Na manhã que te levou Na tarde que não se cala No beijo que não te esquece No abraço que ainda aquece Na noite que te esperou Na cama onde agora dorme o frio Na tua ausência doída Num quarto vago e vazio A saudade deita seu corpo Junto ao teu corpo macio
Um tempo infindo trouxe você pra mim Um tempo sem hora, sem dia, sem mês Um tempo onde só havia o soar Longo do vento na noite imensurável Dizendo ao meu coração teus sonhos Lançando fora os véus que o encobriam E onde o amor se perdera em fugas Esquecendo a ternura do beijo alvo da alma Disse a ti as palavras que em mim morriam Disse do meu medo e da minha dor Falei da noite que me esconde A noite onde o meu ser se dissolve Em rotas de um labirinto inescrutável Pousastes a mão sobre os meus lábios Para que o silencio deles não partisse Para que o gesto pudesse se expressar E na palavra contida nos teus gestos Ouvi o bem dizer da ilusão do alento Onde tuas mãos bebendo do meu corpo Sussurravam os versos insones que te fiz Na esteira das luzes que apagaram a madrugada
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O homem
Se a noite esconder todas as estrelas, se no céu sobrar somente o breu e a lua, se a saudade fugir com os nossos sonhos, se a flor murchar e morrer em plena rua, se a esperança se desfizer toda em quimera, se o medo da vida se apodera, se à amizade a falsidade desvirtua,
Ainda assim, amor, restará a crença pura no afeto para nos suster enquanto há vida.
Se o vento arrastar nossos momentos, se as nossas vozes o silêncio apagar, se parados esperarmos novos tempos, se a cegueira vier para nos guiar se as nossas almas chorarem doloridas , se a sina vier a reger as nossas vidas, se o sol ao meio-dia se apagar,
Ainda assim, amor, restará a fé intacta no amor a nos manter enquanto há vida.
Se o homem a outro homem devorar, se a guerra for o diálogo dos Senhores, se a vida de um homem valer pouco, se o homem para aqui só trouxer dores, se o homem só evoluir externamente, se a liberdade for pra um dia lá na frente se na vida o amor for só rumores