João de Castro Sampaio

João de Castro Sampaio

n. 2000 BR BR

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n. 2000-09-26, Ouro Preto

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castanheira

quando eu tinha seis anos me disseram
que uma vez, quando eu morresse
talvez eu voltaria em algum outro corpo
então eu fiquei desesperado
com a simples ideia
de passar a eternidade
contemplando a minha própria existência
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Poemas

39

Carta que eu escrevi um dia e nunca enviei

Quando eu entrei no reino de Morfeu,
Jamais, como pude pensar, jamais imaginaria,
Os impactos oníricos que testemunharia
Alguém tão descrente e néscio como eu!

Caladas foram as horas que passei;
Também, pensei, não pude, com razão,
Eliminar as tristezas do coração,
Nem as lágrimas que um dia gastei!

Por que eu sou refém, Senhor,
Destes sonhos sem esplendor?
Talvez a verdade eu nunca conheça!

Mas seu, que antes que amanheça,
Irei, mais uma vez, ficar à mercê
De uma miríade onírica de você!
461

O Homem

Não cabe a alguém assim
Viver neste mundo ruim
O mundo, cheio de segredos
Lhe faz enfrentar vossos medos
Põe-lhe a faca na garganta
E corta com tal força que espanta
Pois, é no temor de enfrentar a diáspora
Que faz da vida uma bela metáfora
171

A cruz ou o abismo?

Carrego a minha cruz
Em frente ao abismo
Se eu largo minha cruz
Eu caio no abismo
Se eu seguro minha cruz
Salvo-me do abismo
Pesa-me a cruz
Liberta-me o abismo
Ilumina-me a cruz
Corrompe-me o abismo

O fundo me seduz
Faz-me largar a cruz
Caindo, vem o pensamento
Caberia, a mim, o sofrimento
De carregar a cruz? Ou de cair
No abismo? Mas, pensando em fugir
Dessas escolhas, desse penar
A única saída é voar
Saio da cruz voando
Mas o abismo continua me tentando
205

Manifesto

Se acordo pela manhã
E não me recordo dos sonhos
Penso que dormir foi perda de tempo,
Poderia passar acordado a madrugada inteira
Trabalhando no real, na minha vida quem sabe.
Nessa minha falta de experiência versus
A presunção de grandiosidade.
Não quero mais saber de verso nenhum,
Não quero ser feliz, quero ficar desse jeito para sempre.
Sempre confuso, no limiar, sempre com um olho fechado
Para sonhar acordado, ponderando tudo.
Quero ser humano, aprender a falar e sorrir e ser um maldito com todos.
Quero que me chamem pelo nome, que me chamem de cretino e me estapeiem.
Mas, acima de tudo, quero sonhar.
Daria tudo para ver novamente as ondas gigantescas
Vindas do mar, chocando-se contra os edifícios e varrendo tudo
Menos eu.
Ah, o que eu não faria... Pois bem.
A partir de agora, sou eu contra tudo.
Hei de trair a minha própria palavra
Hei de trair minha própria razão.
Que importa faltar-me alguma virtude?!
Se hei de caminhar até meu coração
Em sua mais formosa plenitude!
214

O Eneágono

I
Conto estrelas, ao todo, vejo nove
Mesmo assim o céu está escuro
Hoje a lua não reflete no muro

Fecho os olhos, percebo tudo que se move
Concentro-me neste ponto avermelhado
Que aponta lá pro alto, pro céu estrelado

Eis ali a benção de Jove!
Abrem-se os astros, um caminho bonito
Um caminho de estrelas, um caminho infinito

II
A máquina o fez igual ao irmão
Pois logo na primeira estrela ele chorou
Por ter de livrar o irmão que tanto amou

Fui questionado, mas não quis dar razão
Quis seguir o meu caminho
E assim, continuei, na reta, sozinho

E acabei longe, em amarga solidão
Porém Jove, devendo-me escusas
Aponta-me o caminho até as minhas musas

III
Amargo, porém, fê-lo sorrir
Com um belo adorno de diamante
Vi a alegria da minha amante

Eis: uma felicidade eterna está por vir!
Pois desta estrela, fiz de meu feitio,
Meu lar, em paz, às margens do rio

Ao passo que acordo, repleto de devir
Descubro que caí na armadilha de Jove
E agora me encontro no mais puro caos!

