Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

n. 1999 BR BR

a poesia morreu, espero que entenda

n. 1999-04-21, Irati,PR

Perfil
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Poema Perfeito

Liricamente impecável 
                      Incrivelmente burro
Estudei todas as formas de fazer poesia
                               Escrevi o poema perfeito:
                                                                     O nada
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Poemas

32

todo dia sem você parece domingo


a saudade é amarga 
o amor em seu âmago
enxuga minha lágrima-onírica 
te encontro em meus sonhos
214

eu tambem tenho sonhos eletricos

quando algo não funcionava era com socos que você consertava 

pecado hereditário 

gaze nos olhos:
                           lágrima ou sangue?

só aprendemos a gritar
nosso amor são golpes na boca do estômago 
feito carne, osso e perdão 
eu te vi como um animal 
correu para cima entre berros e socos
 

(culpa) não me concerne 
(violência) não me concerne
(desculpa) não me concerne
(perdão) não me concerne

de tudo que me atravessa mas não me pertence
 
não adianta chorar por indulgência.
229

todo domingo é triste mas pelo menos saiba que eu volto

quando acordo sozinho é um açoite 
o destino do meu corpo é o seu
o destino da minha boca é a sua
mas calma, amor
nossa vida é aos pouquinhos
enquanto dormirmos sobre o mesmo céu 
estaremos juntinhos
203

nós/eles

comunico em grito
o silêncio já basta
é fagulha
é protesto 
o corpo 
a carne 
a causa 
o sangue 
um otimismo patológico

nós sim, eles? não


o tijolo que estilhaça o vidro
faísca
queime tudo que são deles
escute as vozes
internalize
em um único coro
221

quando você chegou

quando você chegou 
entrelaçou em um figado-podre
um ramo de azaleia 

quando você chegou 
esfarelou pedacinhos de estrelas 
em cima do meu lábio

quando você chegou
fez morada em meu peito
e sem pressa
pôs-se a descansar.
215

nunca mais

e nunca mais escreveu
pois toda palavra 
já foi usada

e nunca mais amou
pois todo boca 
ja foi beijada

e nunca mais chorou
pois toda tristeza
evaporou

e nunca mais sonhou 
pois a janela-onírica
emperrou

e nunca mais dançou 
pois os sapatos 
desgastaram

e nunca mais cantou
pois a traqueia 
arrebentou 

e nunca mais 
e nunca mais 
e nunca mais 
e nunca mais 
e nunca mais 

somos maiores que tudo isso
225

e nada restou

só a ideia existe 
e nada mais
só a tormenta existe
e nada mais
só a palavra existe
e nada mais
só o déspota gorverna
e nada mais
só o ódio compele
e nada mais 
só a moldura existe 
e nada mais
só o pensamento governa 
e nada mais
nada existe:
herdeiro/prisioneiro de uma contradição ignóbil
209

Marcha fúnebre para um sonho


Já nem sei quantas vezes
Pensei em desistir
Em me perder
Em reencontrar
Em dissolver
Em dissipar
Em desencontrar

Em suma
Um sono
Meu sonho
É selva
317

pixação

pixo
haikai
de
rua
301

16

Olha o de longe parece ser diferente
de perto ainda continua o mesmo
por dentro dessa carcaça
de 206 ossos
e 32 dentes
ainda continua o mesmo
você dirige seu carro
faz sua barba
e continua o mesmo ingênuo
que acredita que as pessoas são boas
que o perdão é uma coisa sagrada
o mesmo menino que quer ser livre pelo mundo
no final do mês ganha seu salário
descontam da aposentadoria
e continua o mesmo
no fundo ainda acha fascinante o comunismo
como da primeira vez que ouviu falar na aula de história
ainda se encanta com a mitologia grega e seus metáforas
que vai casar e ter dois filhos
uma menina e um menino
e vai criar eles livre de todo esse preconceito
você ainda continua o mesmo de quando tinha 16.
309

Comentários (3)

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Bons poemas, poeta. Já estive em Irati e faremos um congresso literário aí em novembro

paola_

te seguindo no instagram =)

paola_

bacana que já tens livro publicado!