Haikai I
Não sabe falar
Se a verdade não dói
Ela ri e rói
A tempestade
Um confortável dia quente de fevereiro
De fato, um céu azul e agradável
Foi o presságio de uma alegria interminável
Que eu desejei para o ano inteiro
São dias de um sonho divino
Enigma onírico que diz o incerto
Eu vejo o mar...tão belo, tão longe, tão perto
Tragando-me em um fulgor imenso e peregrino
Oh! Acordo e já é agosto
Com o mar já não sonho mais
Chove, e o céu não encontra paz
Não há mais alegria em meu rosto
Foi-se a felicidade: Há tempos que não rio
Despeço-me do calor: Eis aqui, mais um ano frio
Párnaso II
II
O viver onírico traz a sapiência:
Do olhar soturno que pede clemência
Quantos anos foram? Um ou mil?
Infinitas eras que passei no Bosque Primaveril!
Ai! Que tempo é esse que não passa?!
Eis, aqui no Monte, a poesia nunca é escassa!
Quem sabe, os sonhos trazem as belas palavras
As ninfas te inspiram, cultiva os versos e assim tu lavras
Oh belezas! Belezas jamais vistas!
A arte divina, do Monte, é tua se o visitas
Nessa umbra branca e calada
Escreverei então até o fim da madrugada!
É a palavra, a voz da razão
Rogo aos Deuses que me trazem inspiração!
Ironia
Não gastarei mais lágrimas com você
Já gastei meu sangue, meu ódio
Mas não gasto mais meu choro
Nem minha memória
Não vou gastar rimas
Nem métrica
Versos
Pontos ou vírgulas
Não vou gastar meu português
Não vou usar palavras bonitas
Nem adjetivos
Para te descrever
Meu penar, a tristeza
E a saudade que eu sinto
De você!
Você não merece...
Párnaso I
I
Penar suntuoso, é sentimento aceso,
É viver o verso cru e feroz;
Chorar a perda, mesmo com desprezo,
É amar aquele que é o teu algoz.
Quem diria; eis a salvação para este caso:
O Deus do Amor, pálido como a noite;
Assiste o Homem, do longíquo Monte Párnaso,
E castiga a todos que não amam com um terrível açoite!
Rogo para que me ouças, pois a ti eu ouvi!
Amar poetas em teu monte; Nestor e Orfeu!
As lindas árvores, as lindas flores, os belos colibris...
Amargos!Oh, não verão o apogeu!
Fujai então para o Monte, aquele que vivi
E ensinai o Deus do Amor a amar como eu!
Ofélia II
II
Ai de mim, que tento, incansável,
Tomado por uma loucura imensurável,
Cercado de pecado e insalubridez,
Expressar tristeza, ou raiva talvez...
Quem me dera ouvir o canto divino
E escapar desse vil e trágico destino,
Pois durmo sem pensar em acordar!
Pois amo e esqueço de amar!
Se deixo, então, a sombra do esquecimento
A ti entrego o mais terrível lamento
E não será mais capaz de amar!
Quem sabe um dia irei voltar...
Verei, pois, a face da minha miséria:
Minha pequena e amada e bela Ofélia!
Ofélia I
I
Máscaras bailam em bela sincronia,
O tempo vai passar, e hei de esquecer
De tudo aquilo, que eu vivia!
Sem transparecer, chegou minha hora de morrer?
Ela foi tudo que eu poderia desejar
Nunca imaginei,mas vi, teus olhos..
Soturnos, tão quietos, donos do meu penar
Diamantes frágeis,vivos e notórios!
Tomado por um sentimento perfeito
E o meu peito exala calor,
À dama que compartilhou o meu leito!
Para no fim esquercer-se de tudo!
Deixai-me sorver de minha própria dor
Da lembrança de um amor que foi surdo e mudo!
*