IV
Meu grito furioso foi ouvido
Por toda extensão celeste estelar planetária
Que compadecendo de mim, armaram-me com uma lança

Jove fugindo de mim eternamente.
Covarde que é, não me mostra a sua face
Mas já na quinta estrela eu o alcanço

Ataco, destruo e deformo, de olhos fechados
E como foi emasculado, Jove perde a razão
Revelando-se, então, como o Diabo em pessoa

V
Ouvi a súplica e também uma tal de
Onde está a vossa compaixão, perdoe-me senhor
A verdade é que, no fundo, quis perdoá-lo

E assim eu fiz, portanto, comecei a ouvir
Preste bem atenção, pois se o enganei, não fiz por mal
A destreza do Inimigo fez-me rir
Qualé a graça?, expliquei que Eunucos filósofos
são coisa do passado, dê-me os selos de Salomão, pois hei de partir!

A estrela iluminava, aérea, enfim, o planeta Saturno em preto e branco!

VI
Quarta sessão, paciente continua delirando.
Medidas contentivas: Cinco gramas de dopamina, dez de telepatina,
camisas de força e abuso sodomita.
Tratar à pão e água.

À estrela saturnina, evoco minha colônia!
Que façam milagres, ergam a Babilônia
Neste lar eterno, vivam o sonho, apesar da insônia

Eu sei que o sigilo na capa deste caderno (que escrevo para passar o tempo)
Me deixará sem a memória de hoje.

VII
Levanto-me num átimo, e carrego comigo
A intenção de punir aqueles que me reduziram
À condição de andarilho oblíquo e indigesto.
Vou lembrar a hora que peguei a caneta,
Tomei coragem e pus-me a anotar o 
Semblante imemorial dos
portões da sétima estrela?
Não. Quis ser arrogante e guardei-o na
memória.

VIII
Vede, ó estrela pulsante
Encare, pois, este meu olhar delirante
Antes que deixes de existir

Na ponta da lança, embebedo este meu veneno
Sangue podre e pestilento, capaz de matar até
Essa última estrela

O caminho que me fora prometido
Era nada mais que uma armadilha de sensações
Que fez-me parar de sonhar

IX
E o sonho criou as estrelas
As estrelas criaram Saturno
E Saturno criou o caminho

Se o caminho revelasse vosso nome sagrado
Nenhum peregrino haveria de caminhar
Sobre tão perigoso terreno

Então, desperto, por fim, lhes digo:
Assim o mundo foi criado
Tudo conforme o caminho, tudo conforme o sonho.
225

Eneágono (DEF)

IV
Meu grito furioso foi ouvido
Por toda extensão celeste estelar planetária
Que compadecendo de mim, armaram-me com uma lança

Jove fugindo de mim eternamente.
Covarde que é, não me mostra a sua face
Mas já na quinta estrela eu o alcanço

Ataco, destruo e deformo, de olhos fechados
E como foi emasculado, Jove perde a razão
Revelando-se, então, como o Diabo em pessoa

V
Ouvi a súplica e também uma tal de
Onde está a vossa compaixão, perdoe-me senhor
A verdade é que, no fundo, quis perdoá-lo

E assim eu fiz, portanto, comecei a ouvir
Preste bem atenção, pois se o enganei, não fiz por mal
A destreza do Inimigo fez-me rir
Qualé a graça?, expliquei que Eunucos filósofos
são coisa do passado, dê-me os selos de Salomão, pois hei de partir!

A estrela iluminava, aérea, enfim, o planeta Saturno em preto e branco!

VI
Quarta sessão, paciente continua delirando.
Medidas contentivas: Cinco gramas de dopamina, dez de telepatina,
camisas de força e abuso sodomita.
Tratar à pão e água.

