guilhermer0sa

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Mineiro do triângulo metido a artista, poeta e vagabundo...

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Eu?

Reduzo o som da vitrola moderna a tocar

com meus dedos do século XXI.

Como se com a mão impedisse o chocalho de chacoalhar,

sei lá, no ano 1651.

Isto para escrever este relato, relaxar,

e tentar desviar a atenção de algum eu

que incitou-me a beber e fumar pela tarde

mas que covarde, não?

Sabendo das minhas fraquezas

e de como isto por ora arde, apesar da arte.

Sim, arte, mas a parte

do gesto

do trejeito

a tristeza esfumaçada que paira mas não sara

Só vai e volta,

Por isso, a parte

pois não deve fazer parte do presente

esta arte

apesar de existente, latente.

Guilherme Rosa

Primavera de 2015.

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Poemas

10

Dona Maria

vó,

hortelã

bolinho de chuva

manhã

a paz gostava de lhe fazer visitas,

sabida como ela só.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

224

Eu?

Reduzo o som da vitrola moderna a tocar

com meus dedos do século XXI.

Como se com a mão impedisse o chocalho de chacoalhar,

sei lá, no ano 1651.

Isto para escrever este relato, relaxar,

e tentar desviar a atenção de algum eu

que incitou-me a beber e fumar pela tarde

mas que covarde, não?

Sabendo das minhas fraquezas

e de como isto por ora arde, apesar da arte.

Sim, arte, mas a parte

do gesto

do trejeito

a tristeza esfumaçada que paira mas não sara

Só vai e volta,

Por isso, a parte

pois não deve fazer parte do presente

esta arte

apesar de existente, latente.

Guilherme Rosa

Primavera de 2015.

232

Neste dia outras cores

Hoje o céu é azul e branco

e tudo aqui em baixo é amarelo, quase aurora.

é,

até os pássaros,

não tão belos quanto os de outrora.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

219

Uva

Voa,

voa vento ruim.

Pra longe, vai.

Avoa.

Me deixa aqui,

com meu cacho de uvas

que pousou cá.

Vai lá!

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

243

Materna

Cantarolava: "Que saudade da Amélia..."

Ah... Que saudade da velha.

Pretinha, cidinha,

de pele bem torrada.

Que saudade dos teus contos

cheios de encontros e desencontros.

Das histórias, do carinho.

Proseava,

reclamava,

principalmente nos dias findos

quando a confusão lhe incomodava.

Mineirinha de sampa,

do radinho inseparável

Mexia as cadeiras pro samba,

amável.

Assim era a vó materna,

de coração terno,

eterna.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

219

Não corra diante das cores

Num só caminhar,

quanto a observar,

o som do cantar,

o som do andar.

O verde a me convidar,

recuso.

O azul me espera pro jantar.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.
231

Maria

Sorria,

o que mais dizer nesta poesia.

Que este nome me causa alegria?

Doce Maria,

esta dos olhos mansos,

serenos e pequenos.

Do olhar que penetra e intriga.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

216

Graça

Graça, de anseios,

ou não.

Sabe-se lá o que passa

em seu coração,

que as vezes guarda o que o mar dos teus olhos tenta reter,

em vão.

Quando a maré dos olhos está alta

ao menos um pouquinho se sabe do coração,

ou não.

Graça,

que o verde alegre dos teus olhos nunca esfrie o tom,

são encantadores assim.

Graça mãe,

para os filhos deu muito amor.

Viva,

a felicidade te convida para a vida.

Cante e encante,

seja.

Enalteço teu ar

com palavras ora sem graça,

mas que pouco almejam tê-la,

sei do seu trato com ela para sê-la.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

229

A tristeza também sambava

No partido alto,

tão bela,

alegria sambava de salto,

singela.

Enquanto isso,

na melancolia dum samba canção,

ela, triste,

se divertia de montão.

Quem diria,

dançando com a melodia.

Era samba

onde até tristeza ria.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.

232

Ora

Ora triste,

ora alegre.

Ora sorrindo,

ora só indo,

ora rindo, indo.

Ora dançam juntas,

tristeza e felicidade.

Ora bem-vindas,

hora da intimidade.

Guilherme Rosa

Verão de 2015.



227

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