Bem, mas falando a sério,
Ela aparece quando, quando eu desistir?
Se a ideia for essa, então é preferível que não apareça.
Eu acho que estou à espera há muito tempo.
E parte de mim, acredita, contra vontade,
Que as possibilidades
São de que vou esperar um tempo igual ao que já esperei,
Ou até um tempo superior para que ela apareça.
E parte de mim, diz-me que não vou esperar assim tanto,
Porque a certa altura
Não restará nada mais senão deixar de esperar,
Ainda que certos fragmentos refiram,
Que eu não posso deixar de esperar.
E os últimos pedaços explicam,
Que se ela aparecer quando eu deixar de esperar,
Foi porque não estive à espera,
E que se ela aparecer enquanto eu ainda espero,
Foi porque à espera estive.
Mas não sei qual das duas seria a melhor.
(Pois ambas parecem iguais dado o momento atual,
E ambas carregam a sensação
De que têm de refletir algo completamente oposto uma da outra.)
Ainda que no fundo seja igual,
Mas quem sabe, diferente.
Se diferente for bom e se igual for igual.
O que ela pensa?
Por vezes questiono-me,
Será que enquanto a imagino ou falo dela,
Ela faz o mesmo de mim do outro lado?
Mas estas dores…
A cada vez que ocorrem,
Parecem ser mais um rasgo no tecido coronário.
E agora, a minha emoção tornou-se tal,
De ordem massificamente avassaladora e gloriosa por si mesma, como solitária.
Que o simples facto de ouvir as músicas que me acompanham,
As únicas vozes verdadeiras que me têm seguido,
Mais destes rasgos se originam
E cortes pungentes, trazem mais dessas dores.
Dessas palpitações.
A escrita igual…
E eu sinto que não só tenho morrido a cada dia, de tudo o que a vida nada traz,
Como também tenho morrido da minha própria cura escrita em papel.
O que se veio a tornar claro agora.
Pelo que se a minha desconexão já era parcialmente total,
Dentro de todas as totalidades reais,
Agora começo a deparar-me com algo vilmente mais cruel,
A minha desconexão é total, dentro de todas as parcialidades imaginárias.
E se por outrora dois palmos abaixo de terra estava
Por odiar isto tudo, isto tudo…
(Pessoas na sua maioria, por serem superfícies mais planas que o superficial polido,
Sistemas de sociedade mais falidos do que a dívida geral pode detectar,
E uma falta de compreender o que aqui estou a fazer
Juntamente com todas as respostas às perguntas que podem surgir,
Além da falta da minha dona
Do qual nunca poderia eu, ser senhor vassalo.)
Agora quatro palmos acima dos céus,
Por tudo aquilo que a fantasia, idealização e sonho traziam.
(Agora um abandono é necessário para coser novamente
Aquele tecido de vermelho elastano,
Que palpita mais do que outros palpitam por ele.)
E eu não sei até que ponto,
Se pode coser cicatrizes em cima de queimaduras.