Lista de Poemas
Lavadeiras
cá, a palavra não fala
mas canta a um rio
a rodar teias no cio
Caminho dos Escravos
morreu Ouro, Córrego da Prata
da Boca do Inferno, ainda sonha
o Rio Jequitinhonha
Bica das Monteiras
bate em pedra,
Santa Clara, lavadeira
suor é mina d’água
a quarar o tempo
em ordem e entendimento
não esqueçam nossa lida
d'água branca
pois diamante foi voz
de um canto já distante
mas canta a um rio
a rodar teias no cio
Caminho dos Escravos
morreu Ouro, Córrego da Prata
da Boca do Inferno, ainda sonha
o Rio Jequitinhonha
Bica das Monteiras
bate em pedra,
Santa Clara, lavadeira
suor é mina d’água
a quarar o tempo
em ordem e entendimento
não esqueçam nossa lida
d'água branca
pois diamante foi voz
de um canto já distante
232
Sinos de Gaza
e choram os sinos
sob um céu de estrelas
que caem reinando à sorte
onde homens, já sem sombras,
se dobram a morte
sob um céu de estrelas
que caem reinando à sorte
onde homens, já sem sombras,
se dobram a morte
jeronimo
197
o prego na parede
ao pregar o prego na parede
João plantou corpo, corpo morto no chão
mas quem foi João, pergunta o mestre,
o mestre ao capelão?
e as horas passam como as cinzas voam,
voam as cinzas de João
mas o prego continuou na parede, imóvel
tal qual pergunta, pergunta do mestre ao capelão
um dia, daquele prego, Maria fez moldura,
inquilina na imagem, era formosura em rendas e tenra idade
sob o quadro, louças finas em fina cristaleira
obra feita dos antigos, agora de moça, moça e rendeira
Maria rendou cidades e rendou lençóis e castidade, por homens de cabeceira
mas os anos passam, e gastam como a saudade,
a saudade da cristaleira, da moça fina e louças de solteira
naquele quarto, (da parede e do prego de João)
vieram os filhos, dos filhos, os netos, os netos da mulher de prateleira
e o tempo passa, o tempo passa como no tempo de João
hoje vagam naquela casa, velha casa, em meio aos pregos sem molduras, a mulher velha e um olhar na solidão
jeronimo
João plantou corpo, corpo morto no chão
mas quem foi João, pergunta o mestre,
o mestre ao capelão?
e as horas passam como as cinzas voam,
voam as cinzas de João
mas o prego continuou na parede, imóvel
tal qual pergunta, pergunta do mestre ao capelão
um dia, daquele prego, Maria fez moldura,
inquilina na imagem, era formosura em rendas e tenra idade
sob o quadro, louças finas em fina cristaleira
obra feita dos antigos, agora de moça, moça e rendeira
Maria rendou cidades e rendou lençóis e castidade, por homens de cabeceira
mas os anos passam, e gastam como a saudade,
a saudade da cristaleira, da moça fina e louças de solteira
naquele quarto, (da parede e do prego de João)
vieram os filhos, dos filhos, os netos, os netos da mulher de prateleira
e o tempo passa, o tempo passa como no tempo de João
hoje vagam naquela casa, velha casa, em meio aos pregos sem molduras, a mulher velha e um olhar na solidão
pois foi certeza da idade, da lembrança da imagem, formosura em renda de tenra idade, que a mulher velha tornou-se inquilina da saudade e era filha, a menina do João
jeronimo
249
da pele
a pele é o jardim das vaidades
de uma alma que seca
do corpo, arranham
espinhos e já não posso tocar a chuva
as horas fadigam o tempo
corroem a memória
mas quero cobrir-me da casca
e contar sobre a melancolia das folhas
e quando deitar na terra úmida,
me dissolver nas sombras
que dos meus restos
alimentem a terra, mas não por algum pesar
porque a pele é jardim das vaidades
jeronimo
de uma alma que seca
do corpo, arranham
espinhos e já não posso tocar a chuva
as horas fadigam o tempo
corroem a memória
mas quero cobrir-me da casca
e contar sobre a melancolia das folhas
e quando deitar na terra úmida,
me dissolver nas sombras
que dos meus restos
alimentem a terra, mas não por algum pesar
porque a pele é jardim das vaidades
de uma alma que seca
jeronimo
224
Menininha da lua
e sorri, meia e tangente,
bailando em noites cadentes
é prata de um quarto crescente
que perde, no ensaio, um dente
bailando em noites cadentes
é prata de um quarto crescente
que perde, no ensaio, um dente
jeronimo
203
onde
para onde vão as cores,
os pássaros e os pincéis?
para onde vão as letras,
dos manuscritos e bacharéis?
para quando - tão distante,
partiu-se o som, à risca por fiéis dos cordéis?
e exilado de mim, está o outro
aquele qual imagem fere
onde ainda posso rendar as flores
jeronimo
os pássaros e os pincéis?
para onde vão as letras,
dos manuscritos e bacharéis?
para quando - tão distante,
partiu-se o som, à risca por fiéis dos cordéis?
e exilado de mim, está o outro
aquele qual imagem fere
onde ainda posso rendar as flores
os galhos da noite e os amores
jeronimo
210
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