziguado por um ininterrupto eco ecoante
Naufraguei entre os suspiros e sussurros de uma hora emigrante
Em cada ai e lamento pisoteado o tempo naufraga quase mendicante
Segreda-me aos ouvidos a melodia de um cósmico desejo edificante
Desamordaça cada segundo tão íngreme, tão acutilante…tão extravagante
Frederico de Castro
112
Nos prados celestiais

Nos prados celestiais vadiam azuis infinitos e quase sufocados
Na mezzanine do tempo empoleiram-se sonhos tão extasiados
Consubstanciam o tempo dissertando em tantos segundos camuflados
Nos prados celestiais os poentes rugem na calada de um eco deslumbrado
São o mais breve e felino atalho onde se escoram os desejos tão empolgados
A profusa claridade deslizando pelo horizonte dos sussurros quase mumificados
Nos prados celestiais o dia asperge perfumes no dorso das palavras ressuscitadas
Eclodirá entre as migalhas nostálgicas de uma efémera solidão recém-chegada
Planará entre hábeis brisas surfando um tsunami de ondas tão, tão bem apascentadas
Frederico de Castro
85
O sorriso de DEus

para a Carla, Ciro, Noemi e Lucas
Formoso flutua o sorriso de Deus juntinho
Ao poente absolutamente incandescente
Apadrinhou toda a luz ali navegando à beira
Da maresia fecunda, exuberante e iridescente
- Olhem como brame o tempo que se afoga
Numa onda felina, selvagem e complacente
Frederico de Castro
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