Peito De Papel Açoitado
Puro, como verdade
escorre puro, alíbido
Como engolir o cidro
dessa falsa fraternidade
Que me fratura,
a tortura, puro, puro;
Como a cura
daquilo a doer
Como se encontrar, em planos diferentes
Tudo que corta, vai precisar sangrar
Mas felicidade é estancar
Porque pra sorrir basta os dentes
Sangue estanca
Minha caneta de alavanca,
levanto as letras em troca meu peito espanca;
minha alma se tranca
Foge da adaga,
minha mente se rasga
meu pulso que paga.
Meu choro afaga;
a chama do ódio apaga
Ódio de si,
que meu peito açoitado traga
Como se escrevo no própio receio:
de sangue, de choro
de ódio, de fogo.
Verso feio; De anseio
Ospitau
Hoje vi uma moça, raivosa
pois parecia decente
do psicológico perecido ansiosa
protegendo sua cria doente
Aos berros entrou no hospital.
"Isso não é um hospício!!!"
"É um lugar do mal",
a moça responde
5 Horas de espera
Ou seriam 6?
Menina doente, avia feito 7
de viver xanse nem 1 pouco
a mãe pula o balcão como numa celva
amarrada por fios e cordões
então a polícia é chamada
cim, pelos vilões
vilões invisíveis, mas perceptíveis
eses os verdaderos selvagems animais
robaran dinheiro, robam sonhos, robam vidaz
qe noz roubaran as ezcolas e os ospitais
Modernista do Século XXII
Medo da morte não temos
medo doque não sabemos.
Oque é que vem depois?
a vida é uma só, ou se divide em dois?
De quando era pequenino;
jovem tolo, jovem menino.
De quando eu corria atrás do que via na frente
hoje eu vejo aquela poesia de olhos e pernas, indiferente
Nem tentei, qualquer elogio mente.
Não consigo mesmo, pra ela insuficiente,
pra essa poesia sou o suficiente;
Nada mais que o suficiente
a morte mora no fumacê
Ouço poesia
Me sinto mais poesia
Vejo uma pessoa viva
Me sinto mal
stagnado, pelo menos morto,
assim me livro
de ser vivo.
dos dogmas dos incônscientes
nem vivos, eles só desfalecidos
Ao menos isso
os dêmonios do poeta
quem sabe lhes-retiro
morto, não vivo
eu só escrevo
eu só respiro
escrevo, suspiro
choro, respiro
sangro e repito
tempos que não como nem durmo,
piedade me imploro,
me tranco e choro
e se saio é porque fumo
alteração da aliteração
da cultura, até cultuamos
homem cultos
sábios e machucados, eles ocultos
que não curamos
jogo com a palavra
e aposto nela
mas já vi fugir a tela
com medo da aquerela que pensei que seria dela
meu caderno se tivesse olhos
veria, quando eu viria, então fugiria
com esses olhos, quem me olharia...
se olhasse, pouco olhasse, nojo teria
Letras rabiscadas a mão, a fé
fé de alguém que não crê em si
caderno molhado de lama que afundou o pé
daquele do verso enxuto, que ganhou nojo de todos que... 'conheci'...
A fé era eu;
O caderno era eu;
A letra era eu.
Conheci então. Não conheceu...
poeta maldito você nunca me reconheceu
piadas em linhas mortas
Tipo poeta, homem morto
como se a linha fosse sentimento
como suícida, poeta morto
Cadáver que virou o próprio depoimento
Piadas pesadas que eu até sorri,
necrófilia é a desordem:
Porque eu já morri
sabe, essas linhas fodem
Simetria é um saco
a ponta pesa mais que o cabo.
Não é uma faca, uma caneta
e um cigarro do meu tabaco
não sou comovido, não ganho comoção.
Todo dia faço uma apelação
Nunca precisei repetir um verso
Por que esse merda de vida morta é um refrão?
Trapezista De Bar
Em meio aos bêbados
procuro uma prostituta
Sim a vida é luta, uma puta
Só preciso de dinheiro, pra cerveja e prazer
Que bêbado precisa
de uma equilibrista
se fosse pra morrer morreria
não tem moça bonita que seguraria
o sangue há de correr
meia noite e o trem atrasou
mas passou;
por cima do meu cadáver
oh chuva que me enterra
vento que berra
caído na terra que molha
até o céu me olha
tomei meu banho
nessa cidade até a água caiu escura
me sinto estranho
chuva chove ácida, tortura
quem diria, nessa vida de luta
poeta, trapezista arupanado
poeta, acertaram teu álvaro
Então morreu no braço da puta
Insônia do Morto
Por favor, imploro, não deixe a noite cair
Papéis, tantos amassados
Pulsos, tantos cortados
Mas a tinta vermelha ainda há de fluir
Quero morrer, não dormir
Talvez seja o fato de não querer acordar
Mas acordo... não queria
Uns imploram para acabar,
outros rezam por mais um dia
Na terra dos mortos,
vejo um sonho
impregnando tudo que componho
Na terra dos sonhos,
vejo a morte
uma caneta e um corte
tão subversivo
mas ainda submerso
Não! Imploro! Não me leve pro próximo excesso
Quem? Quem deu-me outro dia?
Quem me trouxe até o último verso?
REvolução REpetida dos REtrógrados
O meu eu, é eu!
O seu, quem escolheu?
A indústria, a empresa
a selva de dinheiro, a vontade é a presa
preso aos prazos
atrevidos mas atrasados?
concentidos com casos
Estúpidos e errados
eles gritam revolução
mas falam dos mesmos tema
da mesma merda
pintam da mesma cor
usando a mesma roupa
arte não é amor caralho
viver não tem a ver com vencer
jogar não é só embaralhar o baralho
música não é fazer barulho
Esculpir arte não é juntar entulho
eu me aceito, pensamento ético
mas o poquinho que sobrou do meu sálario
gastei em roupa e cosmético
Linhas com L de lindas;
Versos com M de maquiagem
Você nem sabe, ou se indentifica
Porque as pessoas gostam?
É normal gostar de tudo
Hoje a revolução não crítica....
A burrice é pensar que qualquer merda
é soldado
que qualquer cola é cimento
e quando o teto cair
Você ainda bota a culpa no vento
Não é boa Sede
profetizando prefácios
vazios e vazios
a sede flui como um rio
que o verme se embebedou e sorriu
temperatura sóbria
original, pior que a cópia
pior que tudo
pior que mudo
eu mudo?
nunca mudei
nada mudou
sorriu verme que embebedou
Cara eu sou bom
eu sou mais ou menos
Coroa eu sou ruim
eu sou sim, com certeza
tipo a vida é uma sorte
que me azara
eu nem sou forte
mas a ferida sara
eu corto de novo e sem tara
cara
tem um risco no pulso
uma cicatriz no caderno
e uma lágrima na cara
Seus textos são maravilhosos! s2