Lista de Poemas

Que me importa...

Que importa se a noite na sua coscuvilhice se intrigue
Com esta solidão matreira, tão indiscreta e leviana
E trame uma daquelas tramóias fuxiquentas e insanas

Que importa se a luz se desnude numa querela de breus
Intrometidos na urdidura dos silêncios alcoviteiros e profanos
E nós dois intrigados nos entreguemos num bailado de afagos ufanos

Que importa…pois que importa, se na saudade eu ainda
Engendre uma lânguida e trafulhenta memória tão sedenta
E no mais ávido eco orquestre uma fanfarra de palavras fraudulentas

Que importa se nesta solidão à candonga eu revele a nudez desta
Escuridão polvilhada de murmúrios soezes encrenqueiros…tão matreiros
E depois, bem depois adormeça ao colo de tantos lampeiros silêncios caloteiros
Que me importa...

Frederico de Castro

135

New Life(nova vida)

Claudica o tempo emaranhado num segundo tão empírico
Dei um sonífero à solidão para que esta adormecesse pousada
No dorso de todos os lamentos profanados, quase quase degradados

Na aldeia dos meus silêncios escuto o timbre de cada sussurro enamorado
Escovo a cabeleira das palavras onde se penteia o dia sereno e imaculado
Assim me lambuzo com brisas regurgitadas por um poente mágico e exaltado

Nova vida será aquela que, sem desacatos romperá clonando e plagiando as
ilusões tão sinóticas e irrepreensíveis, além onde se venera a fé tão grandiosa
E na liturgia das palavras elegantes condecorar a esperança, inata, ilibada…contagiosa

Frederico de Castro

109

Ontem passei por aqui...

Quando passei por aqui encontrei as fenestras da solidão
Tão fechadas, quase algemadas a um lamento especulativo
Apenas consegui tatear donde vinha aquele afago interativo

Ontem passei por aqui e deixei à janela do tempo uma eternidade
Confinada à academia do meu lirismo mais poético e tão cognitivo
Ali me despi e de tocaia embrenhei-me em cada mágico silêncio altivo

Por onde passei passeou-se uma hora prenhe, fecunda e putativa
Em linhas de giz escrevi o prefácio das tuas sedentas caricias apelativas
E por fim adormeci juntinho às coxas desnudas desta solidão tão superlativa

Por onde passei deixei as palavras em litigio alimentar uma prece recreativa
Opus-me ferozmente àquela solidão que teimava ser arguida nesta paz infinitiva
E dali extraí o mesmo silêncio que pastava na sucursal das brisas amenas e sensitivas

Frederico de Castro

186

Juro-te lua

para a Carla

Em cacos a noite adormece estilhaçada, tão penosa e sentenciada
Advém deste silêncio minhas preces saboreadas numa brisa solene e enamorada
Tal qual a imensidão de escuridões pousadas no tapume das palavras mais estouvadas

Juro-te lua soltar teu luar para apascentar o imarcescível horizonte de breus louvados
Congregar em cada gargalhada o sabor faminto das ânsias e dos desejos agora revelados
Acantonar-me nas margens do silêncio onde desbravo um turbilhão de ecos bem preservados

Juro-te lua dessedentar-te nas mais íngremes estepes dos céus voláteis vorazes e impulsivos
No perímetro da noite contornar a geometria dos tempos periféricos, mágicos e compassivos
Medindo a tridimensão de cada hora onde assenta a solidão do teu olhar ainda tão persuasivo

Frederico de Castro

128

Em Órbita

Estou em órbita em torno da Terra
Vejo-me noutra dimensão e perspectiva
Gosto do espaço amplo e genérico porque
Ali não há mal-entendidos, nem caos ou desordem
Há somente nada e um pouco de quase tudo…

Frederico de Castro

238

A chuva também sabe dançar

A chuva dança ao som de uma rumba elegante e arrebatadora
Sapateia entre cada pingo de chuva caindo no meio da solidão desertora
Sua sincopação extravasa a sensualidade de todas as carícias tão generosas

Ao som de um prodigioso eco o tempo tatua cada hora macilenta, felina e refulgente
Revela-me as nitentes batidas do coração que respinga ao ritmo de cada uivo urgente
Enquanto flamam palavras prenhes e seduzidas pela escuridão mansa e fluorescente

Frederico de Castro

169

Dói-me tanto a alma...

oje esgotou-se a solidão trajada de silêncios quase impunes
Deixou resíduos de mágoas, ali a bolinar tão serenamente vulneráveis
Devorou a luz que imune, se escondia entre as fendas do tempo imparável

Hoje dói-me tanto a alma que até me esqueci de lograr o silêncio impenetrável
Ver entardecer o dia regando com lágrimas o jardim de preces mágicas e afáveis
Costurar neste poema a indumentária de cada uivo felino, voraz e indecifrável

Sem pudores despe-se a alma regurgitando sua nudez tão lírica, poética e passional
Escancara a janela das emoções onde se trajam palavras gizadas numa brisa mitigável
Onde todos os indeléveis improvisos da minha tristeza ali dormitam tão volúveis e imutáveis

Frederico de Castro

244

E se preciso for...

E se preciso for, tatuarei os céus com azuis tão mágicos
Todos eles empoleirados num enfeitiçante eco subjugado
Tantos deles pastando no redil dos meus silêncios ali manietados

Surripiam cada murmúrio que macio ornamenta uma carícia atordoada
Engodam tantas gargalhadas empolgadas, aconchegantes e apaixonadas
Arrojam-se aos pés do silêncio que escorrega pelo palato das meiguices empolgadas

E se preciso for, fecundarei o gineceu das palavras famintas e tão privilegiadas
Para que se homenageie a solidão ilustrada num sussurro canonizado, ali manietado
E no frescor aromático de cada desejo, lambuzar-me com muitos, tantos afagos enamorados

Frederico de Castro

178

Clamei delicadamente

Clamei escondido num breu tão delicadamente ameno
Tentei seduzir a noite bordada de murmúrios castos e serenos
Debruei a negrura do céu onde flutuavam as pétalas de um afago ferrenho

Vi clamar a noite dissimulada num finório desejo mais sorrateiro
Triunfante a escuridão pousou, ágil e inquieta sobre uma brisa desordeira
Embebedou-se neste aguaceiro de palavras despencando numa carícia inteira

E subitamente deu-se a redenção do luar estagnado sobre aquela hora inconstante
Pingo a pingo espargiu no silêncio ternos e tenros murmúrios vulpinos e devorantes
Deixou que um sub reptício desejo algemasse os meus rebeldes versos tão suplicantes

Frederico de Castro

167

DIAS EXTINTOS

Extinguiu-se o dia empoleirado na haste dos
Silêncios mais macabros, mais voláteis e melancólicos
Ali dormita a escuridão romântica embeiçada por um eco eólico

No epitáfio do tempo escrevi a pronúncia de um murmúrio parabólico
À esquadria desenhei os recantos dos céus escurecidos por este poente sistólico
Debruei o horizonte que elástico se estendeu no varandim de cada segundo bucólico

Frederico de Castro

191

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!