Ícaro Italo Gomes dos Santos

Ícaro Italo Gomes dos Santos

n. 2004 BR BR

Ícaro Ítalo Gomes dos Santos,pseudônimo;Italo_poetrix. Descobriu sua paixão por livros ao ler"A Árvore Generosa" (The Giving Tree) e desde então tornou-se súdito da palavra poética e busca entender seus conhecimentos através dos caminhos líricos .Nascido em Aquidabã,do agreste Nordestino ,vêm se destacando com seus poemas com temas múltiplos .

n. 2004-07-01

Perfil
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Cortesia as pedras


Pedra por pedra, molda-se esse caminho onde os pés trilham nuances sozinhos, onde não existe gravidade, apenas a inevitabilidade do sorrir, do agir como um clássico moderno à Atração Magnética, impulsionando-nos a sermos o paciente de Jasper DeWitt, assimilado à própria existência da Erica, deixando-nos levar pelo desejo em êxtase ao cortejo da nossa lúdica...

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Poemas

21

Ao ar cultural , cavalgada.

​Ao ar a poeira sobe;
Nesse lar, o solo que tudo sabe.
Representatividade em demonstração do quão valioso é o nosso sonho.
Antes dos oito segundos, somos o templo do tempo,
Por isso já não nos cabe lamentar.
Carimba que é golpe...
De cultura, não no parlamentar!
​No dia em que eu saí de casa, minha mãe me disse:
"Esse mundo é seu, então explora".
E lá fui eu, com botina e sonhos no alforje,
Um cinto e uma impecável espora.
Vivenciando situações das quais ninguém espera,
Espelha sua imagem de antes ao agora.
O quanto mudou e o quanto você não gostaria que mudasse
É um palíndromo transcendental da evolução mental existencial.
Nesse paradoxo do agora,
Antes de estar dentro do meu primeiro evento,
Eu já aplaudia muitos do lado de fora.
​Aprendi que a felicidade também mora onde o sol não brilha.
E toda, toda chuva que cai do céu molha meu chapéu,
Regando a essência do meu Ser,
Resgatando a transparência do meu amadurecer.
Regrando-me antes do amanhecer para não esquecer da noite passada,
Formada pelo meu renascer.
Bebi da dádiva da dúvida em lágrimas;
Tempestades de verdades forjaram penumbras de vaidades.
Minhas maiores conquistas jamais serão vistas nos livros;
De páginas em páginas, quando cessei o fôlego,
Fiz uma apneia em respiração na transição, da introspecção à inspiração.
​Hoje, em pasto vasto, avisto a felicidade pairando ao vento.
Invisto no tempo.
Sou exemplo de quem fui, exceto quem sou,
Pois o meu rio de glórias ainda flui.
Aprendi que, ao jogar o laço, eu estava capturando fragmentos de mim
Na resiliência de cada passo.
Abençoado seja cada tropeço;
Abençoada seja essa sinfonia da cavalgada,
Que ao longo da estrada é o meu patrimônio cultural desde o berço.
​Ciente dos lugares onde coloquei os pés, onde estribo;
A sela é o selo que sela o elo do meu destino.
Faço-me Teresa de Benguela ao próprio Chico Arino,
E é assim que me defino:
Gênero forte, para alguns amargo.
"Cá" fé dentro da xícara do chakra, com a mente em estado de sítio;
Meu livre-arbítrio na simplicidade dentro de uma chácara.
Nesta vida desembestado, sem freio, sem sela,
Na busca bruta da minha versão mais sincera.
​Foi em meio ao rodeio que encontrei o Brasil em que creio,
E o meu novo "Eu" veio com uma receita sem receio de divisão de cores e classes.
O recheio que me alimenta é a competitividade no olhar em melhorar cada recorde;
Ainda que o adversário o quebrasse, nunca deixei que os obstáculos por mim falassem.
Por mais que me parassem, sempre fiz o bloqueio:
Do meu CPF ao CNPJ, para nunca decair aos males alheios.
​Divina inspiração que me brinda;
Resplandecente luz para o mundo, Barretos.
Quem guia minhas rédeas me blinda.
Troféus de verdade é família;
Faço valer cada segundo da minha vida.
Vitórias e derrotas são bem-vindas,
E a maior batalha, dentro ou fora da arena, é aquela que eu não enfrentei ainda.
​Ao ar a poeira sobe;
Nesse lar, o solo que tudo sabe.
É apenas eu e o meu sonho de viver intensamente pelo que amo e acredito
Quando as porteiras se abrem...
​Carimba que é golpe!
​Eu faço parte do descobrimento de cada arte.
Muito antes do 244,
Mentalidade de Lincoln pelos arados 275.
Íntegro ao íntimo agro;
Nossa história, nosso povo.
Valor insubstituível, inestimável ao mercado pago.
Terra ao adubo da persistência;
Reforma agrícola, agrária.
Não é coincidência que a República Federativa é referência quando o assunto é riqueza em solo.
Trabalho braçal em sol ou chuva;
Não há adversidade párea que pare a nossa força recôndita.
Olha um pouco as mãos do povo:
Linhas ancestrais de um passado atrás em evolução a um mundo novo.
​Ao ar, a poeira sobe...



