Iran Gama

Iran Gama

n. 1943 BR BR

Filho da lavadeira Iraci Gama de Souza (Iara), Iran Gama nasceu no Cais de Santa Rita, no Recife, no dia 25.09.1943. Advogado, atua na Advocacia desde 1995. É poeta, ficcionista e artista plástico. Publicou os livros CANTO MURAL (poesia), FRAGMENTÁRIO (poesia) e ROTA SIGMA (micronovela).

n. 1943-09-25, Cidade do Recife, estado de Pernambuco, Brasil.

Perfil
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SOBRE O SONO



 

Enquanto a noite adiciona sermões de sombras
ao voluntário calendário dos sonhos
Cresce a solidão nos agônicos mundos
onde sátrapas do medo
homens fadas e duendes assustam.

 
Preciso de barro
para moldar auroras
preciso de ferro
para forjar vontades.

 
Não creio em medo cinzelado
por fantasmas noturnos
senão no medo da minha figura
Transitando no espelho.
 

Vejo-me grotesco na alfândega da noite
assim como sentencio minha vontade
ao silêncio, diante de si mesma
exposta no reflexo do espelho.

 
Quanto doem meus erros
Quanto afligem-me as palavras
erradas que pronunciei
ao longo dessa biografia.

 
Um urro perpassa o frio do espelho
Enquanto sinto o mergulho
no torpor do sono...
a paz não sobrevém!

 

Olinda, 03.10.2020.
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Poemas

2

MEMÓRIA DO PESCADOR

 

Iran Gama

 

Tua voz navegava esperanças
nos contrafortes da dor
que combatias, 
moderno Jorge contra o dragão.

 

Vestias branco como de branco
vestem-se os dias
e as noites tuas eram verdes
navegando nas coxilhas 
do amor que urdias
perigosamente urdias
nesse convívio cruel,
coito da Dor com o Sofrimento.

 

Vesti a dor da impotência
no leme de uma jangada desgovernada
impelida pelo vento da adversidade
nessa arrogância que o medo impõe.

 

Ouço nas colinas o Terral soprando
trazendo o cheiro dos campos
e o gosto de barro com sua visão
de barranco visto do mar
como víamos 
enquanto caminhávamos sobre as águas
nos confins da Ilha de Itamaracá.

 

Jamais vi em ti senão calmarias
dessas que o Terral alenta
e que a chuva sob o sol dessedenta
nas manhãs simplórias de janeiro.

 

Agora, tua jangada vai 
rumando para o Valhala
esse misterioso continente do não ser.
Atrás ficam as pegadas profundas
de amor, ternura, abnegação
essa parte imaterial da equação humana
que decifraste para nós.

Adeus, Pescador!

 

Olinda, 17/06/2024.

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Memorando a Santana

 

I

 

Chegavas caminhando no sorriso

vestindo carnavais e nostalgias

os olhos rebrilhando como guizos

os dedos libertando alforrias.

A luz do pentagrama em tua voz

e a vida que no canto conduzias

estrelas derramavam sobre nós

carentes prematuros de alegrias.

–– As portas da memória por um trato

    guardaram esses teus artesanatos.

 

Tangias teus acordes de ternura

no Pátio de São Pedro Pescador

crescendo tua oral arquitetura

no Bangüê de poeta e pecador.

Sofreste por seresta o escalpelo

na paz do violão debulhador.

Da cabeça faltaram-te os cabelos

tarraxados ao pinho trovador.

–– do Arraial da alegria foste embora

    levado por São Pedro céu afora.

 

Agora o Pátio lembra alegre o desatino

mas chora feito menino

teu vulto que se calou.

–– Está gravada tua voz nessas bandejas

     nas pedras e nas cervejas

     do Pátio do Pescador.

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Hilton, tb filhi da " LAVASEIRA"
Hilton, tb filhi da " LAVASEIRA"

Tu és "O CARA"