Ícaro Italo Gomes dos Santos

Ícaro Italo Gomes dos Santos

n. 2004 BR BR

Ícaro Ítalo Gomes dos Santos,pseudônimo;Italo_poetrix. Descobriu sua paixão por livros ao ler"A Árvore Generosa" (The Giving Tree) e desde então tornou-se súdito da palavra poética e busca entender seus conhecimentos através dos caminhos líricos .Nascido em Aquidabã,do agreste Nordestino ,vêm se destacando com seus poemas com temas múltiplos .

n. 2004-07-01

Perfil
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Cortesia as pedras


Pedra por pedra, molda-se esse caminho onde os pés trilham nuances sozinhos, onde não existe gravidade, apenas a inevitabilidade do sorrir, do agir como um clássico moderno à Atração Magnética, impulsionando-nos a sermos o paciente de Jasper DeWitt, assimilado à própria existência da Erica, deixando-nos levar pelo desejo em êxtase ao cortejo da nossa lúdica...

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Poemas

7

Ao corte do caule

​A depressão é silenciosa,
Em harmonia melancólica como uma gota de orvalho na pétala da rosa.
​Roubando sua alegria de viver,
Faz você crer em uma ilusão:
Que o fim de toda a sua decepção
É o corte do caule.
​Nessa fotossíntese, a foto-síntese do retrato que retrata
O desconhecimento do seu Ser,
No oxigênio do medo, deixando que a angústia o enjaule.
​Toxina que se diz ser generosa,
O envenenamento do pensamento que causa o falecimento dessa rosa,
Mas
Não consegue destruir suas raízes.
E, ainda que em solo árido, é válido lembrar que sempre há
O ressurgimento de suas origens.

197

Obra de arte perdida ,encontre_me ...

A arte está presente em cada palavra que, neste momento, escrevo e apago;
A arte está presente em todo pensamento vago.
​Não se define a palavra arte,
Pois a mesma se comparte:
​Parte dos nossos sonhos e ideias que ainda não concretizamos
São obras de arte ocultas,
Silenciadas pelo elo do medo da concepção de pessoas em um mundo que nos multa.
​A arte é o despertar de um relâmpago;
Tocá-la pode nos retirar o fôlego.
​Não sei se é algo em que eu creio,
Mas nas minhas próprias palavras eu leio que, antes de tudo,
O nada nunca foi nada, pois sempre foi arte.
​E na dúvida da vida após a morte,
Eu vivo a dívida da dádiva: que na arte da morte, a vida existe.
​A arte está presente em todo momento, ainda que o seu olhar não a registre.
​Antes, eu queria aprender a desenhar,
Me prender, me moldar;
E depois de tantas tentativas vazias,
Parei para escrever um pouco do que eu sentia.
Naquele dia, percebi que era nos mínimos detalhes
Que a arte surgia.
Hoje, deixo que a arte me ilustre...

33

A seda da sede

Sou um aracnídeo lírico 
Com o tecido do que foi esquecido

E a cada verso a alma alivia

A alma ali via que o corpo sentia que já não pertencia aquele mundo que habitava 
Por isso ,
Naquele momento em que o tecido era destruído 
A aranha se moldava 
Mas não mudava

Persistência  na sua residência não por  acaso
Proteção a casa da causa que amava

Ela caiu 
E no cair
Pode sorrir

Pois em poucos segundos,

Ela planava ...

Ícaro Italo Gomes dos Santos

21

Vórtices viram versos

Nesse céu da dúvida,
Nesse véu da vida,
Vejo que velejo no vórtice de versos que veste-me.
Nesse abismo literal,
Nesse mesmo ritual onde a escrita é meu refúgio
Dessa sombra que assopra o existencial.
Dizeres que tudo isso é um teste.
​Fujo da minha mente,
Cujo com minha morte,
Ao lado lido na aula do colírio lírico.
Aprendo com a disciplina da superstição:
Formigas na parede e os pés formigando no chão...