"Essa poesia surgiu após uma boa conversa com a Radialista Ana Mendes ;Luz MG."
Dedicatória a " Menina dos versos ,Ana Mendes ".

140

Olhos de águia . " Dívidas".

Olhos de águia;
Ferida aberta ao corte da adaga.
Mentiras descaradas,
Verdades compradas,
Vendidas à ilusão fascínia falsificada.
O guia do cinismo é a fome perfeita do ilusionismo;
Traições do mesmo egocentrismo em cada ato ao corte da adaga.
​Vejo quem fere e profere ódio e discórdia:
Ao longo dos dias, se propaga.
Propagandas sobre um futuro incrível apenas para quem paga;
Dívidas no olhar da esperança se alagam.
Mercadorias humanas esquecidas conforme o tempo;
Desvalorização da ética demonstra o exemplo.
Desgosto da honra exemplar.
​O relógio não diz nada sobre qual o melhor momento;
Esgoto da cobiça exposto expele o devastamento de pensamentos.
Clímax rústico nas areias de Marte:
Uma única vida é pouco após a morte na arte.
​Divisão de fatos,
Visão e atos de tempos atrás;
Futuro distante em um presente conturbado entre nós.
Essa voz ainda permanece na minha mente:
Exclusivamente quero ser excluído permanentemente.
Petrificado por residir em um inalcançável destino de resistir;
Coagido por ter agido diferente e ágil.
Ríspido, sádico, dentro do campo minado do desespero,
Desesperadamente eu fiz estágio.
​Olhos de águia,
Cântico guia,
Garras afiadas,
Voos adulterados.
Um novo mundo, sem retorno para casa;
Penas que caíram, apenas presságios passados.
Tempos de caça:
Vejo a carcaça de quem conspira contra mim.
Jamais atingido novamente por meras falácias;
Quero deslumbrar de um voo livre sem fim.
​São:
Olhos de águia,
Milhas e ventos fortes,
Tempestades ou secas;
Resultados virão com aventuras ainda não sancionadas.
​Olhos de águia,
Cântico guia,
Garras afiadas,
Voos adulterados.
Olhos... olhos... olhos...
Olhos de águia...

 

 

 

Por ícaro Italo Gomes dos Santos

118

Quebrando versos por ai...


 ​Verdadeiramente me admira a mentira.
Esta vida é tão vazia e rasa que o eco do vácuo
Está repleto de uma intensidade maior, condensada e fria;
Mas basta um acreditar para que vejamos o aquecer da fé
Ressurgindo das profundezas do rio compacto de dores e esperança.

106

Asas

Ânsia análoga, psicótica em ódio mórbido de fonte sarcástica;
Derreto a máscara, derroto a face da personificação do medo criado pela víbora.
Seu veneno eu vi por lá, dentro da minha corrente sanguínea;
Coagulação de decepção que me fez chorar.
Precisei de uma transfusão de fé para continuar.
​Ao homem que pretende voar, é necessário se libertar da ênfase do destino do qual pretende chegar 
Ícaro passará próximo ao pássaro e profetizará:
"Dentro de todo pássaro, haverá uma jaula."
A verdadeira liberdade vem de como você resolve bater suas asas.





