Lista de Poemas

UTOPIA MOVEDIÇA

Eu quisera um reino de girassóis:

A semeadura da labuta e sonhos

Colhendo o pólen do amanhã.

Eu quisera um reino de girassóis:

Contudo, de inicio, descobri

Ser necessário me despir

Da aura do voo do albatroz,

Pois a empreitada da Esperança

E de se fazer eterno Verão, Primavera, Bonança

Demanda a ação coesa, compacta

Do voar dos pássaros em revoada.

Eu quisera um reino de girassóis:

Arar a humana terra, nutri-la, umedecê-la

Com o H2O da Revolução Leonina, Escarlate e Serena!

Eu quisera um reino de girassóis:

Poder testemunhar

A Flora da equanimidade, altruísmo, nobreza

Vicejar, radiosa e triunfante, de nossas Cabeças.

Eu quisera um reino de girassóis,

Mas compreendi que o ópio das migalhas,

Dissolvido no ácido cotidiano das almas,

Mutilara o desejo de indômita ventania

Que habita a Sapiens massa encefálica, abrasiva!

Eu quisera um reino de girassóis:

Fiquei apenas com o gosto

Marmóreo e amargo de túmulo na boca,

Sequiosa pela chegada da Era ensolarada.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

http://bocamenordapoesia.webnode.com.pt/

- http://twitter.com/jessebarbosa27

966

REFLEXÕES ALTIVAGANTES


Pensar calado e absorvente.
Zarpar pelas oceânicas paisagens ácidas
Que mutilam a alterosa utopia recorrentemente.

Singrar caminhos que massageiem o êxtase da mente.
Nutrir sequiosamente o sonho renitente
De abrir --- para sempre ---
Os umbrais da vontade consciente,
Fechados hermeticamente
Na tumular encefaloesfera
Onde reside a oprimida gente:
A enjaulada lancinada fera!

Afinal,
Fazer da prosa dos pensamentos
Poesia quando --- no caderno
Ou no espaço cibernético ---
Sedentamente escrevo
O que flui pela infinita aquarela
De conexões do meu cérebro.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
879

RESPIRANDO O DESERTO DOS HOMENS

O remanso da alma

Tarda a se fazer aurora hialina:

A esperança vira estafa e se suicida,

Deixando-nos ao bel-sabor,

A bem que se diga,

Da violência fria, que pavimenta lancinante e imperativa

A jornada do sol de nossas rotinas.

Enquanto isso os barões do Hades e das armas ígneas

Transformam infinitos oásis ou banquetes da chacina

Em chafarizes onde jorram miríades e milhares de abjetas divisas.

Ah, esta Era empedernida faz do amor criança desnutrida:

Converte a oceânica opulência da alegria

Na mais suprema seca da Poesia:

No maior dínamo-nau da sua abissal e imorredoura agonia!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

713

FULL ON ROADWAY OF THE LIFE



O tigre, a tigrina!
Pierrot traindo a Colombina.
Mulheres e homens de fibra.
O Imperialismo que trafega
Pelos bares, casas, ermidas, periferias,
Retinas, alamedas e rodovias da rotina!


Solfejar o samba da fúnebre notícia.
Ser o córrego protagonista das idiossincrasias.
Passar ao largo do mar das mamatas
E
Picardias Políticas!


Afogar-se no benigno afago ferino das famílias.
Mergulhar nos matizados oceanos da Quântica Física.
Compor infinitos enredos para a regência de todos os dias.
Ler --- nem que seja uma vez na vida ---
Sentimento do Mundo, O Capital, Hamlet, Oliver Twist e Rei Lear!







Andar á pé pelas vias obliquas.
Serenar a maré quando os percalços da oprimida sina se desafia.
Açaimar o espírito assobiando silenciosas cantigas.
Pensar o mundo como a perfeita fórmula contínua
Para se chegar á autêntica Poesia!


JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
819

SÍLABAS DE ESCOMBROS

Miséria ano após ano anulando-nos:

Ria, mira;

Séria, mera;

P-MISERANDOS!

Indústria que se enriquece ao sol dos filhos da magna carência:

Dura, instrua;

Esquecer, doer, durma;

Lufada de ar frio que a estrela ígnea não esquenta nunca.

