gabrielperalta217

gabrielperalta217

n. 1997 BR BR

Ás vezes escrevo um pouco

n. 1997-07-15, Canoas

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Sobre a pouca vida que tive

a pouca vida que se vive
permito que a lua ilumine
tragédia de infinitas cores
algumas linhas já define

a pouca vida que pude viver
nela estive pouco tempo
o passado surge hoje
me roubando o momento

á pouca vida que chamei vida
não sei se posso assim dizer
as poucas pessoas que ficaram
ficaram sem me ensinar a viver

há pouca vida restante
repousa no vazio da mente
parte procuro discernir
parte está no presente

a pouca vida que está por vir
como um dia todos se vive
algum dia estive na vida?
duvido que em algum deles estive

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Poemas

59

Rua sem fim

Ó fria neblina que desce
ocultando a visão
crês que não desejo,
que te amaldiçõo. Não!

aprecio tua presença
tudo parece distante
como se a casa vizinha
estivesse mais adiante

refletes minha alma
dentro de mim é assim
nada perto para ver
nessa rua sem fim

102

Ir além

deixe-me ficar
somente até o final
dos meus dias
permita-me ir além
dos sentidos
e das medidas

entre os espaços
que residem
além da compreensão
está uma morada
onde aguarda
a imaginação

120

27

Jimi Hendrix afogado no próprio vômito
Janis Joplin numa overdose de heroína
Kurt Cobain pelo cano de uma espingarda
Amy Winehouse por excesso de álcool
e há outros

hoje também estou com 27
e mais do que nunca penso
que se fodam quem diz 
27 é o auge da vida

tenho 27 e já estou cansado
27 e já sinto dor nas costas
na cabeça
e na alma

entendo siceramente tais ídolos
que querendo ou não
encerraram a vida aos 27

hoje também estou com 27
e ás vezes ao acordar
e levantar da cama

pensando na longa estrada por vir
e nos fantasmas que estão a me seguir
poderia eu, querendo ou não
encerrar de vez com essa solidão

pensando nas muitas noites sem dormir
e nas lágrimas que ainda verei cair
poderia com poucos motivos assim
encerrar essa trilha sem fim

lembrando dos amores perdidos
e na constante falha desses sentidos
será que com o pouco que me resta
veria um pouco de luz saindo dessa fresta?

lamentando profundamente por esses atores
que enchem suas próprias vidas de dissabores
eles também podem, querendo ou não
acabar com essa imensa encenação

ouvindo as palavras que nunca falei
e as verdades que nunca confessei
seria por corajem ou por medo
livrar-me do peso desse segredo?

pensando nos poemas que li
e nas alegrias que nunca vivi
poderia eu, senhor coração
tirar-te dessa dolorosa ilusão?

155

Mundo esquecido pelos homens

E sobre aquele sorriso?
Prefiro falar sobre aqueles olhos
Eu costumava me perder neles
Eu costumava me ver neles
Porque é isso mesmo
E mais nada

Só me perco quando vejo eu mesmo
Vagando sem destino nesse mundo esquecido pelos homens
Quanto mais tento me descobrir
Mais me perco
Quando mais me aproximo de quem sou
Menos eu me vejo

Quem supostamente criou-me ideal?
Só sei que as ideias me corroem
Em qual esquina tornei-me mal?
Só sei que minhas vestes aderiram ao corpo

De tanto usar essa máscara
Ela grudou-se na cara
Quem saberás o que é falso ou real?
E quanto a diferença entre bem e mal?

A realidade indiscutível é essa
Ninguém sabe o que quer
Ninguém sabe quem é
Descrença ou fé

Ninguém me parece saber onde vai
E menos ainda de onde veio
De tanto preencher se esvai
Que matéria fina tenho eu direito?

86

Meu único pesar

olhando de longe
não me parece certo
mas eu estou aqui

não posso me entregar
parecer um ser comum
longe e distante 
no mesmo instante
meu único pesar
nesse palácio triunfante
é não poder ser completo
um ser negro e frio
sem espinha para calafrios
sem coração para bombear
o que não há em minhas veias

109

Minhas partes

Meus pertences estão aqui agora
Mas ainda me falta algo
Algumas partes minhas
Que ainda não encontrei
Sei onde procurar
Mas não ouso
Nem se eu puder achar

Espero encontrar por aqui
Mesmo sabendo 
Pode demorar um pouco
Minhas partes estão por aí

Busco elas sem buscar
Procuro sabendo que não vou achar
Por vezes uma parte se perde
Faço por bem deixá-la onde está

Em sua maioria se vão
Traços de um tempo
Resquícios de uma união
Que se perdeu no momento

131

Respirar

se nada disse
foi por nada ter a dizer
se deixei espaços em branco
é por assim ter que ser

a obra respira
cruza as ondas
do mar
as ondas são seu respirar

como o coração que bate
momento sim e momento não
como um sino que entoa
hora sim e hora não

também minha vida oscila
nessa oscilação desvia
desses tais desvios
parte é real e parte é mentira

137

Algo de novo

nada de novo nesses dias
uma chuva no meio da semana
um feriado na próxima

nada de novo durante esses dias
talvez leia um capítulo a mais
tome mais uma xícara de café

nada de realmente novo nesses dias
hoje acordei sentindo um vazio no peito
nada diferente de ontem
ou de qualquer outro dia antes desse

nada de surpreendente nesses dias
ontem lembrei de uma saudade escondida
mas hoje esqueci dela de novo

há algo que me surpreende nesse dias
uma centelha a mais de esperança
onde não deveria haver
e uma risada forçada
não havendo porque

me conte se há algo de realmente novo em seus dias
pois nos meus
não tenho

92

As manchas

ela não é simpática
ela é um pouco estranha
desvia dos assuntos
não gosta que lhe neguem algo

mas vejo o porque
o rosto dela tem manchas
consigo ver
manchas da mágoa
e da solidão
manchas das agressões
sinto um abandono

vejo nos gestos 
nos olhares
no sorriso forçado
nas palavras irônicas

há pessoas neste mundo 
que de tanto lutarem com a vida
acabaram se transformando
no que de pior há nela

uma pessoa sensível e alegre
em vestes de alguém cruel e estúpido

156

Céu azul

uma fada
uma libélula
um querubim em sua musicalidade

um sopro
um encanto
uma palavra dita com suavidade

um traço a percorrer nesse céu azul
curvas vermelhas e um canto a sorrir
relvas negras desenhadas com sutileza
cachoeira castanha sem água para cair

ri como uma criança a brincar na areia
dum mar de ondas que nunca se acalmam
ao longe vês montanhas a se elevar
e imagina histórias que nunca lhe contaram

108

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