 

34

Calçados descalços

 Bendita a escrita;
Versos que vestem-me em mantra.
Tinta da escrita santa,
Resplandeça meus olhares por onde eu caminhar
E que eu jamais seja controlado pelas irmãs do Destino.
Com o tempo, eu entendi que não basta apenas ser genuíno.
Um Lao Tsé que busca iluminação
Sabe muito bem que as trevas também pertencem ao Divino.
​Carreguei o mundo de erros dos meus pais nas minhas costas quando menino;
Desde muito tempo atrás,
Atos atrozes em templos Atlas.
O barulho dessas correntes que me prendem é a ruína desse hino.
A arte da petrificação do medo no olhar eu domino,
Tão transparente e cristalino.
Um Pégaso de fogo, a Lilith no logo,
E é assim que eu me defino:
Metade de mim é uma metáfora que, se houver um amanhã, eu designo.
​Não é tão simples ser tão simples nesse mundo onde moro,
Aonde o ouro é um deus para quem eu oro, para obter oportunidade de acesso até na água que bebo.
Não sou tão bêbado a ponto de levar tudo ao sóbrio tão sério.
Nas sombras de luzes desse cemitério, desce um abismo tão febril
Que o remédio para não morrer de tédio é a exploração de cérebros.
​Depois de uma caça às bruxas, vieram os caças bombardeando ideias de caça aos lobos;
E com todos eles presos no bolso,
O caçador passa a viver dentro do seu próprio cativeiro.
São: um por amor, dois por dinheiro.
"Linhas Racionais": o evangelho que se espalhou por esse mundo inteiro.
Me pergunto o que o Emblema faria se surgissem novos Antônios Conselheiros.
​Abra o sarcófago e liberta a mente agora, Pandora;
Cleópatra da sua própria liberdade de expressão, faz da sua lágrima a vida criando oásis.
Ísis não duvida que você é capaz de vencer.
Que surjam matérias sobre tantas Marias Quitérias.
Sábio é o homem louco que jantou no mesmo prato da miséria e conformou-se em dormir com o cobertor da fome.
​Andando descalço por aí, eu percebi que a saciedade são os calçados da vaidade;
Andando descalço por aí, eu percebi que a sociedade é o espelho dessa insalubridade;
Andando descalço por aí, eu percebi que o caminho que me leva até mim
É aquele que eu não trilhei ainda, e por ele não existe fim.
Andando descalço por aí, eu percebi que o julgamento desgasta meus pés mais do que o asfalto;
Andando descalço por aí, eu percebi que nem todo olhar salvador vem do alto;
Andando descalço por aí, eu percebi que muitos passam despercebidos.
​Andando descalço por aí...
Andando descalço por aí...
Andando descalço por aí...

31

Ao corte do caule

​A depressão é silenciosa,
Em harmonia melancólica como uma gota de orvalho na pétala da rosa.
​Roubando sua alegria de viver,
Faz você crer em uma ilusão:
Que o fim de toda a sua decepção
É o corte do caule.
​Nessa fotossíntese, a foto-síntese do retrato que retrata
O desconhecimento do seu Ser,
No oxigênio do medo, deixando que a angústia o enjaule.
​Toxina que se diz ser generosa,
O envenenamento do pensamento que causa o falecimento dessa rosa,
Mas
Não consegue destruir suas raízes.
E, ainda que em solo árido, é válido lembrar que sempre há
O ressurgimento de suas origens.

197

Obra de arte perdida ,encontre_me ...