Fugaz oceano de alegria e rio eterno de tristeza que nos cala:

Radiosa face, fome, falta;

Esmola-Escola-Anuência-Máquina;

Sem-Terra, Sem-Teto, Sem-Aurora, Sem-Nada;

MAR-DE-GENTE-TRISTONHA-NO-JARDIM-E-EM-CASA!

Carcomida casta que lavra a seara de Garanhuns:

Carmo, caco, cava, cova;

Manada que acorda com os galos ao nascer d'aurora.

Comida comendo nenhuma coisa que se valha:

Que come mesmo é nada!

Glebas, Sáfaras, Estilhaços, Estrados, Pratos, Agros, Labuta;

Grilhões, Gritos, Cactos, estertores, ultrajes, loucura;

Grilhões, Luares, Sonhos, Fé, Romeiros, Procura;

Grilhões, Sertões, Profusa água esconsa, Miraculosa chuva;

Grilhões, Sorrisos rurais, Sofreres faciais, Perpétua luta!

Sim, é a Seca que molda, marca, mata, enxovalha, flagela, Inunda...

Sim, é a Seca que se faz a edaz comensal, a insaciável vampira,

A carnívora planta...

Sim, é a Seca, é aquela com a qual se lucra a cúpula dos Sanguessugas...

Sim, é a Seca quem fala, quem manda e desmanda...

Sim, é a Seca que se quer:

Quer que se traduza. Traduza-a em disformes caminhos e Estradas. Traduza-a em disformes frases, orações e

Sintaxes. Traduza-a em plenos coloquialismos, línguas

Semi-padrões, a forma culta!

Finalmente, traduza-a na intradução da tenacidade

Destas pessoas que, ao lançar seus olhos ao céu,

Sempre veem um arco-íris dar-lhes em retribuição

Uma gargalhada de esperança que semeie aquele

Antigo provérbio no ressequido chão e

Diga a estes que dias melhores certamente virão.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

798

Á PROCURA DE UM MUNDO ONDE HAJA SUNSHINE




As mãos tentam reter
O ar em sua superfície
Como matéria sólida.


Contudo, apesar da tenacidade do ânimo,
O sangue da atmosfera,
Pelos poros dos dedos, se liberta.


Então volto a ficar cabisbaixo:
Zarpando pelas águas
Da utopia onde se fixa
A universal felicidade retilínea,
Vislumbro a luz do sol pulverizar toda e qualquer mesquinharia.
JESSé BARBOSA DE OLIVEIRA
855

Á PROCURA DO TESOURO DA ALEGRIA

Melros, marfins, motos,

Mares, moços, magos e moçoilas:

Os olhos observam o gozo

De se viajar á toa.

Pérolas, pernas, pedras,

Passos, passados, pastos,

Patos, planaltos, pessoas:

A imaginação --- quando

É libérrimo pássaro ---

Velozmente voa.

Córregos, carroças,

Canduras, camelos,

Canções, concertos:

Ouve-se --- em silêncio ---

O inerme som do relógio batendo.

Água, assanhaço,

Ábaco, âmago:

Beleza é vê a natureza

Soberanamente reinando.

Marisa, Maysa,

Maria Rita, Mariana Aydar:

A vossa voz e música

Regozijam-me, cintilam-me o ar!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

933

POEMA DO MUNDO QUE VIRÁ

Sinto que lancinam a Terra

Sinto que universalizam o raio de ação das Guerras

Sinto o rugir dantesco e daninho da Ígnea Estrela-Fera!

Sinto a acústica do Mar medrando

Sinto o Mar tomando de assalto os reinos humanos

Sinto o Mar virando Onipotente e Voraz Oceano!

Sinto o Deserto desertificando sonhos

Sinto o Deserto abocanhando verdejantes e fecundos campos pelo mundo

Sinto o Deserto emulsionando o inabalável ânimo!

Sinto a Vida se esvaindo

Sinto o Sangue secando

Sinto o Planeta em que vivo outro Cosmo se tornando!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

994

A NAU DO BARDO ESTÉRIL

Forcejo e reforcejo

Com recalcitrante veemência

O parto de um mero poema:

A minha verve, ao contrário,

Quer se manter inerte,

Em coma, inacessível á pena

Deste poeta-náufrago!

