Lista de Poemas

Pé ante pé



Pé ante pé marcha o tempo ludibriado
Flui num amniótico silêncio biológico
Calca cada eco reverberando analógico

Pé ante pé os sentimentos mais lógicos
Sucumbem à beira de um lamento cosmológico
Dopam esta estrofe com um verso tão patológico

Pé ante pé alunam até mim ilusões frustradas
Difamam todas as palavras que estrebucham injuriadas
Satirizam a vida ali rumando convenientemente decalcada

Frederico de Castro
185

Reflexos



Duas luminescências confluem no
Horizonte infinito e esvoaçante
Ali pálidos reflexos alheios aos silêncios
Soerguem docemente o dia ainda soluçante

Na espiral radiosa desta luz quase periclitante
Estende-se o tempo intempestivamente flamejante
Deixa uma ressonância de emoções a bolinar nesta
Brisa cintilando no etéreo e ígneo silêncio gratificante

Frederico de Castro
137

Odores da maresia



O poente divagando numa onda itinerante
Adormece afogado num fulgurante silêncio saturado
Os odores da maresia carente e apaixonada colapsam
Além no doce marulhar da maré submissa e ovacionada

O mar dormitando no langor da solidão maciça desata
A escuridão algemada a cada luminescência ainda intacta
Recosta-se entrançada a todo este fascinado desejo arisco
Envaidece e seduz um breu felino, sedento e espantadiço

Frederico de Castro
154

Um dia de cada vez



Em cada preludio do tempo enfeita-se o dia
Com um aguaceiro de sorrisos insaciáveis
Unem-se todos os horizontes coincidentes onde
Com fervor se alimentam orações tão inescrutáveis

Um silêncio bizarro acoita-se entre as frestas
Desta solidão aparentemente inesgotável
Ali quase delira a fé encharcada por esta maresia
De emoções tão absolutamente inescrutáveis

Em degredo ficaram as emoções mais incogitáveis
Deixaram as memórias possuídas por uma ilusão inimitável
Secundaram a noite incógnita que fecunda, gerou toda
Esta esperança manuscrita num verso frenético e imutável

Frederico de Castro
193

Vagas ao luar



Duas vagas ao luar desaguam no rochedo sedento
Pernoitam no leito das ilusões mais vibrantes
Alimentam caricias vindas de um longínquo eco a jusante

A maresia varrida por palavras castas e bem supridas
Repercute a imagem da esperança navegando desabrida
Cobrindo a noite com uma escuridão absurdamente esbaforida

Frederico de Castro
205

Fragrantemente



Fragrantemente o dia renova seus perfumes
Risonhos, castos e nada enfadonhos
Deixa mil gotículas de solidão a lacrimejar
Até excretar todos os silêncios mais medonhos

Fragrantemente cada sombra espreita pelo
Universo das emoções sempre tão fraternais
Anseia inquieta por todas aquelas caricias que
Estimuladas unificam e ingerem olhares mais intencionais

Fragrantemente na pacatez desta esperança tranquila
Cada ilusão pedinchona e irrequieta maquilha o tempo
Que se transviou numa hora vorazmente obsoleta
São mistérios da vida vadiando anonimamente discreta

Frederico de Castro
216

Ilusões intuitivas



A noite astutamente eclipsada por este breu magnânimo
Fecunda um insaciável silêncio esbelto e iludibriável
Une todos os cacos da solidão trivial, isométrica…vulnerável
Desenha no espaço toda esta côncava dimensão do luar
Fluindo, fluindo absurdamente inexorável

Frederico de Castro
190

Sustentação



Nos céus imensos ecos ecléticos e gigantes
Sacolejam aquela hora quase dissuadida
Enaltecem cada ilusão que dormita no
Vácuo de um vazio restritivo…tão destemido

Além bem sustentada e acudida
Gravita a luz e o tempo suspendido em
Tantos segundos plenamente contundidos
São apenas lamentos inadvertidamente bem difundidos

Frederico de Castro
158

Infima parcela de tempo



Cabe numa ínfima parcela de tempo um
Eco devastador, entorpecente e arrebatador
Renasce na plenitude de um sonho sustentador
Fecunda um psicotrópico silêncio tão aglutinador

Nos céus imensos, brisas gigantes bramem destemidas
Enaltecem e perfumam a solidão dormitando no enclave
De tantas auroras boreais apaziguadas e ressarcidas
Onde cíclicas emoções se algemam pra sempre bem remidas

Frederico de Castro
168

E subitamente...



E subitamente a manhã descerrou aquele
Silêncio que amarava ciclicamente ao longo
Da maresia sempre homogénea, tão espontânea

Feito o check in à solidão resta moldar cada hora
Imobilizada neste alegado eco que fenece extemporâneo
Ali confinado ao perímetro de cada afago tão cutâneo

E subitamente todas as alucinantes palavras mordiscam
A esperança que se entrelaça à fé mais extraordinária
Onde se tatua a alma com inigualáveis gargalhadas imaginárias

E subitamente cada sonho vadiando numa musculada brisa
Quase incinera minha oração prematura e insaciável
Escorregando pelo leito deste tempo indefeso e imutável

Frederico de Castro
172

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!