A arte está presente em cada palavra que, neste momento, escrevo e apago;
A arte está presente em todo pensamento vago.
​Não se define a palavra arte,
Pois a mesma se comparte:
​Parte dos nossos sonhos e ideias que ainda não concretizamos
São obras de arte ocultas,
Silenciadas pelo elo do medo da concepção de pessoas em um mundo que nos multa.
​A arte é o despertar de um relâmpago;
Tocá-la pode nos retirar o fôlego.
​Não sei se é algo em que eu creio,
Mas nas minhas próprias palavras eu leio que, antes de tudo,
O nada nunca foi nada, pois sempre foi arte.
​E na dúvida da vida após a morte,
Eu vivo a dívida da dádiva: que na arte da morte, a vida existe.
​A arte está presente em todo momento, ainda que o seu olhar não a registre.
​Antes, eu queria aprender a desenhar,
Me prender, me moldar;
E depois de tantas tentativas vazias,
Parei para escrever um pouco do que eu sentia.
Naquele dia, percebi que era nos mínimos detalhes
Que a arte surgia.
Hoje, deixo que a arte me ilustre...

33

A seda da sede

Sou um aracnídeo lírico 
Com o tecido do que foi esquecido

E a cada verso a alma alivia

A alma ali via que o corpo sentia que já não pertencia aquele mundo que habitava 
Por isso ,
Naquele momento em que o tecido era destruído 
A aranha se moldava 
Mas não mudava

Persistência  na sua residência não por  acaso
Proteção a casa da causa que amava

Ela caiu 
E no cair
Pode sorrir

Pois em poucos segundos,

Ela planava ...

Ícaro Italo Gomes dos Santos

21

Vórtices viram versos

Nesse céu da dúvida,
Nesse véu da vida,
Vejo que velejo no vórtice de versos que veste-me.
Nesse abismo literal,
Nesse mesmo ritual onde a escrita é meu refúgio
Dessa sombra que assopra o existencial.
Dizeres que tudo isso é um teste.
​Fujo da minha mente,
Cujo com minha morte,
Ao lado lido na aula do colírio lírico.
Aprendo com a disciplina da superstição:
Formigas na parede e os pés formigando no chão...

69

Ao corte da adaga ."Rúbricas"

​Olhos de águia;
Ferida aberta ao corte da adaga.
Molho os olhos de lágrimas,
Cego-me desses pensamentos curvos.
Ao cântico do corvo,
Julgamentos cujos são dádivas:
Permitem-me sofrer e ver quem são os verdadeiros humanos.
No mundo do medo,
O amor se transformou em um holograma de danos.
​Projéteis de mágoas;
Retorno retórico da Inquisição ao fogo da falácia mais sábia.
Veneno nos lábios.
Na pele do lobo, somos a lua escura na selva do sono.
Quem clareia nossa alma é o nosso reflexo no olhar do tempo,
Retratado por um quadro no templo: pinturas de Caravaggio.
Envelhecimento de um ser tão frágil.
​A sensação do poder eu quero perder,
Mas como podar algo que não posso prender?
Ansiedade:
Rubrica que rouba toda assinatura da essência do meu Ser
E, consequentemente, mata a minha idade.
​Quero verdades que não sejam totalmente reais;
Fábrica de vontades que não sejam totalmente imaginárias.
Linhas que mesclam os desejos concretizados,
Não muito longe dos dias atuais.
Obter paz na guerra da dualidade é algo improvável,
E provavelmente não serei capaz de entender essa força motriz.
​A todo momento sou sempre o errado;
Faço aquilo que acredito ser certo,
Independente do resultado.
O resumo é o meu "Eu" sendo cerrado.
Já não sei em quantas partes fui dividido;
Existem vários modelos de mim por aí.
Sente-se à mesa e descobrirá qual do meu "Eu" falará contigo.
​Quero abrigo dentro de um abraço sincero,
Uma conversa que me diga o quanto sou ciclo desse círculo do choro seco
E o quanto sou valioso, mesmo sendo um mero desprezível.
Queima do fusível:
Tô precisando queimar a função acessível do meu cérebro frutífero.
Essa colheita de memórias aflitas é a Colheita Maldita.
​Sempre em expansão,
Hectares de expressão,
Terra ao adubo da opressão.
Horas vagas se transformam em horas pragas.
E eu me pergunto:
O quanto vale tudo isso?
Quem é que me paga?
Será que me cobro demais por algo de menos?
E se tudo isso se apaga?
Se eu começasse tudo do nada,
Ainda assim iria me afogar nessa incitação à ilusão altamente intoxicada?

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