Penso em solfejar

Hinos que esquartejem

A opressão, a amorosa decepção e o flagelo:

Mas, pelo oceano da mente, me navega a nau do deserto.

O pensamento meu --- afinal de contas ---

Hoje não deseja degustar o sol da poesia:

Anseia, a bem da verdade, ser o mor cemitério das ventanias!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

858

O VOO-ODE

Eu, a vela, a nau...

Eu, a jornada, a jangada, o jogral...

Eu, as estrelas, a estrada, os estafetas, o estendal...

Eu, a balsa, a valsa, a vala, o caos, a vazante, o vau...

Eu, a seca, a perda, a eira nem beira, a geleira, o fel, a treta, a majestade do sal...

Eu, o berro, a boca, a bomba, a fraga, a flauta, a falta, a sede, o embornal...

Eu, a guerra, a TERRA, a brasa, a cratera, A PRAÇA CELESTIAL...

Eu, a viela, a berinjela, a barrela, a vinícola, a Imagética, o parreiral...

Eu, o silêncio, a mesquita, a catedral, o concreto, a moreia, a Paz, A Pá de Cal...

Eu, o poema, a cadela, os pirilampos da favela, a cena, a marola, o plenilúnio do sol...

Eu, a Caatinga, Ipanema, o mar da Bahia, a poética aridez Cabralina, o Manguezal...

Eu, a ébana lida, Xangô, Tereza Batista, O Sambista, O PAÍS DO CARNAVAL...

Eu, a laje batida, a gata lasciva, o baba dominical...

Eu, o vento, a ventania, o tempo, o outro lado da Física, a ânsia gutural...

Eu, Lião, Policarpo Quaresma, Lea, A Miragem Vil-Metal...

Eu, Luísa Main e Zeferina, Zumbi, João de Deus, Lucas Lira, O Livre Líquido

Mineral...

Eu, Marighella, Che Guevara, Lamarca, Panteão do Araguaia, REVOLUÇÃO,

O Saber de Karl, A INTERNACIONAL...

Eu, Mandela, Malcolm X, Martin Lutter King, O Incolor Sonho Imortal...

Eu, Alegria-Alegria, A Palo Seco, Refazenda, Asa BrAnCA, Milagreiro,

Roda-Viva, Ideologia, Maria-Maria, A Mosca Na Sopa,

O Bêbado E O Equilibrista, Marina, Campo de Batalha e Malandrinha,

O Vento No Litoral...

Eu, o avesso do avesso, o verso, o verbo, a sedução do realejo,

A Comédia acontecendo, o Drama de não se conhecer a si mesmo,

Ocasos, orgasmos, beijos, canaviais, carvoarias, lagrimas efusivas,

A Vida Afinal!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

813

Comentários (1)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Lelê
Lelê

Não concigo decorar.........

MEU NOME É JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA. NASCI EM JUNHO DE 1982, NA CIDADE DO SALVADOR,
BAHIA, PARAÍSO ONDE AINDA RESIDO.
 QUASE NO PÔR-DO-SOL DE MINHA ADOLESCÊNCIA, DESCOBRI QUE O MEU DESTINO ERA
CAMINHAR TROPEGAMENTE PELAS ALAMEDAS DA POESIA. E, HÁ CERCA DE TRÊS ANOS,
PUBLICO REGULARMENTE EM DIVERSOS SITES LITERÁRIOS.



DADOS BIBLIOGRÁFICOS:
 
 50° VOLUME DA ANTOLOGIA DOS POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS, ORGANIZADO PELA CÂMARA BRASILEIRA DOS JOVENS ESCRITORES. O POEMA PUBLICADO CHAMA-SE
ESCRIBIR EN CIELO DE AMARGURA.
51°VOLUME DA ANTOLOGIA DOS POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS, ORGANIZADO PELA CÂMARA BRASILEIRA DOS JOVENS ESCRITORES. O POEMA PUBLICADO CHAMA-SE
FÁBRICAS DA MORTE.
 
ATENÇÃO: TODOS OS POEMAS FORAM REGISTRADOS PELA
BIBLIOTECA NACIONAL, SITUADA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E SE ENCONTRAM SOB A PROTEÇÃO DA LEI
DOS DIREITOS AUTORAIS N° 9.610/98