Lista de Poemas
Aqui jaz...
Aqui jaz
este silêncio moribundo
ecoa abatido junto àquele cais
onde de imediato mergulho
minh’alma transbordando ondas
lúcidas de mim
convertidas em marés, vagas
e sois diurnos, apaixonados por ti
Aqui jaz
um imenso oceano de solidão perversa
todo este mar ovacionando ondas que beijam
o estuário dos meus lamentos e pieguices
desaguando quais oferendas afagos ou meiguices
Aqui jaz
a noite rasgando a órbita avassaladora
de uma noite impregnada de cumplicidades
de mim…de nós
mais resignada por uma caricia inflamada
feita promessa tão conciliadora e alucinada
Frederico de Castro
158
Silêncio...tamanho XXL

Como medir um eco desmesurado
Como esvaziar o vazio ultrajado
Como calar o silêncio segredado
Como escrever um poema ansiado
Prenhe de inspirações animadas,quando
No intimo toda a alma se prosta inanimada
Na grandeza do silêncio tão tamanho
Rompem-se os tendões da solidão clamada
Adormecendo qualquer rima feliz e enfunada
Deixemos que os primeiros raios de sol se
Espreguicem e convertam a manhã sublimada
Em mil luminescências despertando tão inconformadas
Frederico de Castro
181
Onde o tempo desaparede

Sob escolta o poente beberica um drink
De solidão até desaguar num blasfemo
Silêncio algemado a este lamento supremo
Guardei na algibeira da solidão tantas memórias
Inimagináveis, sinónimo que as lembranças, essas
Nunca, mas nunca se tornam inimputáveis
Onde o tempo desaparece iludem-se horas inexistentes
Enfeitam-se emoções por vezes inescrutáveis, qual
Açoite calcorreando o itinerário de uma caricia memorável
De mãos vazias o silêncio ainda faminto amacia uma
Oração inspiradora e imutável deixando um côvado
De esperança encher o bornal da fé ainda mais irrevogável
Frederico de Castro
162
Silêncios inquantificáveis

Entra pela noite dentro uma lufada de silêncios
Tão indeléveis…quase inquantificáveis
Cartografam a alma que lentamente se aconchega
A tantas, muitas, ardilosas emoções irrefutáveis
Calafetadas ficam as memórias espontâneas
Deixam em sintonia aquele lamento que parasita pelo
Imponente silêncio encarcerado, visivelmente exagerado
Confinado ao poente que além reverbera tão apaixonado
Deixam em sintonia aquele lamento que parasita pelo
Imponente silêncio encarcerado, visivelmente exagerado
Confinado ao poente que além reverbera tão apaixonado
Frederico de Castro
246
As portadas da minha janela

Num silêncio atravancado range a
Couceira solitária, transformando cada
Gomo de luz numa emoção autoritária
Entre as portadas do tempo escondem-se
Emoções quase hereditárias, deixando uma
Carcomida ilusão a crepitar tão sedentária
O dia veste sua indumentária sublime e lustrosa
Escancara-se gentil e totalitário, até pousar quase
Embriagado num eco que além dormita tão prioritário
Escorregando pelo corrimão da saudade suicidam-se
Tantos lamentos arbitrários, deixando a memória algemada
Às aldrabas de um franzino silêncio tão excedentário
Frederico de Castro
186
Sacrário dos silêncios

Um grão de luz insuspeito penetra
Nesta escuridão exponencialmente
Indesejada, até se aconchegar depois
Entre os mamilos da noite agora indultada
Envolto num profano silêncio a solidão em
Prantos peneira cada lágrima caindo pelo
Semblante da saudade mais cogitada, até
Deixar na tardinha uma caricia, oh tão ostentada
E assim resvala o tempo sonolento e molestado
Embebedando cada hora esquiva e desapontada
Despenteando esta ilusão extravagante e espevitada
Na clarabóia dos meus silêncios brilha um luar tão grado,
Tão denodado que me atrevo a seduzir-te todo o abecedário
De palavras inspiradas, impregnadas com um sorriso tão sacrário
Frederico de Castro
146
Além rasteja a noite

Descalçam-se mil memórias expectantes
Ladrilham a solidão que desmaia entre
Dois milésimos de segundo tão litigantes
Descobre-se a noite rastejando pelo areal
Da vida agora mais vasculhada e intrigante
Embebedando doces palavras quase dissonantes
A luz da manhã ainda mortiça e pontiaguda
Socorre a saudade além estagnada numa lembrança
Poética, quiçá aconchegada nesta caricia tão desatinada
A cada nascer do sol exulta a alma quase fascinada
A cada silêncio remasterizam-se ecos tão ovacionados e a
Cada inequívoca emoção explode um sentimento quase danado
Frederico de Castro
224
Dá que pensar...a solidão
No meu dicionário nem encontro palavras
Que preencham o vácuo de todos os vazios
Contidos num lamento massivo…tão esquivo
Pois a noite esconde-se num breu mais persuasivo
Na várzea das solidões habita um eco intempestivo
Deserta pelo horizonte da memória mais cativa, até
Que o silêncio coe cada lágrima sempre depurativa
Dá que pensar…a solidão tatuada numa ilusão inactiva
Pintalgada de emoções que na expectativa, se convertem
Numa fé, penetrante, incisiva…mais vindicativa
Frederico de Castro
176
Mastro do tempo

A subir pelo mastro do tempo
Embandeira-se uma hora inactiva
Aprisiona um penacho de luz que
Ondula pela maresia tão exsudativa
A solidão mutilada estende-se ao
Longo deste silêncio irreversível
Excomunga da memória qualquer
Lembrança absurdamente imprescindível
Embalo entre minhas mãos a noite esquiva
Enfeitiçada por escuridões quase cativas
Entrelaçando-se entre sombras matreiras e exclusivas
Sem rumo cada breu disforme e instintivo pernoita
Entre uma cachoeira de lágrimas tão supurativas
Quais maciças caricias sedentas e mais coercivas
Frederico de Castro
224
Nas margens da solidão

Enquanto amadurece a manhã cada hora
Por mais inútil que seja engrandece esta
Ilusão que peleja feliz e toda a alma elastece
Aprecio o estado de graça deste tempo
Fecundado entre as trompas de um silêncio
Que fenece além tão inanimado
Ilusória e lastimável deixo a memória burlar
Cada lembrança comovida e improvisada
Até algemar uma pusilânime caricia tão ousada
Com acordes vorazes e elegantes o silêncio
Prostra-se junto às margens de um desejo mitigante
Oh, doce ninar daquele sonho avidamente inebriante
Frederico de Castro
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