À estrela saturnina, evoco minha colônia!
Que façam milagres, ergam a Babilônia
Neste lar eterno, vivam o sonho, apesar da insônia

Eu sei que o sigilo na capa deste caderno (que escrevo para passar o tempo nesta estrela)
Me deixará sem a memória de hoje.
243

Eneágono (ABC)

I
Conto estrelas, ao todo, vejo nove
Mesmo assim o céu está escuro
Hoje a lua não reflete no muro

Fecho os olhos, percebo tudo que se move
Concentro-me neste ponto avermelhado
Que aponta lá pro alto, pro céu estrelado

Eis ali a benção de Jove!
Abrem-se os astros, um caminho bonito
Um caminho de estrelas, um caminho infinito

II
A máquina o fez igual ao irmão
Pois logo na primeira estrela ele chorou
Por ter de livrar o irmão que tanto amou

Fui questionado, mas não quis dar razão
Quis seguir o meu caminho
E assim, continuei, na reta, sozinho

E acabei longe, em amarga solidão
Porém Jove, devendo-me escusas
Aponta-me o caminho até as minhas musas

III
Amargo, porém, fê-lo sorrir
Com um belo adorno de diamante
Vi a alegria da minha amante

Eis: uma felicidade eterna está por vir!
Pois desta estrela, fiz de meu feitio,
Meu lar, em paz, às margens do rio

Ao passo que acordo, repleto de devir
Descubro que caí na armadilha de Jove
E agora me encontro no mais puro caos!
230

quinta 14/05 ou buraco de traça no topo do caderno

Transformar sentimentos em palavras não é (minha) poesia
Máquinas em contato com o dínamo estrelado
Flores frias à flor da pele: estamos condenados
a cair no chão salgado, seco e marcado com
suor e sangue e sexo
Longos caminhos sendo percorridos
Longas distâncias sofrendo
A neblina não me deixa ver a igreja
e olhar atentamente para os tais fiéis
feito a tal la creatura divina, oculta
no submundo de piche
La creatura exilada, exércitos tentando
contê-la, mas a única coisa que pode
detê-la são os homens que existem
apenas dentro de um computador, os
mesmos que vomitaram os nomes dos 
filhos de israel, que entraram no Egito e,
olhando para o céu, tiveram uma
boa ideia.
202

sexta-feira 08/05

Quero tomar o seu sangue, cuspir na parede
para escrever seu nome, já que as 
letras lembram um discurso de ódio
perfeito para ser pronunciado em uma
situação como esta

Quero arrancar meus molares podres,
triturá-los e usá-los para temperar
a carne do meu cachorro morto, que
desenterrei hoje à tarde para ter o 
que comer

Quero ver a maquinaria celeste
quebrando em mil pedaços, anjos
perdendo as asas e caindo no chão,
e os pobres famintos na terra caçando-
-os sem piedade, eternamente
 
Quero chorar ácido sulfúrico
para que meus olhos derretam e 
eu não tenha mais que encarar
ninguém por ter chorado

Quero morrer antes de escrever
pois sou ingênuo e irresponsável
e se amaldiçoo com palavras os
diabos escutam e dizem "Amém!"
182

Aqui no deserto...

... minhas terras estão secas
Meus filhos foram embora
Para as terras atrás dos altos montes
Vento Sul, a nuvem no céu traz para mim

Venenosas são as águas
Que as serpentes rastejam, até a minha casa
No fundo do poço, disseram-me vampiras de almas
"Eis este espelho de carne, contemple-o!"

Pois eu peço
À estrela iluminada, que traga meus filhos de volta!
E se o Senhor não existe
Nada é permitido

A consciência, criadora da realidade,
Torna  intrínseca a moral humana
Que sei eu de moral humana? Pergunto-me,
Mas eu sei apenas que
Não faz mal o pai ao filho
Nem faz mal o filho ao pai,
Dizendo que a vida é uma mentira
E que a morte é apenas um céu vermelho
E a memória clareando o céu
Me fez matar este andarilho
E eu que, agora, fui sete vezes maldito
Ouvi o suspiro final: "Amei o meu irmão!"

Ainda bem que minha lógica se sustenta
Pois hoje é igual ao ontem
E o ontem foi igual ao hoje.
457

Comentários (3)

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CORASSIS

Parabéns pela tua poesia !

Thaís Fontenele

Gostei muito da sua escrita, magnífico!

petit_bateaux

voce eh fera dms, vamos ser amigos ?