69

Ao corte da adaga ."Rúbricas"

​Olhos de águia;
Ferida aberta ao corte da adaga.
Molho os olhos de lágrimas,
Cego-me desses pensamentos curvos.
Ao cântico do corvo,
Julgamentos cujos são dádivas:
Permitem-me sofrer e ver quem são os verdadeiros humanos.
No mundo do medo,
O amor se transformou em um holograma de danos.
​Projéteis de mágoas;
Retorno retórico da Inquisição ao fogo da falácia mais sábia.
Veneno nos lábios.
Na pele do lobo, somos a lua escura na selva do sono.
Quem clareia nossa alma é o nosso reflexo no olhar do tempo,
Retratado por um quadro no templo: pinturas de Caravaggio.
Envelhecimento de um ser tão frágil.
​A sensação do poder eu quero perder,
Mas como podar algo que não posso prender?
Ansiedade:
Rubrica que rouba toda assinatura da essência do meu Ser
E, consequentemente, mata a minha idade.
​Quero verdades que não sejam totalmente reais;
Fábrica de vontades que não sejam totalmente imaginárias.
Linhas que mesclam os desejos concretizados,
Não muito longe dos dias atuais.
Obter paz na guerra da dualidade é algo improvável,
E provavelmente não serei capaz de entender essa força motriz.
​A todo momento sou sempre o errado;
Faço aquilo que acredito ser certo,
Independente do resultado.
O resumo é o meu "Eu" sendo cerrado.
Já não sei em quantas partes fui dividido;
Existem vários modelos de mim por aí.
Sente-se à mesa e descobrirá qual do meu "Eu" falará contigo.
​Quero abrigo dentro de um abraço sincero,
Uma conversa que me diga o quanto sou ciclo desse círculo do choro seco
E o quanto sou valioso, mesmo sendo um mero desprezível.
Queima do fusível:
Tô precisando queimar a função acessível do meu cérebro frutífero.
Essa colheita de memórias aflitas é a Colheita Maldita.
​Sempre em expansão,
Hectares de expressão,
Terra ao adubo da opressão.
Horas vagas se transformam em horas pragas.
E eu me pergunto:
O quanto vale tudo isso?
Quem é que me paga?
Será que me cobro demais por algo de menos?
E se tudo isso se apaga?
Se eu começasse tudo do nada,
Ainda assim iria me afogar nessa incitação à ilusão altamente intoxicada?

43

Xícara de solstício

Como me apego ao desagradável desapego?
Como me apago ao destrutível desespero?
Procuro uma nova forma que me conforme;
Procuro uma nova fórmula que confirme
A obstrução do que me deixa inseguro,
A observação do que me deixa inóspito de vida, imagem destruída.
Se entro na minha mente, viro um intruso;
Minha alma me disse que já não pertence ao corpo que uso.
​O vazio é um vaso que acolhe a planta da ansiedade;
Ânsia de flores mortas, servindo de adubo para florescer raízes tortas na sociedade.
Regada por migalhas de falhas no próprio oxigênio ácido em solidão,
Indisposição de acreditar em mim mesmo e nas pessoas desse mundo.
Não sei ao certo se me acuso;
Independentemente, não sou totalmente inocente nem independente.
​Tenho assustado assuntos pendentes,
Recordações recorrentes,
Sonhos que são apenas sonhos,
Sonhos que vão após sonos,
Sonhos que me fazem dormir por sonhar demais,
Sonhos que me fazem acordar sem querer dormir nunca mais.
​Quantos pesadelos serão realizados?
Quantos pesadelos ainda tendem a ser inclusos?
O que tanto recuso requer atenção;
O que tanto requer atenção, eu reflito se é necessária a atenção.
E essa tensão é a maldita benção dos que são confrontados como loucos nos olhos dos sãos.
​Decepção, desculpa por te decepcionar;
Sei que você esperava mais de mim.
Recepção de culpa que ocupa toda vírgula antes de raciocinar.
Ei, ué! Vê? Errava o início e até depois do fim...


