jlsilva

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n. 1959 -- --

n. 1959-08-23

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Falo do tempo

falo do tempo
e do engodo do tempo
e da posse do tempo
e dos gestos do tempo
como se soubesse do momento do abandono
do minuto sedento
bebendo os dias vazios de canções
espiando as horas nas noites inúteis
devolutas

falo do tempo
como os homens falam de si
como os sussurros falam dos ventos nas madrugadas
como o cicio pensa músicas em minha boca
e a noite fala de tudo

falo do engodo do tempo
e do desespero incessante do tempo
agoniando a incontornável existência
enchendo de ânsia e mistério
os fragmentos esparsos da vida

falo da posse do tempo
e da distância esquecida nos caminhos
sinuosamente cansados
estertorantes e tristes caminhos
longos como os longos dias perfumados de solidão
e o lamento da vida passando incontida como os pensamentos

falo dos gestos do tempo
e aqui as flores nascem
a estrela cintila
a lua dança nos ventos
o amor semeia mundos
a ausência faz suspirar
o outono quer germinar
e o sentimento balança
como as ondas do mar
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Poemas

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Último grito

Ah! Se é de saudade que eu vou morrer
Que a noite me traga o teu perfume
Que a lembrança dos olhos teus
Nos meus olhos eu possa ver
Que a noite seja pra mim o último lume
Do teu beijo a molhar os beijos meus 
 
Ah! Se vou morrer desta saudade
Que vai e volta e diz teu nome sem sentir
Que olha os astros procurando por você
E sem te ter dói e massacra e invade
E na distância eu já não sei como fugir
Do sentimento que te toca e não te vê
 
Ah! Se é na saudade onde mora o meu fim
Se é no teu corpo que meu desejo quer viver
Se o nosso amor tem este gosto de infinito
Se a tua pele e o teu cheiro vivem em mim
Quando a saudade me levar pra eu morrer
É do teu nome que falará meu último grito
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