Ei, ué! Vê? Errava o início e até depois do fim.

Eu sou assim:

Hóspede da carência no quarto da crucial coerência,

Enrolado no lençol da concupiscência.

Ar-condicionado ligado ao ar concorrência;

Travesseiro da renúncia que, apesar de pesar, liberta a consciência.

Meu café da manhã é sofisticado:

A crença de vencer dentro de uma frágil xícara,

Ao sabor de um solstício fracionado.

Meu almoço é um prato de vaidades;

Nutrientes não muito importantes,

Mas que são o vislumbre de poucas verdades.

Meu lanche da tarde é um mar de objetivos conectivos que me dão coragem;

Carrego no coração os batimentos que não cabem na bagagem.

Minha janta é um prato envenenado:

A sopa do pecado.

Assopra meu passado,

Assombra a mim e até onde tenho chegado;

Incapacitado de emprestar todo o meu diálogo falado

Para o tempo, que não quer me dar ouvidos e nem ser ouvido durante o tempo.

"Eu já falei para você que isso não dá lucro..."

"Você nunca será suficiente..."

"Ninguém quer você por perto..."

"Eu tenho nojo de você..."

As piores frases eu tenho escutado.

Nas piores fases, eu tenho me escoltado de silêncio,

E esse silêncio acumulado tornou-se o ódio em mim guardado.

Nas melhores fases, percebi que o ódio

É a transferência da ira na cura.

90

Janela de vozes

 ​O peso da ausência soa sussurrando em mim;
O piso da consciência sujo, muros murmurando incitações a decepções.
Abra a janela da alma: julgamentos sem fim
Dizem que são processos.
​Eu não quero promessas a acessos restritos da penumbra;
Sombra da imagem da vida,
Fora da margem de erros de lembranças doloridas.
​Autópsia da vida vira vozes vindas de um jardim,
Onde a folha em branco tem tantas flores a serem coloridas.
Porém, o incolor tornou-se tão lindo de se ver,
Que até o tormento achou mais formidável continuar assim.
​Já não tenho certeza se quero essa sonhada liberdade;
Quero realizar minhas vontades indo contra as vontades da verdade.
Forjando pactos com a mentira, toda minha criação me faz ser súdito da enganação.
Não quero ser livre do esquecimento,
E sim saber por que somos tão evoluídos ao ponto de nunca evoluirmos o esclarecimento.
Por que toda matéria, ainda que estudada, transcende o nosso conhecimento?
​Eu me pergunto:
Quando eu vou vencer na vida?
Acho que esse tema é uma imagem distorcida.
Ninguém nunca vence;
O sistema quer que você pense —
Ou melhor, não pense.
Viva com esse suspense: "acredito que no próximo ano seja tudo melhor".
Esse romance ilusório faz pole dance.
​A gente cresce em meio a sonhos: "preciso estudar para obter um bom emprego".
Meu terreno, meu sossego;
Um pedaço de terra que será meu enquanto eu estiver vivo.
O problema é que eu já nem me sinto tão vivo.
Sei que o sucesso é relativo:
Uns na beira da morte do hospital,
Eu na beira da morte do estado mental.
O porquê de viver?
​Alguém explica para um mero mortal que querer entender sobre viver
É sobreviver em um singelo espiral de dúvidas
E emoções fora do percentual do raciocínio cerebral?
​Chega de buscar entender;
É melhor atender o que se vê no agora.
Se o passado nos condena e o futuro não existe,
Apenas cada segundo presente nos revigora.
Chora: em cada lágrima mora o sorriso da alegria.
Agradeço aos tesouros da memória:
As lágrimas de tristeza que me trouxeram redenção
E a recordação dos bons momentos que eu não sabia o quanto valiam.
É nas lágrimas que vemos o quanto tudo era valioso e nem parecia;
As mesmas lágrimas também apreciam o luto.
Afinal, existem melancolias que merecem um fim absoluto.

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